Cruzeiro Seixas

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Cruzeiro Seixas
Nome completo Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas
Nascimento 3 de dezembro de 1920 (96 anos)
Amadora
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Pintura
1º Estudo para futuros encontros, 1954, grafite e guache sobre papel, 22,7 x 26,5 cm

Cruzeiro Seixas, de nome completo, Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas GOSE (Amadora, 3 de dezembro de 1920) é um "homem que pinta" (a designação de pintor (artista) aborrece-o[1]) e poeta português.

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Frequentou a Escola António Arroio, onde fez amizade com Mário Cesariny, Marcelino Vespeira, Júlio Pomar e Fernando Azevedo. [2]

Em meados da década de 1940 aproxima-se do neorrealismo, de que se afasta quando adere aos princípios do surrealismo. Juntamente com Mário Cesariny , António Maria Lisboa, Carlos Calvet, Pedro Oom e Mário-Henrique Leiria, entre outros, integra o grupo Grupo Surrealista de Lisboa, resultante da cisão do recém formado movimento surrealista português. Participa na exposição desse grupo em 1949 (1ª exposição dos Surrealistas, Lisboa). [2]

Em 1950 alista-se na Marinha Mercante e viaja até África, Índia e Ásia. Em 1951 fixa-se em Angola, desenvolvendo atividade no Museu de Luanda. Data desse tempo o início da sua produção poética [3]. Realiza as primeiras exposições individuais, que levantam um acalorado movimento de opinião (a primeira de desenhos sobre a evocação de Aimé Cesaire, em 1953; a segunda principalmente de «objectos» e «colagens», 1957).[4]

Regressa a Portugal em 1964. Recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian em 1967. Nesse mesmo ano realiza uma pequena retrospetiva na Galeria Buchholz (com folha volante de Pedro Oom e prefácio de Rui Mário Gonçalves) e expõe na Galeria Divulgação, Porto. Em 1970 expõe individualmente na Galeria de S. Mamede, Lisboa, um conjunto de desenhos "de uma imagética cruel, ilustrações possíveis de Lautréamont". [5] [2]

Trabalha como programador nas Galerias 111 e S. Mamede, Lisboa. Viaja pela Europa; entra em contacto com membros do surrealismo internacional. Radica-se no Algarve na década de 1980, trabalhando como programador de diversas galerias. Colabora em revistas internacionais ligadas ao surrealismo, a que sempre se manteve fiel. [2]

O traço certeiro de Cruzeiro Seixas, "de limites apurados e atmosferas de vertigem […] edifica um mundo desolador em que a face onírica e literária não esconde a violência do conjunto, destruindo toda a possibilidade de quietude". Mas essa noite primordial e inquietante "soube coexistir com paisagens mais ligeiras e felizes, como algumas das pintadas nos anos de Angola, e com citações plásticas da história da arte, num jogo de grande prazer plástico, bem como com objetos dotados de flagrante poética, na sua simplicidade de materiais, de técnicas e no sobressalto imaginativo". [2]

A 10 de Junho de 2009 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[6]

Referências

  1. Vladimiro Nunes (entrevistador) (15 de novembro de 2008). «A minha vida foi uma experiência muito bonita». Semanário Sol. Revista Tabu: 40 a 46 
  2. a b c d e Ferreira, Emília – "Cruzeiro Seixas". A.A:V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 86, 87. ISBN 972-635-155-3
  3. A.A:V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 86. ISBN 972-635-155-3
  4. Galeria de S. Mamede. «Cruzeiro Seixas». Consultado em 21 de maio de 2013 
  5. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 397.
  6. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 7 de junho de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]