Michel Giacometti

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Michel Giacometti
Nascimento 8 de janeiro de 1929
Córsega, França
Morte 24 de novembro de 1990 (61 anos)
Faro, Portugal
Nacionalidade França Francês
Ocupação Etnomusicólogo

Michel Giacometti (Ajaccio, Córsega, 8 de Janeiro de 1929 - Faro, 24 de Novembro de 1990) foi um etnomusicólogo corso que fez importantes recolhas etno-musicais em Portugal. Possui uma escola de 2º/3º ciclo e secundário com o seu nome em Quinta do Conde - Sesimbra.

Percurso[editar | editar código-fonte]

Giacometti interessou-se pela música popular portuguesa após visitar o Museu do Homem em Paris. Veio viver para Portugal em 1959 quando soube que tinha tuberculose.

Acaba por se fixar em Bragança. Fundou os Arquivos Sonoros Portugueses em 1960. Percorreu o país nas décadas seguintes, até 1982, tendo gravado cantores e músicas tradicionais que o povo cantava no seu quotidiano.

Com Fernando Lopes Graça lançou a "Antologia da Música Regional Portuguesa", os conhecidos discos de sarapilheira, editados pela Arquivos Sonoros Portugueses em cinco volumes.

A partir de 1970 apresentou na RTP, durante três anos, o programa "Povo que Canta", realizado por Alfredo Tropa.

Em 1981 foi editado, pelo Círculo de Leitores, o "Cancioneiro Popular Português" que contou com a colaboração de Fernando Lopes Graça.

Em 1987 foi inaugurado em Setúbal o Museu do Trabalho. O museu teve importante colaboração de Giacometti na elaboração da exposição "O Trabalho faz o Homem".

Morreu em Faro no dia 24 de Novembro de 1990. Está sepultado na pequena aldeia de Peroguarda, no concelho de Ferreira do Alentejo.

Em 1991, o Museu do Trabalho de Setúbal, com uma vasta colecção de instrumentos agrícolas e objectos do quotidiano recolhidos por Giacometti, passou a denominar-se Museu do Trabalho Michel Giacometti. A reabertura foi em 18 de Maio de 1995. O seu espólio encontra-se também noutros museus, como o Museu Municipal de Ferreira do Alentejo, o Museu da Música Portuguesa (Casa Verdades de Faria, no Monte Estoril) e ainda o Museu Nacional de Etnologia.

O documentário "Polifonias - Pace é Saluta, Michel Giacometti" foi realizado em 1997 por Pierre-Marie Goulet.

Em 2004 foi lançado o livro "Michel Giacometti - caminho para um museu", aquando de uma exposição organizada pela Câmara Municipal de Cascais.

Em 2005 realizou-se na Córsega, no Festival Cantares de Mulheres e Instrumentos do Mundo, uma homenagem a Michel Giacometti, que contou com a participação de nomes como Amélia Muge, Gaiteiros de Lisboa e Mafalda Arnauth. Também houve a exposição "O Campo e o Canto" com fotografias de António Cunha e a projecção de dois filmes de Pierre-Marie Goulet.

A RTP produziu uma nova série de programas "Povo que canta". No último episódio houve uma homenagem ao etnólogo corso.

50 anos após a chegada a Portugal e 80 anos sobre o nascimento de Michel Giacometti, o Sector Intelectual de Coimbra do Partido Comunista Português realizou em Coimbra o "Reencontro com Giacometti" - Ciclo de Comemorações que decorreu entre Janeiro e Outubro de 2009.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Música tradicional Portuguesa - 12 obras fonográficas/24 discos (1960-1983)
  • Antologia da Música Regional Portuguesa - 5 discos (1960-1970)
  • 16 discos sobre a música de Portugal continental
  • música nos Açores e na Madeira: Antologia da Música Regional Portuguesa
  • 1-Trás-os Montes/Ge LDI/1960
  • 2-Algarve/Ge LD 12/1963
  • 3-Minho/
  • 4-Alentejo/Ge LD 17/1965
  • 5-Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral/Ge LD 18/1970.
  • Oito cantos trasmontanos/Ge AS 101/1961
  • Cantos Tradicionais do Distrito de Evora /GE AS 119/1965 (Ed. dos. Arquivos Sonoros Portugueses e da Junta Distrital de Évora)
  • Bailes Populares Alentejanos/AS 50/1968
  • Cantos Religiosos Tradicionais Portugueses /Philipps 6499 226/1971
  • Cantos e Danças de Portugal /Diapasão 25 005/1981.

Antologia da Música Regional Portuguesa[editar | editar código-fonte]

O primeiro volume intitula-se "Cantos e danças de Portugal". Os seguintes dizem respeito ao "Minho", "Trás-os-Montes", "Beiras" e um último volume dedicado ao "Alentejo e Algarve".

Os "discos de serapilheira" foram editados em pequenas tiragens.

Os discos da Antologia foram editados em França pela editora Chant du Monde. Selecção dos discos 1, 2 e 3 em Visages du Portugal/Le Chant du Monde LDX A 43. Em 1998 foram reeditados em CD pela Strauss e em 2008 pela Numérica, sempre na etiqueta Portugal Som.

Comentários[editar | editar código-fonte]

"constituiu um momento marcante na investigação, preservação e divulgação das tradições musicais" Mário Vieira de Carvalho / Lusa

Ligações externas[editar | editar código-fonte]