Aladim

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Aladim no Jardim Mágico, ilustração de Max Liebert, de Aladin und die Wunderlampe, de Ludwig Fulda[1] .

Aladim ou Aladino (em árabe: علاء الدين; transl.: ʻAlāʼ ad-Dīn, literalmente "nobreza da fé") é um personagem fictício do conto de origem árabe conhecido como Aladim e a Lâmpada Maravilhosa.

O conto de Aladim é um dos mais famosos da coletânea árabe As Mil e Uma Noites. Sabe-se, porém, que a história foi acrescentada à coletânea pelo orientalista francês Antoine Galland, responsável pela tradução que popularizou a obra no Ocidente.

Origens[editar | editar código-fonte]

Não existem manuscritos árabes com a história de Aladim anteriores ao século XVIII. Segundo Antoine Galland, primeiro tradutor ocidental das Mil e Uma Noites, foi um contador de histórias chamado Hanna Diab, um maronita de Alepo, que narrou-lhe o conto de Aladim e a Lâmpada Maravilhosa em sua casa, em 1709.[2] [3] Só no século XVIII a narrativa passou a constar nos manuscritos árabes das Mil e Uma Noites.[3] [4]

A origem do conto é difícil de datar pela falta de elementos no texto que ajudem a situar a ação. Segundo o estudioso René R. Khawam, é possível que o conto tenha origem na segunda metade do século XI, entre a história de Simbad (fins do século VIII) e as Mil e Uma Noites (compiladas em árabe a partir do século XIII).[3] Outros supõem uma origem ainda mais antiga, como E. Gáll, que encontrou paralelos com histórias contidas em papiros da Antiguidade helenística e romana do Egito e com a prática do roubo de tumbas egípcias, o que o fez propor que a história poderia ter-se originado no século VII, após a conquista árabe do Egito.[4] Ainda outros autores creem que o conto de Aladim contém muitos elementos europeus - introduzidos na versão de Galland - e que as versões árabes, inclusive as folclóricas, seriam baseadas nesta.[4]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Aladim é nascido na China, entendido na Idade Média árabe como a parte da Rota da Seda que compreendia a região do Quirguistão e Sinkiang (no noroeste da atual China).[3] O conto possui diversas edições, mas a maioria delas preserva o teor central do enredo. Na versão do francês Antoine Galland, que inspirou as variadas traduções nos diferentes idiomas no Ocidente, o protagonista Aladim é descrito como um jovem adolescente que se recusa a aprender o ofício do pai, que é alfaiate, sendo descrito por sua mãe como imaturo, "esquecido que não é mais criança". Mesmo depois da morte do pai, quando tinha quinze anos, ele não se modifica – é travesso e prefere brincar a trabalhar. Por este motivo, é também descrito como mau e desobediente.

Aladim mantém-se despreocupado com uma definição para sua vida até ter um encontro com um feiticeiro ou mágico, que o procurava. Este encontro foi determinante para modificar sua trajetória. O mago, possuidor de muitos poderes e capaz de realizar muitos feitos, procura Aladim como um auxiliar eficaz para concretização de uma meta específica – obter uma "lâmpada maravilhosa", uma lamparina semelhante àquelas utilizadas na iluminação doméstica, mas que continha um "gênio" (em árabe djin) que a habitava e que era capaz de realizar todo e qualquer desejo a ele dirigido. A lamparina com o gênio era para o mago um recurso mágico que lhe daria mais poderes e que lhe permitiria realizar os desejos irrestritamente; mas ela estava guardada no interior de um jardim encantado, em uma espécie de gruta ou caverna, que continha muitas jóias e moedas de ouro.

O mago pede a Aladim que entre na caverna misteriosa para retirar de lá a lâmpada e, em troca, lhe oferece uma fortuna. Entrega-lhe um anel mágico para sua proteção. Aladim entra na caverna e pega a lâmpada, mas o mago tenta ludibriá-lo na saída da gruta, e ele acaba preso na caverna com a lâmpada. O gênio que habitava a lâmpada se manifesta após um gesto acidental de esfregá-la, e concede a Aladim a realização de seus pedidos, que são todos consumados. Um dos desejos de Aladim foi o de se tornar um príncipe e desposar a princesa, filha do sultão. Ao transformar radicalmente sua realidade pessoal tornando-se príncipe, transforma-se em adulto, casa-se e passa a ser o governador de seu reino. Mas antes ainda enfrenta duas provações.

A primeira é quando o feiticeiro, tempos depois, retorna e, fazendo-se passar por um mercador excêntrico que "troca lâmpadas velhas por novas", consegue obter a lâmpada mágica da mulher de Aladim e ordena ao gênio que transfira o palácio de Aladim para sua terra, o Magreb africano. Felizmente, Aladim conserva o anel mágico, invoca seu gênio, ao qual pede que o transporte ao Magreb, onde mata o feiticeiro, recupera a lâmpada e traz de volta seu palácio.

Tempos depois, o irmão do feiticeiro resolve vingar aquela morte, assassinando uma velha asceta e curandeira e, "usando os trajes dela e imitando-lhe os modos", engana a mulher de Aladim e se introduz no palácio. Aladim, alertado pelo gênio da lâmpada, mata o impostor. Doravante, "levou com a esposa [...] uma vida plena de felicidade, alegria e regozijo, até que lhe adveio o destruidor dos prazeres e separador das gentes".[5]

Adaptações[editar | editar código-fonte]

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O conto foi adaptado inúmeras vezes para o teatro, ópera, literatura e cinema.[4] Uma adaptação com bastante êxito, em termos de audiência, foi o desenho animado de longa metragem de Disney, Aladim, estreado em 1992.

O longa também ganhou uma série televisiva e duas continuações: The Return of Jafar e Aladim e os 40 Ladrões. Um game também foi lançado. No Brasil, um filme intitulado Aladim e a Lampada Maravilhosa foi lançado, estrelado por Renato Aragão e Os Trapalhões.

O personagem também protagoniza o anime Magi: The Labyrinth of Magic.

Referências

  1. Disponível online.
  2. Payne, John. Alaeddin and the Enchanted Lamp and Other Stories, (Londres 1901) dá detalhes do encontro de Galland's com 'Hanna' em 1709 e da descoberta, na Bibliothèque Nationale de Paris, de dois manuscritos árabes que contêm Aladim e dois outros contos que foram inseridos posteriormente na obra. Ver "Alaeddin and the enchanted lamp"
  3. a b c d Anônimo. O Romance de Aladim. Introdução e tradução de René Khawam. Martins Fontes. 1992. ISBN 85-336-0112-3
  4. a b c d Ulrich Marzolph, Richard van Leeuwen, Hassan Wassouf. The Arabian nights encyclopedia, Volume 1. ABC-CLIO, 2004. ISBN 1576072045 [1]
  5. Livro das Mil e uma Noites, volume 4, traduzido do árabe por Mamede Mustafa Jarouche.


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