Interstício

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Interstício

O interstício é um oficioso órgão integrante do tecido conjuntivo[1] descrito como um espaço preenchido de líquido entre a pele e os demais órgãos, músculos e o sistema circulatório.[2][3][4] Pode ser importante para a explicação de metástase do câncer, o edema, a fibrose e o funcionamento de órgãos e tecidos humanos, de acordo a descoberta feita pela Universidade de Nova York, pode ser classificado como um novo órgão do corpo humano, e não mais uma estrutura da pele, caso esta hipótese seja real, é um dos maiores órgãos humanos, abrigando cerca de um quinto de todo o fluido do sistema.[5][4]

O fluido presente neste espaço é denominado fluido intersticial, que é composto por líquido extracelular e sua solução.[3] O compartimento intersticial é composto por tecido conjuntivo e tecidos de suporte dentro do corpo – denominado matriz extracelular – que encontram-se no sangue, vasos linfáticos e no parênquima dos órgãos.[3][6] Em 2018, um subcompartimento microscópico do interstício, com uma profundidade de cerca de 70 micrômetros e preenchido de linfa, foi reportado como drenando os linfonodos, e foi suportado estruturalmente por uma rede de colágeno.[4]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

O interstício é constituído pelos colágenos do tipo I, III, e V, elastina e glicosaminoglicano, tal como ácido hialurônico e proteoglicanos que estão agrupados na forma de favos como um retículo.[6] Tais componentes estruturais estão presentes tanto no interstício tanto no resto do corpo[3] e dentro de órgãos individuais, como o coração e o rim.[7][8]

Funções[editar | editar código-fonte]

O fluido intersticial é um sistema de transporte e reserva de nutrientes e soluções entre os órgãos, células e vasos capilares, para a sinalização celular entre células e para a participação dos antígenos e das citocinas na regulação imunológica.[3] A composição e as propriedades químicas do fluido intersticial varia entre os órgãos e passa por mudanças na sua composição química durante o funcionamento normal, bem como durante o crescimento corporal, condições de inflamações e no desenvolvimento de doenças,[3] bem como em condição de insuficiência cardíaca[7] e doença renal crônica.[8]

O volume total do fluido intersticial durante condições de saúde é de cerca de 20% do peso corporal, mas esse espaço é dinâmico e sua composição e volume pode variar durante respostas imunes e condições como o câncer, especificamente dentro do interstício do tumor[3] A quantidade de fluido intersticial varia cerca de 50% do peso do tecido na pele e 10% no músculo esquelético.[3]

Referências

  1. Interstitium: New organ discovered in human body after it was previously missed by scientists 'Interstitium' acts as a shock absorber for vital tissues and could improve understanding of cancer spread por Josh Gabbatiss (2018)
  2. Bert JL; Pearce RH (1984). The interstitium and microvascular exchange. In: Handbook of Physiology. The Cardiovascular System. Microcirculation sect. 2; pt. 1; chapt. 12; vol. IV ed. Bethesda, MD: American Physiological Society. pp. 521–547. ISBN 0683072021 
  3. a b c d e f g h Wiig, H; Swartz, M. A (2012). «Interstitial fluid and lymph formation and transport: Physiological regulation and roles in inflammation and cancer». Physiological Reviews. 92 (3): 1005–60. PMID 22811424. doi:10.1152/physrev.00037.2011 
  4. a b c Benias, Petros C.; Wells, Rebecca G.; Sackey-Aboagye, Bridget; Klavan, Heather; Reidy, Jason; Buonocore, Darren; Miranda, Markus; Kornacki, Susan; Wayne, Michael (27 de março de 2018). «Structure and Distribution of an Unrecognized Interstitium in Human Tissues». Scientific Reports (em inglês). 8 (1). ISSN 2045-2322. doi:10.1038/s41598-018-23062-6 
  5. Redação (28 de março de 2018). «Interstício, o 'novo órgão' do corpo humano que a ciência acaba de descobrir». BBC Brasil 
  6. a b Scallan J; Huxley VH; Korthuis RJ (2010). The Interstitium. In: Capillary Fluid Exchange: Regulation, Functions, and Pathology. San Rafael, CA: Morgan & Claypool Life Sciences 
  7. a b Eckhouse SR; Spinale FG (2012). «Changes in the myocardial interstitium and contribution to the progression of heart failure». Heart Fail Clin. 8 (1): 7-20. PMC 3227393Acessível livremente. PMID 22108723. doi:10.1016/j.hfc.2011.08.012 
  8. a b Zeisberg, M; Kalluri, R (2015). «Physiology of the Renal Interstitium». Clinical Journal of the American Society of Nephrology. 10 (10): 1831–1840. PMC 4594057Acessível livremente. doi:10.2215/CJN.00640114