Da serra veio um pastor

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"Da serra veio um pastor", "Um pastor vindo de longe" ou ainda "Esta notícia tivemos" é um romance tradicional português originário da ilha da Madeira.[1][2]

História[editar | editar código-fonte]

A letra deste romance surge publicada pela primeira vez no ano de 1880 no Romanceiro do Arquipélago da Madeira de Álvaro Rodrigues de Azevedo. Esta versão foi recolhida do povo do Funchal.[1] O tema desta composição poética é a adoração dos pastores e como tal está intimamente relacionada com a celebração do Natal. Fazia, aliás, parte de autos populares representados na ilha.[3]

Uma versão musicada foi coligida em Porto Moniz pelo padre Telésforo Afonso, possivelmente em 1953 e publicada posteriormente por Michel Giacometti no seu Cancioneiro Popular Português (1981).[3] Esta melodia destaca-se das várias que recebe na atualidade, por ter sido utilizada pelo compositor português Fernando Lopes-Graça (com o nome de "Da serra veio um pastor") na sua Segunda Cantata do Natal terminada em 1961.[2]

Letra[editar | editar código-fonte]

Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Da serra veio um pastor

Visto que se trata de uma romance popular, as várias adaptações musicais mostram diferenças significativas. Segue-se uma comparação entre as letra da variante usada por Lopes-Graça e excertos das recolhas de Telésforo Afonso e Álvaro Rodrigues de Azevedo:

Recolha de T. Afonso
(excerto)
Versão de Lopes-Graça Versão do Romanceiro
(excerto)

Da serra veio um pastor,
À minha porta bateu,
Trouxe uma carta, que diz
Que o Deus Menino nasceu.

Da serra veio um pastor,
À minha porta bateu,
Trouxe uma carta, que diz
Que o Deus Menino nasceu.

Um pastor vindo de longe,
À nossa porta bateu,
Trouxe recado que diz:
«O Deus Menino nasceu.»

Essa notícia tivemos,
À meia-noite seria,
Por isso nós vamos dar
Os parabéns a Maria.

A pastora também trouxe
Sua roca de fiar,
Para não perder o tempo
Quando ao Menino cantar.

Este recado tivemos
Já meia-noite seria,
Estrelas do céu, lá vamos
Dar parabéns a Maria.

Também diz a tal cartinha
Que a Virgem estava a chorar,
Por não ter uns paninhos
Com que o pudesse abafar.[3]

Ó Menino que nascestes
nas palhas frias do chão,
dos pastorinhos do campo
tende muita compaixão![4]

«Mas que Lhe hemos de levar,
A um Deus que tanto tem?»
«Ainda que muito tenha,
Sempre gosta que Lhe deem.»

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • 1964Fernando Lopes-Graça Second Christmas Cantata. Coro da Academia de Amadores de Música. Decca / Valentim de Carvalho. Faixa 5.
  • 1979Fernando Lopes-Graça Segunda Cantata do Natal. Choral Phidellius. A Voz do Dono / Valentim de Carvalho. Faixa 5.
  • 2012Fernando Lopes-Graça Obra Coral a capella - Volume II. Lisboa Cantat. Numérica. Faixa 5.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Azevedo, Álvaro Rodrigues de (1880). Romanceiro do Archipelago da Madeira 1 ed. Funchal: TYP. da «Voz do Povo» 
  2. a b c Paula de Castro; Miguel Azguime, et al. «Segunda Cantata do Natal». Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa. Consultado em 7 de agosto de 2015 
  3. a b c Michel, Giacometti; Fernando Lopes-Graça (1981). Cancioneiro Popular Português 1 ed. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 43 
  4. Comsonante (2009). «Da serra veio um pastor»