Badalisc

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O Badalisc

O Badalisc (tambem escrito Badalisk) é uma criatura mitológica do Vale Camonica, Itália, nos Alpes Orientais-Sul.[1] O Badalisc é representado atualmente como uma criatura com uma cabeça grande coberta com pele de cabra, dois pequenos chifres, uma boca enorme e olhos brilhantes.

Celebração[editar | editar código-fonte]

De acordo com a lenda, o Badalisc vive na floresta ao redor da aldeia de Andrista (comuna de Cevo) e é conhecido por irritar a comunidade: todos os anos ele é capturado durante o período de Epifania (dias 5 e 6 de Janeiro) e conduzido por uma corda para a aldeia por músicos e outros personagens mascarados, incluindo il giovane (o rapaz), il vecchio (o velho), la vecchia (a velha) e as jovens signorina, a "isca" para a luxúria do animal. Há também alguns bruxos anciãos, que batem tambores, e pastores barbudos, e um corcunda (un torvo gobetto) quem tem um "duelo rústico" com o animal. Tradicionalmente, apenas os homens participam, embora alguns se vistam como mulheres. Nos tempos medievais, as mulheres eram proibidas de participar da exposição, ou mesmo de ver ou ouvir o discurso do Badalisc; se o fizessem, seriam negadas a eucaristia no dia seguinte.

Na Praça da aldeia (anteriormente em um estábulo) o Discurso do Badalisc (la 'ntifunada) é lido, no qual o animal mitológico fofoca sobre a comunidade. O próprio Badalisc é uma criatura burra, então o discurso, hoje escrito em rima, é lido por um "intérprete". O discurso era improvisado, mas agora é escrito com antecedência. Ele expõe todos os supostos pecados e esquemas da comunidade. Durante o discurso, o Corcunda bate com uma vareta em intervalos ritmados.

O discurso é seguido por música, dança e festa. À noite, a comunidade come a "polenta do Badalisc" (uma versão comercial desta comida tradicional foi lançada em 2010).[2] Até recentemente, as crianças da aldeia iam de casa em casa durante as celebrações do Badalisc pedindo farinha de milho para fazer a polenta; um salame Badalisc também foi feito especialmente para eles. O badalisc tem um lugar de honra nas festas.[3]

No segundo dia, no final da exposição, o Badalisc é libertado e pode retornar à floresta.[4]

Costumes parecidos[editar | editar código-fonte]

O ritual tem fortes semelhanças com o Bosinada, Bosinade ou Businade, performances satíricas de prosa, poesia ou canção, em que um contador de histórias (o Bosin) denuncia os delitos da comunidade. Datado a partir do século 16, este costume já foi comum em todo o norte da Itália e é derivado dos rituais de purificação de Véspera de Ano Novo.[5]

Qualquer ligação entre o Badalisk de Andrista e o mítico Basilisco (meio lagarto, meia serpente, com uma cabeça como um gato, mas mais quadrado, como um sapo) que incinera tudo sobre o qual repousa seu olhar (bem conhecido em Cevo e em outros lugares no norte da Itália) não é claro.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Luca Giarelli, Il Badalisc di Andrista: maschera di Cevo em Valle Camonica, em Carnevali e folclore delle Alpi. Riti, suoni e tradizioni popolari delle vallate europee, 2012, ISBN 978-88-6618-948-0.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Festa del Badalisc ad Andrista (località di Cevo)» (em italiano). Consultado em 3 de janeiro de 2011 
  2. Bresciaoggi: tradizioni_il_badalisc_diventa_una_occasione_gastronomica Arquivado 2012-04-07 no Wayback Machine Accessed 21 Dec 2011
  3. Demologia.it Accessed 21 Dec 2011
  4. Wikinews (Italy) Andrista: catturato il «Badalisc», inizia la festa Monday 5 Jan 2009, Wikinews
  5. Barozzi, Giancorrado & Varini, Mario, Tradizioni popolari del ciclo dell'anno in provincia di Brescia, Fondazione Civiltà Bresciana, 2001

Ligações externas[editar | editar código-fonte]