Acisclo

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Santo Acisclo
A marca vermelha neste busto (circa 1680, por Pedro de Mena y Medrano) de Santo Acisclo é uma referência à decapitação do santo a mando do governador romano de Córdoba.
Mártir
Nascimento Segunda metade do século III em Córdoba, Espanha
Morte 17 de novembro de 304 em Córdoba, Espanha
Veneração por Igreja Católica; Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica 17 de novembro
Atribuições com Santa Vitória, sua irmã; coroado com rosas
Padroeiro Córdoba, Espanha
Gloriole.svg Portal dos Santos

Acisclo (em latim: Acisclus) ou Ocíselo (em latim: Ocysellus; segunda metade do século III – 17 de novembro de 304) foi um cristão romano do final do século III e começo do IV de Córdoba, na Espanha, que, durante a Perseguição de Diocleciano, sofreu o martírio juntamente com sua irmã, Santa Vitória.

Biografia[editar | editar código-fonte]

A história de Acisclo e Vitória consta no Memorial dos Santos do século IX do também mártir Eulógio de Córdoba. Há dúvidas sobre a veracidade histórica da existência de Vitória,[1] mas ambos são venerados nos ritos litúrgicos moçárabes e sua veneração espalha-se por toda a Espanha e França.[2] Seu culto é tão antigo quanto o século VI como atestável numa inscrição hispânica deste período referente a relíquias.[1]

Segundo a narrativa de Eunápio, Acisclo e Vitória, nativos e residentes de Córdoba, foram denunciados como cristãos ao prefeito Dião, descrito como um "iníquo perseguidor de cristãos", que tratou de prendê-los. A principal acusação para prendê-los era de que Acisclo alegadamente teria dito que os deuses romanos eram "nada mais que pedras, não melhores que aqueles que as cultuavam".[3]

Visando puni-los, Dião ordenou que fossem queimados numa fornalha, mas seu plano fracassou, com eles alegadamente entoando músicas de júbilo do interior da fornalha. Em seguida, prendeu-os em pedras e lançou-os no rio Guadalquivir, porém novamente fracassou, com ambos sendo encontrados flutuando ilesos na superfície.[3]

Por fim, Dião suspendeu-os sobre o fogo, mas o fogo saiu de perto deles e matou centenas de pagãos. Após tais eventos, Acisclo e Vitória, sentindo já terem demonstrado suficientemente que permaneceriam resolutamente cristãos, bem como o poder exercido por seu Deus, entregaram-se a seus pretensos carrascos,[4] que executaram-os no anfiteatro: Acisclo foi decapitado,[2] enquanto Vitória foi morta a flechadas.[5]

Os corpos de Acisclo e Vitória foram sepultados por uma dama chamada Minciana em sua propriedade fora dos muros da cidade.[6] O local posteriormente tornar-se-ia uma igreja e muitos dos mártires da perseguição árabe foram enterrados ali. A Basílica de São Saturnino de Tolosa, na França, reclama algumas das relíquias de Acisclo e Vitória.[5]

Referências

  1. a b Butler 1995, p. 154
  2. a b Jones 2007
  3. a b Wolf 2014, p. 77
  4. Wolf 2014, p. 77-78
  5. a b Butler 1995, p. 155
  6. Farmer 2011, p. 2

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Butler, Alban; Burns, Paul (1995). Butler's Lives of the Saints 11 A&C Black [S.l.] 
  • Farmer, David (2011). The Oxford Dictionary of Saints, Fifth Edition Revised (Oxford: OUP Oxford). ISBN 0191036730. 
  • Jones, Terry. «Acislus». Patron Saints Index. Arquivado desde o original em 13/02/2007. Consultado em 12/06/2016. 
  • Wolf, Kenneth Baxter (2014). Christian Martyrs in Muslim Spain Cambridge University Press [S.l.] ISBN 1107634814. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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