Leila Khaled

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Leila Khaled, 2009

Leila Ali Khaled (Haifa, 9 de Abril de 1944) é uma militante da Frente Popular para a Libertação da Palestina que se tornou famosa nos anos 1970 por ser uma das poucas mulheres árabes envolvidas em atividades de guerrilha. Atualmente é membro do Conselho Nacional Palestiniano.

Leila nasceu em Haifa, então parte integrante do Mandato Britânico da Palestina, numa família árabe de catorze irmãos. Aos quatro anos de idade ela e a sua família tiveram que abandonar a cidade devido à criação do estado de Israel em 1948 e à guerra que se seguiu. A família fixou-se num campo de refugiados em Tiro, no sul do Líbano.

Na adolescência juntou-se ao Movimento Nacionalista Árabe. Em 1963 mudou-se para o Kuwait, onde trabalhou como professora de inglês, enviando parte do dinheiro para sustentar sua família. Foi neste país que se tornou membro da Frente Popular para a Libertação da Palestina, organização marxista-leninista liderada pelo médico cristão ortodoxo George Habache, fundada após a derrota árabe na Guerra dos Seis Dias em 1967.

No mesmo ano Leila mudou-se para a Jordânia, onde foi treinada por Wadi Haddad (co-fundador da Frente Popular para a Libertação da Palestina) sobre como desviar aviões. No dia de 29 de agosto de 1969 Leila e o colega Salim, integrados na unidade de comando Che Guevara da Frente Popular de Libertação da Palestina, desviaram um voo da TWA que ia de Roma para Tel Aviv, forçando o Boeing 707 a aterrisar em Damasco. Embora todos os passageiros tivessem saídos ilesos, o caso gerou grande atenção mediática, dado envolver o sequestro de um avião por uma mulher árabe. Na época tornaram-se muito famosas as fotografias de Leila usando o keffiyeh árabe, um anel feito com uma parte de uma granada e portando um fuzil automático Kalashnikov.

Leila Khaled em grafite no Muro da Cisjordânia, perto de Belém.

Antes de proceder à sua segunda ação, Leila submeteu-se por seis meses à uma série de cirurgias plásticas a fim de passar despercebida às forças de segurança de Israel.

No dia 6 de setembro de 1970 Leila e Patrick Arguello sequestraram um voo da companhia israelita El Al que viajava de Amesterdão para Nova Iorque. Agentes de segurança de Israel que viajavam no avião disparam sobre Arguello, que viria a falecer. Leila ficou inconsciente devido a um golpe na cabeça. O piloto levou o avião para o aeroporto de Heathrow, em Londres, onde Leila foi detida, tendo permanecido vinte e três dias presa na Ealing Police Station. O objetivo fracassado da missão era levar o avião para a Jordânia, onde outros dois aviões integrados numa operação da Frente Popular foram explodidos.

Documentos revelados em 2001 mostram que Leila Khaled foi libertada graças a negociações secretas com a Frente Popular para a Libertação da Palestina. O grupo havia sequestrado um avião, no qual viajavam 56 passageiros britânicos, alguns dias após o fracasso da missão de Leila, e pediu a libertação da militante em troca dos reféns.[1]

Depois de 1970, o envolvimento de Leila na luta palestiniana tornou-se mais discreto. Foi membro da OLP até 1982. É hoje membro do Conselho Nacional Palestiniano e participa regularmente em eventos como o Fórum Social Mundial.

Em 2015, ela denunciou o Daesh e seus métodos, durante uma visita à África do Sul [2] e afirmou que o Estado Islâmico é, de fato, uma organização sionista e norte-americana.[3]

Atualmente, Leila Khaled vive em Amã, Jordânia, com o seu segundo marido, o médico Fayez Rashid. Tem dois filhos, Bader e Bashar.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Em 2005, Lina Makboul, uma jornalista sueca de origem palestina, realizou um documentário sobre a vida de Leila, intitulado Leila Khaled, Hijacker. [4] O filme estreou em novembro de 2005, no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA).[5]

Referências

  1. Black September: Tough negotiations. BBC, 1º de janeiro de 2001
  2. Palestinian Activist Leila Khaled Condemns "Terrorist" IS. Naharnet Newsdesk, 6 de fevereiro de 2015.
  3. ISIS Is a Zionist-American Organization, Says BDS Heroine. Por Jonathan Marks, 17 de fevereiro de 2015.
  4. Murphy, Maureen Clare (9 de abril de 2007). «Violence or nonviolence? Two documentaries reviewed». Electronic Intifada 
  5. Leila Khaled – Hijacker

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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