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Províncias Unidas do Rio da Prata

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Provincias Unidas del Río de la Plata
Províncias Unidas do Rio da Prata
1816  1831
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Hino nacional
Marcha Patriótrica


Localização de Províncias Unidas do Rio da Prata
Localização de Províncias Unidas do Rio da Prata
O território das Províncias Unidas em 1816
  Território sobre domínio efetivo
  Chaco, parte da Pampa argentino e a totalidade da Patagônia argentina, habitados por indígenas e o Alto Peru ocupado pelo realistas
Continente América do Sul
Capital Buenos Aires (1810-1820)
(1826-1827)
Língua oficial Espanhol
Religião Católica
Governo União
História
  1816Independência da Espanha
  1831Pacto Federal
Moeda Real argentino
(desde 1813)
Sol argentino
(desde 1815)
Peso argentino
(desde 1826)

Províncias Unidas do Rio da Prata ou Províncias Unidas da América do Sul (respectivamente, em espanhol: Provincias Unidas del Río de la Plata e Provincias Unidas de Sud América) foram antigas províncias do Vice-reinado espanhol do Rio da Prata, com capital em Buenos Aires, após a independência em 1816. O nome foi usado na constituição de 1819 da Argentina.

Este foi o nome oficial do país até a constituição argentina de 1826, quando o nome República Argentina foi usado pela primeira vez.[1]

Toponímia

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Em 1810, a Primeira Junta utilizou em alguns documentos a expressão «Províncias do Rio da Prata»,[2] enquanto a Junta Grande empregou pela primeira vez a expressão «Províncias Unidas» no seu regulamento de divisão de poderes de 24 de outubro de 1811,[3] que não foi aceito pelo Primeiro Triunvirato, que sancionou o estatuto provisório de 1811; é neste documento que se pode ler pela primeira vez o nome completo «Províncias Unidas do Rio da Prata».

O Congresso de Tucumã, ao sancionar a declaração de independência em 1816, utilizou o nome «Províncias Unidas na América do Sul»,[4] provavelmente escolhido por ser um nome mais inclusivo, visto que as fronteiras do novo Estado ainda não estavam definidas.[5]

Argentina tornou-se o nome mais comum durante a década de 1820. Provém de argentum, que significa prata em latim, pelo que o nome está relacionado com o Rio da Prata. Dado que argentum significa prata, Argentina significa literalmente "relacionado com a prata".[6][7]

O Congresso Geral de 1824 usou «Províncias Unidas do Rio da Prata na América do Sul». No entanto, a designação «Províncias Unidas do Rio da Prata» manteve a sua preferência até que desapareceu paulatinamente após a assinatura do Pacto Federal em 1831.[7]

A designação «República Argentina», atualmente a oficial, foi adotada originalmente pela Constituição de 1826. No entanto, em 1827, dita constituição deixou de ser aplicada. Após o Pacto Federal, popularizou-se «Confederação Argentina» como designação do país, embora já fosse utilizada anteriormente.[7]

Em 1860, a reforma constitucional realizada na Argentina recuperou todos os nomes históricos como nomes cooficiais do país, embora se mantenham em desuso até hoje.[8]

Os gentílicos «rioplatense» e «argentino», que durante a época hispânica foram utilizados para denominar os habitantes criollos que viviam em torno dos grandes rios da bacia do Prata, generalizaram-se depois para se referirem aos habitantes das províncias ao sul do rio Pilaya; enquanto os gentílicos «peruano» e «alto-peruano» mantiveram o seu vigor nas províncias ao norte do rio Pilaya, que permaneceram maioritariamente dominadas pelos espanhóis.

Antecedentes

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Em 1808, Napoleão invadiu Espanha para apoiar o Motim de Aranjuez, uma revolta popular que obrigou Carlos IV a renunciar ao trono em favor de seu filho Fernando VII. Napoleão então interveio para que este cedesse a coroa ao seu irmão, José Bonaparte, e prendeu Fernando VII, o que foi recebido com grande oposição por parte do povo espanhol, desencadeando a Guerra da Independência Espanhola.[9]

Na falta de um rei, formaram-se várias juntas de governo para autogovernar as províncias espanholas. Em 25 de setembro de 1808, a maioria das juntas provinciais uniu-se para formar a Junta Suprema Central, que dirigiu a resistência espanhola contra a França.[10] Na América, as novas autoridades foram amplamente reconhecidas, sendo Baltasar Hidalgo de Cisneros nomeado como vice-rei no Vice-Reino do Rio da Prata.[11] Devido aos fracassos militares perante o grande exército napoleônico, que provocaram a perda de quase toda a Espanha, a Junta foi forçosamente dissolvida em 31 de janeiro de 1810, obrigando os seus membros a refugiarem-se em Cádis e a ceder o poder ao Conselho de Regência de Espanha e Índias.[12]

O desconhecimento de José Bonaparte por parte da elite crioula e o vazio de poder perante a fraca reconstituição deste na Espanha provocaram o surgimento de um movimento de juntas de governo em todos os territórios americanos, apesar do interesse do Primeiro Império Francês em legitimar José Bonaparte.[13]

História

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Período pré-independência: 1810-1816

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Revolução de Maio e Primeira Junta

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Litografia da Primeira Junta. Observam-se os seus integrantes ao redor do presidente, Cornelio Saavedra, localizado ao centro

Ao saber-se em Buenos Aires — capital do Vice-Reino do Rio da Prata — o ocorrido na Espanha com a Junta Suprema Central, em 25 de maio de 1810 o povo da cidade desconheceu a sua autoridade para governar, destituiu o vice-rei Baltasar Hidalgo de Cisneros, declarou rompidos todos os vínculos de governo com as novas autoridades da Espanha e, por meio de um cabildo aberto, designou uma junta de governo, conhecida historicamente como a Primeira Junta, cujo nome completo era «Junta Provisória Governativa das Províncias do Rio da Prata em nome do Senhor Dom Fernando VII». Esta junta, presidida pelo patrício Cornelio Saavedra e com Juan José Castelli, Manuel Alberti, Miguel de Azcuénaga, Juan Larrea e Domingo Matheu como vogais votantes, e Mariano Moreno e Juan José Paso como secretários, assumiu toda a autoridade sobre o território do vice-reino em nome do rei cativo Fernando VII.[14][15][16] No entanto, os historiadores consideram que as proclamações de lealdade a Fernando VII foram um estratagema conhecido como a Máscara de Fernando VII, que ocultava as autênticas motivações independentistas dos seus impulsores a fim de facilitar o seu objetivo.

Esta junta foi a origem do primeiro governo próprio bem-sucedido emancipado do Império Espanhol na América,[17] após o fracasso de três tentativas anteriores imediatas: a Revolução de Chuquisaca, em 25 de maio de 1809, a Junta Tuitiva, em 16 de julho de 1809 — ambas ocorridas no Vice-Reino do Rio da Prata — e a Revolução de 19 de abril de 1810 na Capitania Geral da Venezuela, que foram esmagadas pelos exércitos realistas.[15]

Concluída a jornada revolucionária, surgiram duas posições políticas principais nas províncias e governações-intendências rioplatenses. A primeira era integrada por aqueles que desejavam preservar o Antigo Regime, como a elite eclesiástica, os burocratas vinculados à administração vice-reinal e os ricos comerciantes que beneficiavam do monopólio comercial espanhol; estes últimos estavam consolidados na Real Audiência de Buenos Aires e no Cabildo de Buenos Aires. Por outro lado, os revolucionários abrangiam uma pequena burguesia e uma nova burguesia mercantil. A primeira era integrada por advogados (Mariano Moreno, Juan José Castelli, Manuel Belgrano e Juan José Paso), sacerdotes populares (Manuel Alberti, José Ignacio Grela e Juan Manuel Aparicio), operários (Domingo French, Antonio Luis Beruti, Agustín José Donado, Buenaventura de Arzac, Francisco Mariano de Orma, etc.) e médicos (Cosme Mariano Argerich), influenciados principalmente pelas ideias do Iluminismo e da «soberania popular». O segundo grupo (a burguesia mercantil) estava relacionado com o livre-comércio sancionado em 1809, mas também com o contrabando. Havia famílias crioulas (Riglos, Aguirre, Sarratea, Escalada, Rivadavia, etc.) e britânicas (Miller, Parish, Bellinghurst, Wilde, Robertson, etc.).[18]

Um dos temas debatidos em Buenos Aires foi a falta de representação das demais províncias, pelo que uma das primeiras medidas da junta foi enviar uma circular a cada cidade do vice-reino anunciando a sua criação e solicitando que enviassem deputados.[19] Ao difundir-se a notícia, a Primeira Junta começou a funcionar imediatamente como novo governo. Embora Saavedra fosse o presidente, as medidas políticas da junta eram escolhidas por Moreno e os seus aliados, como Belgrano e Castelli (conhecidos em conjunto como o "morenismo"), que tinham maior influência e eram considerados extremistas, pois inspiravam-se na Revolução Francesa. Por outro lado, Saavedra e os seus seguidores ("saavedrismo") tinham ideias mais moderadas. Existe um documento chamado Plano de Operações, atribuído a Moreno, que contém uma lista de políticas para que o governo provisório vencesse a guerra contra o absolutismo. Alguns autores afirmam que o Plano é apócrifo, enquanto outros, como Norberto Galasso, sustentam que é um documento autêntico.[20]

No âmbito social, ocorreu uma mudança nas crenças coletivas. Uma das conceções fundamentais da normativa jurídica hispânica na América era a do «bem comum», que significa que as medidas tomadas pelo Estado devem ser dirigidas ao bem de todos, e não de um setor específico.[21] Em contraste, os fundamentos doutrinários da junta foram complementados pela «teoria da retroversão da soberania popular», exposta por Castelli, pela qual, ao substituir a autoridade vice-reinal, assumiam-se todas as suas funções e dignidades, exigindo o reconhecimento das demais autoridades do vice-reino e solicitando a eleição de deputados para se somarem à junta.[22]

Quando as cidades das demais províncias receberam a notícia da destituição de Cisneros, algumas reconheceram a autoridade do novo governo, enquanto outras recusaram. Em Córdova eclodiu uma contrarrevolução liderada pelo ex-vice-rei Santiago de Liniers, mas foi sufocada e ele executado.[23] Por outro lado, o Vice-Reino do Peru, que reconhecera a autoridade do Conselho de Regência, considerou ilegítimo o novo governo de Buenos Aires e anexou as intendências e governos do Alto Peru.[20]

Junta Grande

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Em 18 de dezembro de 1810, a junta foi ampliada com os deputados provenientes das províncias, mantendo-se os mesmos membros da junta anterior. A partir desta junta, os documentos começaram a ser redigidos utilizando a frase «os deputados das províncias». O morenismo perdeu a sua maioria e tornou-se uma força política minoritária, enquanto o saavedrismo ganhou proeminência com uma agenda mais moderada. As expedições militares fracassadas da Primeira Junta e os reveses na Campanha da Banda Oriental, como o Combate de San Nicolás (2 de março de 1811), pioraram a situação do governo.

A junta, interessada em centralizar o seu poder, enviou uma expedição militar comandada por Belgrano à Intendência do Paraguai entre 1810 e 1811. No entanto, Belgrano foi derrotado nas batalhas de Paraguarí e Tacuarí, não conseguindo submetê-la, e a junta teve de aceitar a sua independência.[23]

Nos dias 5 e 6 de abril de 1811, os saavedristas congregaram-se na Plaza de la Victoria (atual Praça de Maio) para exigir a destituição dos últimos membros morenistas da junta. Juan Larrea, Miguel de Azcuénaga, Hipólito Vieytes e Nicolás Rodríguez Peña foram expulsos do governo, consolidando o controle saavedrista. Muitos morenistas foram exilados para cidades do interior e para a Patagônia.[24]

Em 23 de setembro de 1811, a Junta Grande foi dissolvida devido à sua ineficácia em governar por ser numerosa, aos fortes conflitos internos e às derrotas militares.

Primeiro Triunvirato

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Em substituição da Junta Grande, criou-se a «Junta Conservadora», mas também se estabeleceu o Primeiro Triunvirato, um órgão colegiado composto por três pessoas, separando assim o poder executivo e o poder legislativo. Foi a primeira autoridade que, ao redigir o Regulamento Orgânico de 22 de outubro de 1811, nomeou no seu artigo 1.º «Os deputados das Províncias Unidas...».[25]

Segundo Triunvirato

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Em 1813, foi convocada a Assembleia do Ano XIII, cujo nome oficial era «Soberana Assembleia Geral Constituinte do Ano XIII», o primeiro congresso que manifestou: «Que reside nela a representação e o exercício da soberania das Províncias Unidas do Rio da Prata...». Embora não tenha redigido uma constituição, estabeleceu atributos da soberania do novo Estado, adotando o brasão nacional, a escarapela e a Marcha Patriótica,[26] que derivou no Hino Nacional Argentino e utilizou os nomes «argentino» e «Províncias Unidas do Sul».[27] Em 12 de março, ditou a revogação da mita, da encomienda, do yanaconazgo e do serviço pessoal indígena, reafirmando que os indígenas eram livres e iguais em direitos aos crioulos e peninsulares.[28]

Diretório

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Em 18 de abril de 1815, o diretor supremo Carlos María de Alvear renunciou, pelo que a Assembleia do Ano XIII dispôs a criação da Junta de Observação, cuja função principal era supervisionar o diretor supremo e redigir o estatuto provisório de 1815, que atuou como uma constituição provisória. Em 20 de abril, este órgão designou José Rondeau como novo diretor supremo.

Período independentista: 1816-1831

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Declaração da Independência

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A declaração de independência das Províncias Unidas do Rio da Prata em 1816

Durante a celebração do Congresso de Tucumã, ocorreu a declaração de independência, em 9 de julho de 1816,[29] adotando-se o nome de «Províncias Unidas na América do Sul», alternado com Províncias Unidas do Rio da Prata. Os congressistas de 1816 declararam a independência de toda a América do Sul dominada pela Espanha e de qualquer outra dominação estrangeira.

A esta declaração não assistiram — exceto Córdova — na época as províncias confederadas na União dos Povos Livres, que reconheciam José Gervasio Artigas como protetor, esperando por um congresso geral. O motivo para a não participação das províncias litorais deveu-se às guerras civis contra o centralismo do Diretório e à invasão luso-brasileira à Província Oriental e à Mesopotâmia argentina.

Congresso Nacional Constituinte de 1826

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Superada a Anarquia do Ano XX, em 1824 todas as províncias reuniram-se no Congresso Nacional Constituinte que, em 1825, deixou as províncias do Alto Peru livres para decidir o seu futuro. O Congresso utilizou a expressão «Províncias Unidas do Rio da Prata na América do Sul».

Em 6 de fevereiro de 1826, o Congresso determinou a instalação urgente do Poder Executivo Nacional. O cargo foi ocupado por Bernardino Rivadavia, o primeiro presidente das Províncias Unidas do Rio da Prata. A Constituição argentina de 1826 utilizou a denominação «República Argentina» pela primeira vez.

Criação de novos Estados

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Em azul, as Províncias Unidas do Rio da Prata em 1823. A Província Oriental invadida pelo Brasil, assim como o Alto Peru, e as Missões ocupadas em grande parte pelo Brasil e pelo Paraguai

As Províncias Unidas, após deixarem os territórios do Alto Peru livres — que se constituíram no novo estado boliviano —, sofreram a separação de Tarija, que se uniu à Bolívia em 1826.

A Província Oriental, que após estar sob domínio português e brasileiro como Província Cisplatina voltou a integrar-se às Províncias Unidas em 1825, acabou por constituir-se no chamado Estado Oriental do Uruguai em 1828, com a assinatura da Convenção Preliminar de Paz que pôs fim à Guerra da Cisplatina.

O Paraguai governou-se desde o início com independência de Buenos Aires. Em 12 de outubro de 1811, ambos os governos assinaram um tratado para unir ambas as províncias numa federação. No entanto, o Paraguai adotou a forma de república em 1813, isolou-se e comportou-se como um estado independente. A sua independência definitiva foi proclamada solenemente em 1842, sendo reconhecida pela Argentina apenas em 17 de julho de 1852.

As províncias da Liga Federal e outras pseudo-independentes deste período viam-se como apenas transitoriamente separadas até à reunião de um congresso geral.

Interregno

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A assinatura do Pacto Federal entre as províncias de Buenos Aires, Entre Ríos e Santa Fé, em 4 de janeiro de 1831, ao qual aderiram as outras dez províncias entre 1831 e 1832, foi o ponto de partida do período de transição entre as Províncias Unidas do Rio da Prata e a Confederação Argentina, finalizado com o regresso de Juan Manuel de Rosas ao governo em 1835.

Moeda de oito escudos de ouro emitida em 1828 nas Províncias Unidas do Rio da Prata

A economia das Províncias Unidas baseava-se principalmente no comércio com o Reino Unido. Após a independência, as províncias lutaram pelo controle econômico. Buenos Aires queria a supremacia econômica, enquanto as províncias do interior queriam liberdade econômica, uma vez que a única alfândega no país era a de Buenos Aires. As estâncias bonaerenses produziam gado vacum; no norte, produzia-se cana-de-açúcar e móveis; na Mesopotâmia, produzia-se erva-mate; e vinhas em Cuyo. As receitas fiscais de Buenos Aires em 1824 eram de $2 596 000, o que a tornava a província mais rica do país.

Geografia

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Localização

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As Províncias Unidas do Rio da Prata faziam fronteira ao sul com a terra ocupada por nativos indígenas do Pampas e Patagônia que era terra natal das nações ameríndias dos Mapuche, Ranquel e Het. Ao norte era limítrofe com o Paraguai e os territórios indígenas do Grande Chaco, então ocupado pela nação Guaycurú. A oeste, limitava-se com a Capitania Geral do Chile, território pertencente à Espanha. E ao leste fazia fronteira com o Brasil (inicialmente pertencente ao Império Português e independente a partir de 1822).

Território

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Províncias Unidas em 1816; em cor violeta, províncias separadas após 1826: 3) Província Oriental, 7) Potosí, 8) Republiqueta de Santa Cruz, 9) Republiqueta de Tarija, 10) Atacama e Antofagasta, 11) Missões Orientais não mesopotâmicas; os círculos azuis assinalam as populações e bases argentinas dessa época na Patagônia, incluindo as ilhas Malvinas.

As Províncias Unidas na América do Sul eram compostas por:

  • Província de Buenos Aires: na época era uma pequena província, já que os territórios das atuais províncias do litoral se haviam separado, e o seu poder provinha da localização estratégica do porto de Buenos Aires. O seu território chegava a sudoeste até ao rio Salado e o seu controle total não excedia um arco maior de cerca de 100 quilómetros a partir da cidade de Buenos Aires, estando o resto do atual território provincial sob controlo dos povos originários pampo-patagônicos, como as etnias querandis e tehuelches, que se foram misturando ou extinguindo devido à invasão da etnia mapuche, exceto na atual província de Santa Cruz. Os mapuches ou araucanos, oriundos do lado ocidental da Cordilheira dos Andes, invadiram desde 1830 os territórios da região pampeana e o norte da Patagônia, "mapuchizando" outros grupos étnicos como os ranquéis e os pehuenches, e dominando os querandis que eram os verdadeiros donos dessas terras e que se encontravam enfraquecidos devido às doenças exóticas do homem branco, como a varíola.
  • Província Oriental: era uma das províncias constituintes da Liga Federal (ou União dos Povos Livres) liderada por José Artigas. Esta liga declarou a sua independência face a Espanha e a outros poderes estrangeiros — isto é, extrarrioplatenses, sendo um deles, à época, o Reino Luso-Brasileiro — em 29 de junho de 1815, no Congresso do Oriente. Grande parte do seu território estava então invadida pelo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (após a Guerra da Cisplatina, no ano de 1828, a Província Oriental foi, por instigação britânica, estabelecida como Estado-tampão e tornou-se independente com o nome de Estado Oriental do Uruguai).
  • Província de Entre Ríos: integrante da União dos Povos Livres.
  • Província de Corrientes: integrante da União dos Povos Livres.
  • Província de Santa Fé: integrante da União dos Povos Livres.
  • Província de Cuyo: enviou representantes por Mendoza, San Juan e San Luis.
  • Província de Córdova: integrante da União dos Povos Livres. Enviou representantes por Córdova e La Rioja, integrando a primeira à União de Povos Livres, enquanto a segunda (La Rioja), separada de Córdova pelas forças unitárias-diretoriais, não chegou a integrar concretamente a liga.
  • Província de Misiones: integrante da União de Povos Livres. As Missões Orientais foram ocupadas por Portugal em 1801.
  • Província de Tucumã: enviou representantes por Tucumã, Santiago del Estero e Catamarca.
  • Província de Salta: enviou representantes pela cidade de Salta e a sua jurisdição, também pelo partido de Jujuy e por Tarija (incluindo esta última a região de Chichas, embora a sua dependência fosse de Potosí).
  • Províncias do Alto Peru:[a] deputados da província de Charcas estiveram presentes tanto na Declaração de Independência de 1816 (José Mariano Serrano, Mariano Sánchez de Loria e José Severo Malabia) como na sanção da Constituição de 1819 (Jaime Zudañes e José Mariano Serrano). Enviou representantes por Charcas.
  • Província de Cochabamba:[a] O Dr. Pedro Carrasco foi deputado por Cochabamba para a Constituição de 1819. Enviou representantes por Cochabamba e Mizque.
  • Comandância de Patagones: no limite do pampa e da Patagônia, em pleno território indígena, era (como hoje é) um partido da província de Buenos Aires. As Ilhas Malvinas haviam sido desocupadas por forças realistas em 1811, sendo colonizadas novamente a partir de 1820 pela já herdeira Nação Argentina.
Mapas de 1820 do território rioplatense. Note que não se distingue entre territórios efetivamente controlados e reclamados.

As Províncias Unidas na América do Sul organizaram-se com base na região abrangida pelo Vice-Reino do Rio da Prata, que havia sido criado quatro décadas antes, em 1776, com capital em Buenos Aires. Desde o primeiro momento, Buenos Aires (os portenhos) tentou impor o seu domínio sobre toda a região através de uma organização unitária (centralista), o que levou a graves lutas civis entre unitários e federais.

As Províncias Unidas encontravam-se em guerra com o Império Espanhol devido à destituição do vice-rei e à eleição de uma junta de governo autônoma em 25 de maio de 1810, conhecida como Primeira Junta. No território das Províncias Unidas, a Guerra de Independência desenvolveu-se principalmente no norte, nas regiões de Tucumã e do Alto Peru, e no leste, na Confederação da União dos Povos Livres, especialmente na Banda Oriental. Neste último caso, a guerra incluiu também o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e, mais tarde, o Império do Brasil.

O destino final das guerras de independência e de fronteiras determinou que, por fim:

  • As quatro províncias do Alto Peru (Chuquisaca, Cochabamba, La Paz e Potosí) formaram o Estado do Alto Peru; entre fevereiro e março de 1825, a Província de Santa Cruz de la Sierra foi invadida por ordens de Antonio José de Sucre e incorporada oficialmente a este novo Estado em 9 de agosto de 1825; em agosto de 1826, Antonio José de Sucre ordenou invadir pela segunda vez a Republiqueta de Tarija, que estava integrada na Intendência de Salta[b] e seria anexada à República da Bolívia; assim como a província de Atacama (que queria fazer parte da Nação Argentina).
  • A Província Oriental organizar-se-ia, por pressões inglesas, de maneira independente como Estado Oriental do Uruguai, a partir de 1828.
  • Um amplo setor das Missões Orientais passaria, após ser invadido, a fazer parte do Brasil, constituindo parte do Rio Grande do Sul (particularmente as regiões "sul", "pampeana" e "missioneira"); e as Missões Ocidentais, a oeste do rio Paraná, passariam para o Estado Autônomo do Paraguai que, após a sua independência definitiva, as integraria nos dois novos departamentos da República, somando-lhes o território ocupado entre o rio Paraná e o rio Uruguai (atual província de Misiones), entre 1834 e 1865.

O Paraguai tornou-se independente de facto de Espanha em 1811, constituindo um Estado que se manteve autónomo das Províncias Unidas na América do Sul, embora inicialmente a Primeira Junta de Buenos Aires tenha tentado estabelecer uma confederação com esse Estado. Após um processo de independência entre 1811 e 1814, e após um forte isolamento, tornou-se definitivamente independente a partir de 25 de novembro de 1842, num congresso que declarou formalmente a independência do Paraguai face à Confederação Argentina, a qual foi reconhecida por esta em 17 de julho de 1852.

As Províncias Unidas na América do Sul limitavam a sul com os territórios indígenas sob controlo das diversas etnias de povos originários. Os mapuches ou araucanos começaram a invadir o território a partir de 1830, e os povos originários subjugados, como os chonks, ranquéis e het (ou querandis), que abrangiam a maior parte da região pampeana e a Patagônia, foram-se misturando ou extinguindo. A norte, na região chaqueña, com os territórios indígenas sob controlo das etnias que os guaranis chamavam pelo insulto depreciativo guaycurús (abipones, mocovís/mokoit, tobas/qom, pilagás e wichis, entre outras) que nominalmente formavam parte do seu território e que segundo o uti possidetis iure de 1810 lhe pertenceriam na pós-independência, considerando-se essa população como argentinos independentes do Império Espanhol.

Ver também

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  1. 1 2 Tornou-se independente da Espanha em 1825 e constituiu-se na República da Bolívia, que rejeitou a sua associação com a Argentina ou com o Peru.
  2. A população de Tarija apoiava a Argentina. Contudo, Antonio José de Sucre organizou, juntamente com o coronel Francisco Burdett O'Connor e com o apoio do coronel local Bernardo Trigo Espejo, as tropas colombianas para invadir Tarija. Deram um golpe de Estado, prendendo e reprimindo os líderes locais; o vice-governador foi destituído e Trigo Espejo tomou posse de facto. Muitos opositores, como os Uriondos e os seus apoiantes, mantiveram a fidelidade às Províncias Unidas (já oficialmente chamadas de Argentina em 1826). O habitante de Tarija José Felipe de Echazú, meses antes deste acontecimento, fora incumbido pela população de pedir que Tarija se constituísse como província argentina. Echazú esteve como deputado em Buenos Aires e, em 30 de novembro, conseguiu promulgar o projeto de lei para que a Republiqueta de Tarija, integrada com a designação de partido em Salta, elevasse a sua categoria a província de Tarija, a qual foi integrada na fracassada Constituição argentina de 24 de dezembro de 1826.

Referências

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  2. Roca, Eduardo (1999). América en el ordenamiento jurídico de las Cortes de Cádiz (em espanhol). [S.l.: s.n.] 32 páginas
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  5. La independencia de las Provincias Unidas en Sudamérica. Gustavo Paz. YouTube
  6. «Denominación» (em espanhol). Argentina.gob.ar. 2 de setembro de 2020. Consultado em 29 de abril de 2026
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  17. Foi a terceira revolução na América que conseguiu sustentar o seu autogoverno até ao presente, depois dos Estados Unidos e do Haiti.
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  29. Zinny 1875, p. 20.

Bibliografia

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