Samory Touré

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Samory com o Alcorão em mãos

Samory Touré (também conhecido como Samori Toure, ou Samori ibn Lafiya Ture ou Almamy Samori Ture) foi um guerreiro e soberano Malinké, nascido em Miniambaladougou, na atual Guiné, em 1830, morrendo em 1900, no Gabão.

Fundou o Império Mandinga que resistiu ao jugo francês na África Ocidental de 1882 a 1898. É um herói da resistência ao colonialismo e um notável estrategista e guerreiro.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Samory nasceu 1830 ao sudeste da atual Guiné. Seu pai, Lafiya Touré era dioula, e sua mãe, Masorona Kamara, era de origem malinké (mandinga). Seus pais eram comerciantes e ele seguiu essa ocupação até os seus 20 anos. Quando sua mãe foi capturada em uma operação de escravos, ele se ofereceu para servir no exército de seu captor Sori Birama, em troca da libertação dela. Ao alcançar a posição de comandante e mostrar habilidade e destreza militar extraordinária, ele e sua mãe foram libertados.

O Império Mandinga[editar | editar código-fonte]

Samory Touré observou que os povos malinké eram desorganizados e que não havia nenhum chefe único com a capacidade de uni-los. Declarando-se independente de Sori Birama, ele ganhou o apoio de um número crescente de chefes malinké por sua visão de unidade e pacientemente começou a construir um império. Ele empregou o impulso triplo de persuasão, ameaça, e da guerra, da mesma forma como fez no Mali, Sundjata Keita, para ampliar o Estado Mandinga.

Utilizando uma combinação de métodos tradicionais e inovadores, ele organizou os chefes malinké em um único estado sob a sua autoridade incontestável. No núcleo era o exército, com Samory tanto como comandante-em-chefe ou como o chefe de Estado. Esta inovação intensificou a lealdade ao Estado com a lealdade primária ao soberano.

Revolucionário e eficiente na época, a organização deste Estado era uma estrutura piramidal com Samory no ápice, o que lhe permitiu exercer um controle rígido e eficaz como nunca antes visto no Sudão ocidental. Entre 1852 e 1882, Samory Touré criou o Império Mandinga.

Em 1881, Samory estendeu o império para o leste, na do Sikasso (Mali), a oeste, até ao Futa Djallon (próximo à metada da Guiné atual), ao norte, a partir de Kankan para Bamako (no Mali ), ao sul, até às fronteiras da atual Serra Leoa e Libéria.

Samory desenvolveu um exército poderoso, quase profissional, equipada com armas européias e treinado em métodos modernos de guerra. O exército foi dividido em dois flancos, a infantaria ou sofa, com 30.000 a 35.000 homens, e a cavalaria ou sere de 3.000 homens. Cada flanco foi subdividido em unidades permanentes, promovendo a camaradagem entre os membros e lealdade para com ambos os líderes locais e a Samory.

Luta contra os Franceses[editar | editar código-fonte]

Na segunda metade do século XIX, as potências européias decidiram estabelecer colônias na África Ocidental e não poderia tolerar estados fortes como o Império Mandinga e pela mesma razão, os líderes fortes como Samory Touré.

  • Em 1882, no auge do Império Mandinga, os franceses encontraram sua desculpa para atacar. Samory Touré se recusou a cumprir a ordem de retirar-se um centro importante do mercado, Kenyeran, o qual seu exército tinha bloqueado.
  • Entre 1882 e 1885, os mandingas combateram os franceses, teminando esta luta com um tratado de paz em 1886 e outro em 1887.
  • Em 1888, ele pegou em armas novamente quando os franceses quebraram o tratado, ao tentar fomentar a rebelião no seio do Império Mandinga.
  • Em 1890, Samory reorganizou o exército e concluiu um tratado com os britânicos em Serra Leoa, onde obteve armas modernas. Agora, ele enfatizará a defesa e as táticas de guerrilha empregadas.
  • Em 1891, com o seu armamento aperfeiçoado e exército reorganizado, derrotou os franceses.
  • Em 1892, tropas francesas invadiram os grandes centros do Império Mandinga, deixando a morte e a destruição em seu rastro.
  • Em 1893, Samory decidiu que o Oriente será a única direção para a expansão do Império Mandinga, Samory mudou a capital de Bisandougou para Dabakala.
  • Em 1894, a França reuniu todas as suas tropas no Sudão Ocidental para concentrar-se em territórios remanescentes de Samory. Os mandingas lutaram bravamente, mas não foram páreos para o poder dos franceses com sua força total.
  • Em 1898, Samory, forçado a lutar uma guerra total e contra todas as probabilidades, foi capturado e exilado para o Gabão, onde morreu dois anos depois.

Referências

http://blackhistorypages.net/pages/samoriture.php, Em Black History Pages (inglês)