Luiz Carlos Molion

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Luiz Carlos Molion
Nome completo Luiz Carlos Baldicero Molion
Nascimento 1947 (70 anos)
São Paulo, SP, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Alma mater Universidade de São Paulo
Ocupação professor, pesquisador e meteorologista

Luiz Carlos Baldicero Molion (São Paulo, 1947) é um meteorologista brasileiro, professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), PhD em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas. Conhecido como “o cientista que não se curva aos ambientalistas radicais” [1] é também representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM)

É um dos principais defensores no Brasil do negacionismo climático, alegando que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global.[2][3][4]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Possui graduação em Física pela Universidade de São Paulo (1969), PhD em Meteorologia, University of Wisconsin, Madison (1975), pós-doutorado em Hidrologia de Florestas, Institute of Hydrology, Wallingford, UK (1982) e foi fellow do Wissenschaftskolleg zu Berlin, Alemanha (1989-1990)[5]. É Pesquisador Sênior aposentado do INPE/MCT e é Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas, foi professor palestrante convidado da Western Michigan University de 15 a 30 de janeiro de 2001[6], e é professor de pós graduação da Universidade de Évora, Portugal. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Dinâmica de Clima, atuando principalmente em variabilidade e mudanças climáticas, Nordeste do Brasil e Amazônia, e nas áreas correlatas energias renováveis, desenvolvimento regional e dessalinização de água. É membro do Grupo Gestor da Comissão de Climatologia, Organização Meteorológica Mundial (MG/CCl/WMO).[7]

Molion tem mais de 30 artigos publicados em revistas e livros estrangeiros e mais de 80 artigos em revistas nacionais e congressos, sendo a maioria absoluta publicada a partir do ano de 1995, em particular sobre impactos do desmatamento da Amazônia no clima, climatologia e hidrologia da Amazônia, causas e previsibilidade das secas do Nordeste, mudanças climáticas globais e regionais, camada de ozônio e fontes de energias renováveis.[7] Foi cientista-chefe nacional de dois experimentos com a NASA sobre a Amazônia. Aposentou-se do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCT), onde atuou de 1970 a 1995 e foi diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas durante praticamente todo o período, como Pesquisador Titular III. Entre 1990 e 1992, foi presidente da Fundação para Estudos Avançados no Trópico Úmido (UNITROP), Governo do Estado do Amazonas, em Manaus, onde desenvolveu pesquisas sobre desenvolvimento sustentado, em particular o biodiesel, combustível renovável feito de óleos de palmáceas nativas.[8]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Negacionismo climático no Brasil

As principais críticas que o pesquisador recebe são derivadas de suas opiniões negacionistas a respeito da realidade e gravidade do aquecimento global, das quais é um dos principais defensores no Brasil.[9][10][11] Tem contestado a exatidão das medições, a fidelidade dos modelos climáticos, a gravidade das projeções para o futuro, que a temperatura média da Terra tenha se elevado em quase um grau Celsius desde o fim do século XIX, e que o homem tenha alguma participação importante neste processo, entre outros aspectos.[10][11][9] Como porta-voz de um grupo de outros céticos, disse que "a conservação ambiental não tem nada a ver com o aquecimento global, esta é a nossa principal mensagem".[12] Contudo, para o esmagador consenso da comunidade científica internacional e nacional, o aquecimento global é real, a causa é humana, está intimamente ligado ao desequilíbrio ecológico, já provoca múltiplos efeitos negativos, e deve piorar dramaticamente se não for combatido com vigor e rapidez. Para a comunidade, as opiniões negacionistas carecem de fundamento científico, pois não correspondem à realidade observacional consolidada em múltiplas medições e tampouco concordam com a base teórica do aquecimento.[13][14][15]

Um dos cientistas mais reputados mundialmente na área do aquecimento global, Philip Fearnside, disse que "vários dos principais cientistas da área climática no Brasil se recusam a debater com céticos como Molion. Este autor acredita que isto seja um erro crítico".[11] Essa chamada aos cientistas nacionais para que se posicionem claramente contra o pequeno mas barulhento e influente grupo de céticos brasileiros se explica porque nos últimos anos o negacionismo climático vem se organizando muito forte e livremente no Brasil, criando confusão na mente do público leigo, provocando retrocessos nas políticas e programas ambientais, dificultando o avanço do país em direção à sustentabilidade e ameaçando o cumprimento dos compromissos assumidos pelo país de redução de emissões.[16][17][11]

Molion tem sido visto como um importante aliado do agronegócio e dos ruralistas em suas tentativas de isentar o setor rural de culpas na origem do aquecimento global, é um convidado frequente em encontros de ruralistas,[9] e foi chamado de "um dos nomes mais importantes do cenário agro brasileiro".[18][19] O conhecimento de ponta sobre o assunto, por outro lado, mostra este setor como um dos principais responsáveis pelo aumento na emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono e o metano.[14] No Brasil, que em 2011 era o 6º maior emissor mundial de gases,[20] a questão rural tem uma importância superlativa, já que o agronegócio tem sido um importante motor da economia nacional, mas segundo estudos realizados pelo próprio Governo, o país tem no desmatamento para expansão da agricultura e da pecuária a principal fonte dos gases que emite.[21][22] Em 2010 o setor rural respondia por quase 80% das emissões nacionais.[22] Para Alexandre Costa, pesquisador do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, "afinal, se a pecuária não contribui com emissões de metano e se as emissões de dióxido de carbono (e também de metano) associadas ao desmatamento não são um problema, o discurso de Molion representa um tipo de armadura e escudo pseudocientíficos que o agronegócio precisa".[9]

Algumas publicações[editar | editar código-fonte]

  • j.j. Burgos, h. Fuenzalida Ponce, l.c. Molion. 1991. "Climate Change, Vol. 18, pp. 223- 239, 1991
  • eneas Salati, jose Marques, luiz carlos Molion. 1978. "Origem e distribuição das chuvas na Amazónia," Interciencia 3:200-206
  • Santos, e. b. ; l. c. b. Molion . "Um Índice Climático Obtido da TSM do Oceano Pacífico e a Variabilidade da Precipitação em Alagoas". Ambientale, v. 2, p. 47-66, 2010.
  • Cardoso, c. s. ; l. c. b. Molion ; Siqueira, a. h. b. ; Cardoso, m. s. ; Gomes Neto, i.l. . "Precipitação no Sahel e a Oscilação Decadal do Pacífico". Ambientale, v. 2, p. 67-80, 2010.
  • Siqueira, a. h. b. ; Santos, n. a. ; Cardoso, c. s. ; Santos, w. r. t. ; l. c. b. Molion . "Eventos Extremos de Precipitação de Maio de 2006 sobre Alagoas: Uma Análise se suas Causas e seus Impactos". Ambientale, v. 2, p. 59-66, 2010.
  • l. c. b. Molion . "Aquecimento Global: Uma Visão Crítica". Revista Brasileira de Climatologia, v. 3/4, p. 7-24, 2008.
  • l. c. b. Molion . "Perspectivas Climáticas Para Os Próximos 20 Anos". Revista Brasileira de Climatologia, v. 3/4, p. 117-128, 2008.

Referências

  1. Redação O Cone Sul (31 de dezembro de 2011). «"A verdade Nua e Crua" Rondônia terá clima de 1940, diz o Cientista"». Consultado em 3 de outubro de 2012 
  2. Carlos Madeiro (11 de Dezembro de 2009). «"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul». Consultado em 7 de Junho de 2012 
  3. Carolina Oms (8 de Dezembro de 2009). «Reduzir CO2 não impede aquecimento, diz meteorologista». Consultado em 7 de Junho de 2012 
  4. Perfil.com (8 de julho de 2007). «Científico brasileño prevé una nueva Era Glacial». Consultado em 21 de novembro de 2011 
  5. «"Wissenschaftskolleg zu Berlin: Former Fellows alphabetically"». Consultado em 4 de Novembro de 2012 
  6. «"Brazilian scholar explores meteorological topics"». 12 de Janeiro de 2001. Consultado em 4 de novembro de 2012 
  7. a b Luiz Carlos Molion (11 de maio de 2011). «"Currículo do Professor Luiz Carlos Molion na Plataforma Lattes"» 🔗. Consultado em 4 de outubro de 2012 
  8. Carlos Madeiro (11 de dezembro de 2009). «"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul"». Consultado em 4 de outubro de 2012 
  9. a b c d Costa, Alexandre Araújo. "A Negação das Mudanças Climáticas e a Direita Organizada – Parte 3 – E o Professor Molion?" Uma Incerta Antropologia, 2012
  10. a b Santos, Felipe Almeida dos & Silva, Clara Ribeiro. "O aquecimento global como novo fundamentalismo econômico". In: Lumen, /2016 (2)
  11. a b c d Fearnside, Philip. "Os céticos de clima no Brasil 1: colaboração da mídia". Amazônia Real, 16/03/2015
  12. "Grupo contraria teorias sobre o aquecimento global e critica IPCC". Assessoria de Imprensa da Universidade Federal de Campina Grande, 15/02/2008
  13. Cook, John. "Consensus on consensus: a synthesis of consensus estimates on human-caused global warming". In: Environmental Research Letters, 2016; 11 (4)
  14. a b IPCC. "Summary for Policymakers". In: Climate Change 2013: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, 2013
  15. IPCC. "Summary for policymakers". In: Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability. Part A: Global and Sectoral Aspects. Contribution of Working Group II to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2014
  16. Sirkis, Alfredo. "A farsa do negacionismo climático". Congresso em Foco, 10/07/2012
  17. Bailão, Andre Sicchieri. "Ciências e Mundos Aquecidos: Controvérsias e Redes de Mudanças Climáticas em São Paulo". In: Anais da ReACT - Reunião de Antropologia da Ciência e Tecnologia, 2014; 1 (1)
  18. "Luiz Carlos Molion responde AO VIVO as dúvidas do internautas hoje às 12h30 no Notícias Agrícolas". Notícias Agrícolas, 02/08/2016
  19. "Encontro Ruralista reúne presidentes de Sindicatos, coordenadores de Núcleos Regionais e lideranças políticas do setor". Assessoria de Comunicação do Sistema FAEPA — Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, 2016
  20. Brown, Frederic J. "Metade dos gases estufa é gerada por 5 países; Brasil é o 6º emissor, diz relatório". Veja, 01/12/2011
  21. Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima. Plano Nacional sobre Mudança do Clima, 2008
  22. a b "Emissão de gases de efeito estufa no país aumentou 62% em 15 anos". Notícias UOL, 01/09/2010