Alfabeto cáucaso-albanês

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Capitel de coluna de Igreja Cristão do séc. VII com inscrição em Escrita Cáucaso-Albánia, encontrada em Mingachevir em 1949.

O Alfabeto Cáucaso-Albanês, também chamado Antiga Escrita Udi, é um alfabeto usada na Albânia caucásica, uma das mais antigas etnias Norte Caucasianos, cujo território compreendia partes dos atuais Azerbaijão e Daguestão.

Mesmo tendo sido mencionado em escritos mais antigos, reais exemplos desse alfabeto não eram conhecidos até ter sido novamente descoberto em 1937 por um estudioso georgiano, Professor ‘’Ilia Abuladze’’,[1] em Matenadaran (MS No. 7117), um manual em Língua armênia datado do século XV. Esse Manual apresenta 7 diferentes Alfabetos, dentre os quais o ‘’Cáucaso-Albanês’’. Os demais são: Armênio, Grego, Latino, Siríaco, Georgiano, Copta. O alfabeto Cáucaso-Albanêsfoi denominado: "Ałuanic girn e" (vem do Armênio como "Alfabeto Aghuanic"). Abuladze supõe que essa escrita se baseou em letras Georgianas.

História[editar | editar código-fonte]

Entre 1947 e 1952, escavações arquelógicas em Mingachevir sob o comando de S. Kaziev encontraram artefatos com essa escrita ‘’Cáucaso-Albanêsa’’, um altar de pedra com uma inscrição ao longo da borda consistindo de 70 letra e mais 6 artefatos com textos curtos (de 5 a 50 letras), incluindo castiçais, uns pedaços de telhas e vasos.[2]

Conforme ‘’Movses Kaghankatvatsi’’, o Alfabeto Cáucaso-Albanês foi criado por ‘’Mesrob Mashtots’’, um monge, teólogo e tradutor armênio, a quem também se creditaram as criações dos Alfabetos Georgiano e Armênio.[3]

‘’Koriun’’, um pupilo de Mesrob Mashots, no seu livro A vida dos Mashtots, escreveu sobre as circunstâncias da sua criação:

Então um homem idoso veio e os visitou, um Albanês chamado Benjamin,. Então ele, São ‘’Mesrob Mashdots’’, examinou e inquiriu sobre a bárbara dicção da lingual Albanesa e, com sua usual capacidade que for a um dom de Deus, inventou um alfabeto, o qual ele, com a graça do Cristo, com muito sucesso organizou e ordenou.[4]

O primeiro trabalho escrito razoavelmente longo em Cáucaso-Albanês foi descoberto num palimpsesto nop Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina (Monte Sinai) em 2003 pelo Dr. ‘’Zaza Alexidze’’; tratava-se uma listagem lexica datando de período entre o final do século IV e início do século V d.C., com versos de 2 Coríntios 11, de um ‘’Patericon’’ (escrito bizantino sobre o mesmo).[5] ‘’Jost Gippert’’, professor de Linguística Comparativa da Universidade de Frankfurt (Main), está preparando uma edição desse M<anuscrito.[6]

Língua Udi[editar | editar código-fonte]

A Língua udi, falada por cerca de 8 mil pessoas, principalmente no Azerbaijão, mas também na Geórgia e na Armênia,[7] é geralmente considerada como a última continuação direta da Língua Cáucaso-Albanesa [8] [9]

Notas e referências

  1. Ilia Abuladze. "Acerca da descoberta do alfabeto dos Aghbanianos Caucasianos”. No Boletim do “History and Material Culture (ENIMK), Vol. 4, Ch. I, Tbilisi, 1938.
  2. Philip L. Kohl, Mara Kozelsky, Nachman Ben-Yehuda. Selective Remembrances: Archaeology in the Construction, Commemoration, and Consecration of National Pasts. University of Chicago Press, 2007. ISBN 0226450589, 9780226450582
  3. Moses Kalankaytuk, The History of Aluank, I, 27 and III, 24.
  4. Koriun, The life of Mashtots, Ch. 16.
  5. Aleksidze, Zaza and Betty Blair. 2003. Caucasian Albanian Alphabet: ancient script discovered in ashes. Azerbaijan International 11.3:56,57.
  6. Digitization of the Albanian palimpsest manuscripts from Mt. Sinai
  7. Wolfgang Schulze, "The Udi Language", http://www.lrz-muenchen.de/~wschulze/udinhalt.htm
  8. Os geógrafos árabes se referem a Lígua Arraniana como sendo ainda falada nas proximidades de Barda (em Persa -Abadh; em Armênio - Partav), mas hoje somente duas vilas habitadas pelos Udi são consideradas como continuadores diretos da tradição da língua Albaniana” Conf. V. Minorsky. Caucasica IV. Bulletin of the School of Oriental and African Studies, University of London, Vol. 15, No. 3. (1953), pp. 504-529.
  9. "Caucasian Albanian Script. The Significance of Decipherment" (2003) by Dr. Zaza Alexidze.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]