Carlos Frederico Lecor
Carlos Frederico Lecor | |
|---|---|
Retrato de Carlos Frederico Lecor | |
| Governador da Província da Cisplatina | |
| Período | 20 de janeiro de 1817 até 3 de fevereiro de 1826 |
| Antecessor(a) | nenhum |
| Sucessor(a) | Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 6 de outubro de 1764 |
| Morte | 2 de agosto de 1836 (71 anos) |
| Progenitores | Mãe: Quitéria Maria Krusse Pai: Luís Pedro Lecor |
| Esposa | Rosa Maria Josefa Herrera de Basavilbaso |
| Religião | Católica |
| Profissão | Militar |
| Assinatura | |
| Títulos nobiliárquicos | |
| Barão de Laguna | 6 de fevereiro de 1818 |
| Visconde de Laguna | 4 de abril de 1825 |
| Serviço militar | |
| Lealdade | |
| Anos de serviço | |
| Unidade | |
| Conflitos | Guerra Peninsular Guerra contra Artigas Guerra de Independência do Brasil Guerra da Cisplatina |
| Condecorações | Comendador Imperial Ordem do Cruzeiro Medalha de Comando da Guerra Peninsular Cruz da Guerra Peninsular (tipo 1) Army Gold Medal |
Carlos Frederico Lecor, primeiro e único Barão de Laguna por Portugal, primeiro Barão e Visconde de Laguna e Grande do Império pelo Brasil, (Lisboa, 6 de outubro de 1764 — Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1836) foi um militar e nobre português tendo servido quer Portugal, quer o Brasil independente.
Inicio de carreira
[editar | editar código]Filho de Luís Pedro Lecor e Quitéria Maria Krusse, casou-se em 1818 com Rosa Maria Josefa Herrera de Basavilbaso.[1]
Militar de destacada atuação na Guerra Peninsular e nas campanhas brasileiras, foi promovido a brigadeiro a 8 de maio de 1811, a marechal-de-campo a 4 de junho de 1813 e a tenente-general a 24 de junho de 1815. Em 1832, passa à reserva com o posto de marechal-do-exército.[1]
Recebeu o título de barão em 6 de fevereiro de 1818 por decreto de Dom João VI e posteriormente de visconde por decreto de Dom Pedro I, Imperador do Brasil, em 4 de abril de 1825. Em 16 de janeiro de 1823, foi-lhe conferida a carta de mercê das honras de grandeza do Império.[1]
Carreira militar (1792-1815)
[editar | editar código]Destinado inicialmente à carreira comercial, o jovem Carlos Frederico acaba por, na última década do século XVIII, assentar praça como Soldado no Regimento de Artilharia do Algarve (designado n.º 2, a partir de 1806), sediado em Faro. Ascende na carreira até tenente-coronel, por altura da Primeira Invasão Napoleónica, que inaugurou a Guerra Peninsular.[1]
Na sequência dessa invasão, com a reorganização do Exército Português feita por Junot, Lecor foi nomeado ajudante de campo do tenente-general D. Pedro José de Almeida Portugal, terceiro marquês de Alorna, mas, como muitos oficiais portugueses, fugiu para a Inglaterra em Março de 1808 onde deveria viajar para o Brasil.[1]
Ao ter notícia da revolta em Portugal contra o domínio francês, e juntamente com o coronel Moura, ajudou a formar a Leal Legião Lusitana, pedindo armas e dinheiro ao Governo inglês. Em 20 de novembro de 1808, é promovido a Coronel do Regimento de Infantaria n.º 23, sediado em Almeida.[1]
Durante a Guerra Peninsular, de 1808 a 1814, Lecor comandou diversas formações militares de nível brigada e divisão, tendo sido comandante da sexta brigada portuguesa, integrada na sétima Divisão do Exército Peninsular de Arthur Wellesley, tendo ascendido a comandante dessa mesma divisão nas últimas fases do conflito. Foi também comandante da Divisão Portuguesa, posto aliás onde terminou a campanha em 1814. Retornou a Portugal enquanto comandante das forças portuguesas, em virtude de ser o oficial mais graduado.[1]
Em 1815, Lecor (então, governador das Armas da Província do Alentejo) foi nomeado comandante da Divisão de Voluntários Reais (então denominada de Divisão de Voluntários do Príncipe), com o objectivo de conquistar e pacificar a Província Oriental então pertencente ao Vice-reinado do Prata, da Espanha. Aquartelado em Belém, organizou a Divisão que embarcaria em dois escalões para o Rio de Janeiro. Ele próprio embarca no segundo escalão, em Dezembro de 1815.[1]
Lecor e a Província Cisplatina (1816-1828)
[editar | editar código]
Após algum tempo estacionada no Rio de Janeiro, a Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, então já designada de Divisão de Voluntários Reais d'El-Rei, em virtude da morte da Rainha D. Maria I, parte finalmente para a ilha de Santa Catarina em Junho de 1816, com a missão de conquistar e manter a cidade de Montevidéu e todo território a leste do rio Uruguai.[1]
Apesar das ordens que tinha de desembarcar nas proximidades de Maldonado, vários problemas relacionados a navegação o fizeram decidir-se pela marcha terrestre pela costa, desde a Ilha de Santa Catarina até à Banda Oriental.[1]
Montevidéu é conquistada a 20 de janeiro de 1817. A partir de 1821, a chamada Província Oriental, dependente do Vice-reinado do Prata com sede em Buenos Aires, passa a denominar-se Província Cisplatina, dependendo da capital portuguesa na América Latina, Rio de Janeiro. O então tenente-general Lecor administra politicamente a Cisplatina até 3 de fevereiro de 1826, quando é substituído pelo tenente-general Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho, futuro barão de Vila Bela.[1]
Aquando da Independência do Brasil, Lecor assume o serviço brasileiro e comanda as forças brasileiras da Cisplatina contra a Divisão dos Voluntários Reais que antes comandava, até 1824, quando os portugueses capitulam e embarcam para Portugal.[1]
Em 1826, na Campanha Cisplatina (Guerra Cisplatina, ou, na Argentina, Guerra del Brasil), Lecor volta a comandar as tropas brasileiras na região ocupando Montevidéu e a Colônia do Sacramento, sendo nomeado comandante em chefe do Exército do Sul em 11 de março. A 26 de novembro de 1826, é substituído pelo marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, marquês de Barbacena. A 22 de janeiro de 1828, Lecor toma de novo posse enquanto comandante em chefe do Exército do Sul, cargo em que se manteve até ao final da Guerra da Cisplatina.[1]
O domínio luso-brasileiro em território oriental transcorreu desde a invasão portuguesa de 1817 até 28 de agosto de 1828, com a desanexação do território.[1]
Últimos anos (1829-1836)
[editar | editar código]Após retornar ao Rio de Janeiro, Lecor foi submetido a Conselho de Guerra justificativo, tendo sido absolvido em 9 de dezembro de 1829. Foi vogal do Conselho Supremo Militar, tendo-se reformado em 6 de novembro de 1832, com a patente de marechal do Exército. Morre no dia 2 de agosto de 1836, na sua casa. Está sepultado nas catacumbas da Ordem terceira, na Igreja de São Francisco de Paula, no Rio de Janeiro.[1]
Ordens e condecorações
[editar | editar código]- Grã-Cruz Honorário, Ordem Militar da Torre e Espada (Portugal)
- Comendador, Ordem Militar de São Bento de Aviz (Portugal) - Imperial Ordem de São Bento de Aviz (Brasil)
- Imperial Ordem do Cruzeiro (Brasil)
- Medalha de Comando da Guerra Peninsular por 4 acções (Vittoria, Pyreneos, Nivelle e Nive)
- Cruz da Guerra Peninsular (tipo 1) para 6 Campanhas
- Army Gold Medal (por três acções: Pyrenées, Nivelle e Nive, dada pelo governo britânico)
Referências
Bibliografia
[editar | editar código]- DUARTE, Paulo de Queirós (1984), Lecor e a Cisplatina 1816-1828 (três volumes), Biblioteca do Exército: Rio de Janeiro.
- FERREIRA, Fábio. O general Lecor e as articulações políticas para a criação da Província Cisplatina: 1820-1822. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=106819
- FERREIRA, Fábio. O general Lecor, os Voluntários Reais, e os conflitos pela independência do Brasil na Província Cisplatina: 1822-1824. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade Federal Fluminense (UFF): Niterói, 2012. Disponível em: http://www.historia.uff.br/stricto/td/1408.pdf
- SILVA, Alfredo P.M. Os Generais do Exército Brasileiro, 1822 a 1889, M. Orosco & Co., Rio de Janeiro, 1906, vol. 1, 949 pp.
Ligações externas
[editar | editar código]- «Fábio Ferreira, "A administração Lecor e a Montevidéu portuguesa:1817 – 1822" in: Revista Tema Livre»
- «O General Lecor, os Voluntários Reais e os conflitos pela independência no Brasil na Cisplatina» (PDF)
- Otero Menéndez, Jorge Porqué Lecor y no otro In: (2006) Uruguay, un destino incierto. Edición electrónica. Texto Completo (em castelhano)
- «Em Busca de Lecor». , Blogue.
- «Registos no Arquivo Histórico Militar de Portugal»
- «Registos no Arquivo Histórico Militar de Portugal, Projecto "Da Guerra Peninsular à Regeneração"»
- «Registos no Arquivo Geral da Marinha de Portugal»
| Precedido por — |
Governador da Província Cisplatina 1817 — 1825 |
Sucedido por Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho
|
- Nascidos em 1764
- Mortos em 1836
- Naturais de Lisboa
- Governadores das Armas de Portugal
- Marechais do Brasil
- Viscondados do Brasil
- Barões de Laguna
- Nobres do Brasil
- Baronatos de Portugal
- Militares portugueses da Guerra Peninsular
- Pessoas da Guerra da Cisplatina
- Nobres de Portugal do século XVIII
- Nobres de Portugal do século XIX
- Brasileiros de ascendência portuguesa
- Grã-Cruzes da Ordem da Torre e Espada
- Guerra contra Artigas
