Carnitina

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Carnitina
Alerta sobre risco à saúde
Carnitine structure.png
Nome IUPAC 3-Hidróxi-4-trimetilamonio-butanoato
Identificadores
Número CAS 541-15-1
PubChem 10917
Propriedades
Fórmula molecular C7H15NO3
Massa molar 161.199 g/mol
Ponto de ebulição

3

Compostos relacionados
Compostos relacionados Ácido beta-hidroxibutírico
Ácido gama-aminobutírico
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

A carnitina, L-carnitina, levocarnitina ou vitamina B11 é uma vitamina sintetizada pelo fígado, rins e cérebro. Encontrada em quase todas as células do organismo, atua na geração de energia (ATP), a partir de ácidos graxos(gordura). Ajuda a melhorar os níveis de colesterol bom (HDL) melhorando o funcionamento do coração e da circulação sanguínea. [1]

Biossíntese[editar | editar código-fonte]

Biossíntese de carnitina

É sintetizada a partir de um aminoácido essencial, a lisina e metionina, mas necessitando também ferro e vitaminas B3, B6 e C.[2]

Função[editar | editar código-fonte]

L-Carnitina é uma substância que desempenha um papel importante no metabolismo da gordura, transportando os ácidos graxos de cadeia longa, para a mitocôndria (fonte energética das células), contribuindo assim para a combustão da gordura. O metabolismo das gorduras nas células musculares, pode ser melhorado com a ingestão de carnitina, desta forma a energia retida pelo músculo é também aumentada.

Este composto tem recebido atenção por ser um dos responsáveis pela oxidação lipídica, de modo que tem sido vendido como um suplemento alimentar. Para que os ácidos graxos de cadeia longa atravessem a membrana mitocondrial para serem oxidados, há o auxílio da carnitina-palmitoil transferase II, cuja concentração pode ser manipulada pela suplementação de carnitina.

A carnitina atua na queima de gordura na mitocôndria, gerando energia para o funcionamento dos músculos. Sem carnitina suficiente a gordura não entra na mitocôndria e pode retornar ao sangue como forma de triglicerídeos.

Em indivíduos deficientes de carnitina, sua suplementação é de grande importância. A interrupção das funções normais da carnitina leva a hepatite, ao aumento da gordura e causa sintomas neurológicos.

Carnitina é armazenada nos músculos esqueléticos onde ela é necessária para transformar os ácidos graxos em energia para atividades musculares.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Carnitina é produzida pelo organismo em pequenas quantidades. Esta pode ser armazenada pelo organismo através da maior parte do tecido muscular. Através de uma dieta balanceada são absorvidas entre 50 e 100mg de carnitina diárias. As fontes mais rica em carnitina são as carnes vermelhas, especialmente a carne de carneiro e veado, e em menor grau as outras carnes e laticínios. Em dietas vegetarianas são encontradas pequenas quantidades de carnitina em fungos, nozes, trigo e arroz.[3]

Em uma dieta com carnes e produtos lácteos consome-se diariamente cerca de 50 a 100mg de carnitina, e 60% é absorvida, enquanto os suplementos vitamínicos vêm em comprimidos de 250mg ou 500mg de L-carnitina, mas apenas 20% é absorvida. [4] Também existe na forma injetável de 200mg e xarope de 100mg/ml.

História[editar | editar código-fonte]

Foi descoberta em 1905 por cientistas russos, tendo sido denominada de Carnitina por derivar do Latim carnis (carne). Gulewitsch e Krimberg observaram que esta substância era essencial para o funcionamento das células musculares e, desde então, foram efectuados inúmeros estudos até que em 1932 foi estabelecida a estrutura química da L carnitina.

Deficiência[editar | editar código-fonte]

No entanto, apesar do nosso organismo conseguir sintetizar este nutriente e do ingerirmos na nossa alimentação, são muitos os casos em que existe uma carência de L-carnitina. Os estados de deficiência são comuns entre atletas, obesos, durante a gravidez, a infertilidade masculina, crianças em fase de crescimento.

Algumas doenças também contribuem para a diminuição dos níveis de L-carnitina: doenças do coração, gordura no sangue, cirrose, hipotiroidismo, entre outras. Desta forma, pode justificar-se a suplementação em alguns casos. Só a partir da década de 80 é que a L-carnitina começou a ser produzida em grandes quantidades e a preços acessíveis, devido a processos revolucionários em que a matéria prima utilizada não era a carne.

Indicações[editar | editar código-fonte]

De um modo geral, a abundante energia que a carnitina ajuda a criar é benéfica a vários níveis. Como actua directamente nos tecidos musculares, este nutriente é utilizado por desportistas porque ajuda a aumentar a resistência, a aliviar a fadiga física e mental, a promover o desenvolvimento da massa muscular, bem como ainda a recuperar de lesões.[carece de fontes?] A carnitina não é tóxica, não causa dependência nem constitui doping, pelo que são já muitos os atletas profissionais que a ela recorrem.

A nível do coração a L-carnitina ajuda a aumentar o rendimento cardíaco, a contracção do miocárdio, a produção de ATP e a resistência do coração ao exercício físico. Ajuda também a diminuir o ritmo cardíaco em situações de stress e, provavelmente, a gravidade do enfarte cardíaco e os sintomas de insuficiência cardíaca e angina de peito. A L-carnitina actua ainda a nível dos triglicéridos, aumentando os níveis de HDL (colesterol bom).

Este nutriente é também utilizado em dietas de emagrecimento em combinação com uma dieta pobre um hidratos de carbono, pois ajuda a promover a perda de peso ao transformar os depósitos de gordura acumulados em energia, protegendo ao mesmo tempo o organismo das substâncias nocivas que se libertam durante este processo.[carece de fontes?]

No que diz respeito à saúde do cérebro a L-carnitina pode ajudar a retardar o envelhecimento dos células cerebrais. É útil também para promover a concentração, a memória e as capacidades de aprendizagem. A nível cerebral, a acetil-L-carnitina – uma forma de L-carnitina – revela-se mais eficaz, pois tem a capacidade de penetrar nas células cerebrais mais facilmente.[carece de fontes?]

A L-carnitina é ainda útil a nível hepático, promovendo um melhor funcionamento do fígado ao aumentar a síntese proteica. Ajuda também a reduzir os problemas de fígado gordo.[carece de fontes?]

Este suplemento pode ainda ajudar a melhorar a vitalidade e quantidade do esperma, contribuindo, desta forma, em casos de infertilidade masculina.[carece de fontes?]

A L-carnitina também é útil em casos de falta de energia, de stress, na gravidez e amamentação ou ajudando pessoas saudáveis a manter-se em forma.[carece de fontes?]

Para além da L-carnitina em cápsulas ou comprimidos (cerca de 250 a 500mg diários), pode ainda optar por bebidas, tônicos e xaropes que incluam este nutriente.

Suplementação[editar | editar código-fonte]

Supôs-se também que a suplementação da carnitina ajudaria na performance das atividades de endurance por aumentar o consumo de gorduras e poupar o glicogênio muscular, porém não há nenhum estudo relacionando a falta de carnitina à fadiga. Além disso, deve-se ter em mente que o mecanismo de fadiga ainda não é totalmente compreendido, e a falta de glicogênio certamente não é o único fator envolvido.

Apesar de estudos de longa duração terem verificado alterações enzimáticas sugestivas, os únicos casos onde se comprovou a melhora na performance de atividades físicas foram em condições patológicas como doenças renais (AHMAD et al, 1991), vasculares (BREVETTI et al, 1988) e síndrome de fadiga crônica [5].

Efeitos adversos[editar | editar código-fonte]

Geralmente é bem tolerada. Foram relatados sintomas gastrointestinais leves naqueles que tomaram comprimidos de L-carnitina, incluindo náuseas e vômitos transitórios, cólicas abdominais e diarreia. Fraqueza muscular foi relatada em pacientes com insuficiência renal. Não foram observadas modificações nos indicadores de função hepática nem renal nem nas variáveis hematológicas.[6]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Para analisarmos a suplementação da carnitina devemos começar da ingestão em si. Em primeiro lugar deve-se ter em mente a enorme distância fisiológica entre a ingestão do suplemento e o aumento de sua concentração nos músculos. É um caminho tão longo e incerto que diversos autores afirmam que a suplementação de carnitina tem pouco efeito em sua concentração muscular [7]. Em condições normais a carnitina exógena é quase toda eliminada pela urina [8], e o pior de tudo é que esse pouco que porventura venha a cair na circulação, dificilmente entrará no músculo [9]. Além dessas questões fisiológicas, há outras ainda mais obscuras, como a qualidade dos suplementos, verificaram que a média de quantidade de carnitina nos suplementos analisados era apenas 52% do escrito nos rótulos. Ou seja, se tomando a carnitina em si já e difícil que ele chegue no músculo, imagina tomando um composto impuro.[10]

Apesar de haver inúmeros estudos sobre o uso de carnitina, não é possível dizer que sua suplementação traz benefícios para pessoas saudáveis, sejam estéticos ou de performance [11]. O uso de carnitina embasa-se em alguns estudos animais e in vitro [12], não havendo possibilidades de extrapolação em humanos. Faltam pesquisas estudando seu consumo em dietas especiais, como as de pré-competição.

Mesmo que tomássemos doses de carnitina verdadeira e ela de fato chegasse ao músculo, considerando pouca perda de carnitina, pois cerca de 90% dela é reabsorvida pelos rins, concluiremos que deficiências na quantidade de carnitina são raras, sendo vistas apenas em algumas doenças incomuns. Por esses e outros fatores não há como afirmarmos nada positivo em relação ao uso de uso de carnitina com fins estéticos.

Embora o metabolismo anormal da carnitina esteja associado à diabetes e Alzheimer, não existe evidência de que L-carnitina previne essas doenças. Pesquisas em andamento podem demonstrar algum benefício da suplementação com L-carnitina. O trabalho com modelos animais diabéticos demonstrou uma função cardíaca melhorada com administração de L-carnitina parentérica.

Referências

  1. Brooks H, Goldberg L, Holland R, et al. Carnitine-induced effects on cardiac and peripheral hemodynamics. J Clin Pharmacol. 1977; 17:561-578.
  2. Coelho, Christianne de Faria et al. Aplicações clínicas da suplementação de L-carnitina. Revista de Nutrição. Pontifícia Universidade Católica de Campinas, v. 18, n. 5, p. 651-659, 2005. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/14099>
  3. Conociendo la L-carnitina y sus beneficios (2013). https://bellezafemenil.wordpress.com/tag/beneficios-de-la-l-carnitina/
  4. PDR Health. L-Carnitine. http://web.archive.org/web/20070508224849/http://www.pdrhealth.com/drug_info/nmdrugprofiles/nutsupdrugs/lca_0060.shtml
  5. PLIOPLYS et al, 1997
  6. .Rubin MR, Volek JS, Gómez AL, Ratamess NA, French DN, Sharman MJ, et al. Safety measures of L-carnitine L-tartrate supplementation in healthy men. J Strength Cond Res. 2001; 15(4):486-90.
  7. BASS, 2000; BRASS et al, 1994, VUKOVICH et al, 1994; BARNETT et al, 1994
  8. OHTANI et al, 1984
  9. BRASS, 2000
  10. MILLINGTON et al, 1993
  11. HEINONEN, 1996; BRASS, 2000
  12. DUBELAAR et al, 1991; BRASS et al, 1993