João Teixeira Soares

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Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo político, etnologista e historiador açoriano, veja João Teixeira Soares de Sousa.
João Teixeira Soares
Nascimento 13 de outubro de 1848
Formiga
Morte 27 de agosto de 1927 (78 anos)
Paris
Cidadania Brasil
Ocupação engenheiro

João Teixeira Soares - (Formiga – Minas Gerais, 13 de outubro de 1848 - Paris, 27 de agosto de 1927) foi um engenheiro ferroviário brasileiro.[1] Foi o sócio brasileiro da Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil empresa ferroviária com sede na Bélgica concessionária de ferrovias no sul do Brasil.

Família[editar | editar código-fonte]

João Teixeira Soares, filho de João José Soares Junior e Francisca Teixeira de Carvalho Soares. Em 1856, a família Soares se estabeleceu na Vila de São Fidélis, no Rio de Janeiro, onde o pai instalou um armazém para a comercialização de café.

A partir dos 12 anos, João Teixeira Soares iniciou sua trajetória longe da família. Primeiro, na cidade do Rio de Janeiro, conseguiu emprego como caixeiro de uma loja de brinquedos, localizada na Rua da Quitanda. Pouco tempo depois, matriculou-se em uma escola na cidade de Congonhas|, onde fez o curso de Humanidades. Em seguida, ingressou em um dos melhores colégios da Província do Rio de Janeiro, , o Colégio Kopke, de Petrópolis. Em sua formatura, recebeu o diploma das mãos do próprio Imperador Pedro II. A formação de Teixeira Soares prosseguiu na Escola Central de Engenharia da Politécnica do Rio de Janeiro, com a obtenção do diploma em Engenharia Civil, em 1872.

Em 2 de março de 1876 casou-se com Zulmira Coelho da Silva e dessa união nasceram nove filhos: João, Manuel, Frederico, Oscar, Cecília, Maria Eugenia, Laura, Alda e Silvia.

O engenheiro, anos mais tarde, acabaria por trabalhar com seus netos, filhos de Cecília Soares. Ela era casada com o advogado Alberto de Sampaio e quatro dos seus sete filhos ainda jovens começaram a trabalhar com o avô na empresa Soares & Cia.. Eles eram Álvaro, Alberto, Bento e João e juntos participaram de vários negócios, com destaque para a instalação da Refinaria de Exploração de Petróleo União S.A[2].. Alberto, que sempre ressaltou a influência do empreendedorismo do avô, João Teixeira Soares, também participou da constituição da Petroquímica União e da UNIPAR – União das Indústrias Petroquímicas S.A., hoje designada Unipar Carbocloro. O Conselho de Administração da empresa tem em sua presidência Frank Geyer Abubakir, descendente direto de João Teixeira Soares.

Ferrovias[editar | editar código-fonte]

Na segunda metade do século XIX, o governo brasileiro investiu na construção da Estrada de Ferro D. Pedro II, denominação alterada para Estrada de Ferro Central do Brasil, após a proclamação da República do Brasil. Uma das principais ferrovias do Brasil, ligação entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Nesse empreendimento, JoãoTeixeira Soares foi admitido como auxiliar e, posteriormente, como engenheiro acampado. Depois de certo tempo, resolveu se afastar do setor ferroviário, período em que atuou na construção de um canal entre Macaé e Campos. Logo depois, viajou para a França, onde visitou importantes obras arquitetônicas e participou de curso sobre estradas e pontes.

Ao retornar ao Brasil, Teixeira Soares foi admitido como engenheiro da Estrada de Ferro D.Pedro II, onde assumiu o cargo de Chefe de Linha, após exercer o cargo interinamente, por solicitação do diretor Francisco Pereira Passos.


Teixeira Soares foi o projetista da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (EFSPRG) que ligou Itararé no estado de São Paulo a Santa Maria no Rio Grande do Sul, com 1403 km de extensão.[1][3] Com sua experiência no setor ferroviário, Teixeira Soares resolveu propor ao governo um estudo para construção de uma estrada de ferro que ligasse as linhas da E.F. Sorocabana em São Paulo com a E.F. Porto Alegre-Uruguaiana, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Após dois anos dos trabalhos de levantamento, D. Pedro II outorgou, em 1889, a concessão dessa estrada de ferro a João Teixeira Soares. No ano seguinte, já com o país sob o sistema republicano, o governo ratificou a concessão por meio do decreto nº305, de 07 de abril de 1890.

Os recursos para construção foram obtidos junto a banqueiros de Paris e Bruxelas, com a constituição da Compagnie Chemins de Fer Sud – Ouest Brésiliens. As obras com início em 1897 foram concluídas em 1910. Nesse intervalo, Percival Farqhuar adquiriu, em 1908, a concessão da Estrada de Ferro São Paulo - Rio Grande - E.F.S.P.R.G e a incorporou a  sua empresa Brazil Railway Company, sendo Teixeira Soares mantido na presidência.    

A concessão exigia a implantação de núcleos que deram origem a cidades como Irati, Rebouças, Rio Azul, Mallet, Dorizon e Paula Freitas. As áreas foram ocupadas por imigrantes eslavos, holandeses e paulistas. Ao mesmo tempo, o conflito conhecido como a Guerra do Contestado, marcou a região entre os anos de 1912 e 1916. Reprimido de forma violenta pelo governo federal, o movimento reivindicava áreas para a população local e para outros que trabalharam na obras e que acabaram ficando na região.

Esteve a frente da construção da Estrada de Ferro Curitiba Paranaguá,[4] com 34 anos, substitui Antonio Ferrucci na chefia da construção. Um de seus projetos mais relevantes é a construção da Estrada de Ferro do Corcovado na cidade do Rio de Janeiro, a primeira ferrovia eletrificada do Brasil.[1] Em 7 de janeiro de 1882 o Decreto Imperial n° 8372 definia concessão para a construção dessa ferrovia aos engenheiros Francisco Pereira Passos e João Teixeira Soares.

  • Estrada de Ferro Vitória a Minas - Presidente Ao lado de Pedro Augusto Nolasco Pereira da Cunha, Teixeira Soares começou a construção da [1]Estrada de Ferro Vitória a Minas e se tornou o primeiro presidente por escolha dos agentes financiadores da obra. Aprovada em 1902 e inaugurada em 13 de maio de 1904, ligava a capital Vitória (Espírito Santo) à Iguatama (Minas Gerais).


A atuação de Teixeira Soares ficou marcada na história em outros empreendimentos ferroviários desenvolvidos no Brasil, bem como de empresas e associações.

  • Estrada de Ferro Goiás: diretor técnico;
  • Estrada de Ferro Noroeste do Brasil: diretor;
  • Estrada de Ferro Paracatu: diretor;
  • Compagnie Auxiliaire des Chemins de Fer Brésiliens: membro do Conselho Administrativo;
  • Estrada de Ferro Sorocabana: membro do Conselho Administrativo;
  • Porto do Rio Grande: membro do Conselho Administrativo;
  • Estrada de Ferro Leopoldina: consultor técnico;
  • Companhia Norte Paraná: presidente;
  • Fabril Paulistana: presidente;
  • Companhia Cruzeiro do Sul: presidente;
  • Associação do Centenário da Independência do Brasil: presidente;
  • Câmara do Comércio Belga do Rio de Janeiro: presidente de Honra;
  • Lloyd Nacional: diretor presidente;
  • Soares associou-se a outro empresário de nome Antônio Rossi e juntos foram buscar com o Governo Federal, autorização para explorarem serviços aéreos postais e de passageiros. A autorização veio a partir do decreto nº 13.244 de 23 de outubro de 1918, e conseqüentemente a importação de alguns aparelhos Caproni e vários Hidro-Clisseurs, o que contribuiu para o início da aviação comercial no Brasil;
  • Membro do Instituto de Engenheiros Civis de Londres, da Sociedade de Engenheiros Coloniais na França, da Sociedade de Geografia de Paris, da Sociedade Nacional de Agricultura e da Liga de Defesa Nacional;
  • Diretor-presidente do Joquey Club, no Rio de Janeiro;  
  • Morro do Castelo: Em 1921, João Teixeira Soares assinou contrato com a Prefeitura do Distrito Federal, liderada pelo Prefeito Carlos Sampaio, para atuar no projeto de derrubada do Morro do Castelo O material retirado era levado ao Aterro do Calabouço, posteriormente denominado Aterro do Flamengo.

Um dos principais de João Teixeira Soares e sua família era a fazenda Santa Alda, na cidade de Além Paraíba, em Minas Gerais, na divisa com o Rio de Janeiro. Nessa propriedade, Teixeira Soares foi o primeiro a plantar o café tipo Conilon no Brasil, produto que ele exportava para Europa. Seu interesse por novos investimentos o levou até Paris, para conhecer as possibilidades da indústria automobilística. No entanto, ele acabou por falecer durante essa viagem.


Homenagens[editar | editar código-fonte]

  • Condecorado, pelo Imperador Pedro II, com a Imperial Ordem da Rosa, em 02 de fevereiro de 1885, pelo trabalho executado durante a construção da ferrovia Paranaguá-Curitiba.
  • Condecorado com Ordem Nacional da Legião de Honra
  • Condecorado com a Ordem de Leopoldo da Bélgica
  • Estação Teixeira Soares: A Estação da Estrada de Ferro foi inaugurada a 1º de janeiro de 1900, recebendo o nome de Teixeira Soares, em homenagem ao engenheiro paranaense Dr. Teixeira Soares, uma das glórias da engenharia nacional. A região em volta da estação chamava-se na época Boa Vista, mas a estação já foi aberta com o nome do engenheiro, que, não por acaso, era diretor e acionista da Estrada de Ferro São Paulo - Rio Grande.
  • Município Teixeira Soares: em 26 de março de 1917, foi criado o Município de Teixeira Soares por lei estadual nº 1.696, sendo instalado logo a seguir, quando foram empossadas as primeiras autoridades municipais. O Gentílico é denominado por: Teixeira-soarense.
  • Clube de Engenharia do Rio de Janeiro: em 13 de outubro de 1911, Teixeira Soares recebe homenagem no Clube de Engenharia.  
  • Monumento Teixeira Soares: a 07 de julho de 1930, na Praça Mauá, na cidade do Rio de Janeiro, foi inaugurado o monumento em memória do engenheiro das estradas de ferro do Brasil.

Teixeira Soares[editar | editar código-fonte]

O município de Teixeira Soares no estado do Paraná foi criado por decreto em 26 de março de 1917. A cidade foi desmembrada de Palmeira. O seu nome é em homenagem ao engenheiro João Teixeira Soares que foi o responsável pela inauguração da estação ferroviária da cidade em 1 de janeiro de 1900.[1]

Referências

  1. a b c d João Quaquio (16 de julho de 2008). «Expansão férrea marca Teixeira Soares». Revista Ferroviária. Consultado em 18 de julho de 2018 
  2. «Refinaria de Capuava». Wikipédia, a enciclopédia livre. 23 de maio de 2019 
  3. João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo. «Viação Férrea do Rio Grande do Sul». As ferrovias do Brasil nos cartões-postais e álbuns de lembranças, p.195. Consultado em 18 de julho de 2018 
  4. Leandro Luiz dos Santos e Diego Antonelli (24 de fevereiro de 2015). «A Primeira Ferrovia». Gazeta do Povo 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]