Sippar

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Sippar (Zimbir em sumério, Sippar em assírio-babilónio)1 , é o nome de um atual sítio arqueológico de duas antigas cidades da baixa Mesopotâmia situadas oriental ao noroeste de Babilónia ( actual Iraque) e separadas por apenas sete quilómetros.

Ambas as cidades tiveram diversos nomes ao longo de sua história, usando geralmente referência à sua divindade principal (‘’Shamash’’) para diferenciá-las. Deste modo temos, "Sippar de Shamash" (atual Abu Habbah) e "Sippar de Annunitu" (actual Tell ed-Dêr). Sippar é citada genericamente no Antigo Testamento com o nome de Sepharvaim.

As inscrições mencionam outras cidades Sippar: uma delas é "Sippar do Paraíso", que possivelmente faz referência a um bairro adicional da cidade. Um destes nomes pode ser identificado com Acádia, a capital do primeiro Império Semítico Babilónio2 .

A cidade de Sippar é mencionada como uma das mais antigas da Mesopotâmia na Lista de reis da Suméria. Segundo esta lista, Sippar teria sido a quarta cidade em exercer a realeza, a penúltima antes do Dilúvio. Sua dinastia que teria durado milhares de anos, e teria inicio com o monarca Nabucodonosor I. Outro monarca Nabucodonosor II, é citado na Bíblia.

Sippar de Shamash (Abu Habbah)[editar | editar código-fonte]

Outros nomes: Sippar-Yahruru(m), Sippar-sati(m), Sippar-seri(m).

Este achado foi escavado pela primeira vez por Hormuzd Rassam em 18813 , quando explorou o templo de Samash e extraiu quase 60.000 fragmentos de tabuinhas, às quais tinham sido em quase em sua totalidade, fruto de escavações clandestinas. Em 1894, as inscrições foram escavadas brevemente pelo francês Jean-Vincent Scheil e, em 1927, pelos alemães Walter Andrae y Julius Jordan. foi posteriormente explorado por arqueólogos iraquianos desde a década de 1940 ate à década de 1970.

O “coração” da cidade constituía num templo dedicado ao deus solar Shamash (o Ebabbar), protegido por una muralha interior, onde se havia construído um zigurat. Os escavadores clandestinos teriam recuperado no bairro sagrado um importante número de tabuinhas com escrita cuneiforme, às quais, una vez classificadas e estudadas, revelaram a existência de vários arquivos da cidade: como um «convento» de época páleo-babilónica (entre os séculos XIX-XVII a.C.) habitado por sacerdotisas consagradas ao culto de Shamash, os arquivos de um templo de época neo-babilónica (século VI a.C.) e uma biblioteca da mesma época, descoberta recentemente.

No mesmo sitio tem sido descobertos bairros residenciais, datados da época páleo-babilónica com um importante grupo de arquivos. Sippar se encontrava rodeada por una muralha de 1.300 metros de comprimento por 800 de largura.

Sippar de Annunitu (Tell ed-Dêr)[editar | editar código-fonte]

Outros nomes: Sippar-Amnānu(m), Sippar-dūri(m), Sippar-rabū(m).

Tell ed-Dêr foi escavada mais recentemente que Abu Habbah; as primeiras investigações foram realizadas em 1975 por arqueólogos alemães da Universidade de Gante.

Atualmente tem-se explorado a residência de Ur-Utu, um membro do clero do século XVII a.C., onde tem sido descoberto um grupo de cerca de 2000 tabuinhas com notáveis inscrições.

Dentre estas tabuinhas de argila, duas mencionam o reinado do rei da Pérsia, Xerxes, bem como Dario da Media (região). A tabuinha data do mês de nisã4 . Outra tabuinha leva a data do “mês de ab(?), ano de acessão de Xerxes”5 .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. coordenadas: 33.058829311599° N 44.252153346703° E
  2. "It is usually assumed that the Hippareni refers to Sippar (Ptolemy's Sippara), but even that requires proof, since the change of ‘s’ to ‘h’ is strange." —R. D. Barnett. (1963). "Xenophon and the Wall of Media". The Journal of Hellenic Studies 83: 14.
  3. Benjamin Bromberg. (1942). "The Origin of Banking: Religious Finance in Babylonia". The Journal of Economic History 2 (1): 77–88.
  4. A Catalogue of the Late Babylonian Tablets in the Bodleian Library, Oxford (Catálogo das Tabuinhas Babilônicas Posteriores na Biblioteca Bodleiana, Oxford; de R. Campbell Thompson, Londres, 1927, p. 13, tabuinha chamada A. 124. -it-3 p. 261 Pérsia, Persas
  5. Neubabylonische Rechts- und Verwaltungsurkunden übersetzt und erläutert (Documentos Jurídicos e Administrativos traduzidos e esclarecidos), de M. San Nicolò e A. Ungnad, Leipzig, 1934, Vol. I, parte 4, p. 544, tabuinha N.° 634, chamada VAT 4397