Francisco de Miranda
| Francisco de Miranda | |
|---|---|
Retrato de Francisco de Miranda. | |
| Conhecido(a) por | El Precursor El Primer Venezolano Universal "El Americano más Universal" |
| Nascimento | 28 de março de 1750 |
| Morte | 14 de julho de 1816 (66 anos) |
| Serviço militar | |
| País | |
| Anos de serviço | 1777-1812 |
| Patente | |
| Conflitos | Guerra da Independência dos Estados Unidos Guerras Revolucionárias Francesas Independência da América Espanhola |
Sebastián Francisco de Miranda y Rodríguez de Espinoza (28 de março de 1750 – 14 de julho de 1816), mais conhecido como Francisco de Miranda (es-419), foi um militar e revolucionário venezuelano que lutou na Guerra de Independência dos Estados Unidos, na Revolução Francesa e nas Guerras de independência da América Espanhola. É considerado um precursor da libertação da América do Sul do domínio espanhol e continua conhecido como o "Primeiro Venezuelano Universal" e o "Grande Americano Universal".
Nascido em Caracas, no Vice-Reino de Nova Granada, em uma família abastada, Miranda partiu em 1771 para cursar estudos em Madri e, em seguida, alistou-se no exército espanhol. Em 1780, após a entrada da Espanha na Guerra de Independência dos Estados Unidos, foi enviado a Cuba e combateu os britânicos no Cerco de Pensacola. Acusado de espionagem e contrabando, fugiu para os Estados Unidos em 1783. Miranda retornou à Europa em 1785 e viajou pelo continente, formulando gradualmente seus planos para a independência da América Espanhola. A partir de 1791, participou ativamente da Revolução Francesa, servindo como general durante a Batalha de Valmy e na campanha de Flandres. Associado aos Girondinos, acabou se desiludindo com a Revolução e foi forçado a deixar a França em direção ao Reino Unido.
Em 1806, Miranda lançou uma expedição fracassada para libertar a Venezuela com voluntários dos Estados Unidos. Retornou a Caracas após a eclosão da Guerra de Independência da Venezuela em 1810 e recebeu poderes ditatoriais após a criação da Primeira República da Venezuela. Em 1812, a república entrou em colapso e Miranda foi forçado a assinar um Armistício. Outros líderes revolucionários, incluindo Simón Bolívar, consideraram sua capitulação uma traição e permitiram sua prisão pelas autoridades espanholas. Foi levado a uma prisão em Cádis, onde morreu quatro anos depois.
Primeiros anos
[editar | editar código]Miranda nasceu em Caracas, Província da Venezuela, no Vice-Reino de Nova Granada, e foi batizado em 5 de abril de 1750. Seu pai, Sebastián de Miranda Ravelo, era um imigrante espanhol das Ilhas Canárias que se tornou um comerciante bem-sucedido e abastado, e sua mãe, Francisca Antonia Rodríguez de Espinoza, era uma venezuelana rica.[1] Durante a infância, Miranda desfrutou de uma vida confortável e frequentou as melhores escolas particulares. No entanto, não era necessariamente membro da alta sociedade; seu pai enfrentava discriminação de rivais devido às suas origens canárias.
Educação
[editar | editar código]O pai de Miranda, Sebastián, sempre se esforçou para melhorar a situação da família e, além de acumular riqueza e alcançar posições importantes, garantiu uma educação avançada para seus filhos. Miranda foi inicialmente instruído por jesuítas, Jorge Lindo e Juan Santaella, antes de ingressar na Academia de Santa Rosa.[1]
Em 10 de janeiro de 1762, Miranda iniciou seus estudos na Real e Pontifícia Universidade de Caracas, onde estudou latim, a primeira gramática de Nebrija e o Catecismo de Ripalda por dois anos. Concluiu esse curso preliminar em setembro de 1764 e continuou como estudante avançado. Entre 1764 e 1766, estudou os escritos de Cícero e Virgílio, gramática, História, Religião, Geografia e Aritmética.[1]
Em junho de 1767, Miranda recebeu o grau de bacharel em Humanidades.[1] Não se sabe se ele obteve o título de doutor, já que a única evidência em favor disso é seu próprio testemunho afirmando que o recebeu em 1767, aos 17 anos.
Questões de linhagem étnica
[editar | editar código]A partir de 1767, os estudos de Miranda foram interrompidos em parte devido ao aumento do prestígio de seu pai na sociedade caraquenha. Em 1764, Sebastián de Miranda foi nomeado capitão da milícia local conhecida como Companhia dos Isleños Brancos pelo governador José Solano y Bote. Sebastián comandou seu regimento por cinco anos, mas seu novo título e posição social incomodaram a aristocracia branca (os Mantuanos). Em retaliação, uma facção rival formou sua própria milícia e dois aristocratas locais, Dom Juan Nicolás de Ponte e Dom Martín Tovar Blanco, apresentaram uma queixa contra Sebastián de Miranda.
Sebastián de Miranda pediu e recebeu baixa militar honorária para evitar maiores conflitos com a elite local e passou muitos anos tentando limpar o nome da família e estabelecer a "pureza" de sua linhagem. A necessidade de provar a limpeza de sangue era importante para manter um lugar na sociedade de Caracas, pois era isso que permitia à família frequentar a universidade, casar-se na igreja e ocupar cargos públicos.[1] Em 1769, Sebastián apresentou uma genealogia notarial para provar que sua família não tinha ascendência africana, judaica ou muçulmana, de acordo com os registros do Arquivo Geral da Nação da Venezuela. O pai de Miranda obteve um certificado de limpeza de sangue, que não deve ser confundido com o certificado de nobreza de sangue.[2]
Em 1770, Sebastián comprovou os direitos de sua família por meio de uma patente oficial assinada por Carlos III, que confirmava o título e a posição social de Sebastián.[3] A decisão judicial, no entanto, gerou uma inimizade irreconciliável com a elite aristocrática, que nunca esqueceu o conflito nem perdoou o desafio, o que inevitavelmente influenciou as decisões posteriores de Miranda.[1]
Viagem à Espanha (1771–1780)
[editar | editar código]Após a vitória judicial de seu pai, Miranda decidiu buscar uma nova vida na Espanha e, em 25 de janeiro de 1771, deixou Caracas pelo porto de La Guaira em direção a Cádis, a bordo da fragata sueca Prince Frederick.[1] Miranda desembarcou no porto de Cádis em 1º de março de 1771, onde permaneceu por duas semanas com um parente distante, José D'Anino,[1] antes de seguir para Madri.[3]
Em Madri
[editar | editar código]Em 28 de março de 1771, Miranda chegou a Madri e se interessou pelas bibliotecas, pela arquitetura e pelas artes que encontrou na cidade.[1] Em Madri, prosseguiu seus estudos, especialmente em línguas modernas, pois estas lhe permitiriam viajar por toda a Europa.[1] Buscou também ampliar seus conhecimentos em matemática, história e ciência política, com o objetivo de servir à Coroa Espanhola como oficial militar.[3] Nesse período, dedicou-se ainda a pesquisas genealógicas sobre seu sobrenome para afirmar seus vínculos com a Europa e o cristianismo, algo especialmente importante para ele após as dificuldades de seu pai em legitimar a linhagem familiar em Caracas.[3]
Foi em Madri que Miranda começou a formar sua biblioteca pessoal, que foi ampliando durante suas viagens, reunindo livros, manuscritos e cartas.[3]
Em janeiro de 1773, seu pai transferiu 85.000 reais de vellón (moedas de prata) para ajudá-lo a obter o posto de capitão no Regimento da Princesa.[1]
Primeiras campanhas
[editar | editar código]Durante seu primeiro ano como capitão, Miranda viajou com seu regimento principalmente pelo norte da África e pela província espanhola da Andaluzia. Em dezembro de 1774, a Espanha declarou guerra ao Marrocos, e Miranda participou de seu primeiro combate durante o conflito.[1]
Enquanto Miranda estava designado para guardar os postos de uma presença colonial indesejada no norte da África, começou a perceber semelhanças com a presença colonial espanhola na América do Sul. Seu primeiro feito militar ocorreu durante o Cerco de Melilha (1774–1775), realizado de 9 de dezembro de 1774 a 19 de março de 1775, no qual as forças espanholas conseguiram repelir o sultão Maomé ibne Abedalá.[1] No entanto, apesar das ações realizadas e do perigo enfrentado, Miranda não recebeu nenhuma condecoração ou promoção e foi designado para a guarnição de Cádis.[3]
Apesar do sucesso de Miranda no serviço militar, ele enfrentou várias acusações disciplinares, que iam desde reclamações de que passava tempo demais lendo, até discrepâncias financeiras e, mais gravemente, acusações de violência e abuso de autoridade.[1] Um de seus inimigos mais conhecidos foi o coronel Juan Roca, que o acusou de perda de fundos da companhia e brutalidades contra soldados do regimento de Miranda. O relato da disputa foi enviado ao Inspetor-Geral O'Reilly e acabou chegando ao rei Carlos III, que ordenou a transferência de Miranda de volta para Cádis.[3]
Missões na América (1781–1784)
[editar | editar código]A Revolução Americana
[editar | editar código]A Espanha envolveu-se na Guerra de Independência dos Estados Unidos com o objetivo de expandir seus territórios na Luisiana e na Flórida, além de buscar a reconquista de Gibraltar. O capitão-general da Luisiana, Bernardo de Gálvez, em 1779 lançou várias ofensivas em Baton Rouge e Natchez, assegurando o caminho para a reconquista da Flórida.
As forças espanholas começaram a se mobilizar para apoiar seus aliados americanos, e Miranda foi ordenado a se apresentar ao Regimento de Aragão, que partiu de Cádiz na primavera de 1780 sob o comando de Victoriano de Navia. Miranda apresentou-se ao seu chefe, o general Juan Manuel Cagigal y Monserrat, em Havana, Cuba. A partir de seu quartel-general em Cuba, Cagigal e Miranda participaram do Cerco de Pensacola em 9 de maio de 1781, e Miranda foi condecorado com o título temporário de tenente-coronel durante a ação. Miranda também contribuiu para o sucesso francês durante a Batalha de Chesapeake quando ajudou o conde de Grasse a levantar os fundos e suprimentos necessários para a batalha.[3]
As Antilhas
[editar | editar código]Miranda permaneceu em destaque enquanto estava em Pensacola, e em agosto de 1781, Cagigal enviou secretamente Miranda para a Jamaica a fim de organizar a libertação de 900 prisioneiros de guerra, atender suas necessidades imediatas e adquirir embarcações auxiliares para a Armada Espanhola. Miranda também foi solicitado a realizar trabalhos de espionagem enquanto permanecia com seus anfitriões britânicos. Ele conseguiu realizar uma missão de reconhecimento bem-sucedida e também negociou um acordo datado de 18 de novembro de 1781, que regulava a troca de prisioneiros espanhóis. No entanto, Miranda também entrou em um acordo com um comerciante local, Philip Allwood. Miranda concordou em usar os navios que havia comprado durante sua estadia na Jamaica para transportar as mercadorias de Allwood de volta à Espanha para vendê-las. Em seu retorno, Miranda foi acusado de ser espião e contrabandista de mercadorias inimigas.[1] A ordem para enviar Miranda de volta à Espanha, conforme o julgamento de 5 de fevereiro de 1782 do Conselho Supremo da Inquisição, não foi cumprida devido a várias falhas de forma e de fundo no processo administrativo que fizeram a ordem ser questionada e, em parte, devido ao apoio incondicional de Cagigal a Miranda.
Em 1782, Miranda participou da Conquista das Bahamas e levou a notícia da queda da ilha a Gálvez. Gálvez ficou irritado porque a expedição às Bahamas havia prosseguido sem sua permissão, e prendeu Cagigal e mandou prender Miranda. Este foi posteriormente libertado, mas essa experiência com a oficialidade espanhola pode ter sido um fator em sua posterior conversão à ideia de independência das colônias espanholas na América.[4] A eficiência demonstrada por Miranda nas Bahamas levou Cagigal a recomendar que Miranda fosse promovido a coronel sob o comando do capitão-general das forças espanholas em Cuba, Bernardo de Gálvez, em São Domingos, a que as autoridades espanholas americanas se referiam como Guarico. Não deve ser confundido com o atual estado de Guárico, localizado hoje no centro da Venezuela.
Naquele momento, os espanhóis preparavam uma ação conjunta com os franceses para invadir a Jamaica, que era uma importante fortaleza britânica na região, e Guarico era o lugar ideal para planejar essas operações, por estar próximo da ilha e oferecer fácil acesso para tropas e comandantes. Miranda foi visto como a pessoa adequada para planejar as operações porque tinha conhecimento de primeira mão da disposição das tropas e fortificações na Jamaica. No entanto, a Marinha Real Britânica derrotou de forma decisiva a frota francesa na Batalha dos Saintes, de modo que a invasão não se concretizou e Miranda permaneceu em Guarico.
Exílio nos Estados Unidos
[editar | editar código]Com o fracasso da invasão da Jamaica, as prioridades das autoridades espanholas mudaram, e o processo da Inquisição contra Miranda ganhou força. As autoridades enviaram Miranda para Havana para ser preso e enviado à Espanha. Em fevereiro de 1783, o Ministro das Índias José de Gálvez enviou o capitão-general de Havana, Dom Luis de Unzaga y Amézaga, para prendê-lo. A informação sobre sua iminente prisão chegou a Miranda com antecedência. Consciente de que não teria um julgamento justo na Espanha, Miranda conseguiu, com a ajuda de Cagigal e do americano James Seagrove, escapar em um navio com destino aos Estados Unidos, chegando a New Bern (Carolina do Norte) em 10 de julho de 1783.[5] Durante seu tempo nos Estados Unidos, Miranda fez um estudo crítico de suas defesas militares, demonstrando amplo conhecimento sobre o desenvolvimento do conflito americano e suas circunstâncias.
Enquanto esteve lá, Miranda elaborou e fixou uma técnica de correspondência, usada pelo resto de sua jornada: ele conhecia pessoas através do presente ou empréstimo de livros e examinava de forma metódica a cultura e os costumes dos lugares por onde passava.[6] Ao passar por Charleston, Filadélfia e Boston, relacionou-se com diferentes personagens da sociedade americana. Em Cidade de Nova Iorque conheceu a proeminente e politicamente influente Família Livingston. Aparentemente, Miranda teve um relacionamento romântico com Susan Livingston, filha do chanceler Livingston. Embora Miranda lhe escrevesse durante anos, nunca mais a viu depois de deixar Nova Iorque.
Durante sua estadia nos Estados Unidos, Miranda encontrou-se com muitas pessoas importantes. Conheceu pessoalmente George Washington na Filadélfia. Também conheceu o general Henry Knox,[6] Thomas Paine, Alexander Hamilton,[6] Samuel Adams e Thomas Jefferson. Ele também visitou várias instituições da nova nação que o impressionaram, como a Biblioteca de Newport e o Colégio de Princeton.
Na Europa (1785–1790)
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Grã-Bretanha
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Em 15 de dezembro de 1784, Miranda partiu do porto de Boston na fragata mercante Neptuno para Londres e chegou à Inglaterra em 10 de fevereiro de 1785. Enquanto esteve em Londres, Miranda foi discretamente vigiado pelos espanhóis, que desconfiavam dele. Os relatórios destacam que Miranda teve encontros com pessoas suspeitas de conspirar contra a Espanha e pessoas consideradas entre os estudiosos eminentes da época.
Prússia
[editar | editar código]O primeiro-secretário da embaixada dos Estados Unidos, o coronel William Stephens Smith, que Miranda conhecia de sua estada em Nova Iorque,[6] chegou à Inglaterra aproximadamente na mesma época. O embaixador dos EUA era John Adams. Miranda os visitou muitas vezes e continuou as conversas sobre independência que havia tido com o general Washington, Jefferson, Hamilton, Knox e muitos outros patriotas na Filadélfia, Nova Iorque e outras cidades. Miranda e Smith decidiram viajar para a Prússia[6] para assistir aos exercícios militares preparados pelo rei prussiano Frederico, o Grande. Bernardo del Campo, embaixador da Espanha na capital britânica desde 1783, manteve Miranda entretido com a ideia de que o rei estava prestes a resolver sua situação. Na realidade, ele mantinha Miranda sob vigilância. Quando Miranda anunciou sua repentina viagem ao continente europeu, "alegremente" deu-lhe uma carta de apresentação ao ministro (embaixador) da Espanha em Berlim, que seria encarregado de relatar frequentemente a Madri. James Penman, um empresário inglês de quem Miranda se tornara amigo em Charleston, ficou responsável por guardar seus papéis enquanto ele viajava.
No entanto, o embaixador espanhol havia tramado secretamente para que Miranda fosse preso quando chegasse a Calais, na França, onde poderia ser entregue à Espanha.[6] O plano fracassou porque o venezuelano e seu amigo foram em 10 de agosto de 1785 para um porto holandês (Hellevoetsluis) em vez disso.
Suécia
[editar | editar código]Entre setembro e dezembro de 1787, Miranda viajou pela Suécia, e também visitou a Noruega. Ele chegou a Estocolmo em 21 de setembro de 1787, vindo de São Petersburgo, permanecendo na cidade até 24 de setembro, retornando em 3 de outubro e ficando quase um mês, até 1 de novembro. Levava consigo uma carta de recomendação da imperatriz Catarina, a Grande e também recebeu apoio do embaixador russo em Estocolmo, Andrei Razumóvski. Graças a essas conexões, foi convidado ao Palácio Real de Estocolmo e teve uma audiência com o rei Gustavo III em 17 de outubro. Contudo, o embaixador espanhol em Estocolmo, Ignacio de Corral, exigiu em dezembro que Miranda fosse extraditado, mas nessa época ele já havia partido.[7] Ele não obteve apoio para sua causa, mas mais tarde publicou trechos de seu diário sobre suas experiências na Suécia. Ao visitar Gotemburgo, manteve um caso amoroso com Christina Hall, esposa de John Hall, um dos comerciantes mais ricos da cidade. Também visitou a propriedade de campo da família, a Mansão de Gunnebo, nos arredores da cidade.[8]
Depois, Miranda seguiu para a Noruega e chegou à Dinamarca em 1787. Porém, na imprensa dinamarquesa foi acusado de ser espião da imperatriz da Rússia, e cogitou-se sua extradição para a Espanha. O rei da Dinamarca, no entanto, assegurou-lhe apoio. Francisco de Miranda se entediou na corte dinamarquesa e decidiu viajar para a Alemanha. Ao ver o canal que ligava o mar Báltico ao mar do Norte, imaginou a possibilidade de escavar um no Panamá que unisse o oceano Atlântico ao oceano Pacífico. Em seguida viajou para a Bélgica e para a Suíça e, em 24 de maio de 1789, chegou a Paris.
Rússia
[editar | editar código]Miranda então viajou por toda a Europa, incluindo a atual Bélgica, Alemanha, Áustria, Hungria, Polônia, Grécia e Itália, onde permaneceu por mais de um ano. Depois de passar por Constantinopla, na Turquia, visitou a corte de Catarina, a Grande,[6] que estava em visita a Kiev e à Crimeia. Na Crimeia, Miranda foi recebido pelo influente príncipe Grigori Potemkin e, posteriormente, quando a imperatriz chegou, foi apresentado a ela. Sua estada na Rússia prolongou-se devido à hospitalidade inesperada e à atenção recebida da corte e da imperatriz. Ao perceber os perigos que o cercavam, particularmente a ordem da Inquisição para sua prisão, Catarina decidiu protegê-lo a qualquer custo. Ela instruiu todos os embaixadores russos na Europa a auxiliá-lo de todas as formas e com grande cuidado, a fim de protegê-lo da perseguição. Concedeu-lhe inclusive um passaporte russo. Miranda também foi apresentado ao rei da Polônia, Estanislau II Augusto, com quem trocou muitas ideias intelectuais e políticas sobre a América e a Europa. O rei chegou a convidá-lo a visitar a Polônia. Na Hungria, hospedou-se no palácio do príncipe Nicolau Esterházy, simpatizante de suas ideias, que lhe escreveu uma carta de recomendação para conhecer o músico Joseph Haydn.
As tentativas de sequestro de Miranda por representantes diplomáticos da Espanha fracassaram, pois o embaixador russo em Londres, Semyon Vorontsov, declarou em 4 de agosto de 1789 ao Secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros, Francis Osborne, que Miranda, embora súdito espanhol, era membro da missão diplomática russa em Londres.
Miranda aproveitou a disputa diplomática hispano-britânica conhecida como Crise de Nootka, em fevereiro de 1790, para apresentar a alguns ministros britânicos suas ideias sobre a independência dos territórios espanhóis na América.
Miranda e a Revolução Francesa (1791–1798)
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A partir de 1791, Miranda participou ativamente da Revolução Francesa[6] como marechal de campo. Em Paris, tornou-se amigo dos girondinos Jacques Pierre Brissot e Jérôme Pétion de Villeneuve, e serviu brevemente como general na seção do Exército Revolucionário Francês comandada por Charles François Dumouriez, lutando na campanha de Valmy de 1792.
O Exército do Norte (Armée de la Belgique), comandado por Miranda, sitiou Antuérpia.[6] Quando Miranda (e John Skey Eustace) fracassaram no cerco de Maastricht em fevereiro de 1793, foram presos por ordem de Antoine Quentin Fouquier-Tinville, Procurador-Chefe da Revolução, acusados de conspirar contra a república com Charles François Dumouriez, o general desertor, que rapidamente se bandeou para o inimigo. Embora indiciados perante o Tribunal Revolucionário, e atacados em L'Ami du peuple por Jean-Paul Marat, Miranda e seu advogado Claude François Chauveau-Lagarde conduziram sua defesa com tanta eloquência calma que foram declarados inocentes.[6]
No entanto, Marat denunciou Chauveau-Lagarde como libertador dos culpados. Ainda assim, a campanha de Marat e dos demais membros do jacobinos contra ele não enfraqueceu. Foi preso novamente em julho de 1793 e encarcerado na Prisão de La Force,[6] considerada uma das antecâmaras da morte durante o período do Terror. Comparecendo novamente ao tribunal, acusou o Comitê de Salvação Pública de tirania por desconsiderar sua absolvição anterior.
Miranda sobreviveu por uma combinação de sorte e conveniência política: o governo revolucionário não conseguia chegar a um acordo sobre o que fazer com ele. Permaneceu em La Force mesmo após a queda de Robespierre, em julho de 1794, e só foi libertado em janeiro do ano seguinte.[6] O teórico da arte Quatremère de Quincy esteve entre aqueles que fizeram campanha por sua libertação nesse período.[9] Convencido de que toda a direção tomada pela Revolução estava errada, começou a conspirar com os realistas moderados contra o Diretório Francês, sendo até nomeado como possível líder de um golpe de Estado. Foi preso e expulso do país, mas conseguiu escapar e entrou na clandestinidade.
Reapareceu após receber permissão para permanecer na França, embora isso não tenha impedido seu envolvimento em mais uma conspiração monarquista em setembro de 1797. A polícia recebeu ordem de prender o "general peruano", mas este voltou a esconder-se. Sem mais ilusões sobre a França ou a Revolução, partiu para a Inglaterra em um navio dinamarquês, chegando a Dover em janeiro de 1798.
Expedições na América do Sul (1804–1808)
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Negociações diplomáticas, 1804–1805
[editar | editar código]Em 1804, com ajuda informal britânica, Miranda apresentou um plano militar para libertar a Capitania-Geral da Venezuela do domínio espanhol.[6] Na época, o Reino Unido da Grã-Bretanha estava em guerra com a Espanha, aliada de Napoleão. Home Riggs Popham foi incumbido pelo primeiro-ministro Pitt em 1805 de estudar os planos propostos por Miranda ao governo britânico. Popham então convenceu as autoridades de que, como as colônias espanholas estavam descontentes, seria mais fácil promover uma insurreição em Buenos Aires. Decepcionado com essa decisão em novembro de 1805, Miranda viajou para Nova Iorque, onde retomou contato com William S. Smith para organizar uma expedição de libertação da Venezuela. Smith o apresentou ao comerciante Samuel Ogden.[6]
Venezuela e o Caribe, 1806
[editar | editar código]Miranda seguiu então para Washington para reuniões privadas com o presidente Thomas Jefferson e o Secretário de Estado James Madison, que o receberam, mas não se envolveram em seus planos, pois isso teria violado a Lei de Neutralidade de 1794.[6] Em Nova Iorque, Miranda começou a organizar, de forma privada, uma expedição filibusteira para libertar a Venezuela. Junto com o coronel Smith, levantou fundos privados, adquiriu armas e recrutou soldados da fortuna. Entre os 200 voluntários que serviram sob seu comando nessa revolta estavam William Steuben Smith, filho de Smith, e David G. Burnet, que mais tarde seria presidente interino da República do Texas após sua secessão do México em 1836. Miranda contratou de Ogden um navio de 20 canhões, que rebatizou de Leander[6] em homenagem a seu filho mais velho, e zarpou para a Venezuela em 2 de fevereiro de 1806.

Em Jacmel, no Haiti, Miranda adquiriu outros dois navios, o Bee e o Bacchus, com suas tripulações.[6] Foi em Jacmel, em 12 de março, que Miranda confeccionou e hasteou no Leander a primeira bandeira venezuelana, de sua própria autoria. Em 28 de abril, uma tentativa fracassada de desembarque em Ocumare de la Costa resultou na captura dos navios espanhóis Argos e Celoso, que tomaram o Bacchus e o Bee. Sessenta homens foram presos e julgados em Puerto Cabello, acusados de pirataria. Dez foram condenados à morte, enforcados e esquartejados.[6] Uma das vítimas foi o impressor Miles L. Hall, considerado por isso o primeiro mártir da imprensa na Venezuela.
A bordo do Leander, Miranda conseguiu escapar, sendo escoltado pelo paquete HMS Lilly até as ilhas britânicas de Granada, Trindade e Barbados, onde se encontrou com o almirante Alexander Cochrane. Como a Espanha estava então em guerra com a Grã-Bretanha, Cochrane e o governador de Trindade, sir Thomas Hislop, concordaram em fornecer algum apoio para uma segunda tentativa de invasão da Venezuela.[6]
O Leander partiu de Porto de Espanha em 24 de julho, acompanhado do HMS Express, do HMS Attentive, do HMS Prevost e do HMS Lilly, levando o general Miranda e cerca de 220 oficiais e soldados. Miranda decidiu desembarcar em La Vela de Coro, e o esquadrão ancorou ali em 1º de agosto. No dia seguinte, a fragata HMS Bacchante juntou-se a eles por três dias. Em 3 de agosto, 60 voluntários de Trindade sob o comando do conde de Rouveray, 60 homens sob o coronel Dowie, e 30 marinheiros e fuzileiros do HMS Lilly sob o tenente Beddingfelt desembarcaram. Essa força expulsou as tropas espanholas da praia e capturou uma bateria com quatro canhões de 9 e 12 libras; os atacantes tiveram quatro homens gravemente feridos, todos do HMS Lilly. Pouco depois, botes do HMS Bacchante desembarcaram voluntários norte-americanos, além de marinheiros e fuzileiros. Os espanhóis recuaram, permitindo a captura de dois fortes armados com 14 canhões.[6]
O general Miranda então marchou e capturou Santa Ana de Coro, mas não encontrou apoio entre os moradores da cidade.[6] No entanto, em 8 de agosto, uma força espanhola de quase 2 000 homens chegou e capturou um mestre de transporte e 14 marinheiros que buscavam água, sem o conhecimento do tenente Donald Campbell. Na manhã de 10 de agosto, o HMS Lilly desembarcou 20 homens; este grupo matou uma dúzia de espanhóis, mas conseguiu resgatar apenas um dos marinheiros capturados. O coronel Downie e 50 homens foram enviados, mas o oficial considerou a força inimiga muito forte e recuou. Quando outros 400 homens chegaram de Maracaibo, Miranda percebeu que suas forças eram insuficientes para conquistar ou manter Coro por muito tempo. Em 13 de agosto, ordenou que suas tropas voltassem a zarpar. O HMS Lilly e seu esquadrão levaram-no em segurança, junto com seus homens, para Aruba.[6][10]
Após o fracasso da expedição, o marquês de Casa Irujo, ministro espanhol em Washington, denunciou o apoio dado pelos Estados Unidos a Miranda na tentativa de invasão da Venezuela, em violação à Lei de Neutralidade de 1794. O cabildo de Caracas processou Miranda à revelia, acusando-o de pirataria e traição, e condenando-o à pena de morte. O coronel Smith e Ogden foram indiciados por um grande júri federal em Nova Iorque por pirataria e violação da Lei de Neutralidade de 1794. Levados a julgamento, Smith alegou que suas ordens vieram do presidente Thomas Jefferson e do Secretário de Estado James Madison, que se recusaram a comparecer ao tribunal. Tanto o coronel Smith quanto Ogden foram julgados e absolvidos.[6]
Projeto de ataque à Venezuela, 1808
[editar | editar código]Miranda passou o ano seguinte em Trindade como hóspede do governador Hislop, aguardando reforços que nunca chegaram. Ao retornar a Londres, obteve maior apoio do governo britânico para seus planos após o fracasso das Invasões britânicas ao Rio da Prata (1806–1807). Em 1808, foi reunida uma grande força militar para atacar a Venezuela, sob o comando de Arthur Wellesley, mas a invasão napoleônica da Espanha transformou subitamente a Espanha em aliada da Grã-Bretanha, e a força foi enviada para lutar na Guerra Peninsular.
Primeira República da Venezuela (1811–1812)
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Retorno à Venezuela
[editar | editar código]A Venezuela alcançou a independência de facto na Quinta-feira Santa de 19 de abril de 1810, quando foi estabelecida a Junta Suprema de Caracas e os administradores coloniais foram depostos. A Junta enviou uma delegação à Grã-Bretanha para obter reconhecimento e apoio britânico. Essa delegação, que incluía os futuros notáveis venezuelanos Simón Bolívar e Andrés Bello, encontrou-se com Miranda e o convenceu a retornar à sua terra natal. Em 1811, uma delegação da Junta Suprema, entre eles Bolívar, e uma multidão de populares receberam entusiasticamente Miranda em La Guaira. Em Caracas, ele incentivou o governo provisório a declarar a independência da Espanha, então sob o domínio de José Bonaparte.
Miranda reuniu ao seu redor um grupo de indivíduos com ideias semelhantes e ajudou a fundar a associação Sociedad Patriótica, inspirada nos clubes políticos da Revolução Francesa. No final do ano, as províncias venezuelanas elegeram um congresso para decidir o futuro do país, e Miranda foi escolhido como delegado de El Pao, na província de Barcelona. Em 5 de julho de 1811, o congresso declarou formalmente a independência da Venezuela e estabeleceu uma república. O congresso também adotou seu tricolor como bandeira da República.
Decadência da Primeira República da Venezuela
[editar | editar código]Crise da República
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No ano seguinte, a sorte de Miranda e da jovem República mudou. As forças republicanas não conseguiram subjugar áreas da Venezuela (as províncias de Coro, Maracaibo e Guayana) que permaneceram realistas. Além disso, a perda do mercado espanhol para sua principal exportação, o cacau, causou uma crise econômica que afetou principalmente as classes média e baixa, que perderam o entusiasmo pela República. Por fim, um poderoso terremoto e seus tremores secundários atingiram o país, causando grande número de mortes e sérios danos a edifícios, sobretudo em áreas republicanas.
A situação piorou por ter ocorrido em 26 de março de 1812, quando começavam os serviços da Quinta-feira Santa. A Junta de Caracas havia sido estabelecida também em uma Quinta-feira Santa, em 19 de abril de 1810, de modo que o terremoto ocorreu em seu segundo aniversário no calendário litúrgico. Muitos interpretaram o evento como um sinal da Providência. As autoridades realistas explicaram-no como castigo divino pela rebelião contra a Coroa Espanhola.
O arcebispo de Caracas, Narciso Coll y Prat, referiu-se ao acontecimento como “o terrível, mas merecido terremoto”, que “confirma em nossos dias as profecias reveladas por Deus aos homens sobre as antigas cidades ímpias e orgulhosas: Babilônia, Jerusalém e a Torre de Babel”. Muitos, inclusive membros do exército republicano e a maioria do clero, começaram a tramar secretamente contra a República ou desertaram abertamente. Outras províncias se recusaram a enviar reforços para a Província de Caracas. Pior ainda, províncias inteiras começaram a mudar de lado. Em 4 de julho, uma insurreição levou Barcelona para o lado realista.
Ditadura de Miranda
[editar | editar código]A vizinha Cumaná, agora isolada do centro republicano, recusou-se a reconhecer os poderes ditatoriais de Miranda e sua nomeação de um comandante-geral. Em meados do mês, muitas das áreas periféricas da Província de Cumaná também haviam desertado para os realistas. Nessas circunstâncias, um capitão de fragata da Marinha espanhola, Domingo de Monteverde, que operava a partir de Coro, conseguiu transformar uma pequena força sob seu comando em um grande exército, à medida que pessoas se uniam a ele em sua marcha em direção a Valência, deixando Miranda no comando de apenas uma pequena área da Venezuela central.[11] Nessas circunstâncias críticas, Miranda recebeu do seu governo amplos poderes políticos.
Derrota do exército republicano
[editar | editar código]Bolívar perdeu o controle do Castelo de San Felipe, em Puerto Cabello, junto com seus arsenais de munição, em 30 de junho de 1812. Decidindo que a situação estava perdida, Bolívar abandonou seu posto e retirou-se para sua propriedade em San Mateo. Em meados de julho, Monteverde havia tomado Valência, e Miranda também passou a considerar a causa republicana como perdida. Ele iniciou negociações com os realistas que resultaram em um armistício em 25 de julho de 1812, assinado em San Mateo. Então o coronel Bolívar e outros oficiais revolucionários alegaram que suas ações eram de traição.
Prisão de Miranda
[editar | editar código]Bolívar e outros prenderam Miranda e o entregaram ao Exército Real Espanhol no porto de La Guaira.[12] Por seus aparentes serviços à causa realista, Monteverde concedeu a Bolívar um passaporte, e este partiu para Curaçao em 27 de agosto.[13] Miranda foi ao porto de La Guaira com a intenção de embarcar em um navio britânico antes da chegada dos realistas, embora pelo armistício houvesse anistia para crimes políticos. Bolívar afirmou depois que queria fuzilar Miranda como traidor, mas foi contido pelos outros; seu raciocínio era que, “se Miranda acreditava que os espanhóis cumpririam o tratado, deveria ter permanecido para obrigá-los a cumpri-lo; se não acreditava, era traidor por ter sacrificado seu exército”.[14]
Ao entregar Miranda aos espanhóis, Bolívar garantiu para si mesmo um passaporte das autoridades espanholas (passaportes que, no entanto, haviam sido garantidos a todos os republicanos que os solicitassem, segundo os termos do armistício), o que lhe permitiu deixar a Venezuela sem ser molestado, enquanto Miranda considerava a situação desesperadora.[15]
Últimos anos (1813–1816)
[editar | editar código]Miranda nunca mais voltou a ser livre. Seu processo ainda estava em andamento quando morreu em uma cela da prisão do Presídio das Quatro Torres, no Arsenal de La Carraca, perto de Cádis, aos 66 anos, em 14 de julho de 1816. Foi enterrado em uma vala comum, tornando impossível identificar seus restos mortais, de modo que um túmulo vazio foi deixado em sua homenagem no Panteão Nacional da Venezuela.[16][17]
Ideais de Miranda
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Crenças políticas
[editar | editar código]Miranda esteve longamente associado à luta das colônias espanholas na América Latina pela independência. Ele idealizava um império independente composto por todos os territórios que estiveram sob domínio espanhol e português, estendendo-se do Rio Mississípi ao Cabo Horn. Esse império estaria sob a liderança de um imperador hereditário chamado “Inca”, em homenagem ao grande Império Inca, e teria uma legislatura bicameral.[18] Ele concebeu o nome Colômbia para esse império, em homenagem ao explorador Cristóvão Colombo.[19]
Maçonaria
[editar | editar código]Assim como alguns outros na história da independência americana (George Washington, José de San Martín, Bernardo O'Higgins e Simón Bolívar), Miranda era maçom. Em Londres, fundou a loja "A Grande Reunião Americana".[20]
Vida pessoal
[editar | editar código]Após lutar pela Revolução Francesa, Miranda finalmente fixou residência em Londres, onde teve dois filhos, Leandro (1803 – Paris, 1886) e Francisco (1806 – Cerinza, Colômbia, 1831),[21][22] com sua governanta, Sarah Andrews, com quem mais tarde se casou. Teve amizade com o pintor James Barry, tio do cirurgião James Barry; Miranda ajudou a manter em segredo que este último era biologicamente mulher.[23] Segundo a historiadora Linda de Pauw, "Miranda era um ardente feminista, nomeou mulheres como suas testamenteiras literárias e publicou um apelo apaixonado pela educação feminina um ano antes de Mary Wollstonecraft publicar sua famosa Reivindicação dos direitos da mulher."[24] A biblioteca de Miranda foi vendida em leilão por R. H. Evans. A primeira parte foi vendida em 22 de julho de 1828 (e nos dois dias seguintes) em Londres, e um exemplar do catálogo encontra-se na Biblioteca da Universidade de Cambridge (cota Munby.c.132(12)).
Legado e honrarias
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- Uma pintura a óleo do artista venezuelano Arturo Michelena, Miranda em La Carraca (1896), que retrata o herói na prisão espanhola onde morreu, tornou-se um símbolo gráfico da História da Venezuela e imortalizou a imagem de Miranda para gerações de venezuelanos.
- A Ordem de Francisco de Miranda foi instituída em 1939 para recompensar serviços prestados à ciência, ao progresso do país e ao mérito destacado.
- Em 2006, o Dia da Bandeira da Venezuela foi transferido para 3 de agosto, em homenagem ao desembarque de Miranda em La Vela de Coro em 1806.
- A vida de Miranda foi retratada no filme venezuelano Francisco de Miranda (2006), assim como no filme não relacionado Miranda regresa (2007).
- A obra mais conhecida do compositor venezuelano José Antonio Calcaño é o balé Miranda na Rússia.
- Existem estátuas de Miranda em Ancara, Bogotá, Caracas, Cádis (Espanha), Havana, Londres, Paris, Patras (Grécia), Pensacola (Estados Unidos), Filadélfia, Funchal, San Juan (Porto Rico), São Paulo (Brasil), São Petersburgo (Rússia), Puerto de la Cruz (Espanha) e Valmy (França). Na França, o nome de Miranda permanece gravado no Arco do Triunfo de Paris, construído durante o Primeiro Império Francês, e seu retrato encontra-se no Palácio de Versalhes. Sua estátua está na praça da América Latina, no 17º arrondissement.
- A casa onde Miranda viveu em Londres, 27 Grafton Street (atualmente 58 Grafton Way),[25] em Bloomsbury, possui uma placa azul com seu nome,[26] e funciona atualmente como o Consulado da Venezuela no Reino Unido.
- O arquivo de Miranda encontra-se nos Arquivos Nacionais da Venezuela. Em 2007, a UNESCO adicionou essa coleção de 63 volumes ao seu Registro Internacional Memória do Mundo.[27]
- Em 2016, o Conselho Municipal de Caracas decidiu reabilitar Miranda, absolvendo-o das acusações de traição e pirataria, incluindo a pena de morte, impostas pelos conselheiros coloniais em 1806 após a fracassada tentativa de libertar a Venezuela do domínio espanhol. Na comemoração do bicentenário de sua morte, o Executivo conferiu-lhe postumamente o título de Almirante em Chefe.
O nome de Miranda foi homenageado diversas vezes, incluindo no estado venezuelano de Miranda (criado em 1889), no porto venezuelano de Puerto Miranda, em uma estação de metrô e em uma importante avenida de Caracas, assim como em vários municípios venezuelanos chamados "Miranda" ou "Francisco de Miranda". Uma das Missões bolivarianas, a Missão Miranda, recebeu seu nome. Outras referências incluem a Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, em Caracas; o Parque do Leste, em Caracas; uma praça em Pensacola, Flórida; e o Satélite de Sensoriamento Remoto da Venezuela-1 (VRSS-1, também conhecido como "Satélite Francisco Miranda"), lançado em 2012.
Galeria
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Retrato de Miranda em 1792, por Georges Rouget (1835).
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Nome de Miranda transcrito na base do Arco do Triunfo, coluna 4.
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Busto de Francisco de Miranda em Bogotá, Colômbia.
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Miranda em La Carraca, por Arturo Michelena, 1896.
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Estátua de Francisco de Miranda na Rua Fitzroy, Londres.
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Estátua de Francisco de Miranda em Caracas.
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Estátua de Miranda em Valmy.
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Monumento a Francisco de Miranda em La Vela de Coro, Venezuela.
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Monumento a Francisco de Miranda no Panteão Nacional da Venezuela, Caracas, Venezuela.
Filme
[editar | editar código]Em 2007, foi lançado o filme "Miranda Regresa" dirigido por Henry Herrera, que conta a história de Francisco de Miranda.[28][29]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o Racine, Karen. Francisco de Miranda: A Transatlantic Life in the Age of Revolution Scholarly Resources Inc, Wilmington, DE, 2003
- ↑ «Limpieza de Sangre – Portal Archivo General de la Nación». agnve.gob.ve (em espanhol). Consultado em 19 de junho de 2018. Arquivado do original em 31 de março de 2020
- ↑ a b c d e f g h Thorning, Joseph F. Miranda: World Citizen. University of Florida Press, Gainesville, FL, 1952
- ↑ Chávez p. 209
- ↑ Cazorla, Frank, G. Baena, Rose, Polo, David, Reder Gadow, Marion (2019) The governor Louis de Unzaga (1717–1793) Pioneer in the birth of United States of America and in the Liberalism. Foundation. Malaga. pp. 115–118, 145, 183
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w Hill, Peter P. (dezembro de 2016). «An Expedition to Liberate Venezuela Sails from New York, 1806»
. Historian. 78 (4): 671–689. doi:10.1111/hisn.12336
- ↑ «Statens Fastighetsverk.» (PDF)
- ↑ "Christina Hall." Gamla Göteborg. Arquivado em 2019-12-03 no Wayback Machine 19 August 2018.
- ↑ See David Gilks, "Art and politics during the 'First' Directory: artists' petitions and the quarrel over the confiscation of works of art from Italy in 1796 " French history 26(2012), pp. 53–78.
- ↑ Predefinição:Cite RNB1823
- ↑ Parra-Pérez, Caracciolo. Historia de la Primera República de Venezuela (Caracas: Biblioteca de la Academia Nacional de la Historia,1959), 357–365.
- ↑ Masur (1969), 98–102; and Lynch, Bolívar: A Life, 60–63.
- ↑ «Museu Octagon – Curaçao Art» (em inglês). Consultado em 1 outubro 2016
- ↑ Trend J.B. Bolivar, 85, citando o contemporâneo coronel inglês Belford Wilson e acrescentando que muitos oficiais republicanos foram de fato "aprisionados ou fuzilados".
- ↑ Incorrectly, according to some observers. Trend, J.B. Bolivar and the Independence of Spanish America (New York: Macmillan Co, 1946), 80–83.
- ↑ Branch, Hilary Dunsterville. Venezuela: The Bradt Travel Guide, 3rd ed. (Chalfont St Peter: Bradt Publications, 1999), 62. ISBN 1-898323-89-5
- ↑ Dydyńsky, Krzysztof. Venezuela, 2nd ed. (Hawthorn:Lonely Planet Publications, 1998), 129. ISBN 0-86442-514-7
- ↑ Rumazo González (2006), pp. 140–141.
- ↑ Rumazo González (2006), p. 129.
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- ↑ Edsel González, Carlos. "Miranda Andrews, Francisco", Diccionario de Historia de Venezuela. Caracas: Fundacíon Polar, 1997. ISBN 980-6397-37-1
- ↑ Fundación Polar. "Miranda Andrews, Leandro", Diccionario de Historia de Venezuela. Caracas: Fundacíon Polar, 1997. ISBN 980-6397-37-1
- ↑ du Preez, Hercules Michael (janeiro de 2008). «Dr. James Barry: The early years revealed». Health & Medical Publishing Group. South African Medical Journal. 98 (1): 52–54. PMID 18270643 Texto. Pdf.
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|pós-nome=ignorado (ajuda) - ↑ Jaksic, I. (2006). Andrés Bello: Scholarship and Nation-Building in Nineteenth-Century Latin America. Col: Cambridge Latin American Studies (em francês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 33. ISBN 978-0-521-02759-5
- ↑ «Francisco de Miranda Blue Plaque». londonremembers.com. Consultado em 7 de maio de 2013
- ↑ «Colombeia: Generalissimo Francisco de Miranda's Archives». UNESCO Memory of the World programme. Consultado em 17 de abril de 2025
- ↑ Herói da independência na Venezuela é homenageado com filme, em Manaus, acesso em 11 de julho de 2007
- ↑ Miranda regresa, em espanhol, acesso em 11 de julho de 2007