Duarte de Bragança, senhor de Vila do Conde

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D. Duarte
D. Duarte, 1643
Nascimento 1605
 Portugal, Vila Viçosa
Morte 3 de setembro de 1649 (44 anos)
Milão
Nacionalidade  Portugal
Progenitores Mãe: Ana de Velasco e Girón
Pai: Teodósio II
Ocupação Militar
Título
Armas novas duques bragança.png

Armas da Casa de Bragança

Duarte de Bragança ou Duarte de Portugal (Vila Viçosa, 1605 - Milão, 3 de Setembro de 1649) foi um nobre português, senhor de Vila do Conde, filho de Teodósio II, Duque de Bragança, e irmão do futuro D. João IV de Portugal.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Vila Viçosa em 1605 e, sedento de feitos militares, deixou o reino em 1634 para servir o Imperador Fernando III da Germânia na Guerra dos Trinta Anos. Os autores discutem tal decisão, se se devia a não querer servir a coroa filipina ou à ambição de honras que sua condição de segundo filho jamais poderia obter no reino.

Em 1638 visitou Portugal, quando foi-lhe pedido tomar o comando da revolta que culminaria na Restauração da Independência[1]. Quando a notícia chegou à Alemanha, escreveu em 12 de Janeiro de 1641 ao irmão a dizer-lhe que voltaria ao reino assim que pudesse. Mas a Espanha obteve por via diplomática que o imperador prendesse o infante na fortaleza de Passau, de onde transitou para a de Graz, no sul da Áustria. D. João IV ordenou aos embaixadores que usassem de todos os meios para libertarem o irmão e pediu ajuda ao papa Inocêncio XII, sem êxito.

D. Duarte, que não intervira na conjura, foi vendido aos espanhóis e acabou por sofrer as consequências da Restauração. Encerrado no castelo de Milão, morreu após oito anos de cativeiro, em 3 de Setembro de 1649.

A corte portuguesa cobriu-se de luto rigoroso mas, embora na época aquela figura tenha suscitado muita simpatia entre os portugueses, a história foi esquecida.

Alegada descedência[editar | editar código-fonte]

Manuel Álvares Velho, nascido cerca de 1632, foi um famoso mistificador que se fez passar por filho ilegítimo do Infante D. Duarte e de Maria de Lara e Meneses, Poetisa, à qual chamavam "a Peregrina" por ser em extremo formosa e dotada de belas perfeições, concorrendo para isto as belas prendas que tinha em saber Latim, Francês e Poesia, falecida em 1649. Também chamado D. Manuel de Bragança, conseguindo obter diplomas régios como tal, nomeadamente ao requerer Armas concedidas a 6 de Outubro de 1667, de cujo teor se retiram as as informações genealógicas acima. Foi educado em Levada por seu tio materno, o Capitão Brás Álvares Pais de Meneses, que o dotou com todos os seus bens, e foi morador em Viseu, Rio de Moinhos, Sátão e Levada. Pediu por duas vezes Armas, sendo que na primeira se dá por filho natural daqueles pais e na segunda como filho legítimo, identificando a data e o local de casamento dos mesmos, em Viena a 24 de Junho de 1635, e ao qual se lhe deram por Armas: de prata com cinco escudetes de azul, postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes de prata, postos em sautor, com um filete negro em banda e duas bricas nos cantões do chefe, a da direita de ouro plena e a da esquerda de azul com três flores-de-lis de ouro postas em banda, bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro; timbre: uma serpente de ouro. Estas Armas, colocadas entre as dos Velho em alguns livros de Armaria, pertencem, porém, embora obtidas falsamente, aos de Bragança. Casou com Domingas Pais, falecida em 1665, filha de Manuel Pais Velho e de sua mulher Maria Lopes do Amaral, da qual teve um filho, D. Manuel Pais de Bragança.[2][3][4]

Referências

  1. RELAÇÃO de tudo o que passou na felice Aclamação do mui Alto & mui Poderoso Rei D. JOÃO O QUARTO, nosso Senhor, cuja Monarquia prospere Deos por largos anos. Texto publicado em 1641, sem indicação do autor, impresso à custa de Lourenço de Anveres e na sua oficina, e unanimemente atribuído ao Padre Nicolau da Maia de Azevedo
  2. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, pp. 549 e 550
  3. "Cartas de Brasão de Armas - Colectânea", Nuno Gonçalo Pereira Borrego, Guarda-Mor, 1.ª Edição, Lisboa, 2003, pp. 296 e 302
  4. "Dicionário de Mulheres Célebres", Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Porto, 1981, p. 669
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