Tratado de Nemours

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Os artigos do Tratado de Nemours (ou Tratado de Saint-Maur) foram aprovados por escrito e assinados em Nemours em 07 de julho de 1585 entre a rainha-mãe, Catarina de Médici, exercendo funções do Rei, e representantes da Casa de Guise, incluindo o duque de Lorena.[1] Catarina apressou-se em Saint-Maur-des-Fossés, onde em 13 de julho foi assinado o tratado entre o rei Henrique III de França e os líderes da Liga católica, incluindo Henrique I de Guise.[2] O rei foi pressionado por membros da Liga católica para assinar o acordo que foi reconhecido por seus contemporâneos como uma renovação das antigas guerras francesas da religião.[3]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Em 10 de junho de 1584, o duque d'Anjou, Francisco d'Alençon morreu. Desde que o rei Henrique III não tinha filhos e provavelmente continuaria assim, o legítimo sucessor ao trono da França era primo[4] distante do rei e chefe do partido protestante, Henrique, rei de Navarra.[5] Na primavera seguinte, a Liga católica assumiu o controle de várias cidades no norte da França. Em uma tentativa de ganhar o controle da Liga, liderada por membros da casa de Guise, Henrique III declarou-se seu chefe, um ato que o obrigou a romper com Henrique de Navarra.

Termos[editar | editar código-fonte]

O tratado cancelou todos os editais anteriores, rejeitou todos os huguenotes de escritório oficial e forçou o rei a capitular às exigências da Liga católica. Além disso, o duque de Guise recebeu Châlons como segurança.[6] Como resultado, toda a metade nordeste da França foi controlado diretamente pela Casa de Guise. Além disso, foi prometido aos Guise subsídios significativos. Henrique disse sem rodeios a Carlos, o cardeal de Bourbon, que o acordo global traria caos e ruína para a França. No entanto, o rei assinou o tratado em suas tentativas de flanquear os Guise e tornou-se líder da Liga católica. Em 18 de julho, ele foi pessoalmente ao Parlamento de Paris para realizar um Lit de justice e forçar o Parlamento a registrar os termos do tratado, dando-lhes o efeito da lei, bem como a prerrogativa real.[7]

Em 19 de julho, a Liga católica promulgou sua versão do edital, o que reforçou os efeitos do Tratado de Nemours. Com base nos termos do acordo, todos os editais anteriores que permitiam concessões políticas e religiosas aos huguenotes foram revogados. Em resumo, o acordo proíbe a prática de todas as religiões, exceto o Catolicismo Romano, na França. "Hereges" não foram autorizados a alcançar um cargo público e ministros de outras religiões foram proibidos. Todos os indivíduos tiveram que se converter ao catolicismo ou o risco de ser expulsos da França.

Resultado[editar | editar código-fonte]

O Papa Sisto V selou o Tratado de Nemours após excomungar o rei de Navarra e seu primo, o Príncipe de Condé.[8] Ele baseou sua excomunhão, alegando que o trono de Navarra foi investido em São Pedro, seus sucessores, e o poder eterno de Deus. Como resultado, a Bula Papal tirou o rei de Navarra de seus títulos, e negou a ele e seu primo, o direito de suceder ao trono francês. A Bula Papal invalidou todas as lealdades juradas ao Rei de Navarra por seus vassalos. O Tratado de Nemours, e os eventos que se seguiram, foram os responsáveis ​​pelo advento da Guerra dos Três Henriques, a fase final das Guerras Religiosas Francesas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Letter of Catherine de Médicis Au Roy Monsieur mon Filz, enclosing the articles of peace. Hector La Ferrière-Percy, Gustave Baguenault de Purchesse, André Lesort, eds. Lettres de Catherine de Médicis: 1582-1585 :339f.
  2. Os signatários incluíam o cardeal de Bourbon e de Guise, e o Duque de Mayenne. (Letters de Catherine de Médicis p. 340 nota 1.)
  3. "En somme, ceste paix est le renouvellement d'une vielle guerre", Étienne Pasquier, o concelheiro no parlamento, escreveu a um colega: "Em suma, esta paz é uma renovação de uma guerra antiga." (citado em Holt, Mack P.. (1988). "The King in Parlement: The Problem of the Lit de Justice in Sixteenth-Century France" (em inglês). The Historical Journal 31 (3): 507–523 [p. 513]. DOI:10.1017/S0018246X00023463.
  4. Um primo vinte e duas vezes removido, de acordo com Thorpe, L.. (1949). "An Inedited Manuscript of Thomas Sebillet" (em inglês). French Studies 1949: 256–266.
  5. Jean Delumeau, "Renaissance et discordes religieuses" em L'histoire de France, Georges Duby, ed, Larousse, 2007: 478.
  6. O original foi conservada na Biblioteca Nacional da França. O texto é dada em J. Dumont, Corps diplomatique 5p. 453.
  7. Holt (1988).
  8. Biblioteca Pública de Nova Iorque. 1985. The Baltimore Literary and Religious Magazine, Volume 1 p.114

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Baumgartner, Frederic J.. (1973). "The Case for Charles X". Sixteenth Century Journal 4 (2): 7–98.
  • Konnert, Mark. (1989). "Urban Values versus Religious Passion: Châlons-sur-Marne during the Wars of Religion". Sixteenth Century Journal 20 (3): 387–405. The Sixteenth Century Journal. DOI:10.2307/2540786.
  • Sutherland, N. M.. Henry IV of France and the Politics of Religion, 1572-1596. Bristol: Elm Bank, 2004. ISBN 1-84150-846-2.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]