Abde Almumine

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Abd al-Mu'min)
Ir para: navegação, pesquisa
Abde Almumine
Califa almóada do Marrocos
Mapa da Península Ibérica em 1157, mostrando as regiões dos Almóadas e os reinos de Portugal (P), Leão (L) Castela (C), Navarra (N) e Aragão (A)
Reinado 1147-1163
Antecessor(a) Ibn Tumart
Sucessor(a) Abu Iacube Iúçufe
 
Casa Almóada
Nome completo
‏عبد المؤمن بن علي
Morte 1163

Abde Almumine[1][2][3][4] (em árabe: ‏عبد المؤمن بن علي, lit. '`abd al-mū'min ben `alī al-kūmī'; Nedroma, actual Argélia, c. 1094 - Salé, actual Marrocos, 1163) foi o primeiro califa e o segundo imame do Califado Almóada.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascido no seio da tribo berber dos Cúmia, na Argélia, Abde Almumine seria provavelmente um soldado e membro da classe governante. A sua tribo estava em conflito com os almorávidas, que na época governavam Marrocos e os forçaram a refugiar-se nas montanhas. Cerca de 1117, tornou-se um dos mais distintos discípulos do líder religioso Maomé ibne Abdalá (ibne Tumarte), que fundara a ordem religiosa dos almóadas, com base na ortodoxia religiosa e no descontentamento com a fraqueza dos povos islâmicos, principalmente na península Ibérica.

O seu mestre delegou-lhe todos os seus poderes temporais e, em 1128, quando morreu depois de uma derrota frente aos almorávidas, o seu sucessor Abde Almumine manteve a sua morte em segredo por dois anos, até estabelecer o seu poder. Em 1130 assumiu-se como líder do movimento de ibne Tumarte e transformou-o numa poderosa força militar. Conquistou Marrocos aos almorávidas em 1146, após o cerco de Fez, depois a Argélia e a Tunísia, estabelecendo a sua capital em Marraquexe. Durante o seu califado favoreceu os poetas e os sábios Ibn Tufail e Averróis.

A sua política unificadora e expansionista, baseada na religião, depois unificou as taifas, para formar um governo islâmico que pudesse fazer frente aos cristãos. Em pouco mais de trinta anos, os almóadas conseguiram forjar um poderoso império que se estendia desde Santarém, no actual Portugal até Trípoli na actual Líbia, incluindo todo o norte de África e o sul da Península Ibérica.

Nos últimos anos do seu califado, faltava dominar a revolta dos cristãos da al-Andalus, liderada por ibne Mardanixe (em árabe: ‏أبو جميل زيان بن مردنيش; transl.: abū jamīl zyān ben mardanīš). Reconheceu o seu filho Abu Iacube Iúçufe como herdeiro, e com a ajuda deste tencionava construir uma fortaleza, na margem esquerda do rio Bou Regreg, em frente à cidade de Salé. O objectivo desta fortaleza, chamada Rebate Alfaite (campo da vitória) e a futura Rebate, era preparar uma frota destinada a invadir a Hispânia. Quando morreu, em 1163 na cidade de Salé, não tinha ainda concluído este projecto, que foi continuado pelo seu sucessor.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Ibn Tumart
Icone-Islam.svg
Líder almóada

1128-1146
Sucedido por
Califado Almóada
Precedido por
Dinastia almorávida
Icone-Islam.svg
Califa almóada

1146-1163
Sucedido por
Abu Iacube Iúçufe

Referências

  1. Grande enciclopédia portuguesa e brasileira 37 Editorial Enciclopédia [S.l.] p. 445. 
  2. Lopes 1999, p. 117
  3. Coelho 1989, p. 295, 299, 303
  4. Coelho 1972, p. 265, 271-272

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Coelho, António Borges (1989). Portugal na Espanha Árabe: História Editorial Caminho [S.l.] ISBN 9722104209. 
  • Coelho, António Borges (1972). Portugal Na Espanha Árabe: Organização, Prólogo E Notas de António Borges Coelho, Volumes 3-4 Seara Nova [S.l.] 
  • Lopes, João Baptista da Silva; Manuel Cadafaz de, Matos (1999). A cidade de Silves num itinerário naval do século XII por um cruzado anónimo Edições Távola Redonda [S.l.] ISBN 9729366152. 
  • Dicionário Universal Ilustrado, Ed. João Romano Torres & Cª.1911.


Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.