Decena Trágica

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La decena trágica ("os dez dias trágicos") Assim foi chamado o intervalo de Dez dias (9 de fevereiro a 19 de fevereiro de 1913 ) que culminaram nos acontecimentos que levaram a queda e assassinato do legítimo e popular governo do presidente Francisco I. Madero e seu Vice José Pino Suarez. A insatisfação da oligarquia Porfiristas, a imprensa e o lado político derrotado seriam alguns dos motivos que levaram ao golpe de estado.[1]

Madero foi eleito como presidente um ano após a Revolução Mexicana de forma legítima, alcançando cerca de 98% dos votos[2]. A historiografia majoritariamente o registrou como um homem de princípios firmes e capaz de lutar até o final pela democracia, e foi o que fez.

La decena trágica[editar | editar código-fonte]

Soldados amotinados em ação durante a Decena trágica

Se conhece como Decena trágica o movimento armado que ocorreu entre 9 de fevereiro a 18 de fevereiro de 1913 para expulsar Francisco I. Madero da presidência do México. O levante ou a derrubada começou na Cidade do México, quando um grupo de dissidentes iniciam uma revolta armada liderada pelo general Manuel Mondragón e libertaram os generais Bernardo Reyes e Félix Díaz, que estavam na prisão. Posteriormente, atacaram algumas agências do governo e declararam estado de sítio.[3]

Um rebelde morto em ação durante os tumultos.

Ficando ferido o General Lauro Villar, defendendo o Palácio Nacional, Madero designou em seu lugar Victoriano Huerta.[3] Ao longo dos dias foi solicitada a renuncia de Madero e José María Pino Suárez, que foi rejeitada. Em 17 de fevereiro, Gustavo A. Madero descobriu que Huerta tinha acordos com a oposição e levou-os ao presidente, que acreditou em suas palavras e o libertou. .[4] Logo depois Huerta assinou um acordo com Felix Diaz, na sua qualidade de chefe do exército federal, completando sua traição que destituiu o Presidente e o Vice-Presidente, o acordo ocorreu na sede da Embaixada dos Estados Unidos no México, com o apoio do embaixador Henry Lane Wilson e ficou conhecido como o Pacto da Embaixada. Nesse mesmo dia, Madero e Pino Suarez foram presos e forçados a renunciar. Em 20 de fevereiro, Victoriano Huerta foi nomeado presidente por uma série de manobras ilegais, que o levou a ficar conhecido como "o usurpador".[5] A revolta culminou em 22 de fevereiro, com o assassinato de Madero e Pino Suárez .[6]

Madero[editar | editar código-fonte]

Madero não era uma unanimidade, o país encontrava-se em um cenário de fragilidade[1]. Foram longos 30 anos de um governo totalitário (Porfirio Díaz), o que trazia grande estabilidade política para o cenário em tempo integral. Após assumir o estado em 1911, um ano após a Revolução Mexicana e substituir a Francisco L. de la Barra, presidente interino do México após a Revolução, Madero não obteve êxito nas articulações políticas de forma a trazer de volta da estabilidade necessária. Podemos citar alguns dos motivos para isso: o fato dele não ter cumprido algumas de suas promessas; não ter dado a atenção necessária a problemas tidos como principais no cenário do pós-revolução mexicano; a sua passividade diante de um México inquieto e cheio de críticos; seu distanciamento da classe política e antigos partidários (Orozco, Zapata); sua confiança incondicional no general Huerta, e por último e talvez ponto central para o acontecimento do golpe, pois sem esse personagem talvez nem tivesse ocorrido; as intenções dos Estados Unidos através de seu embaixador no México, Henry Lane Wilson. Madero confiou nas pessoas erradas, e, em consequência disso, acabou morto juntamente com seu Vice Pino Suárez, mesmo tendo aceitado assinar a carta de renúncia sob a promessa de que permanecerem exilados em cuba.[7]

Para alguns autores, o golpe era de certa forma anunciado em razão de rebeliões ainda no ano anterior (1912), como a de Pascual Orozco e Félix Díaz.

Referências

  1. a b «La Decena Trágica | Perseo – PUDH UNAM». www.pudh.unam.mx (em espanhol). Consultado em 3 de outubro de 2017 
  2. «La Decena Trágica | Perseo – PUDH UNAM». www.pudh.unam.mx (em espanhol). Consultado em 3 de outubro de 2017 
  3. a b Bolívar Meza, p. 2
  4. Bolívar Meza, p. 3
  5. Bolívar Meza, p. 4
  6. Bolívar Meza, p. 5
  7. «Francisco I. Madero». Wikipédia, a enciclopédia livre. 17 de abril de 2017 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Aguilar Camín, Héctor; Meyer, Lorenzo (1993). In the shadow of the Mexican revolution: contemporary Mexican history, 1910-1989. [S.l.]: UT Press. ISBN 9780292704510 
  • Bolívar Meza, Rosendo (2007). «La Decena Trágica» (PDF) (em espanhol). Uom.edu.mx. Consultado em 13 de mayo de 2010  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  • De La Pedraja Tomán, René (2004). Wars of Latin America, 1899-1941. [S.l.]: McFarland. ISBN 9780786425792 
  • De Zayas Enriquez, Rafael (2009). The Case of Mexico and the Policy of President Wilson. [S.l.]: BiblioBazaar, LLC,. ISBN 9781110783588 
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  • Garcíadiego Dantan, Javier (2005). La revolución mexicana: crónicas, documentos, planes y testimonios. [S.l.]: UNAM. ISBN 9789703206858 
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  • J. Antonio Aguilar V. (2013). La Decena Trágica (em espanhol). http://www.pudh.unam.mx/perseo/la-decena-tragica/ Consultado em 27 de setembro de 2017.
  • Pérez López-Portillo, Raúl (2002). Historia breve de México. [S.l.]: Silex Ediciones. ISBN 9788477371137 
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  • Simpson, Lesley Byrd (1959). Many Mexicos. [S.l.]: University of California Press. ISBN 978-0520011809 
  • Taibo II, Paco Ignacio (2009). Temporada de zopilotes. [S.l.]: Planeta. ISBN 9786070701160