The Replacements (banda)

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The Replacements
Informação geral
Origem Minneapolis, Minnesota
País  Estados Unidos
Gênero(s) Rock alternativo
Punk rock
Jangle Pop
Período em atividade 19791991
Gravadora(s) Twin/Tone
Sire Records
Integrantes Paul Westerberg
Tommy Stinson
Bob Stinson
Chris Mars
Slim Dunlap
Steve Foley

The Replacements foi uma banda de rock alternativo fundada no ano de 1979 em Minneapolis. Sua música foi inspirada no punk rock e embora nunca popular, conseguiu causar grande impacto no cenário alternativo.

Membros[editar | editar código-fonte]

O começo[editar | editar código-fonte]

O grupo The Replacements foi inicialmente formado em 1979, quando Paul Westerberg se juntou a uma banda punk de garagem fundada pelos irmãos Bob (guitarra) e Tommy Stinson (baixo, de apenas 12 anos) e pelo baterista Chris Mars. Originalmente, a banda foi chamada de The Impediments, mas acabaram mudando o nome para Replacements após serem banidos de um clube por iniciarem uma grande desordem: um show regado com muito álcool, farra e baderna. No início de carreira, o Replacements era uma banda de hardcore e soava muito parecido com o Hüsker Dü, grupo líder da cena punk de Minneapolis. Entretanto, em pouco tempo o Replacements foi se dissolvendo e se tornando uma banda rebelde e selvagem, criando suas próprias definições e se tornando uma das bandas mais autênticas e impressionantes de toda a história do rock & roll - graças a composições sinceras e complexas, riffs e refrões memoráveis e shows caóticos. Logo após criarem uma certa reputação na cena local, acabaram assinando com o selo Twin/Tone, de Minneapolis.

Sorry Ma, Forgot to Take Out the Thash, foi o primeiro álbum da banda, lançado em 1981. Se tratava de uma gravação do mais puro hardcore, mas que falhou ao tentar criar um impacto na cena nacional. O disco foi seguido pelo EP Stink, no ano seguinte, que soava bastante com o que fora produzido anteriormente. Foi apenas no segundo álbum da banda, Hootenanny, de 1983, que o grupo obteve devida atenção e conseguiu criar sua própria base de fãs. Em Hootenanny, a banda começou a mixar outros gêneros musicais nas canções. Além do punk, ele trazia elementos do rock & roll, country, blues e folk, ainda que algumas vezes esse tom eclético se tornava bastante irônico.

A criação da primeira Obra Prima[editar | editar código-fonte]

Hootenanny criou a atmosfera para Let It Be, álbum que obteve imenso sucesso de crítica.

Lançado em 1984, o disco mostrou que a banda expandiu significativamente sua pretensão musical e que Paul Westerberg havia evoluído consideravelmente como compositor - ele foi capaz de produzir uma música cativante como "I Will Dare", um full-throttle rock & roll, além de baladas introspectivas como "Answering Machine".

Críticos e músicos influenciados pelos Replacements finalmente deram o braço a torcer e rapidamente passaram a elogiar a banda. O grupo conseguiu assim criar seguidores em larga escala na cena underground. O barulho foi tanto que o selo Sire foi convencido a assinar um contrato com Paul Westerberg e os companheiros em 1985.

O disco que tinha tudo para catapultar a banda, mas não catapultou[editar | editar código-fonte]

O primeiro álbum dos Replacements então em uma major, foi Tim, de 1985. Inicialmente, a obra suprema da banda seria produzida por um ídolo de Paul: Alex Chilton (Big Star), que inclusive chegou a trabalhar em algumas demos, mas o posto acabou ficando com Tommy Erdelyi, primeiro baterista dos Ramones. Logo no seu lançamento, Tim obteve imenso sucesso entre os críticos, igualando e algumas vezes superando o notável Let It Be. O novo disco conseguiu quebrar novas barreiras, mas não foi o suficiente para deixar os Replacements no topo do mainstream, apesar do potencial que tinha para a façanha. Embalado pelo sucesso, os Replacements ganharam os holofotes do popular humorístico norte-americano Saturday Night Live. Mas no dia da aprentação, todos estavam bêbados (como se isso fosse novidade), coisa que chamou bastante a atenção do público e crítica - mais ainda quando Westerberg disse a palavra "fuck" no ar. Todas as apresentações da banda eram feitas à base de muito álcool, o que causava certa indignação para quem assistia - não pelo fato de estarem bêbados - e sim pelo fato de não tocarem músicas inteiras, e, na maioria das vezes, músicas que sequer eram dos Replacements.

Contudo, àquela altura os Replacements tinham a chance de atingir o topo. Como? Produzindo um clipe formidável para o sucesso "Bastards of Young", como comentou um certo produtor. Mas Westerberg hesitou: "Então é essa tal de MTV que manda na música? Eu quero que eles se danem. Vou fazer um clipe do meu jeito e quero ver até onde chegamos!" - não deu outra. O clipe de "Bastards of Young" não mostrava nada além de um aparelho de som tocando a canção. A MTV não gostou nem um pouco, e para eles, ninguém ia gostar de assistir um clipe sem nexo como aquele. Com esse pensamento, o clipe idealizado por Paul mal foi exibido pela emissora e a banda acabou não tendo a exposição que teria caso produzisse um clipe profissional. Para muitos, um ato estúpido que custou a fama dos Replacements. Para outros, uma demonstração íntegra contra a manipulação que a mídia visivelmente exercia sobre o público naquela época. Clipes nos mesmos moldes foram produzidos para "Hold My Life", e "Left of the Dial".

Peter Jackson, amigo e empresário da banda e dono de uma loja de discos na época, recorda-se de um fato interessante: "Quando o Replacements assinou com a Sire em 1985, acompanhei a banda durante uma turnê. Estávamos em Los Angeles quando Paul e eu fomos intimados a comparecer aos escritórios da Warner Bros. em Burbank para se encontrar com Jeff Ayeroff ["czar criativo" da Warner Bros., como ele mesmo se auto-titula]. Nunca vou me esquecer daquele dia. Jack não mediu palavras e disse, 'Não quero falar a respeito do fato de não quererem fazer um vídeo, quero falar a respeito do vídeo que vão fazer'. Pessoalmente, não acho que aquele foi um jeito amistoso de se discutir, especialmente com Paul, que odiava sujeitos autoritários. Paul não hesitou e foi direto: 'Pegue um trecho do Hee Haw [programa humorístico norte-americano dos anos 70] que nós faremos a sincronia labial com a música Waitress in the Sky'. Eu nunca entendi por que a Warner nunca o levou a sério".

"Escrevemos sobre o que queremos, agimos como de fato somos, não fingimos nada. As pessoas devem aceitar isso, porque, afinal, na maioria das vezes é preciso fazer certas coisas para sermos aceitos. Estar bem na TV, entrar naquele clima de alegria. Quando não estamos nesse clima, não fingimos que estamos. Algumas pessoas nos vêem como objetos de entretenimento, o que de fato somos, mas em primeiro lugar queremos divertir a nós mesmos. Muitos entendem isso, outros não", desabafa Paul Westerberg em uma entrevista realizada em 1987.

Após a turnê de Tim, Bob Stinson foi expulso da banda, por seu vício exagerado de drogas e álcool. Os Replacements gravaram seu então próximo álbum como um trio em Memphis, Tennessee, com o principal produtor do Big Star, Jim Dickinson. O projeto resultou no excelente Pleased to Meet Me, lançado na primavera norte-americana de 1987. O disco era mais direto que os anteriores, e continuou a dar para os Replacements uma boa cotação de acordo com a crítica, apesar do álbum não atrair novos fãs para a banda. Durante a turnê do disco, Slim Dunlap foi escalado como guitarrista principal e acabou preenchendo de uma vez por todas a vaga após o tour. Westerbeg considera esse o melhor álbum da banda.

A falsa decadência[editar | editar código-fonte]

Na primavera americana de 1989, a banda retornou com Don't Tell a Soul, novo disco que tentou soprar os Replacements para o mainstream. Tentativa em vão. Contudo, a banda estava livre dos vícios e admitiu que os anos consumindo drogas e álcool não permitiram que os Replacements trabalhassem em busca do sucesso. O grupo, pronto para entrar na jogada comercial, produziu Don't Tell a Soul num tom mais polido, para tocar no rádio e na MTV, a começar com o belíssimo single "I'll Be You". Inicialmente, o trabalho deu resultado: "I'll Be You" se tornou a balada número um de rock e a banda começou a produzir clipes amigáveis para a Music Television. Entretanto, ao contrário do que a crítica considera, Don't Tell a Soul não foi um álbum ruim. Só não emplacou e não deu a chance para os Replacements se tornarem uma força comercial. Talvez porque já era tarde demais.

Derrotados pelo "fracasso" de Don't Tell a Soul, Paul Westerbeg começou a conceber um trabalho solo. Ideia rejeitada pela gravadora Sire, em termos, pois o próximo álbum do Replacements - All Shook Down (1990) - não passava de um disco solo de Paul, exceto pelo nome que ainda estampava a capa. Gravado com uma série de músicos, inclusive com os próprios Replacements, All Shook Down traduzia bem a língua de Westerberg. Composições mais pessoais, um som acústico e suave resumia o novo trabalho, que gerou um burburinho entre os membros da banda - o baterista Chris Mars decidiu abandonar o posto e ainda alegou que Westerberg havia assumido total controle sobre os Replacements. O baterista Steve Foley substituiu Mars e acabou assumindo as baquetas, fazendo a turnê do disco. Com os dois fracassos - do tour e do novo álbum - o Replacements acabou encerrando suas atividades em meados de 1991.

Os Replacements hoje[editar | editar código-fonte]

Alguns membros remanescentes continuaram seus trabalhos. Tommy Stinson formou a banda Bash & Pop no ano seguinte; em 1995 formou a banda Perfect e desde o final da década toca com o Guns N' Roses. Lançou seu disco solo (Village Gorilla Head) em 2003. Chris Mars iniciou sua carreira solo que rendeu 04 discos. Após o último deles, de 1996, Mars decidiu abandonar a música para se dedicar ao trabalho artístico envolvendo pinturas e desenhos. Dunlap lançou dois álbuns solo (The Old New Me, 1993; Times Like This, 1996). Bob Stinson não conseguiu se livrar dos vícios e veio a falecer de overdose em 15 de fevereiro de 1995. Já o líder Westerberg iniciou finalmente sua bem sucedida carreira solo - fez duas canções ("Dyslexic Heart" e "Waiting for Somebody") para o filme Singles (1992) além de trabalhar em toda a trilha sonora. Lançou 06 discos (14 Songs, 1993; Eventually, 1996; Suicaine Gratifaction, 1999; Mono/Stereo, 2002; Come Feel Me Tremble, 2003; Folker, 2004) e continua fazendo turnês tocando tanto músicas do Replacements quanto suas produções pessoais.

Em 1997, o disco All For Nothing/Nothing for All foi lançado em 1997 pela Sire. Em suma, o CD-duplo reúne faixas completamente remasterizadas - desde os grandes hits dos Replacements, até b-sides e gravações ao vivo.

No final de 2005, os ex-Replacements Paul, Tommy e Chris se reuniram e acabaram gravando duas novas canções que apareceram no novo disco Don't You Know Who I Think I Was? - The Best of the Replacements, uma coletânea num único CD que, além das novas músicas, reúne o melhor dos Replacements. O lançamento aconteceu no dia 13 de junho de 2006 pela Rhino Records. Chris não tocou bateria nas faixas - Josh Freese assumiu as baquetas - enquanto que Chris apenas contribuiu nos backing vocals. As novas músicas - "Message to the Boys" e "Pool & Drive", foram escritas por Paul. Após essa reunião, a especulação de uma possível volta dos Replacements, nem que seja breve, começou a ser muito cogitada. Entretanto, nada de oficial foi declarado ou feito desde então.

Em meados de 2006, Paul Westerberg foi convidado a participar da criação da trilha sonora do longa de animação "Open Season", da Sony Pictures Animation. Westerbeg escreveu várias novas canções para o filme, além de dar antigas músicas.

O Replacements foi uma banda sincera, original e que toca o ouvinte. Conseguiu estabelecer seus próprios padrões e ideais sem apelar para técnicas de sucesso do passado; rejeitou sua ingressão no mainstream quando podia; fez letras que até podem parecer piradas, mas que não esnobam e atingem o coração e a mente; fez canções que não enrolam e dá para assobiar e um som potente longe de ser pré-fabricado; e marcou seja o rock alternativo, ou a história. Certamente uma banda que ficará eternizada na cabeça de quem ouve, mesmo que sejam poucos.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

EP[editar | editar código-fonte]

Singles[editar | editar código-fonte]

  • "I'm in Trouble" (TwinTone, 1981)
  • "Color Me Impressed" (TwinTone, 1983)
  • "I Will Dare" (TwinTone, 1984)
  • "Bastards of Young" (Sire, 1985)
  • "Kiss Me on the Bus" (Sire, 1985)
  • "Can't Hardly Wait" (Sire, 1987)
  • "Alex Chilton" (Sire, 1987)
  • "The Ledge" (Sire, 1987)
  • "Skyway" (Sire, 1988)
  • "Cruella DeVille" (Sire, 1988) #11
  • "I'll Be You" (Sire/Reprise, 1989) #1
  • "Back to Back" (Sire/Reprise, 1989) #28
  • "Achin' to Be" (Sire/Reprise, 1989) #22
  • "Merry Go Round" (Sire, 1990) #1
  • "Someone Take the Wheel" (Sire, 1990) #15
  • "When It Began" (Sire, 1991) #4

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

  • Boink!! (TwinTone, 1986)
  • All for Nothing/Nothing for All (Sire, 1997)
  • Don't You Know Who I Think I Was? - The Best of the Replacements (Rhino, 2006)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • You Take the Skyway - Uma homenagem aos Replacements - site em português contendo fotos, biografia, análise dos álbuns e das músicas e mais.
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