Ir para o conteúdo

Invasões Britânicas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Invasões Britânicas
Tipo
Retenção
Localização

As Invasões Britânicas foram duas tentativas britânicas malsucedidas de tomar o controle da colônia espanhola do Vice-Reino do Rio da Prata, localizada ao redor do Rio da Prata na América do Sul – nos atuais Argentina e Uruguai. As invasões ocorreram entre 1806 e 1807, como parte das Guerras Napoleônicas, Guerra da Terceira Coalizão, numa época em que a Espanha era aliada da França napoleônica. Na historiografia argentina, as duas derrotas sucessivas das forças expedicionárias britânicas são conhecidas coletivamente como a "Reconquista" e a "Defensa", respectivamente.[1]

Invasões

[editar | editar código]

Houve duas invasões inglesas no Rio da Prata, embora tecnicamente fizessem parte de uma mesma expedição:

  • A Primeira invasão inglesa de 1806, na qual as tropas britânicas ocuparam a cidade de Buenos Aires, capital do Vice-Reino do Rio da Prata, e que foram vencidas 46 dias depois pelas tropas veteranas de Buenos Aires que haviam sido enviadas a Montevidéu, comandadas por Santiago de Liniers, mais uma divisão de cavalaria composta por voluntários portenhos e dos povoados próximos, dirigidos por Juan Martín de Pueyrredón, além de centenas de civis voluntários da cidade organizados pelo alcaide Martín de Álzaga, no processo conhecido como A Reconquista.
  • A Segunda invasão inglesa de 1807, na qual as tropas britânicas, após tomarem Montevidéu, tentaram ocupar Buenos Aires e foram rechaçadas pelas forças defensoras, que se compunham de tropas regulares e de milícias urbanas, integradas por parte da população que se havia armado e organizado militarmente durante o curso das invasões, no processo conhecido como A Defesa.

Ficou em evidência a eficácia das milícias do Império Espanhol para defender os seus territórios no contexto dos conflitos internacionais da época. Porém, a participação das milícias, primeiro na Reconquista e, no ano seguinte, na Defesa, aumentou o poder e a popularidade dos líderes militares crioulos e incrementou a influência e o fervor dos grupos independentistas. Paralelamente, esses motivos converteram as invasões inglesas em um dos catalisadores da causa emancipadora no Vice-Reino do Rio da Prata.

História

[editar | editar código]

Esses fatos se desenvolveram no contexto das disputas territoriais na América, entre o Reino Unido, o Império Espanhol, Portugal, a França e, mais tarde, os Estados Unidos, em um período que se estendeu desde a fundação da Colônia do Sacramento em 1680, até o reconhecimento por parte do Reino Unido da independência argentina com a assinatura de um tratado de paz e comércio em 1825, após a declaração da Doutrina Monroe. Esses tratados não evitariam novas tentativas de expansão do colonialismo britânico sobre o Cone Sul da América, que ocorreu com a ocupação britânica das Ilhas Malvinas em 1833.

As operações no Rio da Prata foram parte de um ataque maior às colônias espanholas na América do Sul. Esperava-se enviar uma expedição a cargo de Robert Craufurd para tomar Valparaíso, na Capitania-Geral do Chile, e havia sido prometido a Francisco de Miranda o apoio de tropas britânicas na Venezuela.[2] O plano proposto por Miranda em 1783 consistia em que 4 000 ingleses ocupariam Buenos Aires, enquanto outras unidades atacariam as costas chilenas e depois avançariam sobre o Peru. Ele voltou a propor esse plano em 1790 e 1796, sendo adotado pelo governo inglês em 1804.[3]

Antecedentes

[editar | editar código]

Os territórios espanhóis da Bacia do Prata sofreram, desde sua conquista e colonização, o assédio constante dos indígenas e a ameaça permanente do processo de expansão dos portugueses a partir do Brasil, que tentaram em vão alcançar as imensas riquezas de prata e ouro do Alto Peru por via fluvial a partir do oceano Atlântico Sul, em um período dominado pela política econômica mercantilista, no qual a importância da terra residia, majoritariamente, na existência de minerais preciosos e em sua possibilidade de exploração econômica.

Não foi até a fundação da Colônia do Sacramento, em 1680, que o Rio da Prata cobraria real importância estratégica para a economia e a política internacionais.

Bandeira do 1.º batalhão do Regimento n.º 71 Highlanders capturada durante a primeira invasão inglesa em 1806 e exibida ao público como troféu de guerra no convento de Santo Domingo da cidade de Buenos Aires.[4]

O Tratado de Utrecht, de 11 de abril de 1713, pôs fim à Guerra da Sucessão Espanhola que havia sido desencadeada em 1702 após a morte do rei Carlos II, último representante da dinastia dos Habsburgo ou da Áustria. A Casa de Bourbon, de origem francesa, foi a sucessora da Coroa espanhola, empreendendo as denominadas Reformas borbônicas.

A série de acordos assinados entre as potências europeias havia outorgado à Inglaterra a concessão do envio de um barco anual ao domínio espanhol das Índias, chamado de navio de permissão e o asiento de negros, monopólio de trinta anos para o tráfico de escravos negros com esses territórios. A rainha Ana transferiu essas concessões à Companhia dos Mares do Sul (em inglês, The South Sea Company) por 7 500 000 libras para financiar a dívida deixada pela guerra. A especulação econômica que se gerou ao redor do comércio com as colônias espanholas na América do Sul fez com que os títulos da empresa se multiplicassem por nove no primeiro semestre de 1720. Essa bolha econômica, conhecida como a bolha dos mares do Sul, foi uma das crises bursáteis mais devastadoras da história do capitalismo.

Essa instituição estabeleceu um de seus mercados mais importantes na barranca do Retiro, em Buenos Aires. Os navios que transportavam escravos para o Prata permitiam o intercâmbio ilegal de manufaturas pelos produtos primários da região: couro, charque e sebo.

A primeira expedição militar britânica que chegou à região o fez no contexto da Guerra dos Sete Anos. Em janeiro de 1762, a Espanha se envolveu definitivamente nesse conflito entrando em guerra contra a Inglaterra e Portugal. Em outubro do mesmo ano, Pedro de Cevallos voltou a ocupar a Colônia do Sacramento para a Espanha. No ano seguinte, em 1763, ocorreu a fracassada Invasão anglo-portuguesa no Rio da Prata, cuja frota composta por dez navios e mais de mil homens da Grã-Bretanha e de Portugal foi vencida pelas tropas da Espanha ao tentar retomar a Colônia.

O Vice-Reino do Rio da Prata

[editar | editar código]

A fundação do Vice-Reino do Rio da Prata, em 1776, foi uma medida de caráter estratégico-militar com fortes implicações econômicas. Carlos III se viu pressionado pelo avanço português sobre o Rio da Prata, pelas sucessivas expedições britânicas e francesas sobre as costas da Patagônia e pela necessidade de legalizar as operações irregulares no Porto de Buenos Aires, fomentadas pelo monopólio comercial que o Vice-Reino do Peru, centro do poder espanhol na América do Sul, outorgava à sua capital, Lima.

Enquanto em toda a América e Europa se espalhavam as influentes ideias relacionadas com a Independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa e as políticas liberais do governo do Reino Unido, a Espanha continuava com a sua política tradicional nas suas terras. Dado que praticamente carecia de feitorias, era incapaz de absorver os produtos provenientes do Novo Mundo, desfavorecendo assim o desenvolvimento econômico dos vice-reinos americanos. O principal interesse estava focado na extração de metais preciosos, com os quais a metrópole financiava suas guerras e alianças. Em contrapartida, a Inglaterra trilhava o caminho rumo à industrialização e, portanto, crescia ali a demanda por produtos primários. Dadas as numerosas restrições alfandegárias que se impunham nos portos sul-americanos e a inexistência de atividade mineradora na região do Prata, o contrabando converteu-se rapidamente na base do comércio de uma região cuja atividade econômica principal era a pecuária.

Bandeira do Reino Unido capturada durante a primeira invasão inglesa em 1806 e exibida ao público como troféu de guerra no convento de Santo Domingo, da cidade de Buenos Aires.[4]

A supressão do monopólio do tráfico das Índias em 1778, que havia privilegiado até então a Casa de Contratação das Índias de Sevilha e, posteriormente, de Cádis, tentou, por um lado, destruir por completo a praça comercial portuguesa da Colônia do Sacramento, após o resultado incerto da ocupação espanhola no mesmo ano de sua fundação. Por outro lado, embora essa medida não tenha conseguido conter o contrabando, foi um antecedente para o crescimento econômico da capital vice-reinal: apenas entre 1800 e 1807, as receitas do Cabildo se multiplicaram por quatorze.

Em 1797, por ordem de Carlos IV, o vice-rei Antonio Olaguer Feliú autorizou o comércio com países neutros devido às dificuldades no intercâmbio com a Espanha, por conta das hostilidades crescentes na Europa e do expressivo domínio inglês dos mares. Isso colocou o Rio da Prata nas rotas do comércio internacional, atraindo inúmeros navios estadunidenses e impulsionando o aumento da presença britânica na economia portenha. De maneira intermitente, o comércio com a Grã-Bretanha passava da legalidade para a clandestinidade, de acordo com as relações inconstantes entre a península e aquela nação. As autoridades vice-reinais em ocasiões fomentaram esse tipo de atividade, em vez de preveni-la, por meio de funcionários corruptos. Esse comércio contribuiu para o surgimento da elite de comerciantes portenhos que, logo depois, enviariam seus filhos para estudar na Europa, de onde trariam as ideias revolucionárias.

As Guerras Napoleônicas

[editar | editar código]
Batalha de Trafalgar, J. M. W. Turner (1806).

As Guerras Napoleônicas não apenas repercutiram na Europa, mas também tiveram consequências na América e na região do Prata. Desde os primórdios da Conquista da América, a Inglaterra havia se interessado pelas riquezas da região.

A Paz de Basileia, em 1795, pôs fim à guerra entre a Espanha e a Primeira República Francesa. Em 1796, pelo Tratado de Santo Ildefonso, a Espanha aliou-se à França, que estava em guerra com a Inglaterra, abrindo assim a brecha que justificaria a atuação militar da Grã-Bretanha, que buscava obter maior influência sobre as posses espanholas.

A chegada ao poder de Napoleão Bonaparte em 1799 e sua proclamação como imperador da França em 1804 alteraram as relações internacionais e renovaram a aliança espanhola com a França. A pressão de Napoleão sobre Carlos IV da Espanha viu como fruto a restituição de Manuel de Godoy ao poder, que declarou, em 1802, guerra ao reino de Portugal, principal aliado do Reino Unido no continente.

A Batalha de Trafalgar, em 1805, evidenciou o fim de três séculos de supremacia naval espanhola por meio de sua armada, posição que passou a ser ocupada pela frota britânica. Da mesma forma, esse resultado minou a capacidade da Espanha para defender e manter o seu império.

O bloqueio continental napoleônico

[editar | editar código]

No início do século XIX, o Reino Unido encontrava-se em plena revolução industrial, o que a convertia na economia mais produtiva de toda a Europa, posicionando-se com força como exportadora de produtos manufaturados. Pouco menos da metade desses produtos tinha como destino o mercado europeu continental. Após o retumbante fracasso militar que a Batalha de Trafalgar significou para a França e a Espanha, no dia 21 de outubro de 1805, Napoleão Bonaparte optou pela estratégia da guerra econômica contra a Inglaterra e seus aliados.

Em novembro de 1806, pouco depois de a França conquistar ou se aliar a cada uma das potências do continente, desde a península ibérica até a Rússia, Napoleão promulgou o Decreto de Berlim, proibindo aos seus aliados e aos países conquistados qualquer tipo de relação comercial com a Grã-Bretanha. Essa medida voltou a encorajar as necessidades do Reino Unido de consolidar e assegurar seus interesses no Novo Mundo.

Política britânica relacionada com a América do Sul

[editar | editar código]
William Pitt, primeiro-ministro do Reino Unido.

Em 1711, o governador das ilhas Bermudas, John Pullen, enviou uma carta ao ministro Robert Harley, conde de Oxford, dizendo-lhe que «o Rio da Prata é o melhor lugar do mundo para formar uma colônia inglesa».[5] A partir de então, uma série de planos para ocupar Buenos Aires e outras cidades sul-americanas foram propostos, mas viram-se frustrados por diversas circunstâncias.

A Guerra do Asiento foi um conflito bélico que durou de 1739 a 1748, no qual se enfrentaram as frotas e tropas do Reino da Grã-Bretanha e do Reino da Espanha, principalmente na área do Caribe.[6] A partir de 1742 a contenda transformou-se em um episódio da Guerra de Sucessão Austríaca, cujo resultado no teatro americano finalizaria com a derrota inglesa e o retorno ao statu quo prévio à guerra. A ação mais significativa da guerra foi o Cerco de Cartagena das Índias de 1741, no qual uma frota britânica de 195 navios e em torno de 30 000 homens foi derrotada pelas mãos de uma guarnição espanhola composta por cerca de 3 000 homens e 6 navios de linha.[7]

O fim da Guerra da Independência dos Estados Unidos, em 1783, teve um grande impacto na Grã-Bretanha. Nesse mesmo ano, William Pitt, o Novo assumiu como primeiro-ministro do Reino Unido. Sob sua administração, que coincidiu com os inícios da revolução industrial, Pitt apontou para a consolidação do comércio exterior e, em vez de buscar novas colônias, procurou abrir novos mercados. Essa política via-se severamente prejudicada pelos entraves impostos pela Espanha e pelas alianças inconstantes entre as potências europeias. Portanto, a independência das colônias espanholas na América passou a ser um tema central da administração de Pitt.[8]

Em 1789, a guerra entre a Grã-Bretanha e a Espanha parecia iminente após o incidente do Território de Nootka. O revolucionário venezuelano Francisco de Miranda aproveitou a ocasião para se apresentar perante Pitt com sua proposta para libertar a América hispânica. Miranda sonhava em emancipar os territórios do Novo Mundo sob o domínio português e espanhol e convertê-los em um grande império independente governado por um descendente da Casa dos Incas. O plano apresentado em Londres solicitava a assistência do Reino Unido e dos Estados Unidos para ocupar militarmente as principais cidades sul-americanas, assegurando que o povo receberia os britânicos cordialmente e que se apressariam a organizar governos soberanos. Em troca dessa ajuda, o Reino Unido obteria os benefícios do intercâmbio comercial sem restrições e o usufruto do Istmo do Panamá, com a finalidade de construir um canal para a passagem de navios. Pitt aceitou a proposta e começou a organizar a expedição.

Francisco de Miranda, revolucionário venezuelano.

A Convenção de Nootka em 1790 pôs fim às hostilidades, fazendo com que a missão fosse cancelada. Segundo os termos desse tratado, o Reino Unido reconhecia a soberania hispânica nos arquipélagos do Atlântico Sul próximos ao continente americano em troca de assentar-se na ilha de Quadra e Vancouver. Assim, os colonos britânicos que haviam se estabelecido há alguns anos nas Ilhas Malvinas abandonaram o arquipélago.

Em 1796, o gabinete de Pitt elaborou um novo plano de intervenção na América do Sul em resposta à decisão da Espanha de se aliar à França. Mas a perda da Rússia e da Áustria como aliados colocou a Grã-Bretanha em uma situação mais comprometida frente aos iminentes ataques das frotas navais francesa, espanhola e neerlandesa, de modo que o projeto teve que ser novamente abandonado.

Em 5 de outubro de 1804, quatro navios britânicos interceptaram, nas proximidades de Cádis, uma frota espanhola de quatro fragatas carregadas com ouro e prata do Alto Peru. O botim, avaliado em cerca de dois milhões de libras, foi enviado a Londres. Nesse contexto, Pitt deu a conhecer o plano de Miranda ao comodoro Home Riggs Popham, que se converteria em um entusiasta do assunto da América do Sul. No dia 14 de outubro seguinte, Popham e Miranda apresentaram a Pitt um memorando que continha detalhes específicos para libertar a América do Sul e do qual Popham se valeria em 1806 para solicitar tropas para atacar Buenos Aires.

Diante da indecisão de Pitt para autorizar um ataque ao Rio da Prata, em meados de 1805 Popham alistou-se numa expedição que tinha como objetivo a captura do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África. Pitt ordenou-lhe que abandonasse o plano de conquista da América do Sul por enquanto. Decepcionado por essa decisão em novembro de 1805, Miranda viajou a Nova Iorque, com o objetivo de organizar uma expedição para libertar a Venezuela com a cooperação dos Estados Unidos.

Primeira invasão inglesa de Buenos Aires

[editar | editar código]

Preparativos para a defesa

[editar | editar código]
Rafael de Sobremonte, III marquês de Sobremonte e vice-rei do Rio da Prata.

Em 27 de junho de 1797, José de Bustamante y Guerra, por ordem do vice-rei Pedro Melo de Portugal, informou sobre um plano para construir uma frota de 25 lanchas canhoneiras prevendo uma invasão inglesa ao Rio da Prata e nomeou Santiago de Liniers como seu futuro comandante. Estas pequenas embarcações, fáceis de manobrar, sem convés, movidas a remo e que carregavam um canhão ou obus, eram ideais para operar no Rio da Prata com seus bancos de areia, canais e baixa profundidade. O plano terminou finalmente em 1802 com a construção das naves e de um galpão para protegê-las da intempérie. Desde o final de 1797, começaram a chegar a Buenos Aires e Montevidéu índios guaranis, chamados de “índios remadores”, provenientes de La Candelaria, para serem utilizados nessas embarcações, totalizando cerca de 263 indivíduos. Liniers jactou-se de ter colocado os índios em um “pé sobressalente de disciplina e destreza”. Além do treinamento, foi-lhes fornecido alojamento, alimentação, cuidados sanitários e um salário de 4 reais mensais per capita.[9]

No final de 1805, a possibilidade de uma invasão inglesa já percorria Buenos Aires. Esta capital sul-americana, com seus 45 000 habitantes, era um dos portos mais prósperos do Novo Mundo. O Vice-rei do Rio da Prata, Rafael de Sobremonte, III marquês de Sobremonte, havia solicitado reforços militares à Espanha em várias oportunidades. Os corpos militares do vice-reino haviam sofrido muitas baixas nos últimos tempos, em particular durante a sublevação indígena liderada por Túpac Amaru II. No entanto, a única resposta que obteve foram alguns canhões e a sugestão de armar o povo para a defesa. Mas o vice-rei entendia que dar armas aos criollos, muitos deles influenciados por ideias revolucionárias, era uma estratégia perigrosa para os interesses da coroa.

Na quinta-feira, 2 de janeiro de 1806, chegou ao porto de Buenos Aires o bergantim mercante Espíritu Santo. Seu capitão, Francisco Paula de Fernández, foi interrogado pelo alferes de fragata Juan María Navarro por ordem de Santiago de Liniers. O capitão informou ter visto chegar uma frota britânica em Todos os Santos, no Brasil.[10] Esta frota era uma parte da expedição de David Baird que se dirigia à colônia holandesa do Cabo da Boa Esperança. Em 20 de abril, Gaspar de Santa Coloma escrevia a Antonio Olaguer Feliú: “Este rio fica livre de inimigos. Há tempos, graças a Deus, que estamos livres do susto e sobressalto que nos causou a chegada à Baía de Todos os Santos da expedição inglesa”.[11]

Sobremonte recebeu esta notícia e, seguindo as medidas estipuladas pela coroa, organizou as escassas tropas vice-reinais para a defesa do estratégico Porto de Montevidéu, o qual possuía calado suficiente para permitir a entrada de navios de guerra, o que o tornava a praça militar mais importante do Rio da Prata. O governador de Montevidéu convocou os habitantes e as milícias para organizar a defesa diante da possível invasão.

Liniers recebeu a ordem de armar uma frota para resguardar as costas e assegurar a livre navegação entre Montevidéu e Buenos Aires. No início de abril, a fragata Reina Luisa, armada em corso com o nome Dromedario, chegou a Montevidéu. Seu segundo comandante, Juan Bautista Azopardo, ofereceu-se para comandar uma lancha obuseira, a Invencible N.º 4, para realizar missões de vigilância costeira. A tripulação integrou-se com parte da do Dromedario.[12]

Organização da invasão

[editar | editar código]

Em 31 de agosto de 1805, zarpou a frota sob o comando do comodoro Home Riggs Popham rumo ao Cabo. Estava composta por 61 transportes e 6 navios de guerra: o Diadem, de 64 canhões; o Raisonable, de 64; o Belliqueux, de 64; o Diomede, de 50; as fragatas Narcissus e Leda, de 32; o «sloop» Espoir e o «brig» Encounter). Transportava 6 360 homens sob o comando do tenente-general David Baird. Em janeiro de 1806, ocorreu a segunda conquista do Cabo da Boa Esperança.[13]

Em 28 de março, chegou ao Cabo, vindo de Buenos Aires, o navio negreiro estadunidense Elizabeth. O capitão informou que em Buenos Aires e Montevidéu havia provisões em abundância e que com poucas forças poderia tomar qualquer uma das duas cidades.[14] O comodoro tentou persuadir Baird a lhe dar apoio para tomar o Rio da Prata, valendo-se de vários argumentos e assegurando que receberiam o apoio da população local, mas o general não acedeu.

William Carr Beresford, comandante da primeira Invasão Inglesa.

Baird devia favores a Popham. Graças à sua influência, havia conseguido que o nomeassem comandante da expedição ao Cabo. Também sabia que a expedição a Buenos Aires, adiada por diversos motivos, tinha o aval de Pitt e que Popham estava decidido a realizá-la mesmo sem ajuda do exército. Em caso de sucesso, Baird ficaria fora da partilha das riquezas e, em caso de fracasso, poderia ser responsabilizado por não ter ajudado. Mas o que decidiu seu apoio a Popham foi a possibilidade muito real de um grande botim depositado em Buenos Aires. Baird entregou a Beresford o comando da força expedicionária e as instruções que deveria obedecer: a) conquistar o Rio da Prata; b) em caso de fracasso, voltar ao Cabo; c) delegava em Beresford todo o tema “presas”; d) a informação sobre as operações devia ser dirigida a Baird, ao ministro da Guerra e ao comandante em chefe em Londres; e) em caso de forte resistência inimiga, devia utilizar seu “próprio julgamento” e não o de Popham; f) ao ocupar Buenos Aires ou Montevidéu, assumiria o cargo de governador e, g) durante o cumprimento de sua missão, teria o posto de major-general. Este último ponto afetou Popham, pois o colocou em inferioridade de condições na partilha das presas, motivando seu imediato protesto perante o almirantado.

Em 14 de abril, a frota britânica cruzou o Atlântico em direção ao Rio da Prata. Baird nomeou major-general William Carr Beresford para liderar o ataque a Buenos Aires. A esquadra chegou a Santa Helena em 29 de abril; Popham conseguiu que o governador da ilha lhe emprestasse 280 soldados para sua missão e enviou uma carta a Londres, dando a conhecer os motivos pelos quais se dirigia à América do Sul baseando seus argumentos no memorando de 1804. O que Popham desconhecia era que Pitt havia morrido recentemente e que em seu lugar havia assumido William Wyndham Grenville, do partido opositor Whig.

Em maio, Popham enviou a fragata HMS Leda, de 34 canhões de grosso calibre, à frente da esquadra para explorar o Rio da Prata. Em 18 de maio, passou diante da fortaleza de Santa Teresa e fundeou em La Coronilla, 4 km ao sul. O comandante da fortaleza, Rafael Guerra, temendo um desembarque naquela zona, enviou uma patrulha de 21 homens que capturaram surpresivamente o segundo comandante da fragata e cinco marinheiros que haviam descido a terra. Após trocar disparos à longa distância com a fortaleza, o capitão Honeyman, da fragata inglesa, enviou um parlamentar exigindo a devolução dos prisioneiros e autorização para prover-se de água e lenha. Guerra tomou o parlamentar como prisioneiro e, após discussões e um ensaio de desembarque no dia 23, a fragata levantou âncoras e desapareceu para o sul na madrugada do dia seguinte. Em 28 de maio, o governador de Montevidéu enviou um ofício a Sobremonte detalhando o ocorrido e as medidas tomadas.

A frota britânica foi avistada frente ao Cabo de Santa Maria em 8 de junho e, no dia seguinte, a vigia de Maldonado detectou a presença de uma esquadra de oito navios navegando naquela altura. Esta notícia chegou a Sobremonte no dia 14. No dia 13, sem mais dúvidas de que eram navios ingleses os avistados em Maldonado, o governador de Montevidéu, Pascual Ruiz Huidobro, ordenou ao alferes de fragata José de la Peña, ao comando do falucho Nuestra Señora del Carmen, que saísse para localizar esses navios e o rumo que seguiam. Peña encontrou quatro naves: uma fragata, uma corveta e dois bergantins, que rapidamente tentaram capturá-lo, mas a maior velocidade do falucho permitiu-lhe escapar e dirigir-se à Ensenada de Barragán em busca de proteção. Na tarde do dia 22, Sobremonte recebeu a notícia alarmante de que haviam chegado àquele porto o falucho de Peña e, nas proximidades, os navios ingleses que o vinham perseguindo. Imediatamente ordenou ao coronel Manuel Gutiérrez que saísse com 150 homens para reforçar o destacamento que defendia aquela posição. Depois de ordenar a Peña que viesse a Buenos Aires para informar pessoalmente o que havia ocorrido, enviou o capitão de navio Santiago de Liniers como comandante militar provisório daquele ponto estratégico até que seu titular, o capitão de fragata Juan Gutiérrez de la Concha, chegasse a Montevidéu.

Ocupação inglesa de Buenos Aires

[editar | editar código]

Em 24 de junho, Beresford realizou um exercício de desembarque em Ensenada, realizando manobras frente a Punta Lara.

Em 25 de junho, uma força de 1 806 homens sob o comando de Beresford, entre eles o Regimento 71 de Highlanders, desembarcou na Ponta de Quilmes sem ser incomodada. No mesmo dia, dispôs-se enviar àquela zona o subinspetor do exército, coronel Pedro de Arce. Quando no dia seguinte o inimigo avançou, abriu-se fogo, mas a carga das tropas invasoras forçou uma retirada geral dos defensores.

Sobremonte tentou uma estratégia de defesa, armando a população e posicionando seus homens na margem norte do Riachuelo, confiando em poder atacar os britânicos por um flanco. Mas a distribuição de armas foi um caos, e as tropas não puderam deter o rápido avanço inglês, de modo que o vice-rei ficou fora da cidade, sem possibilidade de tentar nada.

Bandeira do 2º batalhão do Regimento n.º 71 do Exército Britânico capturada e exibida ao público como troféu de guerra. Observe-se que o 2º batalhão não tinha o privilégio de portar a coroa e as iniciais bordadas em ouro: G. R. (Georgius Rex) em sua bandeira.[4]

A rendição

[editar | editar código]

O vice-rei abandonou a capital na manhã de 27 de junho e retirou-se para Córdoba junto com algumas centenas de milicianos que não tardaram a desertar: contrariamente a uma persistente legenda, não levava consigo os caudais (tesouro), já que estes haviam sido evacuados dois dias antes de acordo com um plano traçado no ano anterior. Beresford demandou a entrega dos caudais do Estado e advertiu os comerciantes portenhos que, caso contrário, reteria as embarcações de cabotagem capturadas e imporia contribuições. O Cabildo não vacilou em enviar uma comissão a Sobremonte rogando-lhe que entregasse o tesouro a um destacamento inglês enviado em sua perseguição. Esses caudais foram trasladados para Londres e exibidos como troféu de guerra, antes de serem depositados no Banco da Inglaterra.

Em 27 de junho, as autoridades vice-reinais aceitaram a intimação de Beresford e renderam a praça de Buenos Aires aos britânicos. Na tarde desse mesmo dia, as tropas britânicas desfilaram pela Plaza Mayor (a atual Praça de Maio) e hastearam a Union Jack, Bandeira do Reino Unido, que permaneceria hasteada durante 46 dias. O território sob domínio britânico foi renomeado como Nova Arcádia, em alusão à terra pastoril grega das fábulas neoclássicas. A ocupação era a desculpa perfeita para estabelecer o domínio que o Reino Unido ansiava sobre a região. Uma das primeiras medidas tomadas por Beresford foi decretar a liberdade de comércio e a redução de tarifas.

No início de julho, o major-general e governador Beresford dispôs que os ocupantes de cargos públicos, eclesiásticos e militares deviam prestar juramento de fidelidade ao rei Jorge III. No dia 7 de julho ao meio-dia, convocadas pelo Cabildo, todas as corporações reuniram-se no Forte para tal fim, com exceção da Real Audiência e do Tribunal de Contas. Em suas Memórias, Belgrano relatou que, apesar do acordo prévio com os membros do Consulado de não prestar tal juramento, fizeram-no naquele dia motivados “por seus interesses”. Alegando uma doença, Belgrano pediu licença e saiu de Buenos Aires “quase como fugitivo”. Tinha permissão para jurar após melhorar sua saúde. Também juraram vários militares que poderiam tê-lo evitado saindo de Buenos Aires ou não entrando nela: o tenente-coronel Gutiérrez com 400 homens, o capitão Rameri com 100 blandengues e outros. Adicionalmente, Beresford anunciou em 10 de julho que os vizinhos destacados da cidade podiam prestar voluntariamente o juramento de lealdade, habilitando para isso um livro e um escritório a cargo do capitão Gillespie. Cinquenta e oito pessoas assinaram o livro que, para “alívio de alguns e intriga de muitos”, não pôde ser encontrado posteriormente. Segundo Gillespie, três dos membros da Primeira Junta de 25 de maio de 1810 figuravam no livro. Juan Martín de Pueyrredón, em nome do Cabildo, interveio para que Beresford esclarecesse expressamente que a situação dos escravos não se modificava, e Castelli teve várias conversas com o governador relacionadas com o possível apoio inglês para alcançar maior autonomia. Como lembrança destas conversas, Beresford presenteou Castelli com um jogo de louça do Cabo.[15] De toda forma, a atitude geral das elites foi de cautela, já que, em caso de um tratado de paz entre a Inglaterra e a Coroa espanhola, os colaboracionistas ficariam em uma posição ruim.

Em 14 de julho, Sobremonte declarou Córdoba como a capital provisória do vice-reino. Da mesma forma, instou a que se desobedecessem todas as ordens provenientes de Buenos Aires enquanto durasse a ocupação. Dedicou-se a organizar um exército com o qual reconquistaria a capital, mas a tarefa esbarrou em toda sorte de dificuldades, e apenas dois meses mais tarde conseguiu alistar-se.

Ao perceberem que os ocupantes não tinham outros planos senão converter o Rio da Prata em uma colônia britânica, os portenhos começaram a agrupar-se para realizar uma rebelião.

A Reconquista de Buenos Aires

[editar | editar código]
Martín de Álzaga, o rico comerciante espanhol de notória atuação durante as invasões inglesas.

Diante da inoperância das autoridades vice-reinais, os moradores da cidade, criollos e espanhóis por igual, começaram a armar-se para defender-se com as próprias mãos. Organizaram-se vários grupos clandestinos que planejavam atacar o forte, residência temporária de Beresford, com explosivos caseiros. Estes movimentos tiveram o apoio dos monopolistas, como o rico e poderoso comerciante espanhol Martín de Álzaga, que se viam severamente prejudicados com o livre comércio decretado pelo representante de Jorge III do Reino Unido (e que seria aprovado por este soberano quando os britânicos já não governavam o Rio da Prata).

No final de julho, partiram cerca de 450 homens comandados por José Ignacio Garmendia y Alurralde de Tucumã. Ao chegar a Santiago del Estero, receberam uma comunicação do vice-rei pedindo que uma companhia avançasse em marcha forçada para chegar o quanto antes a Buenos Aires. Salvador Alberdi, a cargo de duzentos homens, esteve no comando.

No dia 1° de agosto, uma guerrilha amparada por Martín de Álzaga nos Caseríos de Perdriel, nos arredores da área urbana (a atual Chacra de Pueyrredón), dirigida por Juan Martín de Pueyrredón, foi derrotada por uma força inglesa de 550 homens. Mas a maior parte das tropas ficou intacta para reconquistar a cidade.

Plano do movimento das forças durante a Reconquista.

Antes que os rebeldes portenhos pudessem realizar seu plano, novas tropas chegaram a Buenos Aires: estavam comandadas por Santiago de Liniers, que havia abandonado sua posição em Ensenada e cruzado o Rio da Prata para organizar as tropas para a Reconquista. De Montevidéu, e com a ajuda de Pascual Ruiz Huidobro, governador daquela cidade, o francês organizou um exército que partiu em 23 de julho rumo a Colônia e, em 3 de agosto, foi embarcado em uma frota de 23 naves com rumo a Buenos Aires para iniciar a Reconquista.Cruzou o Rio da Prata aproveitando uma sudestada, tempestade que deixou imóveis os navios britânicos e em meio à névoa. Avançando desde o Porto de las Conchas, em Tigre, somaram-se a este exército milhares de homens com elevada motivação.

Retrato de Santiago de Liniers, herói da Reconquista de Buenos Aires.

Em 12 de agosto, Liniers avançou sobre a cidade desencadeando uma batalha campal em distintas ruas de Buenos Aires, até acorralar os britânicos no Forte da cidade. Primeiro foi tomada a Igreja da Mercês, localizada a poucos metros da Plaza Mayor, e do átrio do templo lançou-se a ofensiva ao Forte. Também saíram à rua centenas de voluntários organizados e treinados por Álzaga.

Beresford rendeu-se e assinou a capitulação em 20 de agosto, na qual se acordava o intercâmbio de prisioneros entre ambos os lados. Retomada a cidade, a Real Audiência de Buenos Aires assumiu o governo civil e decidiu entregar a Capitania-Geral a Liniers. Da mesma forma, a Coroa espanhola acrescentou o título "A muito fiel e reconquistadora" à cidade de Montevidéu e, no brasão de dita cidade, foram adicionadas bandeiras britânicas caídas, indicando a derrota dos britânicos frente a Montevidéu. Temendo um segundo ataque, o Cabildo de Buenos Aires pressionou para que os prisioneiros britânicos fossem enviados ao interior, anulando assim os termos da rendição. Cerca de duzentos prisioneiros ingleses foram levados pelas tropas de Garmendia até a cidade de Tucumã, que devia encarregar-se de alojar, alimentar e custodiá-los.

Popham foi julgado por uma corte marcial britânica por ter abandonado sua missão no Cabo da Boa Esperança, mas seu castigo limitou-se a ser «severamente repreendido». A cidade de Londres outorgar-lhe-ia depois uma espada de honra por seus esforços em «abrir novos mercados»; a sentença nunca chegou a afetá-lo.

Criação das milícias urbanas

[editar | editar código]
Bandeira do Batalhão dos Royal Marines (Royal Blues) capturada durante a primeira invasão inglesa em 1806 e exibida ao público como troféu de guerra.[4]

Após a capitulação de Beresford e diante da possibilidade de uma nova invasão, Liniers emitiu, em 6 de setembro de 1806, um documento instando o povo a organizar-se em corpos separados segundo a arma e a origem de nascimento. Este documento continha uma proclamação acerca da criação de diversos corpos urbanos, e uma segunda ordem de convocação foi emitida em 9 de setembro. A maior parte dos homens adultos alistou-se como miliciano de algum dos diferentes corpos e regimentos que se organizaram. O comandante-geral de Armas conseguiu agrupar uma força popular à qual se somavam as tropas veteranas, de menor tamanho, formando um exército de infantaria, cavalaria e artilheiros:

(...) Venham, pois, os invencíveis cântabros, os intrépidos catalães, os valentes asturianos e galegos, os temíveis castelhanos, andaluzes e aragoneses; em uma palavra, todos os que chamando-se espanhóis se fizeram dignos de tão glorioso nome. Venham, e unidos ao esforçado, fiel e imortal americano, e aos demais habitadores deste solo, desafiaremos essas aguerridas hostes inimigas que, não contentes com causar a desolação das cidades e dos campos do mundo antigo, ameaçam invejosas invadir as tranquilas e aprazíveis costas de nossa feliz América.

Infantaria

[editar | editar código]
  • Corpo de Patrícios ou Legião Patrícia, com três batalhões formados pelos nascidos em Buenos Aires, sob o comando de Cornelio Saavedra, Esteban Romero e José Domingo Urien como chefes de batalhão, respectivamente. Contava com Manuel Belgrano como sargento-mor.
  • Corpo de Arribeños, comandado por Juan Pío de Gana e formado por peões provenientes das províncias do interior; entre seus oficiais encontrava-se Juan Bautista Bustos.
  • Companhia de Granadeiros de Infantaria ou Provinciais, corpo colonial posteriormente denominado Granadeiros de Fernando VII, dirigidos por Florencio Terrada.
  • Terço de Montanheses, originários da Cantábria (La Montaña), após sua criação sob o comando de José de la Oyuela e, posteriormente, durante a segunda Invasão Inglesa e ações posteriores, do coronel Pedro Andrés García.
  • Terço de Vizcaínos ou de Cântabros da Amizade, formado por asturianos, biscaínos e castelhanos.
  • Companhia de Caçadores Correntinos, sob o comando de Juan José Fernández Blanco.
  • Terço de Galegos ou de Voluntários Urbanos da Galiza.
  • Terço de Andaluzes
  • Terço de Miñones Catalães
  • Corpo de Índios, Pardos e Morenos.
  • Regimentos do Paraguai: cerca de 690 homens sob o comando de Bernardo de Velasco.

Cavalaria

[editar | editar código]
Juan Martín de Pueyrredón, líder do Primeiro Esquadrão de Hussardos durante as invasões inglesas.
  • Primeiro Esquadrão de Hussardos, cujo nome oficial era Hussardos do Rei, mas mais comumente conhecido como Húsares de Pueyrredón, em honra ao seu afamado comandante Juan Martín de Pueyrredón.
  • Segundo Esquadrão de Hussardos, conhecidos popularmente como Hussardos Infernais ou Hussardos de Vivas, em honra ao seu primeiro chefe Lucas Vivas.
  • Terceiro Esquadrão de Hussardos ou Hussardos de Núñez, por seu comandante Pedro Ramón Núñez, também chamados de Hussardos Infernais, tal como o segundo esquadrão.
  • Quarto Esquadrão de Hussardos ou Carabineiros de Herrera, por ter sido seu primeiro chefe Diego de Herrera. Sua denominação mais comum (apesar de terem sido organizados originalmente como Quarto Esquadrão) é a de Caçadores da Rainha.
  • Quinto Esquadrão de Cavalaria Ligeira, denominado Carabineiros de Carlos IV, corpo de cavalaria sob o comando de Lucas Fernández.
  • Sexto Esquadrão de Cavalaria Ligeira, ou mais comumente denominados Migueletes de Castex, organizados pelo advogado da Real Audiência Alejo Castex.
  • Esquadrão de Quinteiros e Lavradores.
  • Regimento de Cavalaria de Blandengues da Fronteira, corpos de cavalaria para a defesa das fronteiras interiores assediadas pelos indígenas.

Artilharia

[editar | editar código]
  • Corpo de Voluntários Patriotas da União.
  • Companhia de Artilharia de Índios, Pardos e Morenos, formada por índios e ex-escravos.
Guião do Regimento n.º 71 Highlanders exibido ao público como troféu de guerra, no Museu Histórico Nacional do Cabildo e da Revolução de Maio.[4]

Bloqueio britânico aos portos do Rio da Prata

[editar | editar código]

Após a capitulação de Beresford, a frota britânica continuou no Rio da Prata à espera dos reforços que havia solicitado à Inglaterra.

O comodoro Popham mantinha bloqueados os portos de Buenos Aires, Montevidéu e Maldonado e, por tal motivo, Liniers emitiu uma patente de corso a favor de Juan Bautista Azopardo, que equipou a escuna Mosca de Buenos Aires. Esta patente permitia-lhe exercer o corso na área do Rio da Prata, ao mesmo tempo que tinha encomendada a vigilância da esquadra inimiga e a notificação de qualquer desembarque.

Em uma das saídas da Mosca, o bergantim HMS Protector e uma escuna britânica, não identificada até à data, travaram combate com a nave corsária. Dada a inferioridade de fogo, Azopardo decidiu fixar rumo à costa sul do rio em direção a Quilmes, onde ficou encalhado tentando salvar o navio. Os britânicos aproveitaram a oportunidade para assaltar o corsário desembarcando quatro embarcações leves que hastearam a Bandeira Negra. A primeira barca foi capturada com um oficial e cinco marinheiros, enquanto as três restantes regressaram aos navios, que estavam fundeados fora do alcance dos canhões da Mosca. Azopardo organizou em terra uma posição defensiva diante de um possível contragolpe britânico. Quando a maré subiu, voltaram às balizas. Os prisioneiros foram remetidos a Buenos Aires e as baixas totais do navio corsário computaram três marinheiros.[16]

Apoio do Vice-Reino do Peru

[editar | editar código]

Em sua viagem para assumir o Vice-Reino do Peru, por razões de segurança, José Fernando de Abascal desembarcou na ilha de Santa Catarina e de lá viajou por terra rumo ao Peru. Nesse longo percurso, observou não somente as forças portuguesas, mas o estado das defesas do Rio da Prata. Em sua Memória de Governo, escrita anos depois, menciona que havia tentado “persuadir” distintas melhoras ao governante de Montevidéu e ao vice-rei Sobremonte, mas que pela “celeridade” de seu passo não teve tempo para “maiores ideias” nem “podia ter mais parte que o influxo” e seu “bom desejo”. De fato, suas observações não constituíram nenhuma novidade.[17][18]

Abascal soube da invasão inglesa a Buenos Aires através do intendente de La Paz e imediatamente enviou, em 15 de agosto de 1806, um ofício ao presidente de Charcas e circulares às autoridades de cada distrito comunicando a notícia e as precauções que deveriam ser tomadas, especialmente em Chiloé, que – por sua posição geográfica – poderia servir ao inimigo de base de operações para uma futura conquista.[19]

Em um ofício datado de 22 de agosto, Abascal sugeria a Sobremonte a ideia de reunir forças provenientes do Paraguai, Salta, Santiago del Estero, Mendoza, Tucumã, Santa Fé e Corrientes para recuperar Buenos Aires. Naquela data, Abascal desconhecia: a) que em 1° de julho, ou seja, 52 dias antes, Sobremonte já havia comunicado aos governantes das intendências seu plano de reunir tropas do interior para recuperar Buenos Aires e, b) que Buenos Aires já havia sido recuperada 10 dias antes, em 12 de agosto. Apenas em 27 de setembro de 1806, Abascal, em um ofício a Sobremonte, comunicava que havia recebido por correio extraordinário a notícia da reconquista de Buenos Aires.

Também cabe assinalar que um contingente de peruanos acudiu por conta própria a Buenos Aires e Montevidéu para lutar contra os ingleses, como Pedro Vivanco, Fernando Orozco, Ramón Quispe, Joaquín de Caso, Manuel Clemente, entre outros.

Em uma carta datada de 12 de setembro de 1806, dirigida a Sobremonte, Abascal comunicou sua intenção de trasladar-se ao Chile e atravessar a cordilheira quando a neve o permitisse. Caso não pudesse fazê-lo, enviaria em seu lugar um “chefe de caráter, inteligência e energia”. Por outro lado, requereu informação sobre o que era mais necessário e estar a par do que acontecia para poder calcular “minhas providências com dados mais seguros”. Anunciou que, com igual data, saía uma ordem ao presidente do Chile para que tivesse tudo preparado para reforçar a expedição de auxílio. Também mencionou o governador de Missões e Paraguai, Bernardo de Velasco, como um “oficial de conhecimentos militares, atividade e espírito” a quem Sobremonte poderia pedir ajuda.

Abascal, em carta de 7 de janeiro de 1807 dirigida ao vice-rei de Buenos Aires, colocou em seu conhecimento que, tendo reconsiderado que pareciam um “curto auxílio” os cem mil pesos que havia mandado em dezembro de 1806 para solventar os custos da guerra e o bloqueio de Montevidéu, havia resolvido reforçar essa remessa com duzentos mil pesos mais que sairiam imediatamente das intendências de Arequipa (setenta mil), Puno (setenta mil) e Cuzco (sessenta mil).

“[...] pela do Chile remeti 1800 quintais de pólvora, 200 000 cartuchos de fuzil, 200 quintais de balas de chumbo para os mesmos, outros 200 ditos em pasto e 3 000 espadas de cavalaria, cujas remessas, calculadas por valor de cento e vinte e um mil pesos, unidos aos 50 000 da expedição e os 300 000 sacados contra as referidas Caixas, ascendem em todos os auxílios até aquela data a 470 000, que puderam chegar com felicidade e empregar-se ultimamente na gloriosa defesa da capital de Buenos Aires”.[20]

Os pedidos de armas e especialmente pólvora ao Vice-Reino do Peru haviam começado no início da guerra anglo-espanhola, em 1796. Em Lima existia uma fábrica de pólvora com uma capacidade de produção de 20 quintais diários. Em 1798, em Cuzco, entrou em funcionamento outra com igual capacidade. A pedido do vice-rei Avilés, em 16 de setembro de 1797, partiu de Callao uma partida de 500 quintais ou barris de pólvora rumo a Valparaíso. De lá, na segunda quinzena de dezembro, sete partidas de tropeiros cruzaram a cordilheira, no lombo de mulas, rumo a Mendoza. Nesse lugar contratou-se o tropeiro Melchor Videla que, com 31 carroças e uma tarifa especial, chegou a Buenos Aires no final de fevereiro de 1798. O tempo total consumido entre Lima e Buenos Aires foi de 162 dias. Não foi coincidência que, em 1806, o comandante de armas Faustino Ansay contratasse o mesmo tropeiro para levar a Buenos Aires, em tempo recorde, uma remessa de 300 barris de pólvora existentes em Mendoza.[21]

Invasão à Banda Oriental

[editar | editar código]

Em julho de 1806, o almirante Charles Stirling, que havia participado da batalha do Cabo Finisterra, foi designado comandante do navio HMS Sampson com a ordem de transportar as tropas do general Samuel Auchmuty a Buenos Aires para prestar apoio a Popham. Somente em 22 de setembro o governo britânico resolveu, pela primeira vez, a conquista de Montevidéu e de Buenos Aires. Poucos dias depois, chegou a Londres o espólio obtido durante a primeira invasão, que foi desfilado em carroças pela cidade e festejado pelos seus habitantes.

Enquanto isso, Popham rondava as costas do Prata à espera de reforços. Finalmente, no mês de outubro, chegaram sob o comando do tenente-coronel Backhome os 1 400 homens do 47.º regimento de infantaria, provenientes do Cabo da Boa Esperança. Após um breve bombardeio a Montevidéu, Popham decidiu atacar Maldonado. Esta povoação contava com escassas fortificações e apenas cerca de 250 homens, destinados ao resguardo do que, por então, era a fronteira entre os domínios espanhóis e portugueses. Em 29 de outubro, os britânicos desembarcaram em Maldonado e na ilha Gorriti e, após três dias, tomaram o controle de ambos os enclaves. Os soldados espanhóis que resistiram a este ataque foram capturados e detidos na ilha de Lobos. Enquanto isso, os britânicos saquearam Maldonado e prenderam seus habitantes. O coronel Vassall foi nomeado governador, tendo libertado a população cativa e devolvido ao povo alguns dos objetos roubados durante o saque inicial. As tropas britânicas tiveram de enfrentar, em várias oportunidades, as forças enviadas da capital da Banda Oriental.

A população de San Carlos, próxima a Maldonado, recebeu o reconhecimento do rei Fernando VII pela sua ação de resistência aos embates britânicos, sendo nomeada "a muito fiel e Reconquistadora vila de San Carlos", título que ostenta como brasão no seu escudo de armas.[22]

Em 5 de janeiro de 1807, Auchmuty chegou ao Rio da Prata com uma expedição oficial de 4 300 homens. Naquela altura, Sobremonte havia chegado a Montevidéu com uma força de cavalaria de 2 500 cordobeses. No entanto, o Cabildo desta cidade impediu a entrada do vice-rei e entregou a defesa a Ruiz Huidobro. Em 14 de janeiro, posicionou-se diante de Montevidéu uma esquadra britânica de cem velas repleta de manufaturas britânicas e que agora contava com quase 6 000 homens sob o comando do vice-almirante Stirling (que vinha substituir Popham). Em 16 de janeiro, Auchmuty desembarcou a dez quilômetros de Montevidéu, muito próximo do local onde se posicionava a força de Sobremonte, que, após pedir reforços à praça, abandonou a batalha.

Ruiz Huidobro contava com uma guarnição de apenas 3 000 homens, que saíram para resistir ao ataque de forma desorganizada enquanto o governador solicitava o auxílio de Buenos Aires. Em 23 de janeiro de 1807, o cabildo e a audiência de Buenos Aires decidiram enviar uma força militar em auxílio de Montevidéu. No dia seguinte, uma coluna avançada sob o comando do coronel Pedro de Arce, acompanhado por Antonio González Balcarce e Hilarión de la Quintana e cerca de 500 homens, foi transportada pelo capitão Juan Ángel Michelena até à Colônia do Sacramento. Esta coluna entrou em Montevidéu no dia anterior à catástrofe e, após a derrota, Arce, Balcarce e todos os que não conseguiram escapar foram capturados.

Em 2 de fevereiro, os britânicos conseguiram abrir uma brecha através do portão de São João, uma das duas portas de acesso à cidade. A partir de então, a população participou ativamente na defesa da praça e ocorreram inúmeras baixas. Finalmente, em 3 de fevereiro, a operação conjunta de infantaria e da marinha britânica conseguiu ocupar a cidade.

Em 29 de janeiro, Santiago de Liniers partiu de Buenos Aires ao comando de uma segunda coluna com 1 500 homens, dos quais 500 eram do corpo de Patrícios sob o comando de Cornelio Saavedra. Estas forças desembarcaram a cerca de 35 km de Colônia e ficaram imobilizadas por não receberem o apoio logístico prometido pelo vice-rei Sobremonte. Quando Liniers soube do que havia ocorrido com a coluna de Arce, deixou o comando de suas tropas a Prudencio Murguiondo, voltou a Buenos Aires apresentando-se ao cabildo ao final do dia 4 de fevereiro de 1807, e informou a queda de Montevidéu e o sucedido a Arce. Saavedra, que havia ficado em Colônia, solicitou o envio de navios de maior capacidade para reembarcar a sua tropa, a artilharia e os civis e soldados que haviam fugido de Montevidéu. Cabe notar que, nessa ocasião, os milicianos do corpo de Patrícios recusaram-se a carregar a artilharia nos navios. Saavedra teve de recorrer a uma medida que em nada se coadunava com um corpo militar hierarquizado: ofereceu-lhes 4 reais diários para "incitá-los" a realizar a tarefa, soma que solicitaria à Junta de Guerra. Os soldados recordaram-lhe permanentemente esse pagamento e chegaram a levar as queixas acima de Saavedra, assumindo que este o havia omitido.

Muralha da Colônia do Sacramento, Uruguai.

Temendo que as forças espanholas chegassem a Montevidéu via Colônia do Sacramento, Auchmuty encarregou o coronel Denis Pack da tomada daquela vila fortificada, de cerca de 2 800 habitantes. Pack ocupou a praça, praticamente sem oposição, em 5 de março.

Ao tomar conhecimento desses fatos, Liniers enviou o coronel Francisco Javier de Elío, recém-chegado da Espanha, para recuperar Colônia. Elío pegou as forças de Pack de surpresa em 22 de abril, mas o ataque foi repelido e a frota de Elío retirou-se e acampou perto da foz do arroio San Pedro. Pack pediu reforços a Montevidéu e atacou o acampamento de Elío em 7 de junho. Os espanhóis sofreram cerca de 120 baixas e a maioria dos homens dispersou-se. Elío viu-se forçado a regressar a Buenos Aires.

Durante os meses de ocupação, apesar dos esforços do Consulado, as mercadorias britânicas começaram a ser contrabandeadas livremente a partir de Montevidéu. Os artigos chegavam a Buenos Aires via Quilmes e Ensenada, a Santa Fé pelo rio Paraná e, de lá, para todo o vice-reino. Também por terra e por mar, os produtos britânicos chegavam ao Brasil. A Audiência tentou dissuadir os contrabandistas impondo penas severas, que nunca foram postas em prática. Os próprios comerciantes montevideanos pediram ao vice-rei que a cidade não fosse cercada para favorecer o intercâmbio comercial.

Segunda invasão inglesa de Buenos Aires

[editar | editar código]

Destituição de Sobremonte e fuga de Beresford

[editar | editar código]
Bandeira do Regimento Green de Santa Helena (ou do Regimento de Infantaria N.º 95 The Rifle Regiment) capturada durante a segunda invasão inglesa em 1807 e conservada na basílica de Santo Domingo da cidade de Córdoba.[4][23]

As autoridades tentaram manter em segredo a queda de Montevidéu e a conduta militar do vice-rei, mas quando as notícias se tornaram públicas, os protestos aumentaram. No dia 10, por determinação da Audiência, Liniers convocou uma Junta Geral, citando membros da Real Audiência, Tribunal de Contas, Real Consulado, o bispo, o Cabildo, comandantes dos corpos militares e alguns cidadãos principais. A votação foi nominal e fundamentada, e o resultado foi a suspensão do vice-rei Sobremonte de seus cargos de vice-rei, governador e capitão-geral. Conforme as leis, o comando recaiu sobre a Real Audiência até nova resolução do rei.[24]

A pedido do Cabildo, a Real Audiência comissionou o ouvidor Juan Baso y Berri para confiscar surpresivamente os papéis dos oficiais ingleses prisioneiros em Luján e preparar o seu traslado para o interior do país. Na tarde de 5 de fevereiro de 1807, o ouvidor chegou a Luján e, após ordenar que cada prisioneiro fosse para seu quarto com guarda à vista, procedeu ao confisco de todos os papéis que estes pudessem ter, apesar dos protestos. Dois dias depois, indignado com esta ação, Beresford enviou uma nota a Liniers. No dia 9, Baso y Berri comunicou oficialmente aos prisioneiros que seriam transferidos para Catamarca. No dia 10, à tarde, pôs-se em marcha o pequeno grupo de 8 oficiais ingleses, 4 mulheres, 2 crianças e 15 servos, custodiados por 17 soldados sob o comando do capitão de blandengues e comandante da Guarda de Rojas, Manuel Luciano Martínez de Fontes, que havia sido chamado expressamente, e a quem Baso y Berri entregou pessoalmente uma instrução detalhada. A logística estava a cargo de um tropeiro especialmente contratado, que fornecia pessoal e meios de locomoção: sete carroças para bagagem, uma para alimentos e uma carruagem (sopanda) para Beresford.

Em 13 de fevereiro, terceiro dia de marcha, ao meio-dia, Beresford sentiu-se mal e solicitou “uma casa confortável para recuperar sua saúde”. Segundo os guias (baqueanos), a única casa próxima pertencia à Estância Grande dos Padres Betlemitas, perto de Arrecifes. Chegaram ao local à tarde. Apesar de as instruções proibirem paradas, Martínez deteve a marcha não por um dia, mas por três. No dia 16, o tropeiro propôs abandonar o local pela falta de pasto e água e avançar até Fontezuelas, outra estância dos Betlemitas. Nesse momento apareceram os capitães Saturnino Rodríguez Peña, secretário privado de Liniers, e Manuel Aniceto Padilla com dois soldados. Rodríguez Peña portava uma carta de Liniers para Beresford e uma ordem verbal de Liniers e do cabildo para Martínez para que entregasse Beresford e algum outro oficial “pelo bem de Sua Majestade e da Pátria”. Embora a ordem fosse verbal, Martínez não hesitou em cumpri-la. Rodríguez Peña era seu concunhado e cunhado de seu chefe, Antonio de Olavarría, que o havia designado para esta missão.

Nesta operação participou também Francisco González, zelador do Cabildo, em cuja casa vazia se mantiveram ocultos. No dia 21, Beresford, Pack, Padilla e Rodríguez Peña conseguiram embarcar em um lanchão da balandra portuguesa “Flor do Cabo”, ancorada no porto, com rumo a Ensenada em busca de algum navio inglês que estivesse pela zona. Depois de remar toda a noite, ao amanecer do dia seguinte, cruzaram-se casualmente com o navio de guerra “Charwell” que, com bandeira parlamentar, se dirigia a Buenos Aires levando uma carta de Auchmuty ao Cabildo, intimando a rendição da praça. Uma vez a bordo e inteirado da carta, Beresford ordenou que a nave mudasse de rumo em direção a Montevidéu, onde chegaram em 25 de fevereiro.

Em Montevidéu, Beresford tentou convencer Auchmuty a não atacar Buenos Aires e a chegar a um acordo. Ao não conseguir, recusou a oferta de comandar a expedição à capital vice-reinal e embarcou para Londres. Tanto Saturnino Rodríguez Peña como Manuel Aniceto Padilla receberam uma pensão britânica pelos seus serviços.

O avanço inglês

[editar | editar código]
John Whitelocke, comandante britânico encarregado da segunda Invasão Inglesa, retrato de 1808.

Nos primeiros dias do mês de março, o HMS Thisbe partiu da Inglaterra para Montevidéu com o tenente-general John Whitelocke, nomeado comandante das forças britânicas no Rio da Prata, com a ordem do governo britânico de capturar Buenos Aires.

Whitelocke chegou a Montevidéu em 10 de maio e assumiu o comando geral. Pouco tempo depois, a frota sob o comando do general Robert Craufurd chegou do Cabo com 5 000 homens. Em 17 de junho, o formidável exército de Whitelocke, composto por cerca de 10 000 homens, partiu rumo a Colônia. Em 28 de junho, os britânicos desembarcaram em Ensenada; em seu avanço, derrotaram uma força local muito inferior em número. Após cruzarem o Riachuelo a montante da posição escolhida por Liniers – de costas para o Riachuelo – cercaram a capital em 4 de julho.

Enquanto isso, havia chegado ao vice-reino a resolução da corte espanhola declarando Ruiz Huidobro vice-rei interino. No entanto, o governador havia sido embarcado para Londres após a queda de Montevidéu. Portanto, Liniers, sendo o militar de maior patente presente, foi nomeado em substituição a Huidobro pela Audiência.

O exército britânico avançou com dificuldades os aproximadamente sessenta e cinco quilômetros que separavam o local escolhido para o desembarque e a capital. O exército do novo vice-rei interceptou o primeiro avanço do inimigo perto de Miserere, mas a brigada de vanguarda comandada por Craufurd conseguiu dividir e fazer recuar os homens de Liniers no breve combate de Miserere. Ao cair da noite, a luta cessou e muitos milicianos retiraram-se para suas casas.

Parecia que tudo estava perdido para os defensores, mas Whitelocke decidiu esperar. Suspendeu o avanço de Craufurd em direção à cidade e exigiu rendição imediata, embora tenha dado aos portenhos três dias de prazo, que os criollos utilizaram para se organizarem militarmente.

Assalto e defesa de Buenos Aires

[editar | editar código]
Invasões inglesas a Buenos Aires, pintado por Madrid Martínez, litografia de 1807 com o texto:
Reconquista de Buenos Aires pelo capitão de navio D. Santiago Liniers, fazendo prisioneira a guarnição inglesa com seu comandante Beresford. Volta a esquadra britânica em 1807 para atacar com empenho a mesma praça, e é rechaçada pelo valor de nossos marinheiros e soldados.

O alcaide de Buenos Aires, Martín de Álzaga, ordenou a montagem de barricadas, fossos e trincheiras nas diferentes ruas da cidade pelas quais o inimigo poderia entrar. Reuniu todo tipo de armamento e continuou os trabalhos nas ruas sob a luz de milhares de velas.

Na manhã de 5 de julho, a totalidade do exército britânico voltou a reunir-se em Miserere. Confiante na supremacia de seu exército, Whitelocke deu a ordem de entrar na cidade em 12 colunas, que se dirigiriam separadamente para o Forte e Retiro por diferentes ruas. Em um alarde desnecessário, levavam ordens de «não disparar suas armas até chegar à Plaza de la Victoria».

No entanto, os invasores enfrentavam uma Buenos Aires muito diferente da que se havia rendido a Beresford. Segundo conta o general inglês G. E. Miles, os moradores na rua San Pedro atiraram sobre as cabeças dos famosos "casacas vermelhas" do Regimento de Infantaria N.º 88 pedras e líquidos ferventes, que seriam, segundo alguns autores, água, ou mais frequentemente menciona-se óleo ou gordura bovina derretida, a qual era muito barata e estava disponível para fritar alimentos em todas as casas. Liniers e Álzaga haviam conseguido reunir um exército de 9 000 milicianos, posicionados em diferentes pontos da cidade. O avanço das colunas foi severamente prejudicado pelas defesas montadas, pelo fogo permanente do interior das casas e por desinteligências e mal-entendidos entre os comandantes britânicos. Whitelocke viu como seus homens eram atacados em cada esquina. Através da luta de rua, os moradores no centro de Buenos Aires superaram a disciplina dos famosos "casacas vermelhas". No entanto, após uma luta encarniçada, os ingleses apoderaram-se da Residência e do Retiro, onde foi ferido mortalmente o tenente de navio Cándido de Lasala, mas perderam também entre mortos e feridos cerca de 1 070 homens.

Quando a maioria das colunas havia caído, Liniers exigiu a rendição. Craufurd, entrincheirado na igreja de Santo Domingo, recusou a oferta e a luta estendeu-se até passadas as três da tarde. Whitelocke recebeu as condições da capitulação por volta das seis da tarde desse mesmo dia.

Em 7 de julho, o general inglês comunicou a aceitação da capitulação proposta por Liniers e à qual – por exigência de Álzaga – se havia acrescentado um prazo de dois meses para abandonar Montevidéu. As tropas britânicas retiraram-se de Buenos Aires; abandonariam a Banda Oriental apenas em 9 de setembro.

As baixas inglesas, segundo David Marley, foram de 311 mortos, 679 feridos e 1 808 capturados ou desaparecidos.

De regresso ao Reino Unido, uma corte marcial considerou Whitelocke culpado de todas as acusações, exceto uma, e ele foi removido de suas funções, sendo declarado «incapaz de servir à Coroa inglesa». Um dos fatores determinantes para esta decisão foi o fato de o general ter aceitado a devolução de Montevidéu dentro dos termos da rendição.

Os corpos dos mortos de ambos os lados durante as invasões inglesas a Buenos Aires ainda não foram encontrados.

Bandeira de um dos transportes navais britânicos capturada durante a segunda invasão inglesa em 1807 e oferecida pelo vice-rei Santiago de Liniers, em gratidão pela vitória, à Virgem de Nossa Senhora do Rosário do Milagre, da basílica de Santo Domingo da cidade de Córdoba.[4]

Testemunhos britânicos do combate

[editar | editar código]

Os seguintes são testemunhos dos combates travados nas ruas de Buenos Aires, realizados por chefes britânicos que intervieram na luta.

Avancei com os atiradores até ao lado oeste do edifício do Colégio dos Jesuítas, sem sofrer perdas consideráveis, quando, ao adiantar o canhão leve para abrir uma brecha na entrada principal do edifício, o inimigo apareceu de repente em grande número em algumas janelas, no terraço daquele edifício e das barracas do lado oposto da rua e da extremidade da mesma. Em um momento, a totalidade da companhia de vanguarda da minha coluna, e alguns artilheiros e cavalos foram mortos ou feridos...

Tenente-coronel Henry Cadogan.

Antes de me ter escassamente aproximado da igreja de São Francisco, já tinha perdido sob o fogo de um inimigo invisível, e certamente inatacável para nós, os oficiais e a quase totalidade dos homens que compunham a fração de vanguarda, formada por voluntários de diferentes companhias, os oficiais e quase metade da companhia seguinte, e assim em proporção nas outras companhias que compunham a minha coluna...

Tenente-coronel Dennis Pack

Mal alcançamos a entrada da igreja de São Miguel, o inimigo começou um terrível fogo das casas opostas. Tendo perdido cerca de trinta homens nesta entrada, e compreendendo que era impossível forçar as portas da igreja com as ferramentas que me tinham entregado, julguei prudente desistir e penetrar mais na cidade esperando encontrar uma posição mais vantajosa. Ao abandonar a entrada da igreja fomos castigados com um fogo continuado. Depois penetrei na cidade até julgar que me encontrava perto da fortaleza. Vendo que tinha perdido tanta gente na rua, que os quatro oficiais de granadeiros estavam feridos, que o major, o ajudante e o cirurgião auxiliar tinham sido mortos, e que tinha perdido, entre mortos e feridos, de oitenta a cem soldados da minha débil coluna, dobrei à esquerda e busquei refúgio ocupando três casas...

Tenente-coronel Alexander Duff

… está a correr-me tão bem quanto se podia esperar. A bala penetrou a minha perna e saiu pelo outro lado. Verá os detalhes da ação na Gazette, foi muito sangrenta: o pobre Burrell morreu quando ocupou o meu lugar carregando dois de doze. Será uma satisfação para você ver que os Carabineiros cumpriram o seu dever de maneira muito lisonjeira, e quanto à (minha) ferida importa-me pouco. 50 000 homens não teriam tido sucesso, o que explicarei noutro momento. Estou na casa do general Liniers e tratam-me com a maior amabilidade, todos regressamos à Europa ou pelo menos evacuamos o continente sul-americano em dois meses… Nós, os Carabs, tivemos 39 mortos e feridos em aproximadamente meia hora, o general W(hitelocke) fez-nos um cumprimento considerável…

Tenente-coronel Peter Kington

Edição do The Times sobre as invasões

[editar | editar código]

Os relatórios oficiais da capitulação de Whitelocke em Buenos Aires, dando conta do fracasso da segunda Invasão, chegaram à Grã-Bretanha em 11 de setembro de 1807, e foram tornados públicos pelo jornal The Times, de Londres, no artigo «Evacuação da América do Sul». Reproduzem-se aqui alguns parágrafos principais:

O ataque sobre Buenos Aires fracassou e já há algum tempo que não resta um único soldado britânico na parte espanhola da América do Sul. Os detalhes deste desastre, talvez o maior que este país sofreu desde a guerra revolucionária, foram publicados ontem num número extraordinário... O ataque, de acordo com o plano estabelecido, realizou-se a 5 de julho, e os resultados foram os previsíveis. As colunas encontraram uma resistência decidida. Em cada rua, de cada casa, a oposição foi tão resoluta e galharda como se deram poucos casos na história. A consequência foi que o plano de operações se frustrou.

O comandante em chefe parece ter estado na mais perfeita ignorância tanto acerca da natureza do país que devia atravessar, como sobre o montante e o caráter da resistência que devia esperar. Com o propósito, supomos, de evitar um encontro incómodo, desembarca a trinta milhas do lugar onde devia operar, prossegue a sua marcha através de um percurso cheio de pântanos, cortado por riachos e, finalmente, com um exército ofegante e exausto, assenta-se frente a uma praça inteiramente fortificada, na qual, segundo o teor do seu despacho, «choviam sobre ele metralhas de cada esquina e dos telhados de todas as casas, mosquetadas, granadas de mão, tijoladas e pedras».

Este foi um assunto infeliz do princípio ao fim. Os interesses da nação, bem como o seu prestígio militar, foram seriamente afetados. O plano original era mau, e má a execução. Não houve nada de honroso ou digno dele; nada à altura dos recursos ou do prestígio da nação. Foi uma empresa suja e sórdida...

Como se poderia esperar que estivessem connosco as mãos ou os corações do povo, se os primeiros que ocuparam a cidade se mostraram menos ansiosos por conciliar-se com os habitantes do que por colocar fora de perigo o espólio obtido? Havia um vício radical no plano original, que nenhuma empresa posterior pôde remediar. Se os desautorizados promotores do primeiro desembarque tivessem disposto de uma força igual à que foi agora expulsa de Buenos Aires, o país poderia estar neste momento nas nossas mãos.

The Times, 14 de setembro de 1807, pág 3.

Consequências

[editar | editar código]

A derrota dos exércitos da Coroa britânica ocorrida nas duas invasões inglesas teve como primeira consequência o fato de o Império Espanhol ter retido a posse do Vice-Reino do Rio da Prata, graças à ação do exército espanhol formado por grupos de milícias urbanas. A vontade do povo desempenhou um papel sem precedentes na destituição de um vice-rei e na nomeação do seu sucessor. A participação dos corpos militares criados na "Defesa" e na "Reconquista" evidenciou a ineficácia do sistema defensivo colonial da metrópole, mas transformou esses eventos em catalisadores do caminho rumo à independência dos territórios sul-americanos sob domínio espanhol.

O vice-rei Sobremonte seria lembrado pelos portenhos como um funcionário inepto e covarde, mas existem outros pontos de vista: após os seus repetidos fracassos na solicitação de reforços à Espanha, a fuga para Córdoba com o tesouro pode ser considerada uma estratégia apropriada, dado que era exatamente isso que Popham buscava. No entanto, devido à pressão dos representantes do Cabildo, em sua maioria comerciantes abastados, Sobremonte viu-se forçado a entregar os fundos públicos a Beresford.[25] Também pesou em seu ânimo o conhecimento de que existiam grupos de tendência independentista em Buenos Aires, pelo que entendia que armar o povo para a defesa implicava a entrega de uma importante parcela de poder aos criollos.[26] De regresso à Espanha, o marquês compareceu perante um conselho de guerra realizado em Cádis em 1813, que o absolveu de todas as acusações. Além disso, recebeu o pagamento dos seus salários atrasados, foi promovido a marechal de campo e nomeado conselheiro das Índias.[27]

Beresford regressou à Inglaterra e foi recebido com toda a pompa. Desembarcou com uma carroça repleta de tesouros e a transferiu diretamente para o Banco da Inglaterra, entre os vivas do povo, das autoridades e dos grandes comerciantes. Os caudais entregues forçosamente por Sobremonte foram considerados pelos ingleses como um pagamento do Vice-Reino do Rio da Prata pelo direito à implementação do livre-comércio.

Em 1808, as ruas de Buenos Aires sofreram uma modificação global da sua nomenclatura, honrando aqueles que se destacaram nas jornadas das invasões inglesas. Esta nomenclatura manteve-se até 1822.

As invasões inglesas foram um dos antecedentes imediatos da Revolução de Maio, que iniciou o processo rumo à independência, estendendo-se por todo o Vice-Reino do Rio da Prata a partir de 1810.

Novo plano britânico para outra invasão à Hispano-América

[editar | editar código]

Os comerciantes britânicos continuaram desesperados devido ao bloqueio continental de Bonaparte e, embora o fracasso do ataque de Whitelocke a Buenos Aires tenha desanimado os dirigentes ingleses, o governo de Londres retomou a ideia de uma intervenção militar na América. Desta vez, planejava apresentar-se como libertador e não como conquistador, para assim obter a aprovação dos criollos.

O general Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, assumiu o comando desta nova ação, assessorado por Francisco de Miranda, de regresso a Londres após a tentativa fracassada de libertar a Venezuela em 1806 com a cooperação dos Estados Unidos e da Inglaterra. Wellesley teve a ideia de criar na América uma monarquia constitucional,[28] com duas câmaras como na Grã-Bretanha, onde os integrantes da Câmara Baixa seriam eleitos pelos cabildos e latifundiários. As demais instituições vice-reinais seriam, em princípio, conservadas.

As tropas destinadas à América começaram a ser preparadas no porto irlandês de Cork, no final de 1807, e seriam mais de 13 000 soldados britânicos divididos em três forças com diferentes objetivos.[28] O plano consistia em enviar novamente ao Rio da Prata, com data de desembarque em junho de 1808, uma força poderosa e levar armamento tanto para as tropas britânicas quanto para um exército criollo que se pretendia constituir ao chegar. Também seria enviada uma expedição militar ao México, cuja antessala seriam ofensivas contra Pensacola e Nova Orleães para dominar o vale do rio Mississippi.[29] No entanto, o exército principal, de cerca de 10 000 ingleses, iria para a Venezuela apoiar Miranda, que chegaria antes para sublevar os locais. Após apoderarem-se de Barbados e Puerto Cabello, atacariam Caracas, depois a Guiana, Cumaná e Barinas, terminando por conquistar o Panamá e Cartagena das Índias.[28]

Com os 20 000 venezuelanos que Miranda esperava recrutar, Wellesley avançaria contra o Nova Granada.[28] Uma vez conquistadas Nova Granada e a Venezuela, poderiam ser enviadas frotas contra o Chile e o Rio da Prata.[30] As operações eram incrivelmente semelhantes ao proposto em A proposal for humbling Spain — em português, «Uma proposta para humilhar a Espanha» —, documento anônimo surgido em Londres em 1711, segundo o qual se deveriam promover ódios entre americanos e peninsulares para facilitar uma invasão inglesa pela Venezuela e pelo Rio da Prata, avançando sobre Nova Granada e Chile e, por último, sobre o Peru, região que demonstraria ser a mais pró-monárquica de todas as Índias espanholas.[31] Curiosamente, estes planos acabaram sendo realizados por José de San Martín e Simón Bolívar com apoio londrino.[32] Os territórios independentes continuariam a conservar a religião católica como oficial, mas também ficariam divididos em quatro estados baseados nos vice-reinos: México e América Central; Venezuela, Nova Granada e Quito; Peru e Chile; e Rio da Prata.[33] Com a divisão dos territórios dominados por Madrid, Londres esperava monopolizar o comércio em tais terras.[34]

Os interesses comerciais britânicos viam-se ameaçados pelo embargo estadunidense aos seus produtos — causa da Guerra de 1812 — e pelo fato de a Espanha, entre 1810 e 1814, não só se ter recusado a pôr fim ao seu monopólio comercial nos seus territórios, como também se ter recuperado o suficiente para reduzir consideravelmente a influência dos mercadores britânicos nas Índias.[35] No entanto, os desastres do Rio da Prata convenceram os britânicos a desistir dos seus sonhos de conquistar a América espanhola; desde então, atuariam indiretamente, financiando as revoluções e guerras civis que fragmentariam o Império Espanhol.[36] Aproveitaram para esse fim a propaganda feita durante anos entre os criollos por agentes britânicos para criar um sentimento de hostilidade contra a metrópole pelos supostos abusos que esta cometia contra eles.[37]

Finalmente, ao ocorrer o levantamento do povo de Madrid durante a Guerra da Independência Espanhola contra os franceses, em 2 de maio de 1808, Wellesley ordenou que as tropas em Cork fossem conduzidas para Portugal com o objetivo de prestar apoio à insurreição, desembarcando nesse país em 1.º de agosto daquele ano.[38]

Desta maneira, diluiu-se a nova tentativa de uma intervenção militar inglesa no Rio da Prata.

Simbologia

[editar | editar código]

Referências

  1. Hughes, Ben (2014). The British Invasion of the River Plate 1806–1807 : How the Redcoats Were Humbled and a Nation Was Born. South Yorkshire, UK: Pen & Sword Book Ltd. ISBN 978-178-159-066-9
  2. Scheina, 2003: 25-26
  3. Aldao 1929, p. 5.
  4. 1 2 3 4 5 6 7 Trofeos de la Reconquista de la Ciudad de Buenos Aires en el año 1806. Publicação oficial. Buenos Aires: Litografía, Imprenta y Encuadernación de Guillermo Kraft. 1882
  5. Roberts 2000, p. 39.
  6. Albi de la Cuesta, pág. 37
  7. «La fallida toma de Cartagena». Eltiempo.com
  8. Ferns, H. S. (1966). «Capítulo 1. Descubrimiento de la ecuación política.». Gran Bretaña y Argentina en el siglo XIX (em espanhol). [S.l.]: Ediciones Solar
  9. Bauzá 2005, p. 346-354.
  10. Fortín 1967, p. 17.
  11. Lozier Almazán 1989, p. 77.
  12. Azopardo 1961, p. 19.
  13. Gorriz 2007, p. 52.
  14. Roberts 2000, p. 106.
  15. Lozier Almazán 1994, p. 99.
  16. Azopardo 1961, p. 20-21.
  17. Py 2009, p. 215/216.
  18. Abascal 1944, p. 334/336.
  19. Abascal 1944, p. 450/1.
  20. Abascal 1944, p. 455.
  21. Beverina 2008b, p. 165.
  22. No entanto, segundo o relato do diário do pároco de San Carlos, Amenedo Montenegro, a resistência foi levada a cabo por tropas procedentes de Montevidéu, e a população local chegou a abastecer as tropas inglesas.
  23. «Las Banderas Británicas tomadas en Buenos Aires el 5 de julio de 1807. Por Guillermo Palombo.»
  24. Beverina 2008c, p. 18 vol.3.
  25. Roberts 2000, p. 153.
  26. Roberts 2000, p. 101.
  27. Felipe Pigna, p. 188.
  28. 1 2 3 4 Parra Pérez, Caracciolo; Mendoza, Cristóbal L. (1992). Historia de la primera República de Venezuela (em espanhol). Caracas: Biblioteca Ayacucho. p. 134. ISBN 978-9-80276-192-0
  29. Parra Pérez, Caracciolo (1992). Historia de la primera República de Venezuela (em espanhol). Caracas: Biblioteca Ayacucho. pp. 134–135. ISBN 978-9-80276-192-0
  30. Grijalva, Aidé; Calvillo, Max; Landín, Leticia (2005). Pablo Herrera Carrillo, sus combates por la historia (em espanhol). Méxicali: Universidad Autónoma de Baja California (UABC). p. 183. ISBN 978-9-70735-018-2
  31. Morote, Herbert (2007). Bolívar, libertador y enemigo No. 1 del Perú (em espanhol). Madrid: Jaime Campodónico Editor. p. 22. ISBN 978-9-97272-962-1
  32. Pardo, Gustavo (10 de junho de 2011). «¿La independencia argentina fue planeada por Gran Bretaña?». Salta: El Tribuno. Consultado em 21 de julho de 2014
  33. De Miranda, Francisco (1982). José Luis Salcedo-Bastardo, ed. América espera (em espanhol). Caracas: Biblioteca Ayacucho. p. 634. ISBN 978-8-46600-098-7
  34. Picón, Delia (1999). Historia de la diplomacia venezolana: 1811-1985 (em espanhol). Caracas: Universidad Católica Andrés Bello. p. 103. ISBN 978-9-80244-204-1
  35. Picón, Delia (1999). Historia de la diplomacia venezolana: 1811-1985 (em espanhol). Caracas: Universidad Católica Andrés Bello. p. 103. ISBN 978-9-80244-204-1
  36. Grijalva, 2005: 183
  37. Parra, 1992: 135
  38. De Miranda, 1982: 634. Wellesley ofereceu a Miranda acompanhá-lo para libertar a Espanha de Napoleão, mas este recusou, alegando que o seu único interesse era a independência hispano-americana.
  39. 1 2 3 Trofeos de la Reconquista de la Ciudad de Buenos Aires en el Año 1806 (em espanhol). Publicação oficial. Buenos Aires: Litografía, Imprenta y Encuadernación de Guillermo Kraft. 1882. 78 páginas

Bibliografia

[editar | editar código]
  • CAMARGO, Fernando. Britânicos no Prata: caminhos da hegemonia. Passo Fundo: Ediupf, 1996.
  • Aldao, Carlos A. (1929). Nuevos datos sobre el general Miranda y las invasiones Británicas al Río de la Plata. Buenos Aires: Talleres Gráficos Argentinos L.J. Rosso 
  • Azopardo, Mercedes G. (1961). Coronel de marina Juan Bautista Azopardo. Número 3 de Serie C–Biografías navales argentinas, Argentina Departamento de Estudios Históricos Navales. Buenos Aires: Secretaría de Estado de Marina 
  • Bauzá, Carlos A. (2005). «Defensa marítima de la Banda Oriental: Indios misioneros tripulantes de las "lanchas cañoneras" del gobernador de Montevideo José de Bustamante y Guerra (1797-1802)». Historia Paraguaya/Anuario de la academia paraguaya de la historia. XLV: 345-357 
  • Beverina, Juan Bartolomé (2008a). Las invasiones inglesas al Río de la Plata 1806-1807. Volumen 1: Desde la organización territorial hasta la Reconquista de Buenos Aires. Buenos Aires: Círculo Militar. 1884 Editorial. ISBN 978-950-9822-74-0 
  • Beverina, Juan Bartolomé (2008b). Las invasiones inglesas al Río de la Plata 1806-1807. Volumen 2: Reconquista de Buenos Aires. Buenos Aires: Círculo Militar. 1884 Editorial. ISBN 978-950-9822-76-4 
  • Beverina, Juan Bartolomé (2008c). Las invasiones inglesas al Río de la Plata 1806-1807. Volumen 3: La segunda invasión. Buenos Aires: Círculo Militar. 1884 Editorial. ISBN 978-950-9822-75-7 
  • Destéfani, Laurio H. (1975). Los marinos en las Invasiones Inglesas, Serie B Historia Naval Argentina Nº15. Comando General de la Armada, Secretaria General Naval, Departamento de Estudos Históricos Navais.
  • Elissalde, Roberto (2006). Historias ignoradas de las invasiones inglesas. Aguilar. ISBN 987-04-0516-9.
  • Fortín, Pablo (1967). Invasiones inglesas. Colección Pablo Fortín. Buenos Aires: Editorial Cía. Lamsa 
  • Goldman, Noemí (2005). «Las invasiones inglesas y la militarización de Buenos Aires». In: Noemí Goldman (directora do tomo). Nueva historia argentina (em espanhol). III: Revolución, república, confederación (1806-1852) 1.ª ed. Buenos Aires: Editorial Sudamericana. ISBN 950-07-1386-1 
  • Graham-Yooll, Andrew (2006). Ocupación y reconquista 1806-1807: a 200 años de las Invasiones Inglesas. Lumiere. ISBN 950-9603-99-6.
  • Horowicz, Alejandro (2004). El país que estalló. Antecedentes para una historia argentina (1806-1820). Tomo I, Editorial Sudamericana. ISBN 950-07-2561-4.
  • Klaus Gallo (2004). Las Invasiones Inglesas. Eudeba. ISBN 950-23-1317-8.
  • Klaus Gallo (1994). De la invasión al reconocimiento - Gran Bretaña y el Río de La Plata - 1806-1826. AZ Editora. ISBN 950-534-297-7.
  • Holland, Lancelot (1975). Expedición al Río de la Plata. Colección Siglo y Medio. Editorial Universitaria de Buenos Aires.
  • Lozier Almazán, Bernardo P. (1989). Liniers y su tiempo 1.ª ed. Buenos Aires: Emecé Editores 
  • Lozier Almazán, Bernardo P. (1994). Beresford, gobernador de Buenos Aires. Buenos Aires: Editorial Galerna 
  • Nueva Militaria Argentina. Episodios militares de nuestra historia.
    • Volume 1. 1806. Reconquista de Buenos Aires (2006). ISBN 987-226994-0-8.
    • Volume 2. 1807. Defensa de Buenos Aires (2006). ISBN 987-226994-1-8.
  • Pigna, Felipe (2004). Los mitos de la historia argentina. La construcción de un pasado como justificación del presente. Grupo Editorial Norma. ISBN 987-545-149-5.
  • Rex Bliss, Santiago (2010). Tucumán, una historia para todos, Ediciones La feria del libro, ISBN 978-987-26455-0-2.
  • Ribeiro, Ana (2006). Invasiones Inglesas. Ediciones El Galeón. ISBN 9974-553-63-6.
  • Roberts, Carlos (2000). Las invasiones inglesas del Río de la Plata (1806-1807). Buenos Aires: Emecé Editores. ISBN 950-04-2021-X  Parâmetro desconhecido |ano-original= ignorado (ajuda)
  • Romero, Jose Luis, Di Stefano, Roberto e outros. Las Invasiones Inglesas 200 años (2006). Editorial EDIVERN. Colección Bicentenario. ISBN 987-23127-1-0.
  • Speroni, José Luis (1984). La real dimensión de una agresión: una visión político estratégica de la intervención británica a América del Sur, 1805-1807. Biblioteca del oficial N° 715. Buenos Aires: Círculo Militar. ISBN 950-562-685-1 

A seção "Tentativas de uma terceira intervenção militar" baseia-se no que foi consultado em:

Ligações externas

[editar | editar código]
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Invasões Britânicas