Charles Ray Hatcher

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Charles Ray Hatcher (16 de Julho de 1929 - 7 de Dezembro de 1984) foi um assassino em série americano, que confessou ter assassinado 16 pessoas entre 1969 e 1982.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Charles Ray Hatcher nasceu em Mound City, Missouri, uma pequena cidade a 54 km a norte de St. Joseph. Era o mais novo de 4 filhos de Jesse e Lula Hatcher. O seu pai era um ex-condenado e um alcoólico abusivo. Hatcher foi mal tratado na escola e magoava muitas vezes os seus colegas.

Na primavera de 1935, ele e o seu irmão mais velho estavam a fazer voar um papagaio de papel com fio de cobre que encontraram num antigoModelo T Ford. O seu irmão mais velho, Arthur Allen estava prestes a entregar-lhe o papagaio quando atingiu uma linha de alta voltagem e foi eletrocutado. Arthur foi declarado morto no local. Mais tarde, o seu pai saiu de casa e divorciou-se da sua mãe. A sua mãe voltou a casar várias vezes e, em 1945, Hatcher foi morar para St. Joseph com a sua mãe e o seu terceiro marido.

Crimes[editar | editar código-fonte]

1947–1963[editar | editar código-fonte]

Em 1947, Hatcher foi condenado por roubo de carro em St. Joseph depois de roubar um camião da empresa Walnut quando esta ia de Iowa para Missouri, a empresa para o qual trabalhava à duas semanas. Recebeu um sentença suspensa por dois anos. Em 1948, foi condenado por roubo de carro uma segunda vez por roubar um Buick de 1937 em St. Joseph. Hatcher foi condenado a dois anos na penitenciária de Missouri. A 8 de Junho de 1949, Hatcher foi libertado da prisão depois de servir pouco mais de metade da sua pena; contudo, voltou à prisão em apenas alguns meses, depois de ser condenado por forjar um cheque de $10 numa bomba de gasolina em Maryville. A 18 de Março de 1951, Hatcher fugiu da prisão e tentou um assalto, mas foi apanhado e recebeu 2 anos extra de prisão.

Depois de cumprir a sua pena adicional de prisão, Hatcher foi libertado a 14 de Julho de 1954. Roubou um Ford de 1951 em Orrick e foi sentenciado a 4 anos de prisão. Antes de ser sentenciado, Hatcher tentou escapar da prisão de Ray County em Richmond e recebeu mais dois anos. A 18 de Março de 1959, Hatcher foi libertado da sua sexta prisão em toda a sua carreira de crime.

A 26 de Junho de 1959, Hatcher tentou raptar um rapaz de jornais de St. Joseph de 16 anos, chamado Steven Pellham enquanto o ameaçava com uma faca. Pellham fez queixa à polícia e Hatcher foi preso quando a polícia o apanhou com um carro roubado.

Hatcher foi sentenciado a 5 anos de prisão na penitenciária do estado de Missouri, pela tentativa de rapto e roubo de carro. Enquanto Hatcher esperava para ser transportado para a prisão, tentou, sem sucesso, fugir da prisão de Buchanan. Quando Hatcher chegou à prisão de Missouri disse ser o criminoso mais notório de toda a história do noroeste de Missouri desde Jesse James.

A 2 de Julho de 1961, o companheiro de cela Jerry Tharrington foi encontrado violado e esfaqueado até à morte na cozinha da prisão. Hatcher foi o único desaparecido do pessoal da cozinha na altura da morte. Foi enviado para a solitária pela morte de Tharrington, mas não existiam provas suficientes para o condenar em tribunal. Enquanto estava na solitária pelo assassinato, Hatcher escreveu uma nota dizendo que precisava de tratamento psiquiátrico; contudo, o psicólogo da prisão achou que era apenas um esquema para sair da solitária e possivelmente da prisão. O tratamento foi recusado e Hatcher voltou para a população geral da prisão. A sua sentença foi reduzida para três quartos da original, e foi libertado a 24 de Agosto de 1963.

1969–1977[editar | editar código-fonte]

A 27 de Agosto de 1969, Hatcher confessou ter raptado um rapaz de 12 anos, chamado William Freeman, em Antioch, California. Indica que disse ao rapaz para ir consigo, levou-o para um ancoradouro e estrangulou-o.

A 29 de Agosto de 1969, Gilbert Martinez de 6 anos, foi dado como desaparecido em São Francisco. Segundo a menina de 6 anos com quem ele estava a brincar, Martinez foi com um homem que lhe ofereceu gelado. Foi encontrado por um homem que passeava o seu cão, enquanto a criança estava a ser espancada e violada. A polícia chegou e prendeu o assaltante, que se identificou como Albert Ralph Price, apesar de levar identificação com o nome Hobert Prater. Martinez sobreviveu ao assalto, e o FBI mais tarde identificou o homem como Charles R. Hatcher. 

Ainda pelo nome de Albert Price, Hatcher foi condenado pelo ataque com tentativa de cometer sodomia e rapto. Foi ordenado que fizesse uma avaliação das suas competências avaliativas para determinar a sua competência em tribunal. Uma avaliação psicológica completa foi ordenada quando Hatcher não deu respostas durante as avaliações preliminares. Durante este tempo, disse ouvir vozes e fingiu delírios e tentativas de suicídio.

Em Dezembro de 1970, Hatcher foi enviado para trás e para a frente em tribunais e hospitais várias vezes. Um psiquiatra diagnosticou-o como tendo uma personalidade passiva-agressiva com parafilia e pedofilia. Foi reportado que o pessoal do hospital sentia que Hatcher estava a fabricar ou exagerar os sintomas das suas desordens mentais. Foi examinado por dois psiquiatras em Janeiro de 1971. Foi declarado louco pelo primeiro, que recomentou um vigoroso tratamento num hospital de alta segurança. O segundo psiquiatra declarou-o incompetente para estar em tribunal e enviou-o de volta ao hospital.

A 24 de Maio de 1971, Hatcher foi a julgamento e deu-se como inocente com razão de insanidade. Foi enviado para um hospital diferente para mais avaliações, onde foi determinado que não estava apto para ir a tribunal. A 2 de Junho, Hatcher fugiu do hospital. Foi apanhado uma semana depois em Colusa e preso por suspeita de roubo de um carro em nome de Richard Lee Grady. Hatcher voltou ao hospital da California para uma avaliação mental. Em Abril de 1972, o pessoal do hospital determinou que o seu tratamento não teve sucesso e que ele era um perigo para os outros pacientes, e foi enviado para o hospital prisão de Vacaville.

Em Agosto de 1972, Hatcher foi transferido para a prisão de San Quentin a aguardar julgamento, três anos depois do crime. Foi ordenado que frequentasse mas duas avaliações finais: uma que o declarou competente para julgamento e outra que o declarou como estando são na altura do crime.

Em Dezembro de 1972, Hatcher foi julgado e condenado pelo rapto e violação de Martinez. Em Janeiro de 1972, foi determinado pelo Hospital do estado da California como um "violador mentalmente desordenado". 

A 28 de Março de 1973, os guardas encontraram Hatcher escondido numa arca frigorífica perto do pátio do hospital com dois lençóis dentro das suas calças, que mais tarde admitiu serem para escapar do hospital. Foi enviado novamente para tribunal depois de dois médicos determinarem que ainda era uma ameaça para a sociedade. Em Abril, Hatcher foi condenado de um ano a prisão perpétua e enviado para uma prisão de segurança média em Vacaville.

Em Maio de 1973, um psicólogo determinou Hatcher como sendo "um sociopata manipulador". Em Junho de 1973, tentou suicidar-se cortando os pulsos e foi sugerido que fosse transferido para uma prisão de segurança máxima. Um psiquiatra diagnosticou-o com esquizofrenia paranóica, e permaneceu em Vacaville.

Em Agosto de 1975, os guardas reportaram o bom comportamento de Hatcher na sua reunião para liberdade condicional. Em Junho de 1976, o quadro de condicional da California considerou que Hatcher tinha melhorado significativamente durante o seu tempo na prisão e definiu uma liberdade condicional para 25 de Dezembro de 1978. Como resultado da aprovação de uma lei que dá créditos pelo tempo passado em prisões e hospitais psiquiátricos, a data de liberdade foi passada para Janeiro de 1977. Foi libertado para uma casa de recuperação em San Francisco, a 20 de Maio de 1977.

1978–1982[editar | editar código-fonte]

A 4 de Setembro de 1978, Hatcher foi preso sob o nome de Richard Clark em Omaha, Nebraska por violação a um rapaz de 16 anos. Foi enviado para o hospital psiquiátrico de Douglas County e libertado em Janeiro de 1979.

A 3 de Maio de 1979, Hatcher foi preso por atacar e tentar matar depois de ter tentado esfaquear uma criança de 7 anos, chamado Thomas Morton. Foi enviado para o Centro Regional de Norfolk, uma instituição psiquiátrica, depois das queixas serem demitidas.

Em Maio de 1980, Hatcher foi libertado da instituição mas foi enviado novamente após 2 meses por outro ataque. Escapou em Setembro.

A 9 de Outubro de 1980, Hatcher foi preso como Richard Clark em Lincoln, Nebraska pela tentativa de assalto e sodomia de uma rapaz de 17 anos. Foi enviado para um novo hospital psiquiátrico e libertado depois de 21 dias.

A 13 de Janeiro de 1981, Hatcher foi preso como Richard Clark em Des Moines, Iowa depois de uma luta de facas. Passou algum tempo numa instituição psiquiátrica e foi libertado para o abrigo militar de Davenport em Abril.

Melvin Reynolds[editar | editar código-fonte]

A 26 de Maio de 1978, Eric Christgen de 4 anos, desapareceu na baixa de Saint Joseph, Missouri. O seu corpo apareceu depois no rio de Missouri; tinha sido abusado sexualmente e morreu por sufocação. A polícia interrogou mais de 100 possíveis suspeitos, incluindo "todos os pervertidos conhecidos da cidade", mas sem sucesso. Um deles era Melvin Reynolds, um homem de 25 anos com inteligência limitada que tinha sido abusado sexualmente na infância e que tinha alguns episódios homossexuais na adolescência. Reynolds, muito agitado com a investigação, cooperou durante vários interrogatórios durante vários meses, incluindo dois testes de polígrafo e uma interrogação sobre hipnotismo. Em Dezembro de 1978, foi questionado sobre o sódio amytal (soro da verdade) e fez uma afirmação ambígua que deixou a polícia suspeita. Dois meses mais tarde, em Fevereiro de 1979, a polícia chamou o ainda cooperativo Reynolds para outro interrogatório - 14 horas de questões, promessas e ameaças. Finalmente, Reynolds cedeu e disse: "Eu digo o que quiserem". Nas semanas seguintes, Reynolds escreveu a sua confissão com detalhes que lhe foi dito, deliberadamente ou não. Foi o suficiente para ser condenado e acusado, e convencer o júri para o condenar por homicídio em segundo grau. Foi sentenciado a prisão perpétua. Quatro anos depois, Reynolds foi libertado quando Charles Hatcher confessou os 3 assassinatos, incluindo Eric Christgen.

Morte[editar | editar código-fonte]

A 29 de Julho, caminhantes encontraram o corpo nu de uma criança de 11 anos, chamada Michelle Steele, espancada e estrangulada até à morte num banco no rio de Missouri, perto de St. Joseph. Hatcher foi preso no dia seguinte, enquanto tentava entrar no hospital de St. Joseph. Enquanto esperava julgamento, confessou outras 15 mortes de crianças desde 1969. A primeira vitima, William Freeman de 12 anos, tinha desaparecido em Antioch, California, em Agosto desse ano, uma dia antes de Hatcher ter sido acusado de abuso sexual de crianças perto de San Francisco. 

Noutro caso, Hatcher desenhou um mapa que levou os investigadores aos restos mortais de James Churchill, enterrado no chão do Arsenal do Exército de Rock Island, perto de Davenport, Iowa. Foi então que confessou também o assassinato de Eric Christgen. Foi condenado pelo homicídio de Christgen em Outubro de 1983, o que levou a uma prisão perpétua sem possibilidade de condicional por, pelo menos, 50 anos. Com mais uma acusação após um ano pela morte de Michelle Steele, Hatcher pediu a pena de morte mas o júri recusou, recomendando prisão perpétua a 3 de Dezembro de 1984. Quatro dias depois, Hatcher enforcou-se na sua cela, na penitenciária de Missouri, em Jefferson City.

Referências[editar | editar código-fonte]

↑ 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 1.10 1.11 1.12 1.13 1.14 1.15 1.16 1.17 1.18 1.19 1.20 1.21 Keen, Amber; Lewis, George; Stone, Kara; Lucas, Andrew (2005). "Charles Ray Hatcher" (PDF). Radford University Department of Psychology.

http://www.law.duke.edu/journals/lcp/articles/lcp61dAutumn1998p125.htm#B78[]