Gafanha da Encarnação

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Portugal Portugal Gafanha da Encarnação 
  Freguesia  
Localização no concelho de Ílhavo
Localização no concelho de Ílhavo
Gafanha da Encarnação está localizado em: Portugal Continental
Gafanha da Encarnação
Localização de Gafanha da Encarnação em Portugal
Coordenadas 40° 37' 13" N 8° 43' 58" O
País Portugal Portugal
Concelho ILH1.png Ílhavo
Fundação 1926
Administração
 - Tipo Junta de freguesia
 - Presidente Augusto Manuel Rocha Silva (PPD/PSD)
Área [1]
 - Total 10,98 km²
População (2011) [2]
 - Total 5 362
    • Densidade 488,3 hab./km²
Orago Nossa Senhora da Encarnação

Gafanha da Encarnação é uma freguesia portuguesa do concelho de Ílhavo[3], com 10,98 km² de área e 5 362 habitantes (2011). A sua densidade populacional é 488,3 hab/km².

A freguesia foi criada em 1926.[4] Foi elevada a vila em 9 de Dezembro de 2004.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Por ordem da antiguidade, as Gafanhas iniciaram-se com a da Cale da Vila, da Gramata, dos Caseiros, da Vagueira e da de Aquém.

A Gafanha da Gramata, ou Gafanha da Maluca, só em 1848 começou a designar-se de Gafanha da Encarnação, por naquele ano a Joana Maluca e o seu segundo marido terem mandado construir a primeira capela deste lugar, dedicada a Nossa Senhora da Encarnação.

A designação de "Gramata" adveio do nome de uma planta marinha abundante na zona. A actual Gafanha da Encarnação tomou então aquele nome, não só pela existência da tal planta, mas pela necessidade de a distinguir da já existente Gafanha da Cale (Canal) da Vila (Aveiro), que se tornaria a Gafanha da Nazaré. Erradamente, chegou a supor-se que o nome de Gramata viria de Joana Gramata, mas de facto foi contrário, Joana Rosa de Jesus é que tomou o nome popular de Joana Gramata.

Acontece que Joana Rosa de Jesus, ou Joana Gramata, também era conhecida por Joana Maluca, devido ao seu casamento com José Domingos da Graça, um pastor de bovinos oriundo de Calvão, a quem por alcunha chamavam "o Maluco". A esposa ganhou a alcunha do marido. Ao morrer, em 1878, com cerca de 90 anos de idade, deixou nove filhos e 66 netos. E como diz o Pe. João Vieira de Resende na sua "Monografia da Gafanha", "é claro que uma geração tão numerosa e florescente, entroncada numa idade tão provecta, e a quem ela assistia como senhora e rainha, deu-lhe o direito de crismar a sua povoação, a Gafanha da Gramata, com a alcunha que ela tinha recebido do seu marido. Era de justiça o "privilégio", que os lugares circunvizinhos lhe concederam. Aparecer num local mal povoado uma macróbia, chefiando um povo de 66 netos, dava direito a uma consagração que ficasse marcada nas gerações futuras.

E a cantar passava a sua longa vida, prestando-se a receber visitas de representação e dos fidalgos, a quem concedia palestras quotidianas, que se prolongavam até ao declinar esplendoroso do sol por detrás dos palheiros da Costa Nova, nas piscosas e mornas tardes de Agosto e Setembro. E a faina do mar também vinha emprestar colorido ao quadro em pose das entrevistas dos categorizados e primitivos frequentadores da praia com a velhinha da Gafanha. Era encantador e suave o declinar da vida desta nonagenária que, gulosamente, até ao último suspiro, ia fumando charutos sobre charutos sem queimar as barbas. Mas aquele role gigantesco, aquele arcabouço forte, também devia tombar. Estava a soar a hora da partida que, porventura, a surpreendeu num momento em que ela menos desejaria (sem sacramentos)", relata estilisticamente, Vieira de Resende.

Como a igreja paroquial de Vagos ficasse longe e a única capela de toda a Gafanha, ainda que por mais acessível não oferecia grande comodidade de deslocação, Joana Maluca fez surgir uma capela na sua horta, que dedicou a Nossa Senhora da Encarnação. Desde essa altura que ficou como que construída uma nova povoação – a povoação da Gafanha da Encarnação.

A consequência da criação desta capela foi deslaçar o vínculo que unia todos os habitantes da Gafanha para criar nos povos da periferia das capelas da Nazaré e da Encarnação um espírito bairrista. O que terá trazido vantagens, como refere o Pe. João Vieira de Resende quando diz que: "Este separatismo veio a ser um regular propulsor para despertar a emulação entre os povos separados, estimulando as suas energias, ou vitalizando os seus empreendimentos (...)", mas que nem por isso deixa de lamentar que, "(...) teve porém a desvantagem de amolecer, resfriar os laços que prendiam e mantinham estes povos num intercâmbio lindo, invejável, das primitivas comunidades cristãs. Ali se mantinham os costumes e as características dos povos patriarcas".

Não era de grandes dimensões esta Capela de Nossa Senhora da Encarnação, tendo sido ampliada em 1877, para o dobro, altura em que se construiu a torre onde se colocaram dois sinos.

Em 1901 foi criada a Irmandade de Nossa Senhora da Encarnação e Almas, a primeira fundada em toda a Gafanha.

Em Julho de 1907 foi demolida a capela, já demasiado pequena, tendo-se iniciado a construção da actual (em 1944) igreja paroquial. Em 1909, a obra estava pronta, ainda que desprovida dos altares, ali colocados em 1912.  

Em 1908 aparece a primeira escola primária da povoação, como forma de responder às solicitações da população, que cada vez crescia mais.

Finalmente, em 1 de Novembro de 1926 (e pela posterior publicação, no Diário do Governo de Segunda Feira, 8 de Novembro, do Decreto n.º 12612), a parcela de terreno, então pertença da Junta de Freguesia de Ílhavo e construída pelos lugares da Gafanha da Encarnação, da Gafanha do Carmo – anexada posteriormente –, em 1934) e da Costa Nova do Prado passam a formar uma nova freguesia com sede no lugar da Gafanha da Encarnação, dando corpo aos legítimos anseios da população de então, constituída por cerca de 2000 habitantes. Esta situação mantém-se até 1957, ano em que a Gafanha do Carmo passa a freguesia. Da constituição da freguesia, advém também a construção do cemitério (1932), deixando os habitantes desta localidade de ter necessidade de percorrer 6 a 8 km para sepultar entes queridos já desaparecidos, que até aí eram sepultados no cemitério de Ílhavo. De destacar ainda, a instalação, nos finais da década de 40, de uma unidade fabril de processamento de chicória, que alargou o emprego ao sector secundário, até aí praticamente inexistente na localidade.

Durante os restantes quartéis do século XX, a povoação da Gafanha da Encarnação continuou a crescer e a ganhar um cariz cada vez mais urbano, em especial nos últimos 25 anos.

Tal como em outras zonas do país, também na Gafanha da Encarnação se fez sentir o peso da emigração. Em 1942, estimava-se que em toda a Gafanha, cerca de 480 homens estariam emigrados no Brasil, Venezuela,  América do Norte, França, Alemanha, Argentina, Terranova e Gronelândia. Este movimento migratório acentuou-se nas décadas seguintes, até praticamente estagnar durante os anos 90. Actualmente, estima-se que existam nestes países (e noutros, mas em menor escala) cerca de 1000 cidadãos procedentes da Gafanha da Encarnação, entre naturais e seus descendentes directos.

De referir também o aumento do peso económico da pesca de bacalhau nos orçamentos familiares. A partir da segunda metade do século XIX, mas em especial a partir da década de 30 do século passado, sendo os homens da Gafanha da Encarnação reconhecidos como excelentes pescadores à linha, nos dóris que então demandavam às águas gélidas da Terranova e da Gronelândia, a histórica "Frota Branca" ou "White Fleet" (em inglês). A Gafanha da Encarnação orgulha-se mesmo de um dos filhos da terra – João Vieira (o Palão) ter ganho, largos anos seguidos, o troféu de primeira linha nacional, que premiava o melhor pescador de bacalhau à linha de todos os lugares portugueses.[6]

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Gafanha da Encarnação (1930 – 2011) [7]
1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1.960 2.600 2.924 3.645 3.451 4.427 5.034 4.907 5.487

Criada pelo decreto-lei nº 12.612, de 01/11/1926, com lugares da freguesia de Ílhavo

Romaria[editar | editar código-fonte]

As Romarias da Gafanha da Encarnação:

  • Nossa Senhora da Encarnação - 2º Domingo de Setembro no lugar de Gafanha da Encarnação
  • Nossa Senhora da Saúde - Último Domingo de Setembro no lugar de Costa Nova do Prado[8]

Património[editar | editar código-fonte]

  • Igreja de Nossa Senhora da Encarnação (matriz)
  • Capela de Nossa Senhora da Encarnação
  • Busto-monumento ao arrais de Ançã
  • Capela de Santo Isidro
  • Cruzeiro da Gafanha Da Encarnação
  • Monumento aos Antigos Combatentes
  • Palheiro de José Estevão

Lugares da Gafanha Da Encarnação[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Carta Administrativa Oficial de Portugal CAOP 2013». descarrega ficheiro zip/Excel. IGP Instituto Geográfico Português. Consultado em 27 de Março de 2014 
  2. «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Centro". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 28 de Fevereiro de 2014. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013 
  3. «Lei n.º 11-A/2013 (Reorganização administrativa do território das freguesias)» (PDF). Diário da República 1.ª Série, n.º 19, de 28 de janeiro. Consultado em 2 de fevereiro de 2013.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. «Decreto nº 12612». Diário do Governo. Consultado em 2 de Abril de 2014.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. «Lei nº 18/2005». Legislação.org. Consultado em 2 de Abril de 2014.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. «História». Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação. Consultado em 10 de agosto de 2018 
  7. [Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes ]
  8. «Romarias Populares». Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação. Consultado em 10 de agosto de 2018 


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