Gabriel Joaquim dos Santos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Gabriel Joaquim dos Santos (18921985) foi um artista popular brasileiro, mestre na arquitetura espontânea, natural da cidade de São Pedro da Aldeia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era um homem pobre, filho de uma índia e de um ex-escravo africano,[1] trabalhador das salinas da região, e nunca freqüentou a escola. Entre os anos de 1912 e 1985, construiu uma casa que é considerada um símbolo da arquitetura espontânea, a Casa da Flor, na cidade de São Pedro da Aldeia, RJ. Utilizou em sua construção materiais recolhidos no lixo e refugos de construções, que cuidadosamente acrescentava à sua obra espontânea.

Iniciou a construção da casa em 1912, e em 1923, sonhou com a imagem de um enfeite em sua casa. Começou aí uma tarefa que realizaria até morrer: usar o lixo abandonado nas estradas, garimpar cacos de cerâmica, de louça, de vidro, de ladrilhos e de outros objetos considerados imprestáveis para o uso: lâmpadas queimadas, conchas, pedrinhas, correntes, tampas de metal, manilhas, faróis de automóveis... Criava flores, folhas, mosaicos, cachos de uvas, colunas e esculturas fantásticas, que fixava dentro e fora da casa.

Gabriel pode ser incluído, com sua única e poética obra, entre os artistas/arquitetos como Ferdinand Cheval, na França, Antoni Gaudí, em Barcelona, Antônio Virzi, no Rio de Janeiro[2], com sua arquitetura orgânica e surreal.

A professora Amélia Zaluar, que conviveu com o artista durante oito anos (1978 - 1985), escreveu uma monografia sobre a Casa da Flor, intitulada “A Casa da Flor – Tudo caquinho transformado em beleza”.

Particularidades[editar | editar código-fonte]

Foi protagonista do documentário intitulado "Fio da Memória", de Eduardo Coutinho, que faz um apanhado da resistência afro-brasileira, expressa de várias formas. O diário de Gabriel conduz o documentário num paralelo entre a história do Brasil e as manifestações culturais de personagens negros que contribuiram para o enriquecimento do País. Tudo a partir de cadernos de assentamentos deixados por Gabriel, que apesar de nunca ter frequentado uma escola, estudou uma "cartilha" com um amigo, e aprendeu conceitos rudimentares de escrita.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • ZALUAR, Amélia. Uma arquitetura poética.

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. Casa da Flor | Mapa de Cultura RJ
  2. ZALUAR, Amélia. Uma arquitetura poética. In: A Casa da Flor [on line]

Ver também[editar | editar código-fonte]