Batalha do Monte Álgido

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Batalha do Monte Álgido
Data 458 a.C.
Local Monte Álgido, próximo de Roma, Itália
Desfecho Vitória romana. Líderes dos équos capturados e mantidos prisioneiros em Roma.
Combatentes
República Romana Équos
Principais líderes
Quincio Cincinato
Minucio Esquilino
Graco Clelio

A Batalha do Monte Álgido foi um confronto militar ocorrido em 458 a.C. (ou 457 a.C.), entre a República Romana e os équos localizados próximo ao monte Álgido, Lácio. O ditador romano Lúcio Quíncio Cincinato converteu uma derrota romana em uma importante vitória

Contexto[editar | editar código-fonte]

O governo de Roma já era compartilhado entre os povos romanos originários: os latinos e os sabinos. Os hérnicos eram aliados dos romanos, enquanto os etruscos não colidiam com eles, embora a cidade etrusca de Veios estivesse situada muito perto de Roma.

Os maiores inimigos dos romanos, neste período, eram os volscos e os équos. Os volscos estavam assentados no território a oeste de Roma, enquanto que os équos se fixaram a leste. Sozinhos ou junto de algum aliado, os équos atacavam permanentemente Roma e seus arredores. Além disso, os équos transferiram-se dos montes Apeninos para Túsculo (próximo à atual Frascati). Seus ataques interferiam no comércio e nas comunicações ao longo da Via Latina e do território romano em geral.


A cidade de Roma, nesta época, enfrentava diversos motins internos. Havia conflito entre patrícios e plebeus romanos, além de uma revolta por parte dos escravos, que tomaram conta do monte Capitolino durante um tempo considerável, além dos templos mais importantes da cidade. Em meio a esta revolta, o cônsul Valério Publícola veio a falecer. Os conflitos só foram encerrados com a chegada de um exército vindo de Túsculo, liderado pelo ditador Lúcio Mamílio. Cincinato foi designado cônsul, em substituição a Pubícola.

Em 459 a.C., os équos ocuparam Túsculo. Como resposta ante a iminente ameaça, os romanos decidiram enviar um exército, sob o comando do cónsul Cincinato, para ajudar sua cidade aliada. Além disso, o cónsul Fábio Vibulano, que neste momento encontrava-se sitiando a cidade de Anzio, também mobilizou suas tropas para atacar Túsculo. Com a ajuda de Vibulano, a cidade de Túsculo foi recuperada das mãos dos équos.

Seguiu-se um período de trégua com os équos, que terminou em 458 a.C., quando estes voltaram a atacar Túsculo, acampando próximo do monte Álgido. Ao mesmo tempo, um exército sabino se pôs em marcha contra Roma. Rapidamente, formou-se dois exercitos romanos: o cônsul Caio Naucio Rutilo planejava adentrar nos territórios équos, enquanto que o cônsul Lúcio Minúcio Esquilino Augurino atacaria o acampamento do monte Álgido.[1]

Minucio Esquilino não chegou a atacar os équos, que haviam começado a construir fortificações em volta do acampamento romano, acuando os inimigos em um desfiladeiro.[2] Posto que Naucio Rutilo não soube como manejar a situação, Cincinato, cujo breve período como cônsul havia concluído, foi eleito ditador.[2]

A batalha[editar | editar código-fonte]

Cincinato escolheu o seu mestre da cavalaria (magister equitum) e recrutou soldados no Campo de Marte, pedindo para que cada romano disponível trouxesse comida para cinco dias e doze valli (estacas de madeira empregadas para construir uma muralha ao redor do acampamento). A solicitação de doze valli, em vez de apenas um, foi algo incomum.

O exército romano chegou ao monte Álgido pela noite. Cincinato enviou o aviso aos romanos sitiados de que havia chegado e logo ordenou aos seus homens que construíssem uma muralha em volta do acampamento équo. Os équos atacaram Cincinato, mas logo foram obrigados a recuar e então voltaram-se para as tropas de Minúcio, que havia abandonado seu acampamento para reunir-se a seus compatriotas. A muralha ao redor dos équos estava completa ao amanhecer. Cincinato ordenou a seus homens, os quais haviam marchado durante todo um dia sem descanso algum, que atacassem os équos dentro da muralha. Estes, incapazes de conter um ataque em duas frentes, se renderam. Cincinato permitiu que todos os équos partissem, exceto os seus líderes.[3]

Conseqüências[editar | editar código-fonte]

Os líderes équos foram mantidos prisioneiros em Roma. A pilhagem do acampamento équo foi distribuída entre os homens de Cincinato, enquanto que os romanos sob o comando de Minúcio eram criticados. Minucio acabou sendo deposto.

Cincinato recebeu um triunfo romano, enquanto que o cônsul Lúcio Mamílio, de Túsculo, recebeu a cidadania romana. Apesar de ter sido eleito como ditador por um período de seis meses, Cincinato renunciou após dezesseis dias.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Livio, Ab Urbe condita 3.25
  2. a b Livio, Ab Urbe condita 3.26
  3. Livio, Ab Urbe condita 3.28
  4. Livio, Ab Urbe condita 3.29

Bibliografia[editar | editar código-fonte]