Lourenço Fernandes da Cunha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Lourenço da Cunha, veja Lourenço da Cunha (desambiguação).
Lourenço Fernandes
Nome completo Lourenço Fernandes da Cunha
Nascimento c. 1145
Reino de Portugal
Morte Outubro de 1225-Outubro de 1228
Reino de Portugal
Nacionalidade Portugal Portugal
Ocupação nobre e cavaleiro medieval português.

Lourenço Fernandes da Cunha (c. 1145 - Outubro de 1225-Outubro de 1228) foi um nobre e cavaleiro medieval do Reino de Portugal.

Filiação[editar | editar código-fonte]

Foi filho de Fernão Pais da Cunha (1103 - c. 1180), 2.º Senhor da Honra da Cunha e 2.º senhor consorte de Tábua e de sua mulher Mor Uzbertiz.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns historiadores[quem?] nasceu no solar da família, na antiga freguesia de São Miguel da Cunha, concelho de Braga, e criado em casa de Pedro Silvestre, na freguesia de São Tomé de Moimenta.

Em junho de 1171, com os pais já falecidos, sua irmã Elvira Fernandes, com o outorgamento de seus tios e primos de Coimbra, procedeu-lhe à venda, pela quantia de 40 morabitinos, do solar que possuía em freguesia da Cunha, local onde Lourenço se encontrava a fazer uma quinta com a respectiva torre senhorial. Este facto mostra que já era de maior idade e proprietário abastado.

Era um cavaleiro da Honra de Varzim (Honrra de Veracim), sistema feudal que floresceu na Europa do século XI e XII, com heranças mantidas juntas e administradas em conjunto, com caput no centro da Póvoa de Varzim (Villa Veracin), onde tinha o seu palácio e de seus filhos. Neto paterno de Paio Guterres da Cunha, que o conde D. Henrique reconheceu como Senhor de Varzim,[1] ganhou vários domínios pelo reino, o poder deste cavaleiro e por acreditar que a sua família conspirava contra o rei, levou D. Sancho a destruir-lhe a torre de Cunha, várias propriedades agrícolas em Cunha e Varzim, e capturou o Porto de Varzim, este último persistirá a ser uma questão entre a honra de Varzim e os réis portugueses até ao reinado de D. Dinis.[2]

Foi Cavaleiro Fidalgo e o 3.º Senhor da Honra da Cunha e o 3.º Senhor de Tábua de juro e herdade. O importante documento medieval denominado Notícia de Torto, escrito entre 1211 e 1216, que é o mais antigo documento particular datável conhecido escrito em português, apresenta-nos uma importante narrativa dos agravos que o nobre Lourenço Fernandes da Cunha sofreu às mãos de outros senhores.

Padroeiro das igrejas de Tábua e São Miguel da Cunha e dos mosteiros de São Simão da Junqueira, São Salvador do Souto e Santo Estêvão de Vilela, etc. Foi senhor de muitos bens espalhados pelo Minho, Douro e Beira Alta. Documentado desde 1171 e falecido entre 1225 e 1228. Documenta-se com sua mulher em 1202.

Ataque a Sevilha[editar | editar código-fonte]

Em 1176 Lourenço Fernandes, foi um dos Cavaleiros que acompanharam o infante D. Sancho I no ataque à cidade de Sevilha, detida pelos mouros. Lourenço procedeu nesta cidade ao saque do Bairro de Triana, tendo regressado a Portugal e aos seus domínios com os despojos.

Domínios[editar | editar código-fonte]

Com o seu casamento ocorrido com Sancha Lourenço de Macieira, Lourenço recebe importantes bens; fez numerosas compras, de que ainda existem 24 escrituras, recebeu doações de particulares e doações régias e ainda além disso procedeu a ocupações territoriais abusivas, todos estes factores levaram Lourenço a acumular uma vasta fortuna territorial, distribuída pelos concelhos de Barcelos, Braga e Póvoa de Varzim, Guimarães, Santo Tirso, Coimbra, Tábua, termos de Águeda e Vouga e a outras terras. Embora de forma mais concentrada nos concelho de Barcelos, Braga e Povoa de Varzim.

Foi quem em 1099 procedeu ao povoamento de Aver-o-Mar, freguesia da Póvoa de Varzim. As Inquirições reais de 1258 informam que Aver-o-Mar é "a terra é honra de Cavaleiros". Foram os habitantes ou os cavaleiros que procederam à construção, por volta do século XV de uma capela dedicada a Nossa Senhora das Neves que actualmente é a padroeira da freguesia.

Manteve boas relações com o rei D. Afonso II de Portugal, que lhe veio a doar bens em na freguesia de Souto, concelho de Guimarães.

Este Gomes Lourenço aparece nas Inquirições do ano 1258 e do ano de 1290 com propriedades em São Paio de Figueiredo, concelho de Guimarães, em São Cristóvão de Rio Mau e São Miguel de Argivai, concelho de Póvoa de Varzim.[3]

Ataques de D. Sancho I[editar | editar código-fonte]

No documento «Mentio de malefactoria» ele queixa-se de o rei de D. Sancho I de Portugal lhe ter mandado “ermar 70 casais com cem homens de maladia e incendiar a quinta e casais” que tinha na freguesia de Cunha. Este documento leva à conclusão de que se tratava de um rico cavaleiro, a quem, na mesma altura, “tomaram 40 escudos, capacetes de ferro e muitas outras armas…capellos de ferro et multa alia arma”.

Esta perseguição por parte do rei exposta no «Mentio de malefactoria», deu-se nos fins do reinado de D. Sancho I, e depois do mês de abril de 1210. A torre de Cunha foi destruida. O rei ordenou a destruição de várias das suas propriedades em Varzim, incluindo 10 dos 17 casais de Varzim. O rei tomou a terra, destruiu as propriedades e expulsou os povoadores.[2]

Aproveitando-se destes acontecimentos, Lourenço Fernandes da Cunha e família foram sujeitos a uma série de roubos, violências por parte, de vários nobres, mas principalmente da parte dos filhos de D. Gonçalo Ramires, que possuía uma honra antiga na freguesia de Cunha, e que era seu conterrâneo e parente.

Não obstante estes acontecimentos, Lourenço conseguiu conservar e recuperar parte da fortuna, que acabou por deixar a esposa e aos filhos.

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Embora não sejam conhecidos documentos de óbito os historiadores de deduzem que deve ter falecido entre Outubro de 1225 e Outubro de 1228, dado que em Outubro de 1225 aparece a fazer uma compra juntamente com a esposa, enquanto na segunda data, Outubro de 1228, é somente a esposa que aparece a fazer uma compra, não voltando Lourenço a intervir em qualquer outro documento conhecido.

Todos os filhos de Lourenço Fernandes foram fidalgos de fortuna e com influência, embora como é natural, houve uns que sobressaíram como foi o caso informado pelo Nobiliário do Conde D. Pedro; “D. Gomez Louremço foy muito honrrado e de gram fazemda e foy padrinho delrey Dom Dinis de Portugal” e “Egas Loureraço foy o melhor e mais honrrado de seus irmãaos”.

Casamentos e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou por duas vezes, a primeira a 24 de Outubro de 1198 com Sancha Lourenço de Macieira, documentada nas Inquirições de 1258 e 1288, filha de Lourenço Gomes de Macieira, de quem teve:

  1. Gomes Lourenço da Cunha, casado por duas vezes, a primeira com Teresa Gil da Arões e a segunda com Maria Martins do Vinhal;
  2. Egas Lourenço da Cunha;
  3. João Lourenço da Cunha, fundador e 1.º senhor do Morgado de Tábua;
  4. Maria Lourenço da Cunha, casou com Rodrigo da Nóbrega;
  5. Vasco Lourenço da Cunha (1210 -?), 2.º senhor do morgado de Tábua, casado com Teresa Pires de Portel;
  6. Mor Lourenço da Cunha, casou com Estêvão Lavandeira;
  7. Martim Lourenço da Cunha (?-?), casou (c. 1210 -?) com Sancha Garcia de Penha filha de Garcia Fernandes de Penha (1180 -?) e de Teresa Pires de Baião (1190 -?);
  8. Urraca Lourenço da Cunha (fundadora de um vínculo no ano de 1269 que, no século XVI, tinha como administrador Vicente de Novais da Cunha, Fidalgo da Casa Real, casado, com geração, com D. Brites da Silva, da casa dos senhores de Angeja[4]), casou com Martim Martins Dade, que foi alcaide-mor do Castelo de Santarém;
  9. Sancha Lourenço da Cunha, foi freira no Mosteiro de Vairão;
  10. Marinha Lourenço da Cunha;
  11. Domingos Lourenço da Cunha

O segundo casamento foi com: Maria Martins do Vinhal (c. 1190 -?), de quem não teve descendência.

Foram do casamento teve:

  1. Vicente Lourenço da Cunha;
  2. Maria Lourenço da Cunha.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Baptista de Lima, João (2008). Póvoa de Varzim - Monografia e Materiais para a sua história. [S.l.]: Na Linha do horizonte - Biblioteca Poveira CMPV 
  2. a b Amorim, Manuel (2003). A Póvoa Antiga. [S.l.]: Na Linha do horizonte - Biblioteca Poveira CMPV 
  3. de Cronologia, Diplomática Paleografia e Histórico-linguístico, P. Avelino de Jesus da Costa
  4. Cardoso, Augusto-Pedro Lopes. «Um abade viajante do séc. XVI. Dom Manuel de Azevedo, senhor da honra de Barbosa». Armas e Troféus, IX série, Tomo 20, 2018: 445 - 446. Consultado em 18 de fevereiro de 2020