Mina de diamantes Luó

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A mina de Luó, ou área de concessão da Luó–SMCC, é uma mina de diamantes em operação desde 2005, sendo considerada uma das 10 maiores do mundo.[1] Situa-se no nordeste de Angola, a sul da província de Lunda-Norte. A extensão da área de concessão é de 225 km².

A mina de Luó está situada a cerca de 75 km do Lucapa, antiga capital da província de Lunda-Norte, e a aproximadamente 80 km a norte da cidade de Saurimo, capital da província da Lunda-Sul, e dista cerca de 1300 km de Luanda, a capital de Angola, onde se situa a sede da empresa.

O consórcio explorador é constituído pela joint-venture Escom-Alrosa, que possui 45% do capital, e é administrado pela Escom Mining e a Alrosa. Os restantes da participação societária, 55%, é constituído por três empresas de capital angolano, sendo elas: Endiama, Hipergesta e Angodiam.[2]

Características gerais[editar | editar código-fonte]

A mina é acessível por estrada asfaltada ou por via aérea, quer via Saurimo, quer via Lucapa.

Os rios Chicapa, Luó, Lunhinga, Carambala, Cula e Camanguge podem ser considerados como os mais importantes da bacia hidrográfica da concessão.

O clima da região é tropical, caracterizado por duas estações, a estação seca ou cacimbo de maio a agosto e a estação das chuvas de setembro a abril. As maiores chuvas acontecem em novembro, dezembro, março e abril. Temperatura média anual 22 ºC, temperatura máxima 35 ºC, temperatura mínima 12 ºC.

A geologia do Luó[editar | editar código-fonte]

A área diamantífera do nordeste de Angola está situada geograficamente entre os paralelos 7° 10' e 9° 00' sul, e entre os meridianos 20° 00' e 21° 50' este.

A região enquadra-se na orla meridional da bacia do Congo, representando o seu prolongamento geomorfológico natural em território angolano.

A concessão está localizada na parte central do planalto da Lunda, onde as rochas do escudo cristalino afloram somente nos vales dos rios e o resto do território está coberto por rochas da capa sedimentar.

Ao longo dos vales dos rios Luachimo e Chicapa encontram-se grupos muito importantes de kimberlitos, dele fazendo parte as formações que encontramos na área de concessão da Luó, nomeadamente a chaminé Camatchia, que se localiza junto à confluência dos rios Chicapa e Luó, e e a chaminé Camagico que se localiza um pouco a sul do rio Luó.

A chaminé Camatchia foi descoberta no início dos anos 60, situa-se no fundo do vale do rio Chicapa e sofre directamente os efeitos da erosão pelo seu curso. Cerca de 50% da área do corpo mineralizado está coberto por sedimentos aluviais de pouca espessura, e o restante por areias do tipo Calahári. As rochas encaixantes da chaminé são do tipo migmatito-gnáissicas do Arqueano inferior e as rochas vulcanogêneo-sedimentares da cratera encontram-se substancialmente erodidas, a espessura mantida pelas rochas da cratera é da ordem dos 100 m.

A chaminé Camatchia tem forma mais ou menos circular, com um diâmetro de cerca de 650 metros e cerca de 30 hectares, sendo a sua morfologia composta por rochas de duas fácies genéticas principais, a hipabissal-eruptiva e a crateral, representada a primeira por kimberlitos porfíricos intrusivos e brechas kimberlíticas autolíticas explosivas e as segundas por formações sedimentares de origem vulcânica com inclusões de material kimberlítico, compostos por tufitos, argilas tufáceas, tufos diversos, conglomerados tufísticos, brechas tufáceas e depósitos sedimentares de granulação diversa.

Na chaminé Camagico foram efectuados alguns estudos preliminares, o kimberlito é de forma lenticular com aproximadamente 1000 metros de comprimento para nordeste por 400 metros de largura. Prevê-se a ocorrência de kimberlito porfírico à profundidade de 100 metros com reservas de aproximadamente 1,5 milhões de metros cúbicos de minério e cerca de 2,4 milhões de quilates de diamantes.

Foram identificados na área de concessão da Luó os kimberlitos Lunhinga I, Lunhinga II, Carambala, Samuchito e Cula.

No que concerne à prospecção, apenas 30% do território concedido está em condições de ser prospectado. Todos os trabalhos realizados até 1975 foram baseados em testes feitos com sedimentos de territórios em boas condições para prospecção, assim teoricamente 70% do território concedido ainda não foi prospectado na sua totalidade para a detecção de novos kimberlitos.

Em 1997, foi efectuado um levantamento aeromagnético de uma área de 323 km² à escala 1:25000, cujos mapas sobre gradiente magnético encontram-se no arquivo da Luó-SMCC. Esta informação poderá ser usada para detectar as anomalias que, com posterior sondagem, poderão levar à descoberta de novos kimberlitos.

Em 2003, a Luó-SMCC efectuou trabalhos de campo de prospecção magnética à escala 1:10000 e 1:5000 numa área total de 16,9 km². Nesta amostra foram detectados 13 anomalias magnéticas com perspectivas de se descobrirem novos kimberlitos. Tendo em conta que o levantamento efectuado cobriu apenas 7,5% do território, podemos inferir da existência de cerca de 100 anomalias magnéticas na área, com perspectivas de se descobrirem kimberlitos.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]