Fraxineto

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Disambig grey.svg Nota: Frassineto redireciona para este artigo. Para a comuna da província de Turim, veja Frassinetto. Para a comuna italiana da região do Piemonte, veja Frassineto Po.
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Fraxinetum
Fraxineto

Colónia do Emirado de Córdova

889 – 973
Localização de Fraxinet
Localização do Massif des Maures (serra dos Mouros), que provavelmente corresponde ao território de Fraxineto
Continente Europa
País  França
Capital Não especificada
Religião Islão
Governo Não especificado
Período histórico Idade Média
 • 889 Fundação
 • 973 Batalha de Tourtour

Fraxineto, Fraxinet ou Fraxinetum (em italiano: Frassineto; do latim fraxinus ["freixo"] ou fraxinetum ["floresta de freixos"]; em árabe: فرخشنيط; transl.: Farakhshanīt', فرخسة; Farakhsha ou Djabal al-Kilal) foi uma fortaleza de piratas sarracenos existente nos século X localizada no que é atualmente o sudeste de França, perto da costa mediterrânica.

A tradição situa Fraxinet na atual localidade La Garde-Freinet, mas segundo o historiador Philippe Sénac, situar-se-ia perto nas imediações de Saint-Tropez (esta situa-se cerca de 20 km por estrada a sudeste de La Garde-Freinet, junto à costa). Ainda segundo aquele historiador, mais do que uma fortaleza e aldeia, o assentamento sarraceno era uma localidade com alguma importância.[1][2][nt 1] O nome atual do Massif des Maures (serra dos Mouros) deve o seu nome aos Sarracenos de Fraxineto.

História[editar | editar código-fonte]

Segundo a historiografia lendária muçulmana, cerca de 889 um navio que transportava vinte aventureiros do al-Andalus (Hispânia muçulmana) lançou a âncora no golfo de Saint-Tropez. Confiando na solidez do seu estabelecimento, chamaram reforços da península Ibérica. Com o tempo, aquilo que ao princípio não era mais do que um assentamento de piratas, tornou-se um verdadeiro entreposto colonial graças à chegada de novos colonos, pois a valorização das terras era fácil. O território da colónia estendia-se por cerca de 60 km, ocupando todo o Massif des Maures. Em breve o lugar foi reconhecido como uma colónia dependente do Emirado de Córdova.[3][nt 1]

A partir de Fraxineto, os Sarracenos lançavam raides em toda a região, até ao Piemonte (atualmente em Itália). Só em 942 foi empreeendida a primeira ofensiva séria contra a colónia sarracena. Fraxineto esteve para ser invadida, mas o rei Hugo pôs termo à ofensiva. Receando que o rei de Itália Berengário II se apoderasse do seu trono, Hugo firmou um tratado com os Sarracenos, que estabelecia que estes se deviam estabelecer nos Alpes para impedir uma invasão inimiga. Possivelmente foi após este tratado que uma parte da comunidade sarracena se estabeleceu no vale do Arc, na região da Maurienne.[4][nt 1][nt 2]

Em 956, João de Gorze foi enviado como embaixador do Sacro Imperador Romano-Germânico Otão II junto ao califa de Córdova Abderramão III durante dois anos , para pedir o fim dos ataques feitos pelos Sarracenos a partir de Fraxineto. O mais célebres dos seus feitos foi, em 972, o rapto do abade Maiolo de Cluny, legado papal e íntimo da imperatriz Adelaide. Este incidente provocou a primeira expedição punitiva contra Djabal al-Kilal após ter sido pago o resgate.[nt 1][carece de fontes?]

Os Sarracenos seriam finalmente expulsos após terem sido derrotados em 973 na batalha de Tourtour por Guilherme I da Provença com a ajuda de senhores locais.[5][nt 1]

Ao contrário doutros assentamentos de carácter mais esporádico, Fraxineto durou mais de um século e, mais do que um simples refúgio de salteadores, foi uma instalação estratégica para os muçulmanos, que aparentemente pretendiam estabelecer relações com as cidades mercantis italianas e o resto da cristandade meridional. Também se admite a hipótese de que Fraxineto tivesse sido palco de uma espécie de simbiose comunitária, a qual poderá ter contribuído para a sua longevidade.[6][nt 1]

Notas

  1. a b c d e f Trechos baseados no artigo artigo «Fraxinet» na Wikipédia em francês (acessado nesta versão).
  2. «Vemos ainda o mesmo príncipe, por uma contradição insigne, fazer um tratado de aliança com esses infiéis, e dar-lhes terras nas montanhas que separam a Itália da Suíça, para os opor a Berengário seu inimigo: daí os traços desses Africanos nos vales de Maurienne, Tarentaise e Faussigny.» in Fodéré 1821, p. 45

Referências

  1. Sénac 1980, p. 47.
  2. Sénac 2006, p. 26.
  3. Dalmon 1994.
  4. Sénac 1980, p. 52-53.
  5. Sénac 1980, p. 57.
  6. Sénac 1982, p. 70.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dalmon, Jacques (1994), La Garde En Freinet (em francês), Universud 
  • Sénac, Philippe (1980), Musulmans et Sarrasins dans le sud de la Gaule du VIIIe siècle au XIe siècle (em francês), Sycomore 
  • Sénac, Philippe (1982), Provence et piraterie sarrasine (em francês), Maisonneuve et Larose 
  • Sénac, Philippe (2006), «Les Musulmans en Provence au Xe siècle», Albin Michel, Histoire de l'Islam et des musulmans en France du Moyen-Age à nos jours (em francês) 

Leitura complementar[editar | editar código-fonte]

  • «Note sur le Fraxinet des Maures», Annales du Sud-Est varois (em francês), XV: 19-23, 1990 
  • Arkoun, Mohammed (2006), Histoire de l'Islam et des musulmans en France du Moyen-Age à nos jours (em francês), Albin Michel 
  • Claramunt, Salvador; Portela, E.; González, M.; Mitre, E. (1992), Historia de la Edad Media (em espanhol), Barcelona: Editorial Ariel 
  • Pirenne, Henry (1972), Las ciudades de la Edad Media, ISBN 84-206-1401-7 (em espanhol), Madrid: Alianza Editorial 
  • Sénac, Philippe (1983), «Islam et chrétiens du Midi (XIIe-XIVe siècle)», Toulouse: Privat, Les Cahiers de Fanjeaux (em francês) (18) 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]