Lilium martagon

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaLilium martagon
Türkenbund Lilie, Lilium martagon.JPG
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Angiospermas
Clado: Monocotiledóneas
Ordem: Liliales
Família: Liliaceae
Género: Lilium
Espécie: L. martagon
Nome binomial
Lilium martagon
L.[1]
Lilium martagon na natureza.

Lilium martagon, comummente conhecida como martagão[2] ou lírio-mártago[3], é uma planta herbácea, perene e bulbosa, pertencente à família das Liliáceas e ao tipo fisionómico dos geófitos[4].

Nomes comuns[editar | editar código-fonte]

Dá ainda pelos seguintes nomes comuns: cangorea[5][6], lírio-amarelo[7], lírio-martagão[5][6], perendós[5][6] (também grafado perendoa[5][6] e perendoso[5][6]).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

No que toca ao nome científico:

  • O epíteto específico, Martagon, e, por arrasto, os nomes comuns, martagão e lírio-mártago, provêm do étimo túrquico "martagān", que significa «turbante», em alusão à configuração das tépalas recurvas desta flor.[2]

No que toca aos nomes comuns:

Os nomes «martagão» e «mártago», já se explicaram supra, quando se discorreu a respeito do epíteto específico.

Os nomes «perendós», «perendoa» e «perendoso», provém do galego e do galaico-português, e serão uma corruptela arcaica do castelhano prendehueso que significa "prende osso", isto por alusão à mezinha medieval que se servia da raiz macerada desta planta, para fazer unguentos, usados na cicatrização de ossos partidos.[9]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma planta herbácea, dotada de um boldo de formato globoso-ovóide, com cerca de 3 a 5 centímetros de diâmetro.[5]

O caule do martagão tem uma coloração matizada entre o verde e o castanho-arroxeado, tanto pode ser integralmente glabro, como pode mostrar-se pubescente na extremidade superior, medindo entre 60 e 180 centímetros.[5]

As folhas são primaveris, tanto podem ser integralmente glabras, como podem mostrar-se pubescentes nas nervuras da contraface.[5] As folhas médias medem entre 7 a 15 centímetros de comprimento por cerca de 1 a 6 centímetros de largura.[5] Os verticilos, em que as folhas assentam, medem cerca de 5 a 10 centímetros, são marcadamente separados e assumem formatos que variam entre o lanceolado e o oval.[1]As folhas das extremidades são mais reduzidas, têm um posicionamento alternado ou subposto e têm um feitio lanceolado.[5]

Os racimos albergam entre 1 a 12 flores pendulas, as quais se posicionam alternadamente.[5] As brácteas tanto podem ser solitárias como emparelhadas, têm um feitio lanceolado muito estreito e tanto podem ser integralmente glabras, como podem ser ciliadas junto à margem.[5] Os pedicelos são patentes e recurvos na ponta, mesmo antes de rematar na flor.[5]

As flores têm um perfume característico e uma coloração que alterna, tipicamente, entre o rosa e o roxo, com manchas escuras.[10]Um grande número de flores nasce em cada planta, e podem ser encontradas até 50 em plantas mais vigorosas.[11] O perianto é estrelado.[5]

As tépalas são muito recurvas e têm um formato lanceolado e largo.[1] Exibem uma coloração entre o rosa-escuro e o violeta, com manchas geralmente escuras, embora excepcionalmente também possam ser brancas. Medem entre 25 a 40 milímetros de comprimento e entre 12 a 15 milímetros de largura.[5] O nectário costuma ter manchar negras.[5] Os filamentos estaminais costumam medir cerca de 28 a 35 milímetros, apresentando uma coloração entre o creme e o verde-esbranquiçado.[5] As anteras medem cerca de 8 a 11 milímetros e são vermelhas ou amarelas, com pólen amarelado ou alaranjado muito fragrante.[5]

Distribuição[editar | editar código-fonte]

O martagão é uma espécie de larga distribuição euro-asiática, marcando presença a Sul, Centro e Leste do continente europeu e em grande parte das regiões temperadas da Ásia.[4]

Portugal[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma espécie autóctone de Portugal, mais concretamente de Portugal Continental[12], ocorrendo, dispersa, nalgumas áreas montanhosas do Noroeste Montanhoso, da Terra Fria Transmontana, do Centro-Leste de Campina e do Centro-Leste Montanhoso.[4][13]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Dá-se entre matagais densos, especialmente a coberto de bosques caducifólios, como carvalhais, sendo certo que também medra em clareiras e orlas de bosques.[4][14]

Vulnerabilidade[editar | editar código-fonte]

Está contemplada na Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental [13], tratando-se de uma espécie vulnerável, nos termos da categorização da IUCN.[14]

Esta avaliação fica-se a dever à reduzida extensão de ocorrência e área de ocupação desta espécie em Portugal, cerceada tão-só a 10 localizações conhecidas.[13] Em suma, tem-se também vindo a assinalar um declínio prolongado da qualidade do habitat natural desta espécie.[13]

Com efeito, em Portugal, o número de espécimes de martagão, estima-se que ronde entre os 2.500 e os 10.000 indivíduos.[13]

Ameaças[editar | editar código-fonte]

Elencam-se inúmeros perigos que, concertadamente, podem fomentam a degradação dos bosques caducifólios e dos matagais que servem de habitat ao martagão.[13]

Em primeira linha de conta, sobressaem os reiterados incêndios florestais; a crescente expansão de espécies arbóreas exóticas, incluindo eucaliptos, que põem em causa a manutenção do habitat do martagão; bem como as práticas de gestão florestal inadequadas.[13]

Outra das ameaças para esta espécie é a colheita de escapos florais, mormente nas cercanias de povoações e de caminhos trilhos, porquanto prejudica a polinização o que, por seu turno, condiciona o sucesso reprodutivo da população nacional de martagões.[13]

Variedades[editar | editar código-fonte]

  • L. m. subsp. martagon -
  • L. m. subsp. pilosiusculum

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Xaver Finkenzeller: Alpenblumen. München 2003, ISBN 3-576-11482-3
  • Dankwart Seidel: Blumen. München 2001, ISBN 3-405-15766-8
  • Michael Jefferson-Brown: Lilien.. Christian-Verl., München 2004, ISBN 3-88472-627-7
  • Edward A. McRae: Lilies. A Guide for Growers and Collectors. Timber Press, Portland Or 1998, ISBN 0-88192-410-5
  • Simon, Jelitto, Schacht: Die Freiland – Schmuckstauden, Bd. 2, S. 567, Ulmer, 1990, ISBN 3-8001-6378-0
  • Erich Oberdorfer: Pflanzensoziologische Exkursionsflora. 8. Auflage, Ulmer, Stuttgart 2001, ISBN 3-8001-3131-5
  • Dieter Heß: Alpenblumen – Erkennen – Verstehen – Schützen, Verlag Eugen Ulmer, Stuttgart 2001, ISBN 3-8001-3243-5
  • Ruprecht Düll und Herfried Kutzelnigg: Taschenlexikon der Pflanzen Deutschlands. 2005, ISBN 3-494-01397-7

Referências

  1. a b c «Lilium candidum| Flora-On | Flora de Portugal». flora-on.pt. Consultado em 16 de outubro de 2021 
  2. a b Infopédia. «Martagão | Definição ou significado de Martagão no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 17 de janeiro de 2022 
  3. Infopédia. «lírio-mártago | Definição ou significado de lírio-mártago no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 17 de janeiro de 2022 
  4. a b c d «Lilium martagon». Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Consultado em 17 de março de 2020 
  5. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Castroviejo, S. (1986–2012). «Lilium Martagon» (PDF). Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid. p. 12-13. Consultado em 17 de março de 2020 
  6. a b c d e «Lilium Martagon - Página de Espécie • Naturdata - Biodiversidade em Portugal». Naturdata - Biodiversidade em Portugal. Consultado em 13 de fevereiro de 2022 
  7. «PESI portal - Lilium martagon L.». www.eu-nomen.eu. Consultado em 13 de fevereiro de 2022 
  8. «līlĭum -ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». www.online-latin-dictionary.com. Consultado em 13 de fevereiro de 2022 
  9. Sarmiento, Martín; Sobreira, Juan de (1974). Opúsculos lingüísticos gallegos del siglo XVIII (em espanhol). Pontevedra, España: Editorial Galaxia. p. 108. 267 páginas. ISBN 8471542188 
  10. Silva, J. (2007). Os Carvalhais – um património a conservar, Público.
  11. Plants. «Lilium martagon» (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2009 
  12. «Página de Espécie • Naturdata - Biodiversidade em Portugal». Lilium Martagon - Naturdata - Biodiversidade em Portugal. Consultado em 3 de fevereiro de 2022 
  13. a b c d e f g h Capeto, André (2020). Lista Vermelha da Flora Vascular Portugal Continental 2020. Porto: Sociedade Portuguesa de Botânica e Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação – PHYTOS. p. 166. 374 páginas. ISBN 978-972-27-2876-8 
  14. a b «Lilium Martagon - Flora-On | Flora de Portugal». flora-on.pt. Consultado em 1 de fevereiro de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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