Catenaccio

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Catenaccio é uma tática de futebol, conhecida mundialmente pelo defensivismo e pelo pragmatismo. Por isso, muitos especialistas defendem que o Catenaccio não é bem um sistema tático, mas sim uma estratégia de jogo ultra defensivista que se caracteriza pelo excessivo recuo dos defesas e, até mesmo, dos atacantes para dentro da sua própria área. E esta estratégia volta-se a duas prerrogativas fundamentais: solidez defensiva e velocidade no contra-ataque.

Em italiano, “Catenaccio” significa literalmente “Porta Trancada”.

Origem[editar | editar código-fonte]

O “Catenaccio” teve origem na década de 30, utilizando-se as idéias do Ferrolho suíço, "inventado" pelo austríaco Karl Rappan, técnico do Grasshopers e mais tarde da Seleção Suíça. Contudo, foi na Itália que este sistema se “espalhou”. Quem levou este sistema ao "Calcio" foi o treinador neto de austríaco Nereo Rocco, então técnico da Triestina. A equipe foi a segunda colocada na Itália em 1948. O “Catenaccio” chegou ao seu apogeu no Inter de Milão bi-campeão Europeu dos anos 60, treinada pelo Franco-Argentino Helenio Herrera.[1][2]

É considerado a evolução do sistema tático que havia sido inventado e logrado exito com Vittorio Pozzo dirigindo a Seleção italiana bi-campeã do mundo em 1934 e 1938.

Sistema[editar | editar código-fonte]

O Catenaccio, em sua origem, era uma forma de 4-3-3, sem o uso de laterais. Um dos jogadores da linha de 4 era um líbero fixo, que só defendia e posicionava-se atrás de uma linha de três defensores. Por sua vez, os outros 3 também só defendiam, mas sabiam que atrás deles havia um homem na sobra (o líbero). A frente deles, no meio campo, havia uma outra linha de 3 com características bem defensivas. Segundo Franco Ferrari, instrutor da escola de treinadores da Uefa, o Catenaccio variava o sistema de marcação entre marcação-individual e por zona. E a estratégia de jogo assim é descrita por Ferrari: "o time estacionava no próprio campo, sempre com superioridade numérica, de maneira compacta e sem oferecer espaços; no momento da reconquista da bola, avançava-se em profundidade no campo adversário, com lançamentos longos"[3].

Muitos consideram o 4-3-3 do “Catenaccio” como sendo um 1-3-3-3.[1]

"Ferrolho" de Karl Rappan que deu origem ao "Catenaccio"

O "catenaccio puro", célebre na Inter dos anos 1960, baseava-se em marcação individual feita por cinco ou mais jogadores. O contra-ataque era organizado pelo fantasista e pelos meias. A Juventus de duas décadas depois atualizou com a marcação por zona, e apenas o líbero se preocupava com o craque do rival. O ataque era semelhante.[4]

Morte do Catenaccio?[editar | editar código-fonte]

A Champions League de 1972, apresentou ao mundo uma tática conhecida por futebol total. Na final, o Ajax bateu o Inter por 2x0, com a imprensa europeia em delírio, anunciando - talvez precocemente - a «morte do Catenaccio». Nos Países Baixos, um jornal publicou: "O sistema do Inter ficou em cacos. O futebol defensivo acabou!" O futebol defensivo dos italianos, que se tornara a força dominante na Europa, acabava de encontrar uma força superior.

Porém, ainda hoje esta tática é utilizada. Como exemplos, temos:

  • Seleção Grega, campeã da Eurocopa em 2004.[5]
  • Seleção Suíça, na copa de 2006, eliminada sem sofrer gols.[6]
  • O Chelsea, campeão da Champions League na temporada 2011/12.[7]

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b lancenet.com.br/maurobeting/ HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões – Final 1964 – Internazionale 3 x 1 Real Madrid
  2. pt.uefa.com/ 1963/64: O início do "catenaccio"
  3. clicrbs.com.br/ Catenaccio: pai da retranca e do contra-ataque
  4. lancenet.com.br/ Escolas renovadas! Espanha e Itália mudaram estilos e fazem sucesso
  5. tvi24.iol.pt/ Opinião: Addio, catenaccio!
  6. laranjamecanicafb.com/
  7. virgula.uol.com.br/ Catenaccio ítalo-suíço e alma inglesa garantem ao Chelsea a dramática e merecida conquista da UCL contra o Bayern

Links Externos[editar | editar código-fonte]

  • globotv.globo.com/ Itália se inspira no 'catenaccio' para derrotar Espanha na Copa das Confederações