Grupamento de Mergulhadores de Combate

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Grupamento de Mergulhadores de Combate
Grupamento de Mergulhadores de Combate (23192484522).jpg
GRUMEC em operação no mar
País  Brasil
Subordinação Comando Naval de Operações Especiais
Força de Submarinos
Missão Operações Especiais
Guerra não convencional
Contraterrorismo
Resgate de reféns
Ação direta
Reconhecimento especial
Defesa Interna Estrangeira
Contrainsurgência
Ajuda Humanitária
Sigla GRUMEC
Criação 1970
Patrono Desconhecido
Lema “Fortuna Audaces Sequitur. (A Sorte Acompanha os Audazes)”
Logística
Efetivo Confidencial
Insígnias
Insígnia da "Ordem do Tubarão" Insignia GRUMEC.png
Sede
Guarnição Niterói

O Grupamento de Mergulhadores de Combate, popularmente conhecido como GRUMEC é uma unidade militar de Operações Especiais e Contraterrorismo da Marinha do Brasil.[1][2][3][4][5][6] Com doutrina semelhante a do US Navy SEALs e a do Special Boat Service, a sua função é de realizar Operações Especiais em ambientes aquáticos, litorâneo, ribeirinho e terrestre. Teve grande importância nas missões de paz no Haiti e no Líbano, entre outras operações secretas da Marinha e do Ministério da Defesa [7]. Os MEC são capazes de realizar operações em todo tipo de ambiente, mas são especializados em operações marítimas. Suas missões, geralmente são de captura de alvos, retomada de instalações e reconhecimento atrás das linhas inimigas. [8] O GRUMEC localiza-se na Ilha de Mocanguê, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, e é subordinado ao Comando da Força de Submarinos e ao Comando Naval de Operações Especiais. [9] [10]

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros MECs foram fundados por dois oficiais e dois praças que concluíram o curso de UDT-SEAL norte-americanos em 1964. Fruto da experiência, foi criada em 1970 a Divisão de Mergulhadores de Combate na Base Almirante Castro e Silva. Em 1971, mais dois Oficiais e três Praças foram qualificados pela Marinha Francesa como "Nageurs de Combat". Mesclando as técnicas do curso francês, que priorizava as operações de mergulho, com as do curso norte-americano, que dava grande ênfase às operações terrestres, foi ministrado em 1974, no Brasil, o primeiro Curso Especial de Mergulhador de Combate pelo atual Centro de Instrução e Adestramento Almirante Átilla Monteiro Aché (CIAMA).

A fim de atender adequadamente às crescentes solicitações da Esquadra e dos Distritos Navais, a Divisão de Mergulhadores de Combate foi transformada, em 1983, no Grupo de Mergulhadores de Combate, como parte integrante do Comando da Força de Submarinos. Em 1996, as Orientações Ministeriais determinaram a criação do Curso de Aperfeiçoamento de Mergulhador de Combate para Oficiais. A primeira turma desse curso foi formada em dezembro do mesmo ano.

No dia 12 de dezembro de 1997, pela portaria nº 371, o Ministro da Marinha criou o Grupamento de Mergulhadores de Combate, A nova organização militar, ativada no dia 10 de março de 1998, tem semi-autonomia administrativa e é diretamente subordinada ao Comando da Força de Submarinos, que lhe fornece seu principal meio de transporte.[11]

Estrutura do Curso[editar | editar código-fonte]

O Curso tem por finalidade preparar os alunos fisicamente e mentalmente e capacita-los para realizar, em suma, as diversas operações especiais que seja de interesse da Marinha ou do Governo Federal.

Fase 0 - Preparação Física: A FASE 0 tem a duração de treze semanas. Nela é ministrada a disciplina Treinamento Físico Militar.

Fase 1 - Mergulho de Combate: Tem duração de quatro semanas. Nela é ministrado as disciplinas de Treinamento Físico Militar e Habilidades Subaquáticas.

Fase 2 - Operações Especiais Terrestres: A FASE II dura onze semanas dividida em sete semanas teóricas e quatro semanas práticas. É ministradas as disciplinas Treinamento Físico Militar, Higiene de Campanha e Habilidades Médicas, Defesa Pessoal e a parte teórica das disciplinas Comunicações, Técnicas de Combate avançada, Demolição e Armamento. Nesta fase, os alunos realizam exercícios típicos de Operações Especiais em ambiente terrestre, evoluindo do treinamento básico individual às ações mais complexas. São criadas situações específicas para preparar e testar a habilidade dos alunos em suportar situações operacionais de extremo desconforto, em condições psicológicas adversas, bem como avaliá-los quanto à exposição ao frio, sono escasso, cansaço e ao racionamento de comida e água, circunstâncias por vezes encontradas quando da execução das tarefas afetas ao Mergulho de Combate. Além disso, estes exercícios têm ainda como propósito desenvolver o espírito de equipe e a confiança individual na própria capacidade de resistência. Esta fase é conduzida em áreas específicas, em vários ambientes, com características especiais que permitam a realização das instruções necessárias, relacionadas à topografia, vegetação, terreno, relevo, hidrografia, apoio administrativo e facilidades para operação com aeronaves, entre outras. Na última semana desta fase, denominada “Semana do Inferno”, os alunos serão submetidos a circunstâncias de grande tensão e esforço físico, culminando com o aprisionamento em campo de concentração simulado, situações capazes de testar a disposição para o combate e para sobrevivência e fuga do aprisionamento.

Fase 3 - Operações Especiais Submarinas: A FASE 3 tem duração de onze semanas e nela é ministrada as disciplinas de: Treinamento Físico Militar, Defesa Pessoal, Técnicas de Combate, Operações Especiais Submarinas e Operações Anfíbias.

Etapa Charlie: Com duração de seis semanas é conduzida sob a forma de estágio avançado, mesclando os conhecimentos adquiridos durante todo o curso. Nela é ministrada a disciplina "Operações Ribeirinhas" e a unidade de ensino "Montanhismo" da disciplina "Técnicas de Combate"; são também conduzidas práticas de operações especiais em ambiente ribeirinho da Amazônia e Pantanal Matogrossense. Durante esta etapa, os alunos participam de um Estágio Básico do Combatente de Montanha. Com o propósito de conhecer as peculiaridades de cada região (amazônica e pantanal), os alunos participam de um Estágio de Vida na Selva, ministrado pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS). Nesta fase, como última atividade do curso, os alunos executarão diversas Operações Especiais típicas de Mergulhadores de Combate, em uma área próxima à cidade do Rio de Janeiro, com o propósito de verificar o aprendizado obtido. [12] [13]

Funções[editar | editar código-fonte]

O GRUMEC é uma unidade altamente qualificada nas mais diversas missões, nos mais complexos cenários e em qualquer tipo de ambiente, que demande equipes qualificadas em operações especiais no mar ou em terra. As missões da unidade pode incluir, mas não limita-se a:

  • Realizar reconhecimento hidrográfico de praias cogitadas para Operações Anfíbias, além de abrir e demarcar canais e demolir obstáculos existentes nessa praia;
  • Realizar a Retomada das Instalações (navios e plataformas de petróleo) e o resgate dos eventuais reféns;
  • Destruir ou sabotar navios ou embarcações, instalações portuárias, pontes, comportas, etc em ambiente marítimo e ribeirinho;
  • Resgatar ou Capturar material de alto valor ou pessoal;
  • Destruição ou Sabotagem de “alvos” importantes;
  • Infiltrar e retirar agentes por mar, por ar ou por terra do território sob controle inimigo;
  • Realizar reconhecimento, vigilância e outras tarefas de coleta de dados de inteligência;
  • Interditar linhas de comunicação e suprimento inimigas em rios e canais;
  • Realizar a abordagem inicial de navios suspeitos hostis ou potencialmente hostis;
  • Realizar missões de ação direta de pequenas unidades;
  • Treinar e equipar forças aliadas estrangeiras para se defender contra insurgência, subversão, terrorismo e outras ameaças à segurança.

[14]

Em qualquer das atividades descritas acima, os MECs podem usar diversos meios de infiltração: paraquedas, submarino, helicópteros, barcos de alta velocidade, patrulha a pé ou por meio do mergulho autônomo de circuito fechado. [15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Düring, Nelson; Beraldi, Alexandre (24 de abril de 2016). «Forças Especiais – SEALs , GRUMEC e COT e os seus equipamentos». DefesaNet. Consultado em 5 de dezembro de 2022 
  2. Sá, Maurício Bruno de (2011). As forças armadas brasileiras frente ao terrorismo como nova ameaça (PDF) (Doutorado em Ciência Política). Niterói: UFF. Consultado em 5 de dezembro de 2022 . p. 180.
  3. Santos, Brenda Farias dos; Golin, Carlos Henrique (abril de 2018). «A temática da corporeidade e grupamento de mergulhadores de combate (GRUMEC) da Marinha do Brasil». Revista REMECS. Consultado em 5 de dezembro de 2022 
  4. Pinheiro, Alvaro de Sousa (2012). «Knowing your partner: the evolution of Brazilian special operations forces» (PDF). JSOU Report (12-7). Consultado em 2 de dezembro de 2022 . p. 69-72.
  5. Miller, David; Bonds, Ray (2003). Illustrated Directory of Special Forces. [S.l.]: Voyageur Press . p. 19.
  6. Neville, Leigh (2019). The elite: the A-Z of modern special operations forces. [S.l.]: Osprey . p. 68.
  7. «Brasil manda grupo de elite da Marinha para o Líbano». Folha UOL. Consultado em 25 de janeiro de 2023 
  8. «CENTRO DE INSTRUÇÃO E ADESTRAMENTO ALMIRANTE ÁTTILA MONTEIRO ACHÉ CURSO ESPECIAL DE MERGULHADORES DE COMBATE (C-ESP-MEC)». DOCPLAYER (em inglês). Consultado em 31 de dezembro de 2022 
  9. «Comando Naval de Operações Especiais». Consultado em 25 de janeiro de 2023 lingua = pt-BR}}
  10. «GRUPAMENTO DE MERGULHADORES DE COMBATE». Consultado em 25 de janeiro de 2023 lingua = pt-BR}}
  11. «GRUMEC – as Forças Especiais da Marinha do Brasil». Defesa Aérea & Naval (em inglês). Consultado em 21 de fevereiro de 2016 
  12. «GERR-MEC - Grupo Especial de Retomada e Resgate, do Grupamento de Mergulhadores de Combate». defesanet (em inglês). Consultado em 1 de dezembro de 2013 
  13. «CENTRO DE INSTRUÇÃO E ADESTRAMENTO ALMIRANTE ÁTTILA MONTEIRO ACHÉ CURSO ESPECIAL DE MERGULHADORES DE COMBATE (C-ESP-MEC)». DOCPLAYER (em inglês). Consultado em 31 de dezembro de 2022 
  14. «GERR-MEC - Grupo Especial de Retomada e Resgate, do Grupamento de Mergulhadores de Combate». defesanet (em inglês). Consultado em 1 de dezembro de 2013 
  15. «CENTRO DE INSTRUÇÃO E ADESTRAMENTO ALMIRANTE ÁTTILA MONTEIRO ACHÉ CURSO ESPECIAL DE MERGULHADORES DE COMBATE (C-ESP-MEC)». DOCPLAYER (em inglês). Consultado em 31 de dezembro de 2022 
Ícone de esboço Este artigo sobre a Marinha do Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.