Verso alexandrino

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Verso alexandrino é o verso composto por doze sílabas poéticas. No contexto geral, é o segundo verso mais longo, em estrofes isométricas, apenas superado pelos versos alexandrinos arcaicos, com quatorze sílabas. Conhecido também como Alexandrino Clássico ou Alexandrino Francês, está presente em poesias extremamente trabalhadas gramática e foneticamente, como as parnasianas, porém continuam e são utilizadas largamente até os dias de hoje. Em Língua Portuguesa o verso Alexandrino Francês foi sistematizado por António Feliciano de Castilho e o primeiro poeta a utilizar esse verso em larga escala no Brasil foi Machado de Assis, ainda no período estético do Romantismo.

Regras de escansão do Alexandrino Clássico[editar | editar código-fonte]

Existem algumas regras para a escansão de um verso alexandrino.

O verso alexandrino francês possui, na sua composição dois hemistíquios, ou seja, dois meio-versos de seis sílabas métricas cada. Três observações se dão na união desses dois hemistíquios.

1ª Observação- Deve-se ater o iniciante ou praticante do verso alexandrino a colocação de sílabas tônicas obrigatórias na 6ª e 12ª sílaba;

A casa que foi minha, hoje é casa de Deus.

Traz no topo uma cruz. Ali vivi com os meus, (Em negrito: sílabas tônicas ocupando a 6ª e 12ª sílabas respectivamente).

2ª Observação - A sexta sílaba (primeiro hemistíquio) deve ser a última sílaba de uma palavra oxítona ou, se, a palavra for uma paroxítona, esta deve terminar em vogal e a primeira palavra do hemistíquio seguinte deverá iniciar-se com vogal átona para fazer a elisão (junção dos meio-versos num verso só).

Deixo e vou vê-la em meio_aos altos muros seus.

Sai de lá uma prece_elevando-se aos céus; (Alberto de Oliveira)

3ª Observação – Deve-se evitar no verso alexandrino a ocupação da sílaba tônica do primeiro hemistíquio de uma palavra proparoxítona, ou paroxítona com a terminação em consoante.

Estas regras conferem uma cadência binuclear num mesmo verso, porém por ter um ritmo marcado por uma forte cesura (pausa central), o verso alexandrino exige um ritmo binário (sentenças semi-autônomas para cada hemistíquio) para que este possa soar mais harmonioso no ponto de vista fonético.

Considerações críticas[editar | editar código-fonte]

O Verso Alexandrino sem dúvida é o verso mais difícil da língua portuguesa, devido as suas particularidades de difícil confecção. É certamente o mais tolhedor da inspiração do poeta, sendo, portanto praticamente banido pelas primeiras gerações do Modernismo Brasileiro por causa de sua ligação direta com as tendências antagônicas em que o novo movimento na época procurava contestar. A sua particular engenhosidade se dá pelo fato de que pela posição perdida na sociedade industrializada do século XIX, o poeta pós-romântico – parnasiano ou simbolista – procurou se especializar na confecção de poemas em que o Artista – escritor ou não – foi em tudo foi colocado como inferiores aos demais cidadãos, imbuindo portanto, em mostrar-se superior com o trabalho artístico que poder-lhes-ia conferir. No entanto, os poetas notadamente a partir do próprio Simbolismo em diante procuraram tangenciar ritmos um pouco mais soltos e alternativos em relação ao alexandrino clássico, utilizando paralelamente versos dodecassílabos, intercaladamente nas suas composições, fator considerado natural no decorrer do tempo. Na época do Parnasianismo brasileiro o verso alexandrino tornou-se comum entre os poetas devido as influências do movimento homólogo francês, resultando na preferência de metrificações pares, o pouco uso dos metros em redondilhas (versos de cinco e sete sílabas poéticas), o banimento quase que total do hiato (inexistente na Língua Francesa), o que resultou numa tendência de maior rigidez do verso.

Versos Dodecassílabos[editar | editar código-fonte]

Conhecidos também como Alexandrinos Modernos ou Alexandrinos Descesurados, são versos de doze sílabas poéticas, porém não são considerados como versos alexandrinos. Estes versos não possuem o Ponto de Cesura, ou seja, a pausa central do alexandrino francês. Aparecem algumas vezes intercaladamente com os alexandrinos em conjunto no mesmo poema. Estes versos são formados da seguinte forma:

1º - Dodecassilabo Moderno Quartenário ou Trímeros

São versos que possuem pés tripeônicos de quarta, ou seja, possuem acento tônico na 4ª, 8ª e 12ª sílabas.

2º - Dodecassilabo Moderno Ternário ou Tetranapéstico

São versos que possuem quatro pés métricos anapésticos, ou seja, com acento tônico na 3ª, 6ª, 9ª e 12ª sílabas.

Alguns autores da Literatura Brasileira a valer-se da utilização de Alexandrinos em conjunto com Dodecassílabos (Alexandrinos modernos descesurados).

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