Coivara

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Coivara é uma técnica agrícola tradicional utilizada em comunidades tradicionais como quilombolas[1], indígenas, caiçaras e ribeirinhas no Brasil.

Definição[editar | editar código-fonte]

É também chamada de agricultura itinerante e define-se, em geral, por poucos anos de cultivo, seguidos de muitos anos de repouso. A plantação inclui o corte, a derruba e a queima da floresta nativa, onde o fogo desempenha papel fundamental. Há, então, a plantação intercalada de várias culturas (rotação de culturas), como o arroz, o milho e o feijão, durante 3 anos e, principalmente, a rotação de solos para melhorar a fertilidade e controlar as pragas.

Esse método é utilizado principalmente em agricultura de subsistência, por pequenos proprietários de terra ou em áreas de plantio comunal.

Muitos autores defendem que a característica extremamente rudimentar desta técnica agrícola leva ao rápido esgotamento do solo, fazendo com que as terras precisem ficar em descanso de 3 a 12 anos e causando a derrubada de grandes áreas de mata. Por outro lado, vários especialistas defendem que a coivara está associada à conservação dos ecossistemas florestais.

Em algumas regiões, como no Vale do Ribeira, a coivara tem sofrido um processo de transformação que envolve fatores como o aumento demográfico, o avanço da economia de mercado, a implantação de leis ambientais e políticas desenvolvimentistas, o que ocasiona grande polêmica entre as comunidades que utilizam o método e a intensificação da fiscalização a partir dos anos 1980 que busca preservar a mata nativa (Mata Atlântica).

No interior de Goiás (Orizona), coivara é a sobra da mata queimada, a vegetação de porte fino.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Coivara" procede do tupi antigo koybara, "cata-paus de roça" (, "roça" + yba, "pau" + ar, "cair" + a, sufixo nominal).[2]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Guimarães, Eduardo Alfredo Morais (2014). «QUILOMBO, AGRICULTURA DE COIVARA E REVOLUÇÃO VERDE NA REGIÃO CACAUEIRA DA BAHIA» (PDF). Scientiarum Historia VII. Consultado em 18 de julho de 2017 
  2. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo. São Paulo. Global. 2013. p. 233.