Boi Caprichoso

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Boi Caprichoso
Fundação
  • 20 de outubro de 1913, segundo a própria diretoria[1]
  • Ano de 1925, de acordo com Odineia Andrade, Maria Inácia Gonzada e Maria do Carmo Monteverde[2]
Cores Azul e Branco
Símbolo Estrela
Bairro Francesa
Presidente Babá Tupinambá (triênio 2017-2019)
Apresentador Edmundo Oran
Levantador de toadas David Assayag
Pajé Netto Simões
Cunhã-poranga Marciele Albuquerque
Sinhazinha da Fazenda Valentina Cid
Porta-Estandarte Taynessa Brasil
Rainha do Folclore Brena Dianná

A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso, mais conhecida como Boi Caprichoso, é representada pela cor azul e é uma das duas agremiações de boi-bumbá rivais que competem anualmente no Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas.

Símbolo, cores, origem do nome, curral[editar | editar código-fonte]

O Caprichoso defende as cores azul e branco. Seu símbolo é a estrela azul, a qual exibe em sua testa. É o Guardião da Floresta, do folclore parintinense, do imaginário caboclo e do lendário dos povos indígenas. O nome, Caprichoso, teria um significado intrínseco a ele, isto é, pessoas cheias de capricho, trabalho e honestidade. O sufixo “oso”, significando provido ou cheio de glória. Quando somados, “capricho” mais “oso”, poder-se dizer que é extravagante e primoroso em sua arte.

Para compreender o surgimento do Caprichoso e do folclore de Parintins, ler a obra "A verdadeira História do festival de Parintins" de Raimundinho Dutra, versador tradicional deste bumbá, oriundo de uma família tradicional do boi azul. O local de realização dos festejos particulares, conhecido popularmente como curral, é chamado de Zeca Xibelão, uma homenagem ao primeiro tuxaua do boi-bumbá Caprichoso, falecido em 1988, e se localiza na parte considerada como azul da cidade. Quem separa os lados de cada bumbá é a Catedral de Nossa Senhora do Carmo.

História[editar | editar código-fonte]

Há muita controvérsia sobre a história do Boi-Bumbá Caprichoso, uma vez que os bois folclóricos do Amazonas não eram associações legalmente registradas nem possuíam farta cobertura da imprensa até a criação do Festival. Tudo o que se sabe atualmente foi levantado por pesquisadores a partir de entrevistas a membros das duas entidades, além de consultas a outros registros da tradição oral parintinense.[1]

Some-se a isso o fato que a extrema rivalidade com o contrário faz com que ambas as entidades busquem se afirmar como a mais antiga, o que leva seus torcedores e integrantes a defenderem teses que sugerem datas de fundação mais remotas.[1]

A diretoria do Caprichoso afirma, baseada em algumas versões da tradição oral, que o boi foi fundado por João Roque, Félix e Raimundo Cid, em 20 de outubro de 1913.[1][3] Os três fundadores seriam irmãos, nascidos em Crato, que se mudaram para Parintins devido ao Ciclo da Borracha. Ainda segundo esta versão, o boi recebeu esse nome devido à sugestão de um advogado, de nome José Furtado Belém, que conhecida um outro boi, de nome Caprichoso, que existia no bairro da Praça 14 de Janeiro, em Manaus, capital do estado. Defensores desta tese alegam ainda que "Touro Galante" seria o apelido do Caprichoso à época.

Por outro lado, alguns moradores antigos da cidade afirmam que na verdade, o Galante era um boi fundado em 1913, boi este que foi citado em canções de Lindolfo Monteverde, fundador do contrário, como seu então rival. O Galante teria sido criado por Emílio Vieira, o "Tracajá". Após uma briga com os irmãos Cid, estes teriam criado o Caprichoso, em substituição ao Galante[4], de forma que seria o Caprichoso uma dissidência do Boi Galante, criado, não se sabe exatamente se em 1925 ou 1929.[5]

A professora e folclorista parintinense Odinéia Andrade afirma que o bumbá foi fundado em 1925 pelos irmãos Cid, que vindo do Ceará, passaram pelos estados do Maranhão e Pará, até chegarem à ilha, onde fizeram uma promessa a São João Batista para obterem prosperidade na novo município. Isso teria sido moti­vado pelas influências recebidas pelos Cid durante a trajetória até a ilha, quando puderam conhecer vários folguedos juninos por onde passaram. Duas manifestações folclóricas chamaram a atenção: o Bumba-Meu-Boi, maranhense, e a Ma­rujada paraense. Odinéia Andrade (2006) afirma que o Boi Caprichoso assimilou elementos desses dois folguedos, uma vez que o bumbá adotou como cores oficiais o azul e o branco, usadas nos trajes dos marujos, e denominou seu grupo de batuqueiros, responsáveis pelo ritmo na apresentação do boi de Marujada de Guerra.

No entanto, a controvérsia maior fica por conta dos descendentes do parintinense Luiz Gonzaga[2] (sem qualquer relação com o "rei do baião"), que em 2013 realizaram manifestação buscando o reconhecimento deste como fundador do boi. Maria Inácia Gonzaga, filha do suposto fundador, afirmou que os irmãos Cid foram na realidade fundadores do Boi Galante, em 1913, enquanto seu pai teria fundado o Caprichoso em 1925.[2] Sua versão foi confirmada por Maria do Carmo Monteverde, filha do fundador do contrário, que afirmava que Luiz Gonzaga e seu pai, Lindolfo, eram amigos.[2]

Segmentos[editar | editar código-fonte]

Presidentes[editar | editar código-fonte]

Nome Mandato Ref.
Joilto Azêdo 1997 - 1998 (primeiro mandato)
Joilto Azêdo 1999 - 2000 (segundo mandato)
Dodózinho Carvalho 2001 - 2002
César Oliveira 2003 - setembro de 2005
Carmona Oliveira Filho setembro de 2005 - setembro de 2007 (primeiro mandato)
Carmona Oliveira Filho setembro de 2007 - setembro de 2010 (segundo mandato)
Márcia Baranda setembro de 2010 - setembro de 2013
Joilto Azêdo setembro de 2013 - setembro de 2016 [6]
Babá Tupinambá setembro de 2016 - presente

Os Campeonatos[editar | editar código-fonte]

O primeiro título conquistado pelo Boi Caprichoso foi em 1969, na segunda edição do Festival Folclórico de Parintins em que houve a disputa entre as duas agremiações folclóricas. Na década de 1970, o Caprichoso foi o primeiro boi a conquistar uma sequência arrebatadora de títulos, tendo faturado um tetracampeonato (1976 a 1979. A história desse feito é curiosa: depois de ser derrotado em 1976 e em 1977, no ano seguinte, em 1978, o boi contrário se evadiu da disputa oficial, alegando que o novo local das apresentações (à época o Parque das Castanholeiras) era impróprio, sagrando como tricampeão o Boi Caprichoso, que tornou-se tetracampeão em 1979[7].

Na década de 1980, venceu os festivais de 1985 e 1987. Em 1982, o Boi Caprichoso, em protesto por ter demorado a receber as verbas públicas, uma vez que o boi contrário havia recebido da prefeitura com bastante antecedência, decidiu não participar no festival, alegando que a disputa seria injusta, dado o tempo restado para a confecção de um boi que pudesse competir à altura.

A década de 1990 representou um dos melhores momentos da história do Boi Caprichoso. De 1990 a 1999, ganhou seis dos dez festivais disputados, tendo faturado um tricampeonato (1994-1996) na época em que a festa de Parintins ganhava o Brasil e o mundo. Teria conquistado o seu tetracampeonato em 1997, levando em consideração apenas a soma dos pontos dados pelos jurados à apresentação na arena. A derrota, porém, adveio de uma penalidade imposta pelos jurados ao apresentador Gil Gonçalves. No entanto, o Touro Negro deu a volta por cima sagrando-se campeão no ano seguinte, em 1998 - uma conquista indiscutível em que um dos fatos mais marcantes foi o cantor Arlindo Júnior ter ocupado o posto de apresentador e levantador de toadas ao mesmo tempo, e ainda ter vencido nos dois itens.

Em 2000, protagonizou com o boi contrário o primeiro empate da história do Festival de Parintins em uma apuração controversa (um jurado não deu uma nota ao Boi Caprichoso). Ainda nessa década, faturou o festival de 2003 e um bicampeonato (2007 e 2008).

De 2010 até hoje, o Boi Caprichoso tem protagonizado disputas equilibradas com o boi contrário. Foi campeão em 2010, 2012 e em 2015 - ganhando, assim, o título definitivo de campeão do cinquentenário do Festival de Parintins.

Títulos[editar | editar código-fonte]

O Boi Caprichoso venceu o Festival Folclórico de Parintins por 22 vezes, em: 1969, 1972, 1974, 1976, 1977, 1978*, 1979, 1985, 1987, 1990, 1992, 1994, 1995, 1996, 1998, 2000 (empate)*, 2003, 2007, 2008, 2010, 2012 e 2015.

*Em 1978, o boi contrário se evadiu da disputa oficial, alegando que o novo local das apresentações (à época o Parque das Castanholeiras) era impróprio, sagrando como tricampeão o Boi Caprichoso, que tornou-se tetracampeão em 1979.

*Em 2000 houve o primeiro e único empate entre os dois bois, sagrando ambos campeões de Parintins.

Toadas do boi Caprichoso que marcaram o Festival de Parintins[editar | editar código-fonte]

  • Alerta Marujada - (Carlinho) - 1989
  • Sereia - (Raimundinho Dutra) - 1989
  • Areia Branca - (Raimundinho Dutra) - 1989
  • Toque do Berrante - 1994
  • Saga de um canoeiro (Ronaldo Barbosa) - 1994
  • Fibras de Arumã (Ronaldo Barbosa) - 1994
  • Yunankiê (Ronaldo Barbosa) - 1994
  • Rios de Promessas (Ronaldo Barbosa) - 1995
  • Kananciuê (Ronaldo Barbosa) - 1995
  • Templo de Monnan (Ronaldo Barbosa) - 1995
  • Lagarta de Fogo (Leno,Davi) - 1995
  • Pesadelo dos Navegantes (Ronaldo Barbosa) - 1996
  • Tribo Brasil (Salomão, Ronaldo Silva) - 1996
  • Vento Norte (Ariosto Braga, José Augusto Cardoso) - 1996
  • Réquiem Prece aos Espíritos (Ronaldo Barbosa) - 1996
  • Emoção Infinita (Alex Pontes, Mailzon Mendes) - 1997
  • Festa da Ilha Encantada (Carlos Batata, Wallace Maia) - 1997
  • Amazônia Quartenária (Ronaldo Barbosa) - 1997
  • Explosão dos Tambores (Ronaldo Barbosa) - 1997
  • Ritmo Quente (Alex Pontes, Mailzon Mendes) - 1997
  • Tempo de Festa (José Carlos Portilho, Rui Machado) - 1998
  • Evolução de Cores (Ronaldo Barbosa) - 1998
  • Canto da Yara (Ronaldo Barbosa) - 1998
  • Espadas e Clarins (Ronaldo Barbosa) - 1998
  • Ritual da Vida (Ronaldo Barbosa, Simão Assayag) - 1998
  • Bicho-Homem (Ronaldo Barbosa, Carlos Paulain, Simão Assayag) - 1998
  • Luz, Mistério e Magia (José Carlos Portilho, Giancarlo Pessoa) - 1999
  • Candelabros Azuis (Ronaldo Barbosa) - 1999
  • Evolução das Cores II (Ronaldo Barbosa) - 1999
  • Rostinho de Anjo (Mailson Mendes, Álceo Anselmo) - 1999
  • Anjo Feiticeiro (Andréa Pontes, Rainier de Carvalho) - 1999
  • A Oração da Montanha (Mailson Mendes, Álceo Anselmo, Rainier de Carvalho, Simão Assayag) - 1999
  • Xamã (Ronaldo Barbosa, Simão Assayag) - 1999
  • A Terra é Azul (Paulinho Du Sagrado) - 2000
  • Negro da América (Robson Jn., Jango) - 2000
  • O Grito das Águas (Ronaldo Barbosa) - 2000
  • Misterioso Kuraca (Bené Siqueira) - 2000
  • Mura, o Príncipe das Águas (Ronaldo Barbosa) - 2000
  • Dessana (Paulinho Du Sagrado, Tony Rossi) - 2000
  • Luz da Comunhão (Ronaldo Barbosa) - 2000
  • Cunhã, a Criatura de Tupã (Ronaldo Barbosa) - 2001
  • Terço Caboclo (Ronaldo Barbosa) - 2001
  • Ser Caprichoso (Chico da Silva, Carlos Rosa) - 2002
  • Truda (Ronaldo Barbosa) - 2002
  • Torés (Ronaldo Barbosa) - 2002
  • Boi Estrela (Robson Jn., Marcelo Reis, Mailzon Mendes) - 2003
  • Tamba-Tajá (Hugo Levy, Neil Armstrong, Silvio Camaleão) - 2003
  • Marujada de Guerra (Chico da Silva) - 2003
  • Iaru e Ceuci (Hugo Levy, Neil Armstrong, Silvio Camaleão) - 2003
  • Ritual Mochica (Waldir Santana, Marcelo Reis, Robson Jn.) - 2003
  • Angaratã (Cyro Cabral) - 2003
  • Ritual Ulaikimpia (Edwander Batista, Robson Jn., Waldir Santana, Sebastião Jn., Júnior Reis, Mailson Mendes) - 2003
  • Ibirapema (Ronaldo Barbosa) - 2003
  • Boto Sou Eu (Hugo Levy, Neil Armstrong, Silvio Camaleão) - 2004
  • Mariwin (David Jerônimo, Ademar Azevedo, Elaine Rodrigues) - 2004
  • Amazonas Terra do Folclore, Fonte de Vida) Ronaldo Barbosa - 2004
  • Boi de Amar (Keandro Tavares, Franklin Jr., Aluízio Cardeira) - 2005
  • Tributo a Galdino Pataxó (Ronaldo Barbosa) - 2005
  • Profecia Karaja (Ademar Azevedo) - 2005
  • Caçadores de Tarântulas (Ronaldo Barbosa) - 2005
  • Sangue de Trovão (Ronaldo Barbosa) - 2005
  • Abanguera (Ronaldo Barbosa) - 2006
  • Noite de Esplendor (Tadeu Garcia) - 2006
  • Aui-Marajoara (Cyro Cabral, Alceo Anselmo) - 2006
  • O Senhor do Fogo Sagrado (Ronaldo Bazi, Wenderson Figueiredo, Mauro de Souza) - 2006
  • Viagem ao Mundo dos Espíritos (Ronaldo Barbosa) - 2006
  • Poronominare (Ademar Azevedo, Maurício Filho, David Jerônimo, Criatiano Cordeiro) - 2006
  • As Benzedeiras da Amazônia (Sebastião Junior, Edvander Batista) - 2006
  • Estrela Nova (Mailzon Mendes, Alceo Alcelmo, Alex Pontes, Zezinho Cardoso) - 2007
  • Deusa do Amor (Adriano Fonseca, Adriano Padilha, Elson Junior) - 2007
  • O Eldorado é aqui (Mailzon Mendes, Alceo Alcelmo, Eliberto Barroncas, Zezinho Cardoso) - 2007
  • Cristal de Lua (Hugo Levy, Neil Armstrong, Silvio Camaleão) - 2007
  • Utopia Cabocla (Zé Renato, Augusto Lobato) - 2007
  • Rito Saterê (Ademar Azevedo, David Gerônimo) - 2007
  • Marujada de Guerra (Hugo Levy, Silvio Camaleão, Neil Armstrong) - 2008
  • É Campeão (César Moraes) - 2008
  • Show da Galera (Ademar Azevedo) - 2008
  • Morena Cunhã (Hugo Levy, Silvio Camaleão, Geandro Pantoja) - 2008
  • O Futuro é Agora (Demétrius Haidos, Geandro Pantoja) - 2008
  • Êxtase Xamâniaco (Geandro Pantoja, Demétrius Haidos, Marcelo Reis) - 2008
  • Uruapeara (Hugo Levy, Silvio Camaleão, Geandro Pantoja) - 2008
  • Pavú Maraúna (Adriano Aguiar, Geovane Bastos, Renner Cruz) - 2008
  • Ritual Hi-Merimã (Ademar Azevedo) - 2008
  • Lição Cabocla (Adriano Aguiar, Alquiza Maria, Geovane Bastos) - 2008
  • Tempo de Borboletas (Ronaldo Barbosa) - 2009
  • Pachamama (Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2009
  • Deusa Morena (Hugo Levy, Silvio Camaleão, Neil Armstrong) - 2009
  • Eu Sou a Lenda (Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2009
  • Amazonas, Onde o Verde Encontra o Azul (Junior Paulain) - 2009
  • Aningal (Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2009
  • Aldeia Subterrânea (Ademar Azevedo, Guto Kawakami) - 2009
  • Chegada do meu Boi (Adriano Aguiar) - 2010
  • O Canto da Floresta (Adriano Aguiar, Geovane Bastos, Vanessa Aguiar, Ligiane Gaspar) - 2010
  • Sentimento Caprichoso (Adriano Aguiar, Geovane Bastos, Michael Trindade) - 2010
  • Instrumental da Floresta (Paulinho Du Sagrado) - 2010
  • Pensamentos (Paulinho Du Sagrado) - 2010
  • A Festa do Boto (Adriano Aguiar, Geovane Bastos, Michael Trindade) - 2010
  • Tribálica (Adriano Aguiar, Geovane Bastos, Michael Trindade) - 2010
  • Ayma-Sunhé (Hugo Levy, Neil Armstrong, Silvio Camaleão) - 2010
  • Wãnko-Fiandeira (Guto Kawakami, Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2010
  • Xamanismo Kaxinauá (Guto Kawakami, Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2010
  • Nirvana Xamânico (Geovane Bastos, Adriano Aguiar) - 2010
  • Canto Nativo (Salomão Rossy) - 2010
  • A Cor do meu País (Adriano Aguiar, Suammy Patrocínio) - 2011
  • A Magia que Encanta o Mundo (Adriano Aguiar, Geovane Bastos, Rozinaldo Carneiro) - 2011
  • Turbilhão Azul (Rozinaldo Carneiro, Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2011
  • Abaçaí (Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2011
  • Boiúna (Guto Kawakami, Naldo Kawakami, Ligiane Gaspar) - 2011
  • Yuu Tsega, a Festa da Moça Nova (Erick Nakanome, Artur Nascimento, Michael Trindade) - 2011
  • Viva a Cultura Popular (Guto Kawakami, Geovane Bastos, Adriano Aguiar) - 2012
  • Azul do meu Brasil (Adriana Cidade) - 2012
  • Sensibilidade (Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2012
  • A Mística Xinguana (Paulinho Du Sagrado) - 2012
  • Universo do Amor (Ademar Azevedo, Maurício Filho) - 2012
  • Morceganjo (Ademar Azevedo, Maurício Filho) - 2012
  • Mai Marakã (Geovane Bastos, Adriano Aguiar) - 2012
  • Filhos da Mundurukania (César Moraes) - 2012
  • Ritual Tariana (Geovane Bastos, Adriano Aguiar) - 2012
  • Paikises Munduruku (Ademar Azevedo, Maurício Filho) - 2012
  • O Centenário de uma Paixão (Guto Kawakami, Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2013
  • Festa de um Boi Brasileiro (Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2013
  • Circulo da Vida (Paulinho Du Sagrado) - 2013
  • 100 Anos de Cultura Popular (César Moraes, Rossy do Carmo) - 2013
  • Paixão de uma Nação (Adriano Aguiar) - 2013
  • Profética (Adriano Aguiar) - 2013
  • Yuriman (Geovane Bastos, Saulo Vianna) - 2013
  • Aldeia do Espíritos (Maurício Filho, Ademar Azevedo) - 2013
  • Pétalas de Estrelas (Alder Oliveira) - 2013
  • Sehaypóri (Geovane Bastos, Alquiza Maria) - 2014
  • O Ritmo é de Boi (Adriano Aguiar) - 2014
  • Boi Brasileiro (Geovane Bastos, Adriano Aguiar) - 2014
  • Estrela Angelical (Mailzon Mendes, Zezinho Cardoso, Tinho Pessoa) - 2014
  • Aldeia Mística (Ronaldo Barbosa) - 2014
  • Táwapayêra (Paulinho Du Sagrado) - 2014
  • Tocaia (Felipe Sicsú, Lindolfo Moreira, Waltinho Oliva Pinto) - 2014
  • Maracás do Rio Negro (Ronaldo Barbosa) - 2014
  • Guerreira da Mística Aldeia (Ademar Azevedo, Mauricio Filho) - 2014
  • Wayana-Apalai (Gabriel Moraes, Juarez Lima Filho, Joel Almeida) - 2014
  • Ritual Yanomami (Alder Oliveira, Marcos Lima) - 2014
  • Amazônia Táwapayêra (Adriano Aguiar) - 2014
  • Amazônia, nas Cores do Brasil (Adriano Aguiar) - 2015
  • Paixão de Torcedor (Adriano Aguiar) - 2015
  • Bicho Folharal (Adriano Aguiar, Geovane Bastos) - 2015
  • Parikás (Ronaldo Barbosa) - 2015
  • Tem Folclore na Floresta (Gerlean Brasil, Roberto Jn., Ronan Marinho) - 2015
  • Norte das Canoas (Ronaldo Barbosa) - 2015
  • Amazônia, Encontros dos Povos (Ronaldo Barbosa) - 2015
  • Cãoera (Mayra Cavalcante, Fellipe Cid, Elton Cabral) - 2015
  • Amazônia, Arte da Criação (Adriano Aguiar, Júnior Dabela) - 2015
  • Serpentárias (Gabriel Moraes, Juarez Lima Filho, Joel Almeida Lima) - 2015
  • Viva Parintins! (Adriano Aguiar) - 2016
  • Somos Marujada de Guerra (Dodozinho Carvalho, Carlos Kaita, Joel Maklouf) - 2016
  • A Cura e a Fé (Hugo Levy, Neil Armstrong) - 2016
  • Viva Nossa Floresta! (Adriano Aguiar, Joel Maklouf, Ericky Nakanome, Jr. Dabela) - 2016
  • Trigésima Dança (Adriano Aguiar) - 2016
  • Maria, a Deusa Tupinambá (Klinger Araujo, Vanessa Alfaia, Carlos Kaita, Maran Valerio) - 2016
  • Tocaia Kagwahiva (Gerlean Brasil, Paulinho Medeiros, Everton Auzier, Jr. Dabela) - 2016

Itens que concorrem no Festival: Bloco A - Comum/Musical[editar | editar código-fonte]

Levantador de toada[editar | editar código-fonte]

o levantador de toadas, com sua extensão de voz afinada, é quem tem a missão de entoar as toadas que sustentam o espetáculo, por toda sua duração, a qual da harmonia ao desenvolvimento do tema.Esse item está no contexto das festas em Parintins desde o início, quando o boi saia na rua e eram entoadas verdadeiras declarações de amor, exaltando o Caprichoso. Também eram versados os desafios e provocações para os bois contrários da época. Os levantadores que já brilharam no Caprichoso:

  • (1989-1999): Arlindo Junior
  • (2000-2002): Renato Freitas
  • (2003-2004): Robson Junior
  • (2005-2006): Arlindo Junior
  • (2007-2009): Edilson Santana
  • (2010-Atual): David Assayag

Apresentador[editar | editar código-fonte]

É o mestre de cerimônia que conduz o espetáculo. Ao seu comando, conduz a tradicional chamada "olha o boi, olha o boi, olha o boi..." dando inicio a apresentação. Esse item também efetua o trabalho de narrador, fazendo a introdução às lendas, rituais e demais itens, apresentando-os convenientemente. É função do apresentador chamar a atenção dos jurados e demais presentes para os itens em suas evoluções na arena.

Os Apresentadores:

  • (1987-1989): Marco Santos
  • (1990-1999): Gil Gonçalves
  • (2000-2004): Arlindo Junior
  • (2005-2013): Junior Paulain
  • (2014-2014): Arlindo Junior
  • (2015-2015): Junior Paulain
  • (2016-2016): Fabiano Neves
  • (2016 - Atual): Edmundo Oran

Amo do Boi[editar | editar código-fonte]

É o personagem que representa o dono da fazenda aonde brinca o boi Caprichoso. O amo busca na herança nordestina dos repentes e versos de improviso, a inspiração para cantar e contar em falsetes a poesia cabocla, a história do boi de Parintins. É um personagem do auto do boi, oriundo também das brincadeiras nordestinas, migradas para Parintins junto com os fundadores, os irmãos Cid.Com isso o amo do boi Caprichoso, representa a figura de Roque Cid, o criador e primeiro dono do Boi Caprichoso.

Os amos que já representaram o Boi da estrela:

  • (1984-1998): Rey Azevêdo
  • (1999-1999): Benedito Siqueira
  • (2000-2003): Rey Azevêdo
  • (2004-2004): Renato Freitas
  • (2005-2006): Edilson Santana
  • (2007-2009): Prince do Boi
  • (2010-2013): Edilson Santana
  • (2014-2014): Junior Paulain
  • (2015-2016): Edmundo Oran
  • (2016-Atual): Prince do Boi

Marujada de Guerra[editar | editar código-fonte]

Sustentação rítmica, tradição, base para o espetáculo, agrupamento de percussão que forneça um referencial rítmico indispensável às toadas. Se já é complexo reger uma pequena orquestra de percussão, imagina quando precisamos dividir 450 ritmistas em duas partes e dois regentes. Esse desafio vem exigindo dos regentes e marujeiros, maior concentração e maior comprometimento artístico, alinhando os espetáculos de Arena com grandes musicais.

São méritos para pontuação: Cadência diferenciada, ritmo, constância. 

Diferenciais e comparativos: Harmonia, disposição de arena, ritmo, indumentária, cadência.

A Galera Azul e Branca[editar | editar código-fonte]

Elemento de apoio do espetáculo, estímulo de apresentação, massa humana que forma uma das maiores coreografias uníssonas do mundo. São mais de dez mil torcedores que ocupam a arquibancada do Bumbódromo desde as primeiras horas do dia, enfrentando chuva, sol e calor. Tamanho sacrifício para assegurar seus lugares e poderem participar gratuitamente do grande coro que embala as apresentações do Boi Caprichoso. E, depois de um dia inteiro de espera, ainda mostram toda sua garra e sua força ao cantar as toadas do espetáculo, executar coreografias usando os braços ou adereços distribuídos pelo boi e, emanar toda sua energia e seu amor para a apresentação de arena. Participam ativamente, interagindo com o Apresentador. 

Galera Azul e Branca, a mais campeã do Festival.

Em 1988, ano de inauguração do Bumbódromo oficial de Concreto Armado e Alvenaria. Antes, o local era todo feito de madeira -, o jovem Arlindo Júnior assumiu o posto de Levantador de Toadas, em 1989, iniciando um trabalho de evolução da galera. Durante os primeiros anos da década, Arlindo fez a galera executar diversas coreografias novas com as mãos. A partir de 1996, iniciaram os chamados Medleys, mistura de vários arranjos durante os quais a galera executava coreografias com os braços que causavam grande impacto na arena. No ano de 2010, o levantador de toadas David Assayag (ex-Contrário), que sempre teve raíz azul e branca - pois iniciou no Caprichoso (1991) e só em 1995 foi para o contrário - volta ao Boi Caprichoso como Levantador Oficial de Toadas.

As Toadas[editar | editar código-fonte]

Até o final dos anos 80 as toadas eram músicas cujas letras exaltavam o boi e demais personagens como Pai Francisco, a Sinhazinha, dentre outros, além de exaltarem a cultura cabocla parintinense.

No início dos anos 90, a temática indígena que foi introduzida com sucesso no Boi Bumbá de Parintins,ganhou mais força, principalmente com o advento dos rituais indígenas, que se tornaram o ponto alto do Festival.O Boi Caprichoso foi o que melhor utilizou a temática, alcançando grande destaque graças ao sucesso que crítica e público concederam a toadas indígenas como Fibras de Arumã, Unankiê, e Kananciuê.

Com o sucesso de tais toadas, O público da capital, Manaus, que gostava timidamente do ritmo, passou a abraçar a toada e a adotou como símbolo da cultura amazonense.

No ano seguinte, o grupo Canto da Mata, composto por Geraldo Brasil, Cabá, Pampa, Aluízio Brasil, Alex Pontes, Maílzon Mendes, Alceo Ancelmo e Neil Armstrong, iniciou um outro estilo de toada que também tomaria conta do grande público de Manaus e de Parintins, a Toada Comercial. Em 1995, com o uso dos teclados - que tinham sido usados pela primeira vez de maneira tímida em 1994 - o grupo compôs a toada Canto da Mata, que foi um grande sucesso nas rádios e ajudou o Boi Caprichoso a vencer o Festival. Em 1997, compuseram uma toada que se tornou fenômeno no Amazonas: Ritmo Quente, grande sucesso nos ensaios do boi e também em eventos turísticos da Capital Manaus, como o Boi Manaus e o Carnaboi.

Organização do Conjunto Folclórico[editar | editar código-fonte]

Reunião de itens individuais, artísticos e coletivos embasados no conteúdo da noite, e, pôr sua vez, dispostos organizadamente na arena de apresentação. As dimensões dos espetáculos e a organização de sua execução passam pelo crivo dos jurados neste item de número 21. Chama-se de limpeza da arena o espetáculo que menos tiver gente sem função na cena durante a apresentação do boi. A agremiação que mantiver, mais claramente, os brincantes livres de comandos de ultima hora ou improvisos visíveis, consegue a nota máxima. A agremiação que menos planejou a execução de seu espetáculo poderá ser punida com perda de décimos.

Itens que concorrem no Festival: Bloco B - Cênico/Coreográfico[editar | editar código-fonte]

Sinhazinha da Fazenda[editar | editar código-fonte]

Representa a filha do Amo do Boi, cujo brinquedo de estimação é o Boi Caprichoso.Ela evolui com graça e alegria, exibindo sua indumentária que representa toda a pujança dos vestidos das sinhás dos tempos coloniais, reverenciando as influências da cultura do branco, importante na formação do povo parintinense. É representado por Valentina Cid, descendente do fundador do Caprichoso Roque Cid.

Sinhazinha da Fazenda

As Sinhazinhas:

  • (1988-1998): Karina Cid
  • (1999-2000): Jeane Benoliel
  • (2001-2006): Adriane Viana
  • (2007-2013): Thainá Valente
  • (2014-2015): Karyne Medeiros
  • (2016-2016): Adriane Viana
  • (2016-Atual): Valentina Cid

Cunhã-Poranga[editar | editar código-fonte]

É a mulher mais bela das tribo do Caprichoso, tem na sua essência a garra, o mistério e o espírito guerreiro das lendárias Amazonas, expressando em sua dança os sentimentos de amor e paixão. É representado por Marciele Albuquerque que estreia em 2017.

As belas cunhãs que representaram o item:

  • (1991-1995): Daniela Assayag
  • (1996-1998): Marlessandra Barbosa Fernandes
  • (1999-2000): Marlessandra Nascimento Santana
  • (2001-2004): Jeane Benoliel
  • (2005-2006): Isabel de Souza da Silva
  • (2007-2016): Maria Azêdo
  • (2016-Atual): Marciele Albuquerque

Porta-Estandarte[editar | editar código-fonte]

Responsável por conduzir, o símbolo do boi em movimento, o estandarte azul e branco.A paixão e o encanto pelo azul influenciam sua evolução na arena, sempre caracterizadas pela elegância, garra e simpatia na maneira de reverenciar o estandarte, representação da sabedoria cabocla da parintinense, da tradição popular e da cultura indígena da Amazônia. Taynessa Brasil estreia em 2017.

  • (1992-1992): Inah Lopes
  • (1997-1998): Marlessandra Nascimento Santana
  • (1999-2004): Lucenize Moura
  • (2005-2006): Analú Vieira
  • (2007-2011): Karyne Medeiros
  • (2012-2012): Jeane Benoliel
  • (2013-2014): Rayssa Tupinambá
  • (2015-2015): Jessica Tavares
  • (2016-2016): Thaisa Brasil
  • (2016-Atual): Taynessa Brasil

Rainha do Folclore[editar | editar código-fonte]

Ela personifica a geografia de mistérios e beleza do folclore da Amazônia, reinando absoluta nesse universo de sonhos, encantando a todos com seu bailado e pela exuberância de suas indumentárias.A rainha é a guardiã do folclore, traz a alegria e a magia de brincar de boi em sincronia com a diversidade cultural da vida existente na floresta.Sua presença na arena significa que todos os entes da mata compactuam dessa mesma alegria e sentimento de respeito pela cultura e pela natureza. É representado por Brena Dianná que está a frente do item por 8 anos e que no festival de 2015 inovou no item ao protagonizar uma mistura de ritmos em sua dança.

  • (1984-1986): Inah Lopes
  • (1993-1996): Dunya Assayag
  • (1997-1999): Camila Assayag
  • (2000-2004): Daniela Monteiro Alencar
  • (2005-2008): Karla Thainá
  • (2009-Atual): Brena Dianná

Pajé[editar | editar código-fonte]

O pajé é um item importante na regionalização da festa. Aqui nas representações do auto do boi, mãe Catirina, grávida, deseja comer a língua do boi preferido do patrão, forçando o seu marido, o Pai Francisco, a matar o boi e arrancar a língua para satisfazer os desejos da grávida. Ao fim o boi é ressuscitado pelo curandeiro local, com poderes sobrenaturais, o poderoso Pajé.O Pajé interpreta em sua apresentação o feiticeiro, o curandeiro, o mago das transmutações, fascinando pelos cantos, pelas rezas, danças e rituais.Com o poder mágico das ervas, repete o gesto de invocar os espíritos sagrados pedindo proteção aos ancestrais para expulsar o ser maléfico. Após anos de evolução da festa, o Pajé ganhou importância no enredo do espetáculo, migrando em definitivo para a parte tribal da festa, encenando os ritos e lendas indígenas. Sendo a aparição desse item um dos momentos mais aguardados de cada noite.

  • (1992-2016): Waldir Santana
  • (2016-Atual): Neto Simões

Boi-Bumbá (Evolução)[editar | editar código-fonte]

Símbolo da manifestação popular, motivo e razão de ser do festival. O artista plástico, Alexandre Simas Azevedo, 33 anos, herdou do pai o dom de dá vida ao boi de pano e agora está preparado para defender o item tripa do Caprichoso. Ele se criou na Rua Cordovil, berço tradicional do Caprichoso, e desde criança o boi-bumbá é o brinquedo preferido. Foi aos 19 anos que Alexandre Azevedo dançou pela primeira embaixo do boi da estrela na testa, em evento oficial do Caprichoso, em Brasília, quando o pai, Marcos Azevedo, sofreu um acidente e não pode viajar. Desde o ano de 2001, essa relação se estreitou com o bumbá da estrela e ele acompanhou o pai nas apresentações no Festival Folclórico de Parintins até chegar a hora de assumir o item no mês de outubro de 2016. A experiência na arena do Bumbódromo e em eventos oficiais do boi pelo Brasil lhe credenciou a ser o sucessor do pai. “No ano de 2001, teve um boi de rua que o papai machucou o pé e logo no outro dia teve uma viagem à Brasília, apresentação para a Coca-Cola e não tinha ninguém para ir”, lembra. Naquele momento, no qual o Caprichoso ficaria desfalcado, o jovem Alexandre Azevedo chamou a responsabilidade para si e se colocou à disposição do Caprichoso para a viagem e assim passou a acompanhar o pai na arena, em alguns momentos, revezou no item, seja no Bumbódromo, viagens pelo país e shows em Manaus. O primeiro contato com o boi foi ainda criança. “Quando criança, eu via o papai fazer o boi e também brincava com um ‘boizinho’ na rua de casa que disputava com outro boi da outra rua”, recorda. 

Coreografia[editar | editar código-fonte]

Todos os movimentos de dança apresentados durante o espetáculo. Sendo musicais, os espetáculos de arena precisam ser construídos a partir das toadas. Assim nascem as coreografias que embalam os momentos da apresentação, em estilos diferentes e específicos para caracterizar os cordões e a representação do bailado dos itens individuais. Traços das danças dos diversos folguedos pelos quais o Boi-Bumbá enveredou são determinantes para dar personalidade aos cordões que evoluem durante o espetáculo. Essas coreografias reproduzem, ainda que de forma livre ou poética, as etnias que compõem essa vertente de Boi na Amazônia. E é através dela que identificamos a visão do branco sobre o negro e sobre o índio, além da visão de negros e índios sobre si mesmos e sobre o branco, ciclo essencial para uma evolução folclórica. É um pioneirismo do Boi Caprichoso, pois foi o primeiro boi a colocar tribos coreografadas na Arena do Bumbodramo, todas criadas e treinadas pelo eterno Pajé Waldir Santana.

Itens que concorrem no Festival: Bloco C - Artístico[editar | editar código-fonte]

Rituais Indígenas[editar | editar código-fonte]

Recriação de ritmo xamanístico, fundamentado através de pesquisa, dentro do contexto folclórico. A encenação ou recriação de rituais indígenas como quadro apoteótico no Boi-Bumbá reúne elementos alegóricos, coreográficos e teatrais, numa soma dramática capaz de revelar cenicamente o universo indígena e suas cosmogonias, apanhados nas toadas de diversas etnias, apresentadas de forma avassaladora nos espetáculos de arena do Caprichoso. 

Rituais que marcaram as apresentações do Boi Caprichoso:

Em 1994 o Boi Bumbá Caprichoso, deu um espetáculo inesquecível com belíssimas alegorias, tudo culminando num momento mágico: o ritual indígena. Naquele ano foram encenados os rituais Unankiê, Fibras de Arumã e Urequeí.

Em 1995 foram outros três grandes rituais: Lagarta de Fogo, Templo de Monan e o inesquecível ritual Kananciuê, que mostrava um Urubu-Rei lutando com o pajé, Valdir Santana. Durante esse ritual, a Marujada parou e pela primeira vez houve texto em uma apresentação de ritual: o pajé perguntava "onde está a luz" e o urubu-rei respondia "eu não sei". No momento em que o urubu foi derrotado, um espetáculo pirotécnico saiu de dentro da alegoria representando a libertação da luz, para delírio e êxtase da galera.

Em 2010 o Caprichoso apresentou o ritual Xamanismo Kaxinauá. O Ritual contava a historia do Guerreiro huni-kuim (pajé) que entrava na floresta mal assombrada com arvores falantes, gigantes de pedra e plantas carnívoras, o Mukaya (pajé) se tornava Xamã e expulsava os espíritos que atormentavam os índios, com uma alegoria cheia de movimentos e cores que encheram os olhos da galera.

Tribos Indígenas[editar | editar código-fonte]

Agrupamento nativo da Amazônia. Uma das particularidades da vertente do boi de Parintins está justamente nas diversas formas que a Amazônia entrou na brincadeira, sobretudo, com seu poderoso universo indígena. Faz parte da disputa o melhor desempenho do corpo de dança representando indígenas, enriquecido pela musicalidade tribal e as incríveis coreografias executadas por mais de 160 jovens, cujas indumentárias e desenhos coreográficos, recriam as tradições étnicas dessa região. 

Tuxauas[editar | editar código-fonte]

Chefe da tribo, representação alegórica do imaginário indígena e caboclo da Amazônia. A liderança de um a aldeia está representada neste item que, por força da disputa, precisa conduzir uma indumentária com proporções agigantadas, onde os principais elementos étnicos da aldeia devem estar nela acoplados. A grandiosidade e a forma como a indumentária é conduzida, mostra força e obstinação por parte do dançarino que a veste, provando que pode conduzir o seu povo. 

Figura Típica Regional[editar | editar código-fonte]

Símbolo da cultura amazônica, na sua soma de valores a partir dos elementos que compuseram sua miscigenação. Outra incursão no Boi-Bumbá de Parintins é o item Figura Típica da Região. Traduz-se como o imaginário caboclo que cria e recria lendas e mitos fantásticos nos beiradões desses imensos cursos d´agua, que dividem a fronteira da realidade e dos sonhos. Surgem no palco do Festival em representações alegóricas e poéticas, encenadas num ambiente que recria o cotidiano de Tacacazeiras, Artesãos, Farinheiros, Juteiros, Pescadores, de figuras que em sua pluralidade, são tipicamente da Região amazônica. 

Alegorias[editar | editar código-fonte]

Estruturas artísticas que funcionam como suporte e cenário para apresentação. Denominou-se ‘Alegorias’ este item para facilitar sua compreensão, porque em verdade trata-se de grandiosos cenários onde esculturas gigantes ganham animação com movimentos impressionantes que amparam os principais quadros do espetáculo de arena. O avanço na construção mágica destes cenários é justamente um dos destaques do Festival Folclórico de Parintins, seus construtores são conhecidos como artistas de ponta que já atravessaram as fronteiras da região e hoje estão nos maiores eventos populares do Brasil, como o Carnaval do Rio e de São Paulo e do maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. 

Lendas Amazônicas[editar | editar código-fonte]

Ficção que retrata e ilustra a cultura e o folclore de um povo. É tão rico o lendário amazônico que ano a ano nos espetáculos de arena, formatou-se um quadro específico para a recriação cênica das lendas extraídas do imaginário caboclo e indígena. Seres fantásticos em estórias encantadas de cobra que vira homem, da tribo inteira só de mulheres, do curumim com os pés virados para trás, do ser híbrido com a boca na barriga, para citar alguns. Esse universo todo cantado em toadas, passa pela criação dramatúrgica cercada de mistérios e magias para depois, transportar o espectador pelo imaginário amazônico. 

Vaqueirada[editar | editar código-fonte]

Guardiã do Boi. Os Vaqueiros devem cercar o Boi evitando assim qualquer ameaça ou perigo ao touro mais querido do Amo. Trazem suas lanças para marcar a propriedade do dono da fazenda e para criar um momento fabuloso que cerca todas as personagens do Auto do Boi, numa evolução colorida e muito alegre em festejo à chegada do mais bonito boi da fazenda, o Caprichoso. Os brincantes da Vaqueirada são rapazes voluntários das comunidades de Parintins que, ao toque do tambor, se reúnem para vestir seus cavalinhos e apanhar suas lanças com muito orgulho de ser parte da tradição dessa festa folclórica. 

Projeto social[editar | editar código-fonte]

Desde 1997 o Boi Caprichoso mantém através de sua fundação, a Escola de Artes Irmão Miguel de Pascalle, conhecida também como "Escolinha de Artes Caprichoso", criada na gestão do então presidente Joilto Azedo. Inicialmente de forma tímida como um projeto experimental envolvia cerca de 50 crianças. Nos dias Atuais, a escola de artes atende mais de 700 jovens entre 07 a 20 anos no compromisso de iniciação artística, no apoio aos esportes e auxilio no reforço escolar. Este Projeto já atende a demanda interna do boi Caprichoso em praticamente todos os seus setores, que concorrem o festival e em especialmente na parte artística e musical.

Para participar das atividades e laboratórios da escola, é preciso apenas estar matriculados na rede de ensino formal. As crianças e adolescentes não precisam torcerem para o Caprichoso para serem aceitas, tanto que a escola já revelou itens inclusive para o boi contrário.

Temas[editar | editar código-fonte]

É a temática que o boi desenvolve ao longo de suas apresentações no Festival Folclórico de Parintins, a seguir os temas defendidos pelo Boi Caprichoso de 1980 a 1987 na era pré Bumbódromo, e a partir de 1988 na era Bumbódromo.

  • 1980 - Diamante Negro (Autor: Acinelcio Pereira Vieira)
  • 1981 - Diamante Negro (Autor: Acinelcio Pereira Vieira)
  • 1982 - Diamante Negro (Autor: Acinelcio Pereira Vieira)
  • 1983 - O Indomável (Autores: Odinéia Andrade e José Maria Pinheiro)
  • 1984 - O Infinito (Autor: Acinelcio Pereira Vieira)
  • 1985 - Negrão Maravilha (Autores: Acinelcio Pereira Vieira e José Maria Pinheiro)
  • 1986 - Arte, Amor e Paz (Autor: Jair Mendes)
  • 1987 - Revolução da Arte no Mundo (Autor: Odinéia Andrade)
  • 1988 - Rei Negro, Tributo a Liberdade (Autores: João Afonso do Amaral)
  • 1989 - A Força da Natureza (Autores: Odinéia Andrade, Valda, Milca Maia, Laura)
  • 1990 - Raízes de um Povo (Autores: Antônio Amadeu O. Lopes, Antônio José Cansanção)
  • 1991 - Cultura Cabocla (Autor: Odinéia Andrade)
  • 1992 - A Arte de Folclorear (Inspirada na música de Chico da Silva)
  • 1993 - No Silêncio da Mata, Rufa Tamurá (Autor: Júnior de Souza)
  • 1994 - Capricho dos Deuses (Autor: Hélio Omar Conceição Ribeiro)
  • 1995 - Luz e Mistérios da Floresta (Autor: Maria Ednelza Ferreira Cid)
  • 1996 - Criação Cabocla (Autores: Mirtes Fernandes e Cora Carro Carvalho)
  • 1997 - O Boi de Parintins (Autor: Simão Elias Assayag)
  • 1998 - 85 Anos de Cultura (Autor: Simão Elias Assayag)
  • 1999 - Faz da Arte Sua História
  • 2000 - A Terra é Azul
  • 2001 - Amor e Paixão
  • 2002 - Amazônia Cabocla de Alma Indígena
  • 2003 - 90 Anos de Raízes e Tradições na Amazônia
  • 2004 - Amazonas Terra do Folclore, Fonte de Vida
  • 2005 - A Estrela do Brasil
  • 2006 - Amazônia Solo Sagrado
  • 2007 - O Eldorado é Aqui
  • 2008 - O Futuro é Agora
  • 2009 - Amazonas, Onde o Verde Encontra o Azul
  • 2010 - O Canto da Floresta
  • 2011 - A Magia Que Encanta
  • 2012 - Viva a Cultura Popular!
  • 2013 - O Centenário de uma Paixão
  • 2014 - Amazônia Táwapayêra
  • 2015 - Amazônia
  • 2016 - Viva Parintins!
  • 2017 - "A Poética do Imaginário Caboclo"

Referências

  1. a b c d Leandro Tapajós (11 de Junho de 2012). «O nascer do boi-bumbá de Parintins e seu crescimento». Consultado em 15/06/2013 
  2. a b c d Amazônia na Rede (09/06/2013). «Família Gonzaga exige reconhecimento do Patriarca como fundador do Boi Caprichoso». Cópia arquivada desde o original em 10/03/2014. Consultado em 16/06/2013 
  3. Aldaci Castro - Historiadora / Boi Caprichoso. «Nossa História». Consultado em 16/06/2013 
  4. BRAGA, Sérgio Ivan. Os Bois-Bumbás de Parintins. EDUA, 2002. pág 358. Tese de Doutoramento apresentada ao programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP como requisito parcial à obtenção do grau de Doutor em Antropologia.
  5. CUNHA, P. J. & VALENTIN, A. Caprichoso, A Terra é Azul
  6. A Crítica. «Joilto é o novo presidente do Boi-Bumbá Caprichoso». Cópia arquivada desde o original em 03/04/2014. Consultado em 03/04/2014 
  7. Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti (agosto de 1999). O Boi-Bumbá de Parintins, Amazonas: breve história e etnografia da festa. Visitado em 11/07/2015

Ligações externas[editar | editar código-fonte]