Cruzeiro Seixas

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Cruzeiro Seixas
Homenagem a Cruzeiro Seixas em 2018
Nome completo Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas
Nascimento 3 de dezembro de 1920
Amadora
Morte 8 de novembro de 2020 (99 anos)
Nacionalidade portuguesa
Área Pintura, poesia
1º Estudo para futuros encontros, 1954, grafite e guache sobre papel, 22,7 x 26,5 cm

Cruzeiro Seixas, de nome completo Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas GOSE (Amadora, 3 de dezembro de 1920Lisboa, 8 de novembro de 2020), foi um "homem que pinta" (a designação de pintor aborrecia-o)[1] e poeta português.

Cruzeiro Seixas era um homossexual assumido, tendo mantido uma relação com Mário Cesariny.[2][3]

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Frequentou a Escola António Arroio, onde fez amizade com Mário Cesariny, Marcelino Vespeira, Júlio Pomar e Fernando Azevedo. [4]

Em meados da década de 1940 aproxima-se do neorrealismo, de que se afasta quando adere aos princípios do surrealismo. Juntamente com Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Carlos Calvet, Pedro Oom e Mário-Henrique Leiria, entre outros, integra o grupo Grupo Surrealista de Lisboa, resultante da cisão do recém formado movimento surrealista português. Participa na exposição desse grupo em 1949 (1ª exposição dos Surrealistas, Lisboa). [4]

Em 1950 alista-se na Marinha Mercante e viaja até África, Índia e Ásia. Em 1951 fixa-se em Angola, desenvolvendo atividade no Museu de Luanda. Data desse tempo o início da sua produção poética [5]. Realiza as primeiras exposições individuais, que levantam um acalorado movimento de opinião (a primeira de desenhos sobre a evocação de Aimé Cesaire, em 1953; a segunda principalmente de «objectos» e «colagens», 1957).[6]

Regressa a Portugal em 1964. Em 1966 é convidado por Natália Correia a ilustrar a célebre obra "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica".[7]

Recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian em 1967. Nesse mesmo ano realiza uma pequena retrospetiva na Galeria Buchholz (com folha volante de Pedro Oom e prefácio de Rui Mário Gonçalves) e expõe na Galeria Divulgação, Porto. Em 1970 expõe individualmente na Galeria de S. Mamede, Lisboa, um conjunto de desenhos "de uma imagética cruel, ilustrações possíveis de Lautréamont". [8] [4]

Trabalha como programador nas Galerias 111 e São Mamede, Lisboa. Viaja pela Europa; entra em contacto com membros do surrealismo internacional. Radica-se no Algarve na década de 1980, trabalhando como programador de diversas galerias. Colabora em revistas internacionais ligadas ao surrealismo, a que sempre se manteve fiel. [4]

O traço certeiro de Cruzeiro Seixas, "de limites apurados e atmosferas de vertigem […] edifica um mundo desolador em que a face onírica e literária não esconde a violência do conjunto, destruindo toda a possibilidade de quietude". Mas essa noite primordial e inquietante "soube coexistir com paisagens mais ligeiras e felizes, como algumas das pintadas nos anos de Angola, e com citações plásticas da história da arte, num jogo de grande prazer plástico, bem como com objetos dotados de flagrante poética, na sua simplicidade de materiais, de técnicas e no sobressalto imaginativo". [4]

A 8 de junho de 2009, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.[9]

Viveu os últimos tempos da sua vida na Casa do Artista, em Lisboa. [10]

Morreu a 8 de novembro de 2020 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.[11]

Referências

  1. Vladimiro Nunes (entrevistador) (15 de novembro de 2008). «A minha vida foi uma experiência muito bonita». Semanário Sol. Revista Tabu: 40 a 46 
  2. Horta, Bruno (15 de Outubro de 2016). «Cruzeiro Seixas: "Eu preferia quando não tinha direitos e estava fora da sociedade"». Observador. Consultado em 12 de novembro de 2020 
  3. http://www.casaldasletras.com/Textos/CRUZEIRO%20SEIXAS.pdf
  4. a b c d e Ferreira, Emília – "Cruzeiro Seixas". A.A:V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 86, 87. ISBN 972-635-155-3
  5. A.A:V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 86. ISBN 972-635-155-3
  6. Galeria de S. Mamede. «Cruzeiro Seixas». Consultado em 21 de maio de 2013 
  7. Santos, Nuno Costa (28 de Dezembro de 2016). «Há 50 anos, a indecência de Natália Correia libertou-nos». Observador 
  8. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 397.
  9. «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 10 de novembro de 2020 
  10. https://observador.pt/2020/11/09/obras-de-cruzeiro-seixas-vao-estar-expostas-em-nova-iorque-paris-e-londres/
  11. «Faleceu Artur do Cruzeiro Seixas». Jornal Expresso. Consultado em 9 de novembro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]