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Guerras de independência na América espanhola

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Independência da América Espanhola

Em vermelho, os territórios que se tornaram independentes ao final das guerras
Data1808 1833
LocalAmérica espanhola
SituaçãoVitória dos independentistas
Beligerantes
Reino de Espanha Grã-Colômbia
Províncias da Prata
 Chile
Império Mexicano
Peru
Baixas
34 400 espanhóis 570 000 mortos[1]

As guerras de independência na América espanhola foram as numerosas guerras contra o Império Espanhol na América espanhola, que ocorreram durante o início do século XIX, a partir de 1808 até 1829. O conflito começou em 1808, com juntas estabelecidas no México e em Montevidéu, em reação aos acontecimentos da Guerra Peninsular. Os conflitos podem ser caracterizados tanto como uma guerra civil e uma guerra de libertação nacional como guerras internacionais (entre países), uma vez que a maioria dos combatentes de ambos os lados eram espanhóis e americanos, o objetivo do conflito por um lado foi a independência das colônias espanholas nas Américas. As guerras, em última instância, resultaram na formação de uma série de novos países independentes que se prolongam da Argentina e Chile, no sul, ao México, no norte. Apenas Cuba e Porto Rico permaneceram sob domínio espanhol, até a Guerra Hispano-Americana em 1898.

Os conflitos também estão relacionados ao clima de desenvolvimento dos ideais iluministas na América, que também influenciou a independência das Treze Colônias e do Haiti. No entanto, as guerras e a independência da América espanhola foram resultado da evolução da situação única da monarquia espanhola.

Havia uma certa liberdade nas colônias espanholas que permitiu a fundação de universidades e favoreceu o desenvolvimento científico em algumas regiões da América Espanhola. As universidades do México e do Peru são exemplos de que foi desenvolvida uma intensa atividade intelectual nas colônias. As ideias iluministas eram mais conhecidas e difundidas por quem tinha acesso tanto a publicações e jornais, que divulgavam frequentemente essa ideia. Já havia duas nações independentes na América: os Estados Unidos (1776) e o Haiti (1804). Contudo, o ideal de liberdade também inspirou e influenciou as classes populares na luta pela independência. Movidos e unidos pela liberdade, diferentes grupos sociais questionaram o domínio espanhol. O processo de independência das colônias espanholas na América incluía as mulheres, principalmente as que compunham a população mais pobre.

Napoleão Bonaparte, com o bloqueio continental, proibiu os países europeus de comercializarem com o Reino Unido, sob ameaça de atacar os países onde as ordens não fossem cumpridas. Portugal, fiel aliado do Reino Unido, ficou numa situação desagradável, não se resolvendo a tempo. Napoleão, indo invadir Portugal, passou pela Espanha desencadeando batalhas. O rei da Espanha, Fernando VII, foi preso e perdeu o trono por ordem de Napoleão, que, em seu lugar, colocou seu irmão José Bonaparte. O povo espanhol não obedecia ao rei francês, e as colônias também se recusaram a fazê-lo.

Com a Europa enfraquecida com a chamada "Era das Revoluções", as Colônias sentiram que seria a hora certa para lutar pela sua independência. Ora, a Espanha estava enfraquecida, pois estava tomada pelo exército francês de Napoleão, que na verdade queria acabar com o intercâmbio comercial do Reino Unido, para que, assim, a França se tornasse a maior potência europeia, e não o Império Britânico. As Ideias Iluministas ainda circulavam por toda a Europa, assim como a recente Revolução Francesa. Essas ideias chegavam à colônia como consequência do comércio. Para as guerras de independência, os colonos se basearam nas ideais iluministas e na Declaração da Independência dos Estados Unidos da América (antigas 13 colônias britânicas).

A sociedade das colônias era dividida em classes. A classe mais privilegiada eram os chapetones, espanhóis natos que formavam o corpo administrativo colonial e poderiam participar das decisões políticas e administrativas e ocupar altos cargos políticos ligados diretamente à Coroa Espanhola. Abaixo dos mesmos encontravam-se os criollos, que eram descendentes de espanhóis nascidos na América e cuidavam da produção mercantil. Abaixo, os mestiços, indígenas e escravos negros.

Os povos indígenas estavam submetidos à mita (espécie de tributo pago pela população indígena por meio da prestação de serviços aos colonizadores por tempo determinado, mediante uma remuneração, quase sempre sujeita a abusos). A população indígena estava sujeita também a obrigações originárias da Península Ibérica, como a encomienda ("troca" de instrução cristã), especialmente que a tornava subordinada ao colonizador, pagando-lhes tributos e realizando serviços.

A elite dos filhos e descendentes de espanhóis aproveitou a situação ainda de batalhas na Espanha e rompeu o pacto colonial, comercializando com o Reino Unido e os EUA, grandes apoios nas guerras da independência. Quando a Espanha recuperou o poder após as derrotas dos franceses, pressionou suas colônias. Porém, a elite criolla não quis mais aceitar o domínio espanhol, passando assim, a liderar em vários lugares da América. Assim então, um dos criollos, Leonardo Pacheco impulsionou a luta contra o domínio espanhol e convocou vários líderes, a exemplo de Simón Bolívar.

Nessas lutas, vários líderes se destacaram. Além de Bolívar, líder na independência da Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Bolívia; Bartolomeu Mitre na Argentina; José Artigas no Uruguai; Bernardo O'Higgins no Chile, entre outros. O Reino Unido e os próprios Estados Unidos, recém independentes, apoiaram os colonos, vendo novas oportunidades de comércio.

A Batalha de Pueblo Viejo. Ocorrida no dia 9 de setembro de 1829, no México. A última expedição de reconquista do México tem suas raízes nas ilhas de Cuba e Porto Rico que continuaram a ser uma parte da Espanha até sua separação, em consequência da Guerra Hispano-Americana.

Causas da independência

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Por ser um processo muito longo, complexo, abrangente e possuir muitas particularidades, as causas da independência variavam de lugar para lugar. Algumas causas de influência mundial, como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos da América, atuaram mais como padrão que como uma causa direta. As causas são geralmente divididas em internas, que são as que ocorreram na Espanha e nas colônias e externas que são as que ocorreram em países estrangeiros.

Causas internas

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São elas:

  • O desejo dos Criollos era a independência, queriam mais poder político e maior liberdade econômica para exercer livremente as suas atividades econômicas (livre mercado), cuja produtividade foi prejudicada pelo controle do comércio por parte da metrópole e do estabelecimento de um regime monopólio, gabelas e obstáculos. Insistiam em assumir o controle dos Cabildos e da administração das colônias.
  • A ideia de que o Estado era um patrimônio da Coroa foi que, quando a Família Real, realizou-se em França as colônias não foram leais ao tribunal de Cádiz e o Conselho Central, mas que formaram juntas de governo cuja meta inicial era de regresso trono de Fernando VII.
  • O descontentamento dos crioulos, que queriam a independência para alterar um sistema colonial que consideravam injusto por serem excluídos das decisões políticas e econômicas, e encontrar-se em muitos casos explorados.
  • Os ensinamentos partidos das universidades, academias literárias e das sociedades econômicas. Difundiam ideais liberais e revolucionários (típicos do Iluminismo) contra a ação da Espanha nas suas colônias e tiveram grande influência sobre os líderes revolucionários, como o princípio da soberania nacional, o contrato social de Rousseau e dos direitos individuais.

Causas Externas

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O vácuo do governo na Espanha causado sucessivamente por Napoleão e o constitucionalismo espanhol, abriu a oportunidade para a classe dirigente latino-americana, constituída por crioulos europeus dessem impulso e sustentassem o movimento, e a guerra pela independência como um meio de preservar e reforçar o seu status, diminuindo o risco de ser perdido, mas sem procurar uma mudança, a menos que a estrutura social americana (permanência de castas ou escravos, etc), nem uma diminuição no seu âmbito administrativo. A chamada "Pátria" foi a característica essencial do movimento e, finalmente, prevaleceu em todas as partes da América relativamente a outros movimentos de independência, como o fracasso de Hidalgo no México, foi também acompanhado por uma verdadeira revolução social.

  • As Ideias liberais espalhadas ao redor do mundo graças à Encyclopédie.
  • A fraqueza da Espanha e de Portugal durante este período, que tinham perdido o seu papel na Europa. Isso foi reforçado quando Napoleão invadiu a Península Ibérica.
  • Os encontros no exterior dos principais líderes da revolução e do envolvimento de alguns na revoluções liberais na Europa, bem como os seus contatos com os governos estrangeiros que proporcionou-lhes a possibilidade de apoio externo e fontes de financiamento necessárias para os seus projetos independentistas.
  • O exemplo dos Estados Unidos da América, que ficou independente do Reino Unido (embora ainda longe de se tornar uma potência mundial, como aconteceria um século mais tarde), bem como o exemplo da França, cuja revolução proclamou a igualdade de todas as pessoas e seus direitos fundamentais, coisas que os índios e, em menor medida, os crioulos não possuíam em relação aos peninsulares.
  • Com o apoio que tiveram do Reino Unido e dos recém independentes Estados Unidos, interessados em que as colônias se tornassem independentes, a fim de poderem realizar um livre comércio com a América Latina.
  • Juntas de governo - órgãos formados por autoridades e representantes nomeados pela Coroa para auxiliar na administração e na tomada de decisões políticas, econômicas e administrativas relacionadas ao governo de um território.

Juntas Governativas na América Espanhola

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As Juntas Governativas ou Juntas de Governo tiveram papel fundamental no processo de independência na América espanhola. Elas surgiram em meio à crise provocada pela Invasão Napoleônica da Península Ibérica, entre 1807 e 1808. Com a prisão de Carlos IV e Fernando VII e a imposição de José Bonaparte ao trono espanhol, instalou-se uma grave crise de legitimidade política. Sem o rei, considerado a principal autoridade do império, muitos grupos da América Espanhola passaram a questionar o poder das autoridades coloniais.[2]

Nesse contexto, os "crioulos" ou Criollos descendentes de espanhóis nascidos na América e membros das elites locais, organizaram juntas de governo inspiradas no exemplo das cidades espanholas que também resistiam aos franceses. Essas juntas afirmavam governar temporariamente em nome de Fernando VII, mas, na prática, representavam uma transferência do poder político para as elites americanas. As primeiras experiências ocorreram em 1809, em Quito, Chuquisaca e La Paz, mas foram reprimidas pelas forças realistas.[2]

Em 1810, entretanto, o movimento ganhou força e várias cidades importantes, como Caracas, Buenos Aires, Bogotá e Santiago, conseguiram formar juntas e afastar vice-reis e governadores espanhóis. Apesar de inicialmente não declararem independência, essas novas administrações promoveram mudanças importantes, como maior liberdade econômica, liberdade de imprensa e criação de instituições políticas locais. No Chile, México, Colômbia, Venezuela, Equador e na Argentina e Uruguai (Províncias Unidas do Rio da Prata) também surgiram medidas sociais, como restrições ao tráfico negreiro e leis relacionadas ao fim gradual da escravidão.[2]

Por outro lado, nem todas as regiões aderiram às juntas. O Peru, a América Central e várias ilhas do Caribe permaneceram fiéis à Espanha, graças à forte atuação dos realistas. Além disso, muitos crioulos ainda defendiam apenas maior autonomia política, e não necessariamente a separação completa da Espanha.[2]

As reformas promovidas pela Cortes de Cádiz culminaram na Constituição de 1812, documento que implantou princípios liberais, como a liberdade de imprensa, a extinção do Santo Ofício e a ampliação da participação política. Entretanto, com o retorno de Fernando VII ao trono, em 1814, o absolutismo foi restaurado e as medidas liberais foram anuladas. Essa decisão aumentou o descontentamento nas colônias americanas e fortaleceu os movimentos de independência.[2]

Assim, as juntas governativas representaram o primeiro passo concreto para a ruptura do domínio espanhol na América, pois permitiram que as elites locais assumissem o controle político e desenvolvessem ideias de autonomia e soberania que mais tarde resultariam na independência dos países hispano-americanos.[2]

Processo de independência

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Na América do Norte, a primeira colônia espanhola a se tornar independente foi o México, adotando, primeiramente o governo monárquico, e depois o governo republicano.

Na América do Sul, a primeira independência foi a da Venezuela, que se completou com a independência da Colômbia e Equador.

Na América Central, a região foi dividida em cinco países: Honduras, Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica.

Depois de alguns anos, foi a vez das ilhas da América Central (as do Mar do Caribe): a República Dominicana, Porto Rico e de Cuba.

Ocorreu uma revolta de cunho indianista no Peru em novembro de 1780. Sua bandeira principal era a oposição ao domínio espanhol. A liderança coube a José Gabriel Condorcanquí, Marquês de Oporesa,autodenominado "Tupac Amaru II". Ele descendia de Tupac Amaru, sobrinho de Atahualpa,reconhecido pelos indígenas como o último Inca, que ensaiara uma rebelião contra o domínio espanhol e fora executado pelos conquistadores em 1572. Mais de dois séculos depois, o alvo imediato dos rebeldes eram as autoridades que infligiam tratamento cruel aos trabalhadores das tecelagens, inclusive crianças, que ficavam fechadas nos "abrajes" ou fábricas de tecidos por quase 16 horas diárias, em troca de salários miseráveis. Outra reivindicação era um melhor tratamento aos índios que trabalhavam nas minas e plantações.Tupac Amaru II e seus partidários indígenas foram derrotados pelas forças do vice-rei. José Gabriel teve a língua cortada e sofreu esquartejamento na cidade de Cuzco. As mulheres indígenas, além de perderem suas terras, continuaram sem o direito ao voto.

Guerras da América Espanhola

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Países latino-americanos que declararam independência entre 1809 e 1821

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Mapa das Guerras entre a Espanha e suas colônias na América
  Reação Realista
  Território sob controle independentista
  Território sob controle independentista
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Entre 1809 e 1818 várias colônias latino-americanas declararam-se autónomas e independente da Espanha. Estas foram as seguintes:

O principal motivo para a crise colonial na América espanhola foi a crise institucional que eclodiu na metrópole quando Napoleão Bonaparte obrigou a abdicação de Carlos IV em favor Fernando VII e este últimos em favor dos Bonaparte, com José Bonaparte como o novo rei da Espanha e suas colônias.

Esta crise e a subsequente invasão da Espanha pelo exército napoleônico, levaram à criação de juntas fernandistas em várias cidade do território espanhol. Muitos destas juntas fernandistas na América possuiam dirigentes claramente autonomistas independentistas.

Embora a crise institucional na Espanha foi um gatilho, estas eram uma última oportunidade esperada para a autonomia e líderes de independência. Desde o início da colônia, mas sobretudo porque os Bourbons assumiram o trono da Espanha, a administração colonial foi centrada nas pessoas influência nos tribunais espanhóis, assim como o na casa de recrutamento de Sevilha, uma posição que não era propícia a indivíduos nascidos na América.

O Rei Carlos III, como um típico déspota esclarecido da época, promoveu as artes e permitiu um grande afluxo de ideias do Iluminismo na América, enquanto exercia um forte poder político. Carlos III apoiou as colónias britânicas, em sua guerra de independência, contratando e promovendo a instituição de novos tributos fiscais para subsidiar a defesa dos interesses espanhóis na região das Caraíbas. Estes eventos resultaram nos anos 1780 um rompimento da pax hispanica que rege a colônia espanholas desde a sua criação. A revolta da comunidade de Nova Granada e da revolta de Tupac Amaru, no Peru demonstram esta nova realidade.

Carlos IV não se caracterizou pelo seu férreo controle do poder. Mais interessado em ciência deixou a política nas mãos de seus ministros, que, especialmente no caso de Godoy, promoveu reformas liberais em diversos aspectos sociais, enquanto relegava cada vez mais para as colônias e os súditos nas colônias como súditos de segunda.

Por outro lado, a Espanha impôs uma série de restrições comerciais nas colônias, que não poderia comercializar uns com os outros, muito menos o comercializar com outras nações como o Reino Unido ou Estados Unidos. Todas as relações comerciais foram determinados a partir da Espanha. A influência das ideias liberais e as restrições políticas e comerciais, criaram o descontentamento que foi catalisado pela crise espanhola de 1809.

Participação das Mulheres nas Guerras de Independência

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A participação das mulheres nas lutas de independência foi muito importante para a conquista da liberdade em vários países da América Latina. Mesmo em uma época em que tinham pouca participação na vida política, muitas mulheres contribuíram de diferentes formas para os movimentos independentistas. Algumas cuidavam dos feridos, organizavam recursos e participavam diretamente dos conflitos, enquanto outras atuavam como mensageiras e espiãs, levando informações importantes para os revolucionários. Além disso, muitas defenderam ideias de liberdade e transformação social.[3]

Durante muito tempo, sua importância foi pouco valorizada pela história. Porém, a partir da década de 1990, pelo menos, reconhece-se que elas tiveram um papel relevante nos processos de independência, participando ativamente das lutas e apoiando os movimentos emancipatórios.[3]

Essas mulheres não pertenciam apenas à elite, mas também a diferentes estratos sociais, incluindo mulheres pobres, indígenas, negras e mestiças, que contribuíram de diversas formas para os movimentos de independência.

Um exemplo disso foi Policarpa Salavarrieta, amplamente conhecida como “La Pola”,  foi uma heroína e espiã da resistência colombiana contra o domínio espanhol durante o período da Reconquista. Nascida provavelmente em 26 de janeiro de 1795, em Guaduas, Policarpa era a quinta de nove filhos de uma família relativamente abastada. Sua juventude foi marcada pela perda dos pais em uma epidemia de varíola, em 1802, fato que a levou a mudar-se para Guaduas com sua irmã mais velha. Nesse período, recebeu educação formal, aprendeu a ler e escrever e passou a se interessar pelos ideais da Revolução Francesa e pelos direitos humanos, o que contribuiu para a formação de seu espírito revolucionário.[3]

Durante a luta pela independência, Policarpa atuava como mensageira e também recrutava jovens para o exército libertador. Em 1817, porém, foi denunciada por uma criada e acabou presa pelas autoridades espanholas. Embora tenha destruído documentos comprometedores no momento da prisão, a captura de seu noivo, Alejo Sabaraín, revelou uma lista de patriotas assinada por ela, utilizada como prova definitiva pelo exército espanhol. Dessa forma, o Conselho de Guerra a condenou à morte por fuzilamento, executada em 14 de novembro de 1817, na atual Plaza de Bolívar, em Bogotá.

No caminho para a execução, Policarpa recusou o vinho oferecido pelos guardas e discursou para o povo, criticando a passividade diante da luta pela liberdade e incentivando a população a continuar resistindo ao domínio espanhol. Sua coragem transformou-a em um dos maiores símbolos da independência colombiana e da participação feminina nos movimentos de libertação da América Latina.[2]

Outro exemplo foi Maria Cornelia Olivares - nascida em Chillán, no sul do Chile. Destacou-se por sua oratória, realizando discursos em defesa da liberdade em salões e espaços públicos. Foi presa e, como punição, teve a cabeça raspada, sendo exposta à vergonha pública na praça principal da cidade.[2]

Já Águeda Monasterio de Latorre e sua filha, Juana, pertenciam a uma tradicional família chilena. Águeda era esposa de um oficial francês que serviu na Argentina com Liniers e defendia a independência. Ela contribuiu disponibilizando sua casa para reuniões em que eram discutidas ideias de libertação das colônias. Sua filha colaborava escrevendo cartas e transmitindo informações aos insurgentes. Águeda foi presa e, ao se recusar a revelar informações, foi condenada à forca e obrigada a assistir ao suplício da filha, cuja mão foi cortada por escrever cartas consideradas subversivas. Apesar de ser perdoada no último momento, morreu em decorrência de doenças adquiridas na prisão.[2]

E Simona Josefa Manzaneda, nascida em La Paz em 1770, era artesã e participou ativamente da Revolta de La Paz pela independência. Desempenhou um papel importante ao reunir e organizar moradores de seu bairro, que seguiam armados até a Praça de Armas. Após a derrota do movimento, seus líderes foram executados ou presos, enquanto Simona conseguiu fugir e esconder-se em um vilarejo do interior. Em 1814, com a revolta liderada pelos irmãos Angulo, voltou às atividades revolucionárias. Novamente derrotada, foi denunciada, presa e submetida a um julgamento sumário. Recebeu uma punição extremamente violenta: teve a cabeça raspada, foi exibida nua em praça pública montada em um burro, flagelada e posteriormente fuzilada pelas costas. A brutalidade de sua punição provavelmente esteve relacionada à sua condição de mulher mestiça e pobre.[2]

Países americanos que declararam independência entre 1821 e 1825

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Países americanos que declararam independência após 1825

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Após concluir a Guerra Hispano-Americana e depois da assinatura do Tratado de Paris (1898), Cuba, Porto Rico, Filipinas e Guam ficaram sob o controle dos Estados Unidos.

  • Cuba ganhou a sua independência em 20 de Maio de 1902, mas permaneceu sob controle dos EUA sob a Emenda Platt até 1934.
  • Porto Rico continua a ser um Estado livre associado aos Estados Unidos, não sendo ainda hoje um estado independente.
  • Panamá se separou da Colômbia e proclamou a sua independência em 3 de novembro de 1903.

Consequências

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Para a Espanha

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A nação espanhola se mostrou indiferente, dos outros que consideraram um problema. Para os comerciantes e a administração governamental desapareceu uma fonte de rendimento — o fluxo de ouro, essencial para o Tesouro, bem como um importante mercado para exportações espanholas. A Espanha continuou em meio de uma guerra civil, caindo para uma potência de segundo plano entre os Estados europeus.

Para a América

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O movimento de independência devido a seu efeito divisivo foi o resultado natural da fragmentação dos países emergentes. Não houve nenhuma alteração na estrutura administrativa; nem mesmo houve alterações sociais das chamadas castas: criollos, mestiços, pardos, ou para índios e escravos negros. Desapareceu o monopólio comercial e, portanto, o protecionismo, com o empobrecimento de muitas regiões latino americanas que não poderiam competir com as indústrias na Europa. A independência não está ligada a qualquer melhoria econômica ou social ou de administração. Pode-se dizer que o sonho de Bolívar de criar uma América unida, a Grã Colômbia, fracassou.

Também não houve um esforço, por parte da burguesia, em cooperar para a construção dos novos países. Em vez disso, continuaram servir a interesses estrangeiros, como nos tempos coloniais:

A América Latina logo teve suas constituições burguesas, muito envernizadas de liberalismo, mas em compensação, não teve uma burguesia criadora, no estilo europeu ou norte-americano, que se propusesse à missão histórica do desenvolvimento de um capitalismo nacional pujante. As burguesias dessas terras nasceram como simples instrumentos do capitalismo internacional, prósperas peças da engrenagem mundial que sangrava as colônias e as semicolônias. Os burgueses de vitrina, agiotas e comerciantes, que açambarcaram o poder político, não tinham o menor interesse em impulsionar a ascensão das manufaturas locais, já mortas ao nascer quando o livre-cambismo abriu as portas à avalanche de mercadorias britânicas. Seus sócios, os donos das terras não estavam, por sua vez, interessados em resolver "a questão agrária", senão na medida de suas próprias conveniências. O latifúndio consolidou-se sobre o saque, ao longo do século XIX. A reforma agrária foi, na região, uma bandeira precoce.

Galeano, Eduardo (29 de setembro de 2010). As veias abertas da América Latina. [S.l.]: L&PM Editores. p. 118 

Países formados

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Embora esse movimento de independência iria continuar seu processo político, os 7 países que foram criados como um resultado das guerras de independência hispano-americanas foram:

Além disso, houve um movimento que conseguiu independência sem derramamento de sangue e que resultou na criação de outro país:

Estes, depois de processos complexos que ocorreram em anos posteriores resultaram em 16 países da América Latina: Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. No Caribe, a República Dominicana continuará sendo uma parte da Espanha até 1844, enquanto Cuba e Porto Rico continuará o sendo até sua separação, como resultado da Guerra Hispano-Americana em 1898.

Libertadores

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Realistas

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Ver também

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Referências

  1. «Victimario Histórico Militar»
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 POZO, José del. História da América Latina e do Caribe: dos processos de independência aos dias atuais. Cap. 1.5 – “América Espanhola: após a formação de juntas para governar em nome do rei, o confronto”, p. 25-28.Tradução de Ricardo Rosenbusch. Petrópolis: Editora Vozes, 2009. (livrariatraca) Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome ":0" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  3. 1 2 3 POLICARPA SALAVARRIETA. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Policarpa_Salavarrieta. Acesso em: 13 maio 2026.