Eduardo Carlos Pereira

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Eduardo Carlos Pereira de Magalhães nasceu em Caldas, Minas Gerais, no dia 8 de novembro de 1855, foi um ministro evangélico presbiteriano, professor, escritor e um dos mais importantes líderes do movimento protestante brasileiro do final do século XIX.

Eduardo Carlos Pereira
Nome completo Eduardo Carlos Pereira de Magalhães
Nascimento 8 de novembro de 1855
Caldas,  Minas Gerais
Morte 2 de março de 1923 (67 anos)
São Paulo
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Pastor, professor e escritor.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O pai de Carlos Pereira era farmacêutico e com ele foi aprendiz de farmácia, sua mãe era professora e com ela aprendeu as primeiras letras. Foram com os professores enviados para Caldas pelo Imperador D. Pedro II, que ele veio a ter a oportunidade de aprender o latim e o francês. Quando adolescente deseja estudar na Academia de Direito de São Paulo, para isso, logo cedo foi morar em Araraquara (cidade do interior paulista) e matriculou-se no Colégio Ipiranga. Quando esse colégio modou para a cidade de Campinas no ano de 1873, Carlos Pereira também acompanhou sua mudança indo para lá. Em Campinas conheceu o missionário presbiteriano George Morton e com ele manteve conversas sobre vários pontos da religião cristã. Em 1874, aos 18 anos de idade se preparava para ingressar na Academia de Direito de São Paulo, então, moudou-se para a capital paulistana e passou a lecionar latim e português. O missionário George Morton recomendou ao jovem professor que ao chegar em São Paulo procurasse o Rev. George. W. Chamberlain, que na ocasião era pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo, situada à rua 24 de maio e, foi exatamente o que fez.

Em 1875, aos 19 anos, já frequentando a Primeira Igreja, fez sua pública profissão de fé perante o Rev. Chamberlain e neste mesmo tempo chegou a matricular-se na Academia de Direito, porém, o Rev. Chamberlain exerceu grande influência para que o jovem tomasse outros rumos. Foi assim que Carlos Pereira abdicou de seu projeto inicial de seguir a carreira jurídica e no dia 14 de agosto de 1875 abraçou os estudos teológicos. Teve como professores/tutores os Reverendos Chamberlain e John Beatty Howeel. Em 1880, após quatro anos de estudos, obteve sua licenciatura para o ministério da Palavra. Neste período conheceu e casou-se com Louise D’Alliges Lauper, que após o casamento passou a se chamar Luíza Pereira de Magalhães.

Também atuou como missionário na cidade de Lorena, interior paulista, mas foi de forma breve, pois logo que ordenado pastor presbiteriano ao ministério da Palavra e dos Sacramentos o Rev. Carlos Pereira empreendeu viagens a outras cidades do interior de São Paulo. Em 1883 dirigiu-se à cidade de Campanha, interior de Minas Gerais onde ali estabeleceu uma igreja a qual foi pastor por quase seis anos.

O período em que esteve distante, tanto da capital do império como da cidade de São Paulo, não o impediu de exercer grande influência nos círculos protestantes e nas discussões do momento. Foi nessa cidade interiorana que ele criou a Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos, que tinha como alvo a produção de literatura cristã para a evangelização nacional, também fundou em 1887 o jornal Revista das Missões Nacionais que tratava de questões internas da denominação. A finalidade dos dois novos meios de comunicação era: produzir materiais evangelísticos que abordassem com mais precisão a relação entre a igreja e o contexto social brasileiro[1] e a emancipação econômica da igreja.

Em 1888 o Rev. Carlos Pereira foi eleito pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo, com isso, aos trinta e dois anos de idade foi empossado pastor de uma das mais importantes igrejas protestantes do Brasil, contando com grande comprometimento da igreja[2]. Em 1893 o Rev. Carlos Pereira fundou o jornal evangélico O Estandarte, sucessor do primeiro jornal evangélico impresso no Brasil fundado pelo Rev. Ashbel Green Simonton de nome A Imprensa Evangélica. Ele também exerceu interinamente, durante um ano, a função de diretor do Ginásio de São Paulo e também atuou como jornalista colaborador junto aos jornais seculares, O Estado de S. Paulo (1907-1910) e Correio Paulistano, quando contribuiu com diversos artigos para esses jornais.

No ano de 1922 já cansado pelos embates da vida e com traços de tristeza pela perda da esposa em 1921, obteve licença do pastorado da 1ª Igreja, saiu do Brasil em abril de 1922, onde esteve na Europa e Estados Unidos, regressou em janeiro de 1923, quando em março do mesmo ano, aos 68 anos, faleceu[3][4].

Ideais[editar | editar código-fonte]

O seu desejo era ver uma igreja brasileira, comprometida e sustentando os próprios projetos, andando por meio de seus próprios recursos. Para ele, a Igreja Presbiteriana do Brasil deveria responsabilizar-se com a evangelização no país e, para isso, campanhas de arrecadação eram necessárias para o sustento dos pastores nacionais, evangelistas e professores dos seminários. A partir dessas iniciativas ele estabelece seu ideal de independência das missões estrangeiras e também começa a se destacar nas questões sociais do período. Neste sentido foi um dos mais importantes líderes do movimento protestante de seu tempo, tendo a concretização de parte seus projetos em 1903, quando foi o principal articulador na organização da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, alcançando assim a autonomia eclesiástica tão desejada.

Também foi num dos folhetos da Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos que o Rev. Carlos Pereira pronunciou-se claramente contra a escravidão no Brasil, o título do folheto era: A religião christã em suas relações com a escravidão. Neste artigo ele opõe-se claramente ao escravismo dos presbiterianos da Missão Sul dos EUA, defensores por meio de uma hermenêutica bíblica de tal sistema, também defendido por alguns missionários do Norte dos EUA[5].

Obras[editar | editar código-fonte]

Em 24 de dezembro de 1894 foi nomeado para a primeira cadeira de português do Ginásio da Capital, onde exerceu o magistério até a sua morte em 1923. Tendo produzido nesse período as suas principais obras linguísticas:

  • Gramática Expositiva – curso superior (1907),
  • Gramática Expositiva – curso elementar (1908)[6].
  • Gramática Histórica (1916).

Foi grande a aceitação destas gramáticas: a primeira teve 96 edições; a segunda 153 edições e a terceira 10 edições.

Outras obras:

  • Questões de Filologia (1908)
  • A Maçonaria e a Igreja Cristã
  • O Protestantismo é uma Nulidade
  • O Problema Religioso na América Latina (1920)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. LÉONARD, Émile. G. O Protestantismo Brasileiro: estudo de eclesiologia e história social. São Paulo: ASTE, 2002. p. 152
  2. CASIMIRO, Arival Dias. Um mestre da língua portuguesa: um estudo gramatical de Eduardo Carlos Pereira. SANTA Bárbara d’Oeste, São Paulo: SOCEP Editora, 2005. p. 89
  3. Caderno de O Estandarte. Raízes da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Julho/2003
  4. MENDONÇA,Antônio Gouveia.O Celeste Porvir: A inserção do protestantismo no Brasil.ASTE,São Paulo:1995. p.87-90
  5. Moniz Bandeira em seu livro: Presença dos Estados Unidos no Brasil, argumenta que os chamados “ianques” participaram de todas as etapas da comercialização do negro, quer seja como capitalistas, quer seja como oficiais; o lucro comercial era o que atraía também o bussinessmen do Norte
  6. Grammatica Expositiva- Curso Elementar, de Eduardo Carlos Pereira (13º edição – Melhorada e Ampliada, datada de 1918). A obra foi escolhida por permanecer cinco décadas como indicação do Colégio Pedro II e por apresentar-se como mecanismo que reproduz na escola, o modelo de prestígio.


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