Guerra de Licto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Guerra de Licto
Data 220 a.C. – 220 a.C.
Local Creta
Desfecho Destruição de Licto
Combatentes
Aliança liderada por Cnossos e Gortina, apoiada por etólios Licto; aliança anti-Cnossos (Lapa, Polirrénia, Eleuterna, Áptera e Cidónia, etc.), apoiada pela Macedónia

A guerra de Licto foi um conflito militar ocorrido em 220 a.C. entre diversas cidades-estado da ilha de Creta, Grécia, que teve como principais protagonistas a cidade de Licto (grafias alternativas: Lyttos ou Lictus), por um lado, e Cnossos e Gortina, por outro. Ambos os lados disputavam o controlo da ilha.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Durante os séculos precedentes, Cnossos e Gortina tinham lutado pela supremacia em Creta. No final do século III a.C., as duas cidades decidem aliar-se para assegurarem o controlo da ilha. Cnossos beneficiou de uma querela entre a população da sua rival Gortina para conseguir a aliança. De facto, em Gortina estalou uma guerra civil entre os partidários de Cnossos e os seus oponentes, a qual acabou com a derrota dos últmos.[1]

Segundo Políbio, após a derrota da fação anti-Cnossos em Gortina, Cnossos passou a ter o controlo efetivo sobre praticamente toda a ilha, à exceção de Licto, o que levou Cnossos a declarar guerra a Licto, com a intenção de expulsar os habitantes das suas terras e criar um ambiente de terror que servisse de exemplo de que poderia acontecer a quem recusasse obediência a Cnossos. Inicialmente isso fez com que todas as cidades cretenses se unissem contra Licto, mas rapidamente surgiram cidades que começaram a opor-se à política de Cnossos, nomeadamente Lapa e Polirrénia, que acabaram por aliar-se a Licto. Em Gortina estalaram novamente conflitos entre os mais velhos, que apoiavam Cnossos, e os mais novos, que apoiavam Licto.[2]

O receio de uma sublevação em força das cidades cretenses leva Cnossos a ir buscar reforços, recebendo mil soldados dos seus aliados etólios, que ajudaram o partido pró-Cnossos de Gortina a tomar o controlo desta cidade. Entrentanto os cnossianos tomaram conhecimento que os cidadãos de Licto tinham saído em campanha contra Hierapitna deixando a sua cidade desprotegida. Aproveitando este facto, os cnossianos atacam Licto, que incendeiam e arrasam, e levam as mulheres e crianças como como prisioneiras para Cnossos. Ao voltarem à sua cidade, os homens de Licto decidem abandonar a cidade e instalar-se em Lapa,[2] onde são muito bem recebidos e de onde continuam a combater.[3]

As cidades de Lapa e Polirrénia pedem então auxílio a Filipe V da Macedónia, então em guerra com os etólios, aliados de Cnossos, que envia 500 homens,[4] a que se juntam 200 soldados aqueus do Peloponeso. Eleuterna, Áptera e Cidónia quebram a aliança com Cnossos e juntam-se a Lapa e Polirrénia.[5] Entretanto, a sul, a fação exilada anti-Cnossos de Gortina logrou tomar o porto de Festo e depois o próprio porto de Gortina, que passaram a ser bases para atacarem Gortina.[4]

No rescaldo da guerra, Filipe V consegue o controlo da parte ocidental de Creta, que se torna um protetorado macedónio em 216 a.C.[5]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. Detorakis 1994, p. 72.
  2. a b Políbio, IV, 53
  3. Detorakis 1994, p. 73.
  4. a b Políbio, IV, 55
  5. a b Detorakis 1994, p. 74.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Detorakis, Theocharis Eustratiou (1994), History of Crete (em inglês), Heraclião, consultado em 21 de janeiro de 2014 


Ícone de esboço Este artigo sobre um conflito armado é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.