Baltazar Dias

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Baltazar Dias
Nascimento século XVI
Madeira
Morte
Madeira
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação dramaturgo, romancista, poeta

Baltazar Dias (Madeira, século XVI) foi um poeta, dramaturgo, romancista português e escritor de prosas.
Nasceu no século XVI na ilha da Madeira, desconhecendo-se a data e o local exato onde nasceu. Viveu durante o reinado de D. Manuel I e D. João III chegando ao reinado de D. Sebastião I, época em que Portugal passou por mudanças muito significativas, Lisboa tornou-se capital do Império, levando a uma grande produção artística na altura.[1]

Dramaturgo Contemporâneo do renascimento, caracterizado pela mudança, Baltazar Dias manteve-se sempre um adepto dos princípios medievais, no que toca ao espírito cavaleiresco e o heroísmo de renúncia. Escreveu ainda atos religiosos de devoção e trovas de temática social, isto é os valores que podemos considerar mais tradicionais, mais conservadores, ideia que a vida é um sacrifício, uma espécie de penalização que o homem tem para que depois possa chegar ao paraíso e ter uma vida plena, isto é vida depois da morte. No entanto a ideia de respeito, lealdade todos esses valores tipicamente cristãos estão presentes nos atos religiosos de Baltazar Dias.[2]

Em 1537, surge a inquisição em Portugal, uma época muito difícil para alguns artistas devido a censura, levando ao desaparecimento de muitas das obras impressas de Baltazar Dias. Contudo o dramaturgo conseguiu proteger algumas das suas obras. Das obras que escreveu, a maior parte das versões que chegaram até os nossos dias pertencem ao século XVII e XVIII à exceção do Auto do Príncipe Claudiano, de 1542, que sofreu sucessivos cortes de censura.[2]

Baltazar Dias foi um escritor inovador pela sua capacidade de compreender a época em que viveu, recorria a uma linguagem simples e mais emotiva, adaptando-a à natureza das personagens e baseando-se nas tradições populares e eruditas partindo dos romances carolíngios, escreveu peças com protagonistas do tempo de Carlos Magno. Ao longo da sua escrita baseia-se na tradição erudita que provem essencialmente da França e Espanha.[1] A seu respeito Teófilo Braga na História do Teatro Português refere que "de todos os poetas dramáticos portugueses, é este o mais conhecido e amado pelo povo; tinha o segredo com que fazia entender-se pela grande e ingénua alma da multidão,—era cego."[3]

Foi um importante dramaturgo na arte do teatro, através da conceção de textos, que acabam por ser transformados em teatro, constituídos por didascálias que ajudam a encenação, a organização das suas obras, o recurso a citações dos autores clássicos e bíblicos, o conhecimento da literatura, como o comprova a produção de obras do chamado ciclo carolíngio (v. CORREIA, 1994) e a inserção de um discurso teológico. Todas essas características deve-se ao facto de Baltazar Dias ter pertencido à época da Idade Média e do Renascimento. Baltazar Dias teve contacto indireto com os textos e obras através de citações, traduções dos gregos, latinos e autores bíblicos que circulavam na Europa.[2]

Apesar das dificuldades financeiras que tinha, e da falta de rendimentos próprios, Baltazar Dias começou a produzir textos em Lisboa, uma das obras escritas nessa altura foi Conselho para bem casar. No entanto devido ás pestes que destruíam o território, muitos escritores deslocavam-se para fora da cidade, nessa altura ele deslocou-se para Beira, onde viveu durante algum tempo.[2]

Baltazar Dias foi para lisboa com o objetivo de trabalhar na capital do império, foi assim que criou a maior parte da sua produção escrita. Era um lugar onde o teatro celebrava a majestade de Portugal, em que o Rei e a corte faziam-se passar por autores, em festas, procissões, desfiles e casamentos importantes da corte. O teatro não só tinha um aspeto Lúdico como também servia de propaganda da imagem real (Antunes e Fonseca, 1992). No entanto com a permanência dos traços medievais, no qual a comunidade mantinha a sua pertença cristã, tradições, manifestações religiosas, orações, missas e procissões. Baltazar Dias viveu numa altura de grandes manifestações culturais no qual havia declamações de trovas nas praças e nos adros das igrejas.[2]

Os seus autos e trovas de tipo burguês, tiveram grande aderência, as pessoas compravam os seus folhetos, porem as obras do dramaturgo foram julgadas como pertencentes ao património popular, por oposição à tradição erudita, de audiência refinada, produzida em ambiente de cultura superior. É justamente à posição contrastiva entre caráter popular e caráter culto ou erudito, adotada por muitos estudiosos ao longo dos séculos, que se deve em grande parte o desconhecimento e os poucos trabalhos sobre o autor, como refere Maria de Lurdes Correia Fernandes, que, em 2004, verificava que os últimos estudos sobre Baltazar Dias tinham cerca de 20 anos (FERNANDES, 2004: 163).[2]


Obra[editar | editar código-fonte]

  • Auto Breve da Paixão de Cristo (1613)
  • Auto da Malícia das Mulheres (1640)
  • História da Imperatriz Porcina (1660)
  • Auto do Nascimento
  • Auto de Santa Catarina
  • Auto de Santo Aleixo
  • A Tragédia do Marquês de Mântua
  • Conselhos Para Bem Casar
Obras perdidas no tempo
  • Auto do Príncipe Claudiano (figurava no Index de 1624)
  • Trovas de Arte Maior à Morte de D. João de Castro (1548)
  • Auto da Feira da Ladra

Referências

  1. a b Madeira, RTP, Rádio e Televisão de Portugal-RTP. «Conheça melhor quem era Baltazar Dias» 
  2. a b c d e f Baltazar Dias (Antologia), coord. Luísa Paolinelli, Cristina Trindade, José Eduardo Franco, Viseu, Edições Esgotadas, 2018.
  3. Teófilo Braga, Historia do Theatro Portuguez: Vida de Gil Vicente e sua Eschola, seculo XVI (Imprensa Portugueza-Editora, 1870), Cap. X, p. 281.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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