Valor presente líquido

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O valor presente líquido (VPL), também conhecido como valor atual líquido (VAL) ou método do valor atual, é a fórmula matemático-financeira capaz de determinar o valor presente de pagamentos futuros descontados a uma taxa de juros apropriada, menos o custo do investimento inicial. Basicamente, é o calculo de quanto os futuros pagamentos somados a um custo inicial estariam valendo atualmente. Temos que considerar o conceito de valor do dinheiro no tempo, pois, exemplificando, R$ 1 milhão hoje não valeriam R$ 1 milhão daqui a um ano, devido ao custo de oportunidade de se colocar, por exemplo, tal montante de dinheiro na poupança para render juros. É um método padrão em: ...

  • contabilidade gerencial: para a conversão de balanços para a chamada demonstrações em moeda constante, quando então se tenta expurgar dos valores os efeitos da inflação e das oscilações do câmbio. Também é um dos métodos para o cálculo do goodwill, quando então se usa o demonstrativo conhecido como fluxo de caixa descontado (ver Valor presente ajustado);
  • finanças: para a análise do orçamento de capitais - planejamento de investimentos a longo prazo. Usando o método VPL um projeto de investimento potencial deve ser empreendido se o valor presente de todas as entradas de caixa menos o valor presente de todas as saídas de caixa (que iguala o valor presente líquido) for maior que zero. Se o VPL for igual a zero, o investimento é indiferente, pois o valor presente das entradas é igual ao valor presente das saídas de caixa; se o VPL for menor do que zero, significa que o investimento não é economicamente atrativo, já que o valor presente das entradas de caixa é menor do que o valor presente das saídas de caixa.

O valor presente líquido é um método simples, muito útil para os decisores, mas como todos os métodos simples tem diversas desvantagens. A maioria dessas desvantagens são ultrapassadas por métodos mais avançados, como a avaliação de opções reais.

Para cálculo do valor presente das entradas e saídas de caixa é utilizada a TMA (Taxa Mínima de Atratividade) como taxa de desconto. Se a TMA for igual à taxa de retorno esperada pelo acionista, e o VPL > 0, significa que a decisão favorável à sua realização. Sendo o VAL superior a 0, o projecto cobrirá tanto o investimento inicial, bem como a remuneração mínima exigida pelo investidor, gerando ainda um excedente financeiro. É, portanto, gerador de mais recursos do que a melhor alternativa ao investimento, para um nível risco equivalente, uma vez que a taxa de actualização reflete o custo de oportunidade de capital. Estamos perante um projeto economicamente viável. Desta maneira, o objetivo da corporação é maximizar a riqueza dos acionistas, os gerentes devem empreender todos os projetos que tenham um VPL > 0, ou no caso se dois projetos forem mutualmente exclusivos, deve escolher-se o com o VPL positivo mais elevado.

Se o VAL = 0 – Ponto de indiferença. No entanto, dada a incerteza associada à estimativa dos cash flows que suportaram a análise, poder-se considerar elevada a probabilidade de o projecto se revelar inviável.

Se o VAL < 0 – Decisão contrária a sua realização. Estamos perante um projecto economicamente inviável.

Na análise de dois ou mais projetos de investimento: Será preferível aquele que apresentar o VAL de valor mais elevado. No entanto, há que ter em consideração que montantes de investimento diferentes, bem como distintos horizontes temporais, obrigam a uma análise mais cuidada.


Exemplo[editar | editar código-fonte]

A corporação X deve decidir se vai introduzir uma nova linha de produto. O produto novo terá custos de introdução, custos operacionais, e fluxos de caixa entrantes durante seis anos. Este projeto terá uma saída de caixa (t=0) imediata de R$125.000 (que pode incluir as máquinas, equipamentos, e custos de treinamento de empregados). Outras saídas de caixa são esperadas do 1º ao 6º ano no valor de R$25.000 ao ano. As entradas de caixa esperam-se que sejam de R$60.000 ao ano. Todos os fluxos de caixa são após pagamento de impostos, e não há fluxo de caixa esperado após o sexto ano. A TMA é de 12% ao ano, segue abaixo o cálculo do valor presente líquido para cada ano.

T=0 -R$125.000 / 1,12^0 = -R$125.000 VP (Valor Presente). .
T=1 (R$60.000 - R$25.000)/ 1,12^1 = R$31.250 VP.
T=2 (R$60.000 - R$25.000)/ 1,12^2 = R$27.902 VP.
T=3 (R$60.000 - R$25.000)/ 1,12^3 = R$24.912 VP.
T=4 (R$60.000 - R$25.000)/ 1,12^4 = R$22.243 VP.
T=5 (R$60.000 - R$25.000)/ 1,12^5 = R$19.860 VP.
T=6 (R$60.000 - R$25.000)/ 1,12^6 = R$17.732 VP.

A soma de todos estes valores será o VPL (Valor Presente Líquido), o qual é igual a R$18.899. Como o VPL é maior que zero, a corporação deveria investir neste projeto. Logicamente que numa situação real, seria necessário considerar outros valores, tais como cálculo de impostos, fluxos de caixa não uniformes, valores recuperáveis no final do projeto, entre outros.

Utilizando uma calculadora financeira e considerando-se uma TMA de 10% ao ano, encontramos para o projeto de investimento P um Valor Presente Líquido de R$27.434,12. Se considerarmos uma TMA de 17.19% ao ano, o Valor Presente Líquido do Projeto será zero. Para uma TMA de 0%, o lucro econômico periódico se confunde com o lucro contábil periódico e o valor presente líquido é igual ao somatório dos lucros contábeis periódicos.

Fórmula[editar | editar código-fonte]

O valor presente líquido para fluxos de caixa uniformes, pode ser calculado através da seguinte fórmula, onde t é a quantidade de tempo (geralmente em anos) que o dinheiro foi investido no projeto (começa no ano 1 que é quando há efectivamente o primeiro exfluxo de dinheiro), n a duração total do projeto (no caso acima 6 anos), i o custo do capital e FC o fluxo de caixa naquele período.

\mbox{VPL} = \sum_{t=1}^n \frac{FC_t}{(1+i)^t}

Se a saída do caixa é apenas o investimento inicial, a fórmula pode ser escrita desta maneira: Em que FC_{j} representa os valores dos fluxos de caixa de ordem "j", sendo j = 1, 2, 3, ..., n; FC_{0} representa o fluxo de caixa inicial e "i" a taxa de juro da operação financeira ou a taxa interna de retorno do projeto de investimentos.

\mbox{VPL} = \sum_{j=1}^n \frac{Rj - Cj}{(1+i)^t} - I = 0

Para fluxos de caixa uniformes ou não, podemos utilizar a fórmula abaixo:

\mbox{VPL} = {FC_1} + \frac{FC_2}{(1+i)^{j+1}} + \frac{FC_3}{(1+i)^{j+2}} + ... \frac{FC_6}{(1+i)^{j+5}}


Entre vários projetos de investimento, o mais atrativo é aquele que tem maior Valor Presente Líquido.


INFLUÊNCIA DA TAXA DE ATUALIZAÇÃO NO VAL

Quanto maior for a taxa de atualização utilizada na avaliação, menor será o VAL dos projetos, dado que passa a exigir uma rendibilidade do projecto de investimento superior.


EFEITO FISCAL DAS AMORTIZAÇÕES NO VAL

Relativamente às amortizações e variação das provisões, trata-se de custos não desembolsáveis, pelo que devem ser acrescidas aos resultados do projeto de modo a determinar os cash flows do projeto. No entanto, não podemos descurar que, por influírem na determinação dos resultados, e consequentemente na determinação da matéria colectável, proporcionam uma economia fiscal.

O seu impacto no VAL dos projetos é função do método de amortização utilizado. São três os métodos correntes de amortização de imobilizado:

• Método das amortizações regressivas.

• Método das amortizações constantes;

• Método das amortizações progressivas;

Pelo que,

VAL (Amor. Regressivas)> VAL (Amort. Constantes)> VAL (Amort.Progressivas)


O indicador VAL é, do ponto de vista teórico, em condições estritamente deterministas, o mais consistente dos indicadores disponíveis. Contudo, também apresenta algumas limitações sendo, sobretudo, de difícil interpretação.

O VAL não apresenta insensibilidade à escala do projeto, como acontece com o IR, TIR e PB.

Duração do projecto

O VAL é insensível à duração do projeto.

Vantagens

  • Facilidade de calculo, mas apenas uma vez conhecida uma taxa de atualização apropriada.
  • Conceptualmente mais perfeito e complexo que o período de retorno uma vez que considera a totalidade dos fluxos assim como o custo de oportunidade do capital utilizado.
  • Método simples de aplicar, uma vez parametrizado.


Desvantagens

  • É normalmente problemática a determinação segura da taxa de atualização mais apropriada, sendo este um inconveniente tanto mais importante uma vez que o VAL é muito sensível à taxa utilizada.
  • O pressuposto da constância no tempo da taxa de atualização pode não ser realista, pois o custo do capital da empresa varia no tempo, assim como as taxas para as aplicações alternativas variam no tempo com as condições dos mercados financeiros.
  • O pressuposto de que os fluxos intermédios serão reinvestidos ou financiados à mesma taxa pode não ser realista pois depende das condições futuras do mercado de capitais assim como das alternativas de investimento que poderão surgir no futuro.
  • O VAL assume implicitamente que o decisor é obrigado a tomar uma decisão: (Des)Investir ou não? No entanto, esse pressuposto é irrealista pois o decisor pode adiar a tomada de decisão para o futuro para obter informação adicional. Para contrariar esta desvantagem deve ser utilizada a avaliação de opções reais.
  • O método do VAL fornece valores absolutos, o que se traduz em consequências imediatas:
    • é impossível estabelecer um valor normativo diferente de zero para o VAL abaixo do qual os projetos não deverão ser aprovados. Para isso, é preciso extender o valor presente líquido com a avaliação de opções reais.
    • perante projectos alternativos com montantes iniciais diferentes, este método não fornece diretamente uma classificação racional podendo mesmo induzir em erro.
  • O método não é conclusivo quando é aplicado a projetos alternativos com vidas econômicas substancialmente diferentes.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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