Língua chaha

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Chaha
Falado em: Etiópia
Total de falantes: 440 mil
Família: Afro-asiática
 Semítica
  Semítica Meridional
   Semítica Etiópica
    Sem. Etiópica Sul
     Sem.Etióp.S.Externa
      Gurage Oeste
       Chaha
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: sem
ISO 639-3: sgw

Chaha (em Chahae em Amárico ቸሃ čehā or čexā) é uma língua semítica falada na região central da Etiópia, principalmente na Zona de Gurage pelo povo Gurage e ainda por migrantes da etnia que se estabeleceram em cidades maiores do país, como em Adis Abeba. A língua Chaha é reconhecida por muitos linguistas e fonologistas por ter uma morfo-fonologia muito complexa.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Conforme Ethnologue, os dialetos do SBG (Sebat Bet Gurage) são Chaha (čäxa), Ezha (äža), Gumer (ou Gwemare, gʷämarä), Gura, Gyeto (ou Gyeta, gʸäta), Muher (ou Mwahr, mʷäxǝr). Porém, alguns desses são por vezes considerados, não sem razão, como idiomas. Especialmente, o Muher diverge muito dos demais dialetos de forma a muitas vezes não ser sequer tratado como uma língua do Gurage-Oeste que engloba a Chaha. (Conf. Hetzron72).

Aqui será focado mais o dialeto Chaha, o qual foi bem mais estudado que os demais, e os exemplos, a menos que indicados de forma diversão, são realmente Chaha.

Fonologia e Ortografia[editar | editar código-fonte]

Consoantes e vogais[editar | editar código-fonte]

Sebat Bet Gurage (SBG) tem um significativo conjunto de fonemas bem típico das línguas semíticas etiópicas Existe o grupo usual de consoantes ejetivas, bem como planas surdas e sonoras. Há também uma significativa presença de consoantes palatizadas e labializadas, maior do que nas demais línguas Semíticas Etiópicas.


As tabelas que se seguem mostram os sons da forma dialetal básica, o Chaha, Assim como há muitos fonemas, há muita controvérsia por causa da complexa morfo-fonologia (re. Banksira). Para melhor representar os sons SBG, aqui há modificações para um sistema que é comum, mas não universal, entre os lingüistas que trabalham com as línguas semíticas etiópicas, que difere um pouco dos padrões IPA . Onde os símbolos IPA são diferentes, isso é indicado entre colchetes no texto.

Consoantes
Labial Dental Palato-alveolar Palatal Velar Glotal
Simples Labialização "arredondada" Simples Labialização “arredondada”
Ejetiva Surda p t k
Sonora b d g
Consoante ejetiva ḳʸ ḳʷ
Africada Surda č
Sonora ǧ
Consoante ejetiva č̣
Fricativa Surda f s š x h
Sonora z ž
Nasal m n
Aproximante β w l y
Tepe r

Além das sete típicas vogais das Etiópicas, SBG tem vogal semi-aberta (ɛ) e posterior (ɔ). Alguns dialetos apresentam fonemas vogais curtos, longos e nasalizados.

Vogais
Anterior Central Posterior
Alta (fechada) i ə u
Meio-Fechada e o
Meio-Aberta ɛ ä
Baixa (aberta) a

Morfo-fonologia[editar | editar código-fonte]

Além das características complexas da morfologia verbal das línguas semíticas, o SBG apresenta outro nível adicional de complexidade por causa das intrincadas relações entre o conjunto de consoantes na raiz “trilateral” do verbo e como isso é percebido numa forma particular desse verbo ou de um substantive derivado desse verbo. Por exemplo: o verbo cujo significado é 'abrir' tem sua raiz consistindo das consoantes {kft} (como ocorre na maioria das línguas Semíticas - Etiópicas).

Em algumas formas de verbos se percebem essas consoantes. Como exemplo, a 3ª pessoa singular masculina –passado perfeito (ele abriu) é käfätä-m. Porém, quando se usa a forma impessoal desse verbo, significando aproximadamente 'ele (aquilo) foi aberto', duas das consoantes da raiz trocam de posição äč-i-m.

Ao menos três diferentes processos fonológicos ocorrem na morfo-fonologia SBG.

Suavização e "geminação"[editar | editar código-fonte]

Na maioria das línguas etiópicas –semíticas, a geminação, ou seja, o alongamento de uma consoante, representa um papel para distinguir uma palavra de outra e também na gramática dos verbos. Por exemplo, na língua amárica a segunda consoante de um grupo de três que forma uma raiz verbal, se for duplicada, indica o tempo passado simples: {sdb} 'insultar', ddäbä 'ele insultou'. Em Chaha e em outros dialetos SBG (não em Ezha ou Muher), a geminação é substituída pela suavização (redução sonora do fonema). Exemplo: a raiz verbal que significa 'insulto' é a mesma em SBG ou em Amárico (com b substituído por β), mas no passado imperfeito a segunda consoante se transforma em t nos dialetos não geminados - täβä-m 'ele insultou'.

É óbvio que somente consoantes fortes podem ser suavizadas: b/βp, dt, gk, , ǧč, , , zs, žš.

A forma "suavizada/geminada de r é n. Outras consoantes fortes não são suavizadas.

Labialização[editar | editar código-fonte]

Muitos processo morfológicos levam à labialização (arredondamento) das consoantes. For example, from the three-consonant verb root {gkr} 'be straight', there is the derived adjective ǝǝr 'straight'.

Labial and velar consonants can be labialized: p, b, βw, f, k, ḳʷ, g, x.

Palatalização[editar | editar código-fonte]

Diversos processos morfo-fonológicos fazem as consoantes serem palatizadas. Por exemplo, a 2ª pessoa feminina singular dos verbos no passado imperfeito e no imperativo/jussivo palatiza uma das consoantes (se for palatizável): {kft} 'abrir', tǝkäft 'você (masc.) abre', tǝkäfč 'você (fem.) abre'.

Consoantes velares e denatais podem ser palatizadas: tč, č̣, dǧ, sš, zž, k, ḳʸ, g, x. r palataliza para y.

Em um caso morfológico há processo inversos (“despalatização”) ; No imperativo/jussivo de uma classe de verbos, a primeira consoante da raiz perde a palatização (se isso for possível). Por exemplo: o verbo que significa 'retornar' (transitivo) tem as consoante {žpr} naraiz; mas, em algumas formas teremos žäpärä-m 'ele retornou', mas a ž é despalatizaca para z no imperativo - zäpǝr 'retorne! (masc.)'.

Alofones[editar | editar código-fonte]

As relações entre n, r, l são complexas. Ao menos na raiz verbal, [n] e [r] podem ser tratadas como alofones de um único fonema. A consoante é percebida como [n] no início da palavra, quando ocorrer num ambiente de geminação, mas quando ela termina a penúltima sílaba é percebida como [r] appear.

  • nämädä-m 'ele apreciou', tä-rämädä-m 'ele foi apreciado'
  • yǝ-βära 'ele come', na-m 'ele comeu' ("geminado")
  • räpätä-m 'ele gastou algum tempo', wä-sämbǝt 'gastar algum tempo' (o n, como em português, se torna m em função do b que se segue)

Banksira também questiona que o k seria um alofone de x – e dinda b um alofone de β.

Ortografia[editar | editar código-fonte]

SBG é escrito com a escrita Ge’ez ou Etíope, a qual foi desenvolvida para a hoje extinta Ge'ez e é hoje conhecida por seu uso nas línguas amárica e tigrínia. Embora haja relativamente poucos textos na língua chaha, três romances foram publicado nesse dialeto, os quais foram escritos por Sahlä Sǝllase e Gäbräyäsus Haylämaryam.

Para representar as consoantes palatizadas em Ge'ez, Amárico ou Tigrinia caracteres modificados foram introduzidos na escrita, usando, por exemplos, diacríticos em algumas letras. O primeiro uso para isso fopi no Novo testamento publicado pela “Ethiopian Bible Society”, o que se estendeu depois a toda a Bíblia e, por fim, passou a uso geral.


Referências[editar | editar código-fonte]

Em Inglês

  • Banksira, Degif Petros. (2000). Sound Mutations: the Morphophonology of Chaha. Amsterdam: John Benjamins. ISBN 90-272-2564-8.[1]
  • Goldenberg, Gideon. (1977). "The Semitic Languages of Ethiopia and Their Classification", in: Bulletin of the School of Oriental and African Studies 40, pp. 461–507 [=Selected Writings, pp. 286–332].
  • Goldenberg, Gideon. (1987). "Linguistic Interest in Gurage and the Gurage Etymological Dictionary". Review article of W. Leslau, Etymological Dictionary of Gurage (see below). in: Annali, Istituto Universitario Orientale di Napoli 47, pp. 75–98 [=Selected Writings, pp. 439–462].
  • Robert Hetzron|Hetzron, R. (1972). Ethiopian Semitic: studies in classification. Manchester: Manchester University Press. ISBN 0-7190-1123-X. But his conclusions are not accepted by all. Refer Etymological Dictionary of Gurage by Wolf Leslau.
  • Hudson, Grover. (ed.) (1996). Essays on Gurage Language and Culture. Dedicated to Wolf Leslau on the occasion of his 90th birthday. Wiesbaden: Harrassowitz. ISBN 3-447-03830-6. [2]
  • Wolf Leslau|Leslau, W. (1950). Ethiopic Documents: Gurage. Viking Fund Publications in Anthropology, No. 14. New York: The Viking Fund.
  • Leslau, Wolf. (1965). Ethiopians Speak: Studies in Cultural Background. Berkeley: University of California Press.
  • Polotsky, H.J. (1951). Notes on Gurage grammar. Notes and Studies published by the Israel Oriental Society, No. 2 [=Collected Papers, pp. 519–573].
  • Shack, William A. and Habte-Mariam Marcos (1974). Gods and heroes, Oral Traditions of the Gurage of Ethiopia. Oxford: Clarendon Press. ISBN 0-19-815142-X.

Em Alemão

  • Bustorf, Dirk and Carolyn M. Ford. (2003). "Chaha Ethnography”, in: Siegbert Uhlig (ed.): Encyclopaedia Aethiopica, vol. 1: A-C, Wiesbaden: Harrassowitz Verlag, p. 664.
  • Ford, Carolyn M. (2003). "Chaha language", in: Siegbert Uhlig (ed.): Encyclopaedia Aethiopica, vol. 1: A-C, Wiesbaden: Harrassowitz Verlag, p. 663f.
  • Leslau, Wolf. (1979). Etymological Dictionary of Gurage (Ethiopic). 3 vols. Wiesbaden: Otto Harrassowitz. ISBN 3-447-02041-5
  • Leslau, Wolf. (1981). Ethiopians Speak: Studies in Cultural Background. Part IV : Muher. Äthiopistische Forschungen, Band 11. Wiesbaden: Franz Steiner Verlag. ISBN 3-515-03657-1.
  • Leslau, Wolf. (1983). Ethiopians Speak: Studies in Cultural Background. Part V : Chaha - Ennemor. Äthiopistische Forschungen, Band 16. Wiesbaden: Franz Steiner Verlag. ISBN 3-515-03965-1
  • Leslau, Wolf. (1992). Gurage Studies: Collected Articles. Wiesbaden: Otto Harrassowitz. ISBN 3-447-03189-1. [3]

Em Francês

  • Cohen, Marcel (1931). Études d'éthiopien méridional. Société Asiatique, Collection d'ouvrages orientaux. Paris: Geuthner.
  • Goldenberg, Gideon. (1974). "L'étude du gouragué et la comparaison chamito-sémitique", in: Accademia Nazionale dei Lincei, Roma - Problemi attuali di Scienza e di Cultura, Quaderno N. 191 II, pp. 235–249 [=Studies in Semitic Linguistics: Selected Writings by Gideon Goldenberg, Jerusalem: The Magnes Press 1998, pp. 463–477].
  • Polotsky, H.J. (1938). "Études de grammaire gouragué", in: Bulletin de la Société de Linguistique de Paris 39, pp. 137–175 [=Collected Papers by H.J. Polotsky, Jerusalem: The Magnes Press 1971, pp. 477–515].
  • Polotsky, H.J. (1939). "L labialisé en gouragué mouher", in: GLECS 3, pp. 66–68 [=Collected Papers, pp. 516–518].

Em italiano

  • Hetzron, Robert. (1977). The Gunnän-Gurage Languages. Napoli: Istituto Orientale di Napoli.

Referências externas[editar | editar código-fonte]