Sturm und Drang

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Sturm und Drang (tempestade e ímpeto) foi um movimento literário romântico alemão, que ocorreu no período entre 1760 a 1780.

O movimento acontecia por uma reação ao racionalismo que o Iluminismo do século XVIII postulara, bem como ao classicismo francês que, como forma estética, tinha grande influência na cultura européia, principalmente na Alemanha daquele tempo.

Os autores desse movimento postulavam uma poesia mística, selvagem, espontânea, em última instância quase primitiva, onde o que realmente tinha valor era o Empfindung, o efeito da emoção, imediato e poderoso: emoção acima da razão. Os Stürmer eram contra a literatura e a sociedade do Antigo Regime.

Deixando de lado a rígida métrica da poesia francesa - divulgada em grande parte por Johann Christoph Gottsched -, os stürmer voltaram-se para a poesia de Homero, para a Bíblia luterana, para os contos e histórias do folclore nacional nórdico.

Uma grande influência do movimento é Johann Gottfried Herder (1744 - 1803). Influenciado pelo pensamento do inglês Shaftesbury e pelo amigo Johann Georg Hamann (1730-1788) (outra grande influência do movimento), Herder postulara o conceito de Gênio: o efeito e a conseqüência de uma inspiração, indiferente a classes sociais. Com efeito, isso levou os poetas do movimento a verem com outros olhos Homero, Shakespeare, Ossian e a poesia popular.

Entre os representantes do movimento, destacam-se Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller.

Origens do termo[editar | editar código-fonte]

O termo Sturm und Drang apareceu pela primeira vez como título de uma peça sobre a Revolução Americana pelo autor alemão Friedrich Maximilian Klinger, publicada em 1776, na qual o autor dá uma expressão violenta a emoções difíceis e anuncia o primado da expressão individual e subjetividade sobre a ordem natural do racionalismo. Apesar de se defender que há literatura e música associadas ao Sturm und Drang anteriores a esta obra seminal, é neste momento que a análise histórica começa a delinear um movimento estético distinto que ocorre entre os fins da década de 1760 e o princípio da de 1780, do qual os artistas alemães desse período são claramente conscientes. Contrariamente aos movimentos literários pós-iluministas dominantes do tempo, essa reação, aparentemente espontânea, passou a ser associada a uma grande amplitude de autores e compositores alemães, de meados a finais do período clássico.1 A expressão Sturm und Drang passou a ser associada à literatura ou à música com o objetivo de assustar o público ou imbuí-lo de extremos de emoção, até à dispersão do movimento no Classismo de Weimar e a eventual transição para o Romantismo onde os objetivos sócio-políticos foram incorporados (objetivos estes afirmando valores unificados contrários ao despotismo e às limitações à liberdade humana), juntamente com um tratamento religioso de todas as coisas naturais.2 Há muito debate quanto a que obra deve ou não deve ser incluída no cânone do Sturm und Drang; havendo quem defenda a limitação do movimento a Goethe, Herder, Lenz e os seus diretos associados alemães que escreveram obras de ficção e filosofia entre 1770 e o início dos da década de 1780.3 A perspectiva alternativa é a de um movimento literário indissociavelmente ligado a desenvolvimentos simultâneos em prosa, poesia, teatro, estendendo a sua influência directa a todas as regiões de língua alemã até o final do século 18. No entanto, convém notar que os criadores do movimento o encaravam como um momento de exuberância prematuro, que foi depois frequentes vezes abandonado nos anos seguintes a troco de projectos artísticos opostos.4

Movimentos filosófica e esteticamente relacionados[editar | editar código-fonte]

Sturm und Drang na literatura[editar | editar código-fonte]

Características[editar | editar código-fonte]

O protagonista duma típica obra Sturm und Drang, seja ela peça de teatro, poema ou romance, é levado a uma AÇÃO, não pela procura de uma empresa nobre, nem por 'motivos verdadeiros', mas por vingança ou por ambição desmedidas. Além disso, essa Ação a que o protagonista é levado se dá muitas vezes num esteio de violência. A obra inacabada de Goethe, denominada Prometheus, exemplifica muito bem essa característica com aquela ambiguidade comum a que leva a introdução, aqui e ali, de lugares comunshumanísticos ao lado de explosões de irracionalidade.5 A literatura com características 'Sturm und Drang' tem um viés anti- aristocrático e dá valor a fatores humildes, naturais ou intensamente reais (ex. sentimentos intensamente dolorosos,atormentadores ou medonhos).

A história de amor sem esperança e que acaba em suicídio, apresentada no romance sentimental de Goethe, "Die Leiden des Jungen Werther" ("Os sofrimentos do jovem Werther"), de 1774 é um exemplo de calma introspecção do autor sobre o seu próprio amor e angústia. O drama de Friedrich Schiller, Die Räuber ("Os Bandidos") (1781), foi um importante marco para que o melodrama se tornasse uma forma dramática reconhecida, por meio de uma intriga que explora o conflito entre dois irmãos aristocratas, Franz e Karl Moor. Franz é apresentado como um vilão que tenta apropriar-se fraudulentamente da herança de Karl, embora os motivos da sua ação sejam complexos e iniciem uma minuciosa investigação do bem e do mal. Esses dois romances são exemplos seminais de Sturm und Drang na Literatura Alemã.

Importantes obras literárias[editar | editar código-fonte]

Na música[editar | editar código-fonte]

A música da era Clássica (1750-1800) associada ao Sturm und Drang, era predominantemente composta num tom menor, exprimindo um sentimento difícil ou deprimente. Os grandes temas de uma peça são tendencialmente angulares, com grandes saltos e contorno melódico imprevisível. Os tempos mudam rapidamente e de forma inesperada, o mesmo acontecendo à dinâmica, por forma a reflectir fortes mudanças emocionais. Ritmos palpitantes e síncopes são comuns, o mesmo acontecendo com escalas rápidas nos registos de contralto e soprano. Nas cordas, o tremolo é um meio de enfatizar, da mesma forma que as súbitas e dramáticas variações de dinâmica e acentuações.

História[editar | editar código-fonte]

Haydn[editar | editar código-fonte]

Mozart[editar | editar código-fonte]

Notáveis compositores e obras[editar | editar código-fonte]

Notas de Rodapé[editar | editar código-fonte]

  1. Preminger, Alex; Brogan, T. V. F. (Eds). (1993) The New Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics. Princeton: Princeton University. pg. 1
  2. Pascal, Roy. (Apr., 1952). The Modern Language Review, Vol. 47, No. 2. pp. 129–151. pg. 32.
  3. Pascal. Pg 129.
  4. Heckscher, William S. (1966–1967) Simiolus: Netherlands Quarterly for the History of Art, Vol. 1, No. 2. pp. 94–105. Pg. 94.
  5. Alan Liedner Pg. 178

References[editar | editar código-fonte]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • A expressão Sturm und Drang é o título de uma peça de Maximilian Klinger, publicada em 1776.

Principais Representantes e Obras[editar | editar código-fonte]

Werther, de Goethe, edição de 1774
  • Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832)
    • Prometheus (1772–1774)
    • Götz von Berlichingen (1773)
    • Clavigo (1774)
    • Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774)
    • Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister (1777)
Os Bandoleiros, de Schiller, edição de 1781
  • Friedrich Schiller (1759-1805)
    • Os Bandoleiros (1781)
    • A Conjuração de Fiesko (1784)
    • Intriga e Amor (1784)
    • An die Freude (1785) (poesia)
  • Jakob Michael Reinhold Lenz (1751–1792)
    • Os Soldados ( 1776)
  • Friedrich Maximilian Klinger (1752–1831)
    • Otto (1775)
    • Sturm Und Drang (1776)
    • A nova Arria (1776)
  • Karl Phillip Moritz (1757-1793)
    • Anton Reise (1785)
  • Gottfried August Bürger (1747–1794)
    • Lenore (1773)
    • História (1778)
  • Heinrich Wilhelm von Gerstenberg (1737–1823)
    • Ugolino (1768)
  • Johann Georg Hamann (1730–1788)
    • Kreuzzüge des Philologen (1762)
  • Johann Jakob Wilhelm Heinse (1746–1803)
    • Ardinghello (1787)
  • Johann Gottfried Herder (1744–1803)
    • Fragmentos para a Nova Literatura Alemã (1767–1768)
    • Da Mentalidade e Artes Alemã (1773)
    • Vozes do Povo em Canções (1778)


Ver também[editar | editar código-fonte]