Canibalismo sexual

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Canibalismo sexual entre louva-a-deus: uma fêmea a devorar a cabeça do macho.
A prevalência de canibalismo sexual mereceu a diversas espécies de Latrodectus o epíteto de "viúva negra".

Canibalismo sexual é um caso especial de canibalismo no qual a fêmea mata e consome um macho da mesma espécie durante ou imediatamente após a cópula. Por vezes, o macho é devorado sem que haja ocorrido a cópula. Em raras ocasiões, estes papéis são invertidos.[1][2]

Prevalência[editar | editar código-fonte]

A prática corrente de canibalismo sexual está documentada em múltiplas espécies de aracnídeos, insectos,[3] e anfípodes,[4] existindo algumas evidências de que ocorre em algumas espécies de gastrópodes, copépodes[5] e cefalópodes.[6] Apesar de ser um comportamento de rara ocorrência quando se considera a globalidade das espécies animais, o canibalismo sexual é comum na maioria das famílias de aranhas e escorpiões, podendo afectar o tamanho da população e a sua razão sexual.[7] Na maioria das espécies em que o fenómeno ocorre, a fêmea canibaliza o macho, sendo em geral substancialmente mais corpulenta do que aquele.[7]

O valor ecológico do canibalismo sexual enquanto estratégia reprodutiva tem sido considerado pouco representativo. Stephen Jay Gould argumentou que o canibalismo sexual é demasiado raro para ser significativo.[8] Contudo, os machos podem ser uma fonte alimentar importante para as fêmeas, traduzindo-se num aumento da fecundidade.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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  • Artrópodes

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Kenwyn Blake Suttle (1999). «The Evolution of Sexual Cannibalism». University of California, Berkeley 
  2. Min-Li Tsai & Chang-Feng Dai (2003). «Cannibalism within mating pairs of the parasitic isopod Ichthyoxenus fushanensis». Journal of Crustacean Biology. 23 (3): 662–668. doi:10.1651/C-2343 
  3. Gary A. Polis & Roger D. Farley (1979). «Behavior and ecology of mating in the cannibalistic scorpion Paruroctonus mesaensis Stahnke (Scorpionida: Vaejovidae)» (PDF). Journal of Arachnology. 7: 33–46. JSTOR 3704952 
  4. Jaimie T. A. Dick (1995). «The cannibalistic behavior of two Gammarus species (Crustacea: Amphipoda)». Journal of Zoology. 236 (4): 697–706. doi:10.1111/j.1469-7998.1995.tb02740.x 
  5. Mark A. Elgar (1992). Mark A. Elgar & Bernard J. Crespi, ed. «Cannibalism: Ecology and Evolution among Diverse Taxa». Oxford University Press: 128–155. ISBN 0-19-854650-5  |capítulo= ignorado (ajuda)
  6. Roger T. Hanlon & John W. Forsythe (2008). «Sexual cannibalism by Octopus cyanea on a Pacific coral reef». Marine and Freshwater Behaviour and Physiology. 41 (1): 19–28. doi:10.1080/10236240701661123 
  7. a b Shawn M. Wilder & Ann L. Rypstra (2008). «Sexual size dimorphism predicts the frequency of sexual cannibalism within and among species of spiders». The American Naturalist. 172 (3): 431–440. PMID 18616388. doi:10.1086/589518 
  8. Stephen Jay Gould (1984). «Only his wings remained» (PDF). Natural History. 93: 10–18 
  9. Katherine L. Barry, Gregory I. Holwell & Marie E. Herberstein (2008). «Male mating behaviour reduces the risk of sexual cannibalism in an Australian praying mantid». Journal of Ethology. 27 (3): 377–383. doi:10.1007/s10164-008-0130-z 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]