Menino do Lapedo

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Menino do Lapedo foi a denominação dada ao fóssil de uma criança encontrado em 1998 no Abrigo do Lagar Velho do Vale do Lapedo, na cidade portuguesa de Leiria.

Descoberta[editar | editar código-fonte]

O menino do Lapedo foi descoberto em 28 de Novembro de 1998, dia em que se realizou uma expedição ao Abrigo do Lagar Velho, para estudar algumas pinturas rupestres descobertas anteriormente.[1] A reconstituição da época demonstra que o lugar do enterramento correspondia a um cone de acumulação de sedimentos, rodeado pela ribeira do Sirol e uma possível exsurgência na parede calcária. Para enterrar a criança, tinha sido escavada uma pequena fossa e queimado um ramo de pinheiro. A criança foi embrulhada numa mortalha tingida com ocre vermelho (daí a tonalidade vermelha do solo na sepultura) e estendida na fossa, de costas e ligeiramente inclinada para a parede do abrigo. Junto ao pescoço foi ainda recolhida uma concha tingida a ocre, que deveria fazer parte de um colar, e quatro dentes de veado na cabeça, que poderiam fazer parte de uma espécie de touca. A criança foi ainda enterrada com oferendas de carne de veado.

O esqueleto mede cerca de 90 centímetros. Desconhece-se o sexo do esqueleto (apesar de ser chamado "menino"). O esqueleto no entanto não estava totalmente intacto: a mão, o antebraço e o pé esquerdos tinham sido deslocados, ou por um animal a escavar na toca, ou no acto da descoberta; o crânio, o ombro e o braço direitos foram esmagados durante o processo de terraplanagem do local. A caixa torácica, a coluna vertebral, a cintura pélvica, as pernas, o braço esquerdo e o pé direito, no entanto, estavam intactos e na posição original.

Relevância e polêmica[editar | editar código-fonte]

A relevância deste esqueleto arqueológico, com cerca de 24 500 anos, dá-se pelo facto do fóssil ter pertencido a uma criança que teria nascido do cruzamento de um Homo neanderthalensis e um Homo sapiens, o que revelara que espécies diferentes de humanos poderiam ter-se cruzado entre si e gerar descendentes. Com o menino do Lapedo pode-se sugerir que os Neandertais desapareceram, não por extinção, mas sim por interação entre eles e os cro-magnons e uma absorção do mesmo.


Hoje ainda continuam as investigações arqueológicas e antropológicas ao esqueleto, bem como as discussões da sua origem: se de facto resultou da mistura das duas espécies, ou se na verdade pertence a uma delas.

É possível ver uma réplica do esqueleto no Centro de Interpretação do Lagar Velho, e uma reconstrução do rosto do menino, feita pelo antropólogo norte-americano Brian Pierson. Está prevista a construção de um museu de arqueologia no Convento de Santo Agostinho, na cidade de Leiria, que albergará o esqueleto original.

É proposto a tese de que o Homo sapiens ao se deslocar da África à Europa pelo Estreito de Gibraltar tenha provocado a extinção do Homo neanderthalensis ao se propagarem a partir da Península Ibérica. Ainda que tal fóssil reforce a teoria de que essas duas espécies de hominídeos se tenham cruzado entre si, gerando descendentes, no entanto, há divergências como na datação da extinção dos Neandertais, os quais possuem seus fósseis mais recentes datados há cerca de 28 mil anos, já o da criança possui cerca de 24,5 mil anos. Dessa forma, as fontes arqueológicas não evidenciam concretamente nenhuma explicação plausível, gerando polêmicas oriundas das discrepâncias relacionadas às visões dos pesquisadores.

Referências

  1. «Menino de Lapedo». Consultado em 2 de junho de 2010. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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