Alce Negro

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Alce Negro

Alce Negro (em inglês, Black Elk; em lakota, Hehaka Sapa; c. 186319 de agosto de 1950) foi um célebre pajé e homem santo da tribo sioux da América do Norte. Com apenas doze anos, participou da batalha de Little Big Horn (1876), em que os sioux, liderados pelo célebre cacique Touro Sentado (Standing Bull), infligiram séria derrota ao exército norte-americano, comandado pelo general Custer. Em 1890, Alce Negro saiu ferido do massacre de Wounded Knee, em que os índios foram derrotados pelo exército americano.

Alce Negro se tornou internacionalmente conhecido depois da publicação do livro Black Elk Speaks, publicado em diversas línguas (em português, há uma boa versão da Editora Antígona: Alce Negro Fala: A história da vida de um homem-santo dos Sioux Oglala - ISBN 972-608-119-X). O livro se tornou um clássico da espiritualidade contemporânea, além de revelar aspectos pouco conhecidos da vida religiosa dos índios norte-americanos.

O inusitado da vida de Alce Negro é que, tendo sido batizado na Igreja Católica em 1904, continuou sendo, simultaneamente, um líder espiritual da antiga religião índia da "Dança do Sol" e do "Cachimbo Sagrado" (Calumet). De fato, segundo o autor brasileiro Mateus Soares de Azevedo, Alce Negro não via nenhuma incompatibilidade fundamental entre o Cristianismo que aprendeu dos jesuítas, que o batizaram na Igreja, e a antiga religião xamânica de seus pais.[1]

Se os dogmas e as formas de culto das tradições cristã e xamânica pele-vermelha são distintos, a concepção de um único Deus e da imortalidade da alma, doutrinalmente falando, e a oração como forma privilegiada de contacto entre o humano e o divino, do ponto de vista da práxis espiritual, aproximam as duas espiritualidades. [2]

Segundo Frithjof Schuon, Alce Negro combinava de forma fascinante o heroísmo combativo e estoico com o porte sacerdotal dos índios das pradarias da América do Norte.[3]

A primeira esposa de Black Elk, Katie, converteu-se ao catolicismo e eles tiveram seus três filhos batizados como católicos. Após a morte de Katie, em 1904, Black Elk, então com 40 anos, converteu-se ao catolicismo. Ele também se tornou catequista, ensinando outros sobre o cristianismo. Ele se casou novamente e teve mais filhos com sua segunda esposa; eles também foram batizados e criados como católicos.

Em agosto de 2016, a Diocese Católica de Rapid City (EUA) abriu uma causa oficial para sua beatificação pela Igreja Católica.

Já ao final da vida, Alce Negro transmitiu ensinamentos espirituais reservados dos índios, bem como episódios até então pouco conhecidos de sua existência, a dois pesquisadores ocidentais: John Neihardt e Joseph Epes Brown.

Neihardt publicou um volume que se tornou um clássico, Black Elk speaks: being the life story of a holy man of the Oglala Sioux (1932). Ao professor e autor Joseph Brown, Alce Negro revelou os principais ritos de sua tradição, publicados em The Sacred Pipe: Black Elk's account of the seven rites of the Oglala Sioux (1953).

Referências

  1. Cf. Mateus Soares de Azevedo: "A Survey of the Spiritual Masters of the 20th century", disponível em [1], Revista Sacred Web.
  2. Ver O Livro dos Mestres, de Mateus Soares de Azevedo, pp. 87-92 (São Paulo, Ibrasa, 2016).
  3. Cf. Frithjof Schuon: "Xamanismo Pele Vermelha", capítulo do livro: O Homem no Universo. São Paulo, editora Perspectiva, 2001.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alce Negro Fala: A história da vida de um homem-santo dos Sioux Oglala (Lisboa, Editora Antígona) ISBN 972-608-119-X
  • Black Elk Speaks: being the life story of a holy man of the Oglala Sioux (1932) ( as told to John Neihardt). E diversas edições posteriores.
  • The Sacred Pipe: Black Elk's Account of the Seven Rites of the Oglala Sioux (1953) (as told to Joseph Epes Brown). Diversas edições posteriores.
  • The Sixth Grandfather: Black Elk's Teachings Given to John G. Neihardt (1984).
  • Hilda Neihardt, "Black Elk and Flaming Rainbow" (University of Nebraska Press, 1995) ISBN 0-8032-8376-8

Livros sobre Alce Negro enfatizando sua relação com o Catolicismo:

  • Black Elk: Holy Man of the Oglala, de Michael Steltenkamp;
  • Black Elk: Colonialism and Lakota Catholicism, de Damian Costello;
  • O Livro dos Mestres, de Mateus Soares de Azevedo.

Ver também[editar | editar código-fonte]