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John Dollond

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John Dollond
Nascimento
Morte
30 de novembro de 1761 (55 anos)

NacionalidadeInglaterra Inglês
PrêmiosMedalha Copley (1758)
Carreira científica
Campo(s)Óptica

John Dollond (Spitalfields, 10 de junho de 1706Londres, 30 de novembro de 1761)[1] foi um óptico inglês, conhecido por seu bem-sucedido negócio de óptica e por patentear e comercializar dupletos acromáticos.

Biografia

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Dollond era filho de um refugiado huguenote, um tecelão de seda em Spitalfields, Londres, onde nasceu. Ele seguiu o ofício de seu pai, mas encontrou tempo para adquirir conhecimento de latim, grego, matemática, física, anatomia e outras matérias. Em 1752 abandonou a tecelagem de seda e juntou-se a seu filho mais velho, Peter Dollond (1731–1820), que em 1750 havia começado um negócio como fabricante de instrumentos ópticos; este negócio continuou e tornou-se Dollond & Aitchison. Sua reputação cresceu rapidamente, e em 1761 foi nomeado óptico do rei.[2]

Em 1758 publicou um "Relato de alguns experimentos sobre a diferente refrangibilidade da luz",[3] descrevendo os experimentos que o levaram à conquista com a qual seu nome está especialmente associado, a descoberta de um meio de construir lentes acromáticas pela combinação de vidros crown e vidro flint, reduzindo ou eliminando a aberração cromática (distorção devido a franjas coloridas). Leonhard Euler em 1747 havia sugerido que o acromatismo poderia ser obtido pela combinação de lentes de vidro e água. Baseando-se em declarações feitas por Sir Isaac Newton, Dollond primeiro contestou esta possibilidade (Phil. Trans., 1753), mas posteriormente, depois que o físico sueco Samuel Klingenstierna (1698–1765) havia apontado que a lei de dispersão de Newton não harmonizava com certos fatos observados, Dollond começou experimentos para resolver a questão.[2]

No início de 1757 Dollond conseguiu produzir refração acromática com a ajuda de lentes de vidro e água, e alguns meses depois fez uma tentativa bem-sucedida de obter o mesmo resultado por uma combinação de vidros de diferentes qualidades (ver História dos telescópios). Por esta conquista a Royal Society concedeu-lhe a Medalha Copley em 1758, e três anos depois elegeu-o como um de seus membros. Dollond também publicou dois artigos sobre aparelhos para medir pequenos ângulos (Phil. Trans., 1753, 1754).[2]

Em 1761, Dollond tornou-se o óptico do Rei Jorge III. Morreu de apoplexia em 30 de novembro daquele ano em Londres.[4]

Casou-se com Elizabeth Sommelier em 1729.[4] Tiveram dois filhos e três filhas.[5] Sua filha, Sarah Dollond, casou-se com seu vizinho e amigo, o matemático e fabricante de instrumentos Jesse Ramsden.[6]

Prioridade da invenção

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Dollond patenteou o dupleto acromático, que combina vidro crown e vidro flint.

Uma abordagem teórica para reduzir a aberração cromática foi elaborada por Leonhard Euler em artigos que publicou nas Memórias da Academia de Berlim entre 1747 e 1753. John Dollond leu o artigo e conduziu experimentos para construir uma lente acromática e foi a primeira pessoa a patentear o dupleto acromático, que foi concedido em 19 de abril de 1758 por um período de 14 anos.[7] No entanto, ele não foi o primeiro a fazer tais lentes. O óptico George Bass, seguindo as instruções de Chester Moore Hall, fez e vendeu tais lentes já em 1733.[8] No final da década de 1750, Bass contou a Dollond sobre o design de Hall; Dollond viu o potencial e foi capaz de reproduzi-las.[7][9]

Dollond parece ter conhecido o trabalho anterior e absteve-se de fazer valer sua patente.[8] Após sua morte, seu filho, Peter, tomou providências para fazer valer a patente. Vários de seus concorrentes, incluindo Bass, Benjamin Martin, Robert Rew e Jesse Ramsden, entraram com ações. A patente de Dollond foi mantida, pois o tribunal considerou que a patente era válida devido à exploração da invenção por Dollond enquanto os inventores anteriores não o fizeram. Vários dos ópticos foram arruinados pela despesa dos procedimentos legais e fecharam suas lojas como resultado. A patente permaneceu válida até expirar em 1772.[8] Após a expiração da patente, o preço dos dupletos acromáticos na Inglaterra caiu pela metade.[10]

Ver também

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Referências

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  1. Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  2. a b c Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  3. Dollond, John (1758). «Account of some experiments concerning the different refrangibility of light». Royal Society. Philosophical Transactions. 50 (1757 - 1758): 733–743. JSTOR 105323. Consultado em 11 de fevereiro de 2025 
  4. a b «Boots Hidden Heroes - John Dollond». Boots UK. Consultado em 29 de julho de 2023 
  5. Rudd, M. Eugene (2007). «Dollond, John». The Biographical Encyclopedia of Astronomers. [S.l.: s.n.] 303 páginas. ISBN 978-0-387-31022-0. doi:10.1007/978-0-387-30400-7_369 
  6. «Jesse Ramsden - Biography». www-groups.dcs.st-and.ac.uk. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. Arquivado do original em 2 de maio de 2012 
  7. a b Watson, Fred (2007). Stargazer: the life and times of the telescope. [S.l.]: Allen & Unwin. pp. 140–55. ISBN 978-1-74175-383-7 
  8. a b c Daumas, Maurice, Scientific Instruments of the Seventeenth and Eighteenth Centuries and Their Makers, Portman Books, London 1989 ISBN 978-0-7134-0727-3
  9. Willach, R. (31 de julho de 1996). «New light on the invention of the achromatic telescope objective». Notes and Records of the Royal Society of London (em inglês). 50 (2): 195–210. ISSN 0035-9149. doi:10.1098/rsnr.1996.0022 
  10. Ronald Pearsall, Collecting and Restoring Scientific Instruments, David and Charles, London 1974, ISBN 0-7153-6354-9

Ligações externa

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Precedido por
Charles Cavendish
Medalha Copley
1758
Sucedido por
John Smeaton