Igreja de São Vicente (Mossoró)

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Igreja de São Vicente de Paula
Fotografia da igreja a partir do Centro Empresarial Caiçara; ao fundo o Memorial da Resistência Mossoroense
Arquiteto Francisco Paulino
Construção 1915
Inauguração 1919
Diocese Mossoró
Geografia
País Brasil
Local Avenida Alberto Maranhão, Centro, Mossoró (RN)

A Igreja de São Vicente de Paula se localiza no município de Mossoró, estado do Rio Grande do Norte. É subordinada à paróquia de Santa Luzia.

Igreja histórica, palco de resistência dos mossoroenses aos ataques das tropas de Lampião. Anualmente acontece a encenação do fato dentro do calendário cultural do município.

História[editar | editar código-fonte]

Dois fatos marcam a existência desse templo: a seca e o cangaceirismo.

A construção do templo e a seca de 1915[editar | editar código-fonte]

A construção da Igreja de São Vicente foi idealizada em 1915, ano de intensa seca no nordeste. O historiador Raimundo Brito descreve a construção da Igreja: “os serviços da construção do templo serviram para amenizar o sofrimento das numerosas levas de retirantes que aqui chegavam tangidos pelo flagelo da grande estiagem". Caracteriza o templo como símbolo de força do povo mossoroense.

O ataque de Lampião em 1927[editar | editar código-fonte]

Em 13 de junho de 1927 a Cidade de Mossoró foi atacada pelo bando de cangaceiros chefiados por Lampião. A igreja de São Vicente foi utilizada como uma trincheira, e serviu como principal defesa dos moradores contra os cangaceiros. Essa foi a primeira grande derrota de Lampião. [1]

Cinquentenário do ataque de Lampião[editar | editar código-fonte]

As torres da Igreja de São Vicente ainda hoje carregam a história do ataque dos cangaceiros - suas torres permanecem cravadas com as balas da luta entre os homens de Lampião e os mossoroenses.

O cinquentenário do ataque de Lampião a Mossoró, em 1974, representou para a prefeitura uma grande oportunidade de promover o turismo na cidade. Foram divulgadas matérias no jornal tradicional “O Mossoroense”, além de publicações em outros jornais do Nordeste, que davam destaque à invasão e à história dos cangaceiros. Além disso, a data contou com festividades e encenações da luta, em que se destacavam a ação dos resistentes mossoroenses.

Durante as comemorações do cinquentenário, aparece no jornal a “Coluna Lampião em Mossoró” de Lauro da Escóssia, dono do jornal O Mossoroense e jornalista que entrevistou o famoso cangaceiro Jararaca, em 1927: “Recordando o ataque do grupo de Lampião a esta cidade, há 47 anos passados – “Lampião vem aí, vai matar todo mundo” – tal pânico que envolveu a cidade naqueles instantes – alguns ficaram e receberam o grupo de cangaceiros com medo e com tiros. (...)Sujeito moreno, muito moreno, mas não era magro. Era solteiro e andava com Lampião há um ano e alguns meses. (...) Disse que o ataque a Mossoró foi idealizado por Massilon Leite, e que Lampião relutou um pouco, por causa da história das duas igrejas. Que quando Lampião chegou a Mossoró não gostou nada, nada mesmo, daquela “igreja de traseira redonda” (de onde estavam partindo os tiros contra o grupo).”[2]

Características[editar | editar código-fonte]

Por conta da época de sua construção e por suas características formais, a Igreja de São Vicente insere-se no estilo arquitetônico barroco. Entretanto, a capela apresenta algumas características regionais e culturais em sua arquitetura. Construída de tijolo e cal, a obra é implantada em seu terreno após uma curta praça, que valoriza suas perspectivas.

A igreja é marcada por uma torre centralizada em sua fachada frontal. Essa torre abriga o sino da igreja e a imagem de São Vicente, de onde atiravam os mossoroenses contra os cangaceiros. Por conta disso, Lampião se refere ao episódio como “o santo que atirava”.[3]


Referências

  1. Maia, Geraldo. «As igrejas também contam a nossa história». Jornal O Mossoroense 
  2. da Escóssia, Lauro (Junho de 1974). «Coluna Lampião em Mossoró». O Mossoroense 
  3. Sucupira, Luis (2013). «Mossoró, a terra que colocou Lampião pra correr». Moto Online 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]