Al-Muizz li-Din Allah

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al-Muizz
Califa fatímida
Governo
Reinado 953975
Antecessor Ismail al-Mansur
Sucessor Al-Aziz
Dinastia Fatímida
Vida
Nome completo Ma‘ādh Abū Tamīm al-Mu‘izz li Dīn Allāh
معد المعز لدين الله
Nascimento 930
Morte 975 (45 anos)
Filhos Al-Aziz
Pai Ismail al-Mansur

Al-Muizz li-Din Allah (em árabe: معد المعز لدين الله), também grafado al-Moezz, nascido com o nome Abu Tamim Ma'ad ou Ma'ad Abu Tamim ("Fortalecedor da religião de Deus [Alá]"), foi o quarto califa fatímida e o décimo-quarto imam ismaelita. Foi durante o seu reinado que os fatímidas conquistaram o Egipto, onde al-Muizz ordenou a construção da cidade do Cairo (al-Qāhiratu l-Muʻizzīyatu - "Vitória de al-Muizz"), em 969, mudando o centro do poder fatímida da Ifriqiya para o Egito[1] .

História[editar | editar código-fonte]

Al-Muizz sucedeu ao seu pai, Ismail al-Mansur, em 953, tendo adoptado o título califal de Al-Muizz. Os fatímidas, liderados pelo pai de Al-Muizz, Ismail al-Mansur, derrotaram a revolta kharijita de Abu Yazid, voltaram a sua atenção para a expansão do califado por todo o mundo islâmico e para a luta contra o Califado Abássida (sunita). Ainda que primordialmente preocupados com o Egito e com o Oriente Médio, houve mesmo assim algumas campanhas lideradas pelo general Jawhar as-Siqilli contra os berberes de Marrocos (que era governado pelos também xiitas idríssidas) e contra os omíadas de al-Andalus (Espanha islâmica). Em paralelo, os raides na Itália reafirmaram a superioridade naval dos fatímidas no Mediterrâneo ocidental (à custa dos bizantinos) e permitiram o estabelecimento do Emirado da Sicília como dependente dos fatímidas.[carece de fontes?]

O caminho para o Egito então se abriu para os fatímidas, principalmente pela crise que enfrentava a dinastia dos Ikchídidas e pela incapacidade dos abássidas de contra-atacar. A invasão, que já tinha sido tentada pelos seus antecessores, foi alvo de um plano cuidadoso que se iniciou em 966, mas teve que ser postergado, segundo a tradição, devido ao fato da mãe de Al-Muizz desejar realizar a peregrinação a Meca, o que a obrigaria a passar pelo Egito. No seu regresso, a sua mãe pediu-lhe para que invadisse o Egipto apenas após a morte do seu soberano, Kafur, que a teria tratado muito bem quando por lá passou. Kafur faleceu em 968 e a invasão ocorreu no ano seguinte, tendo sido liderada pelo general Jawhar. O país caiu sem grande resistência. Após ele ter assegurado suas posições, al-Muizz transferiu a residência real de al-Mansuriya para a recém fundada cidade de al-Qāhiratu l-Muʻizzīyatu (Cairo), mudando assim o centro do poder do Califado Fatímida para o oriente. Na Ifriqiya, os ziridas do general Yusuf ibn Ziri foram alçados ao poder como regentes. No Egito, apenas os ataques dos carmatas tiveram que ser repelidos entre 972 e 975 antes que uma completa reforma financeira, sob o comando de Yaqub ibn Killis, pudesse ser feita.[carece de fontes?]

Al-Muizz foi sucedido por seu filho, al-Aziz, em 975.

Cultura e religião[editar | editar código-fonte]

Al-Muizz era famoso por sua tolerância em relação às demais religiões dos territórios que conquistava e era popular entre judeus e cristãos. Acredita-se também que a primeira caneta-tinteiro. Em 953, o califa solicitou que fosse criada uma caneta que não sujasse as mãos e nem as roupas e que também já viesse com um reservatório de tinta. al-Nu'man al-Tamimi (m. 974), em sua Kitdb al-Majalis wa 'l-musayardt, relata as instruções de al-Muizz:[carece de fontes?]

Desejamos construir uma caneta que possa ser utilizada sem termos que recorrer a um tinteiro e cuja tinta já esteja dentro de si. Uma pessoa poderia enchê-la de tinta e escrever o que desejar. O escritor poderia guardá-la em seu bolso ou onde quiser pois ela não manchará e nem deixará cair sequer uma gota. A tinta irá fluir apenas quando houver a intenção de escrever. Não sabemos de ninguém que tenha construído uma caneta assim e um indicação de 'sabedoria pungente' será de quem conseguir imaginá-la e realizá-la em sua significação e seu propósito exatos. Eu exclamei 'Será possível?'. Ele respondeu 'Será se Deus [Alá] quiser assim'.

A literatura fatímida também teve um período de crescimento sob al-Muizz, com o aparecimento de habilidosos poetas como ibn Hani al Andalusi e Ali al Tunusi. O primeiro é geralmente comparado com al Mutanabbi e aclamado como o "Mutanabbi do Ocidente"[2] .

Relação com os cristãos coptas[editar | editar código-fonte]

Os Cristãos coptas (monofisitas) tiveram uma certa liberdade sob al-Muizz[3] Copts were among those appointed to the highest offices of the empire and were allowed to freely practice their religion.[4] . O vizir da Síria era Quzman ibn-Nima, um cristão copta[5] . O festival chamado de Nayrouz, a celebração do ano-novo copta, foi permitido, embora com algumas restrições a algumas atividades, como o uso de fogos-de-artifício e a entrada na água[6] .

Esta relação foi o tema de diversas lendas escritas posteriormente pelos cristãos coptas. Numa delas, al-Muizz teria desafiado o papa Abraão de Alexandria (os patriarcas de Alexandria também são chamados de papa) a mover a Montanha Mokattam no Cairo, recitando um versículo do Evangelho de Marcos que diz:

«Pois em verdade vos digo que se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.» (Mateus 17:20)
 
Parte do trecho conhecido como Jesus exorcizando o garoto,

De acordo com as fontes coptas, Abraão ordenou que a comunidade mantivesse uma vigília e que rezasse por três dias e noites. Na terceira noite, o papa teve um sonho no qual a Virgem Maria ordenou-lhe que procurasse Simão, o Tintureiro. A lenda conta que, por conta da vigília e sob a liderança de Abraão e Simão, a montanha teria se movido. Esta história é recontada no livro "História dos Patriarcas de Alexandria", escrito por Severus Ibn al-Muqaffaʿ[5] . Fontes posteriores afirmam ainda que este milagre teria feito al-Muizz se converter ao cristianismo e que ele teria sido batizado na Igreja de São Mercúrio, no Cairo, numa fonte batismal que ainda está lá e é conhecida como "Batistério do Sultão"[5] [7] [8] [9] [10] . Ainda de acordo com este lenda, al-Muizz teria abdicado ao trono em nome de seu filho e passado o resto de sua vida num mosteiro, algo que é rejeitado por influentes historiadores muçulmanos como Ahmad Zaki Pasha e Muhammad Abdullah Enan[5] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Al-Muizz li-Din Allah
Nascimento: 930 Morte: 975
Precedido por:
Al-Mansur
Califas fatímidas
953–975
Sucedido por:
Al-Aziz

Referências

  1. Irene Beeson (setembro/outubro 1969). Cairo, a Millennial pp. 24, 26–30. Saudi Aramco World. Página visitada em 2007-08-09.
  2. M. Th. Houtsma, T.W. Arnold. Biographical Encyclopaedia of Islam, Volume 3.
  3. In: Brill. The Bible in Africa: transactions, trajectories, and trends. [S.l.: s.n.], 2000. p. 108. ISBN 978-90-04-10627-7
  4. Gibb, H. A. R.. The Encyclopaedia of Islam. [S.l.]: Brill, 1979. p. 91.
  5. a b c d A History of Eastern Christianity, by Aziz Suryal Atiya. [S.l.]: Taylor & Francis, 1968. 87–88 p.
  6. The Mamluks in Egyptian politics and society. [S.l.]: Cambridge University Press, 1999. ISBN 978-0-521-59115-7
  7. The Coptic Synaxarium Volume II. Published by Saint Mark Coptic Orthodox Church. Cleveland, OH. 2008. Pages 200-202
  8. The Coptic Synexarion Volume I. Published by Maktabet el Mahaba. 3rd edition. Cairo 1978. Pages 173-177
  9. كنيسة أبى سيفين ومعمودية السلطان. ما زالت هذه المعمودية الغريبة موجودة والتى تختلف عن أى معمودية أخرى فى الكنائس القبطية , وموجودة حتى الآن فى كنيسة أبى سيفين فى مصر القديمة حيث يردد الكاهن الموجود فى هذه الكنيسة لزوارها عندما يريهم معمودية السلطان أن المعز لدين الله الخليفة الفاطمى قد تعمد فى هذه المعمودية. The Sultan's Baptistry at the Church of Saint Mercurius in Cairo. This strange baptistry still exists to this day, and its shape is different from that of all other baptisteries in any Coptic church. It exists to this day at the Church of Saint Mercurius in Old Cairo. The priest of the church tells the visitors that Al-Muizz Lideenilah - the Fatimid Caliph - was baptized at this baptistry.
  10. Coptic Synexarion: Pope Abraham

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARSOT, Alaf Lufti al-Sayyid - A Short History of Modern Egypt. Cambridge University Press, 1985. ISBN 0521272343.
  • AXELROD, Alan; PHILLIPS, Charles - Dictators and Tyrants: Absolute Rulers and Would-Be Rulers in World History. Nova Iorque: Facts on File, Inc., 1995. ISBN 0816028664.