Orquestra Real do Concertgebouw

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Residência da Orquestra

A Orquestra Real do Concertgebouw (em neerlandês: Koninklijk Concertgebouworkest) é uma orquestra sinfônica neerlandesa, baseada no Concertgebouw (em português, "sala de concertos") de Amsterdã. Em 1988, a Rainha Beatriz dos Países Baixos conferiu o título de "Real" à orquestra. Em dezembro de 2008, um grupo de críticos, convidados pela revista Gramophone, elegeu a orquestra como a melhor orquestra sinfônica do mundo.

É uma das orquestras que contribuem com a Ópera Holandesa.

História[editar | editar código-fonte]

O Concertgebouw foi inaugurado em 11 de abril de 1888. Entretanto, a orquestra não foi fundada juntamente com a sala de concertos. Apresentou seu primeiro concerto apenas em 3 de novembro de 1888, sob a direção do maestro titular dos primeiros sete anos, Willem Kes.

1895 - 1945[editar | editar código-fonte]

Em 1895, Willem Mengelberg tornou-se o maestro titular, permanecendo nesse posto por cinquenta anos, o que não é usual para um regente[1]. Ele é geralmente lembrado como o primeiro a elevar a orquestra a um nível significante, internacionalmente, com a participação dos seus contemporâneos Gustav Mahler e Richard Strauss.

Nos primeiros 75 anos, a orquestra passou por uma fase complicada, em relação a maestros. Havia o primeiro maestro (eerste dirigent), que ajudava o maestro titular com o programa, e o segundo maestro (tweede dirigent), que apenas concentia com o primeiro[2]. Durante o período de Mengelberg, passaram pela orquestra, como primeiros maestros: Karl Muck (1921-1925), Pierre Monteux (1924-1934), Bruno Walter (1934-1939) e Eugen Jochum (1941-1943). Como segundo maestro, passaram entre outros: Cornelis Dopper, Evert Cornelis e Eduard van Beinum.

Em 1945, por causa da controvérsia sob a relação da orquestra com o Nazismo, durante a ocupação dos Países Baixos, Mengelberg foi removido da orquestra e banido como maestro. A proibição foi imposta, inicialmente, para o resto de sua vida, mas com a apelação, foi reduzido para seis anos, mas Mengelberg morreu em 1951, pouco antes do final de sua sentença, portanto, nunca regendo a orquestra.

1945 - 1985[editar | editar código-fonte]

De 1945 até 1959, o maestro principal da orquestra foi Eduard van Beinum, que estreou na orquestra em 1929. Ele foi nomeado segundo maestro em 1931 e co-primeiro maestro em 1938. Uma de suas especialidades eram as sinfonias de Anton Bruckner. Ele serviu como maestro principal após a Segunda Guerra Mundial até sua morte súbita no podium do Concertgebouw, por um ataque cardíaco fatal, em abril de 1959.

No dia 7 de Novembro de 1956, o maestro Bernard Haitink fez sua estreia com a orquestra. Após a morte de van Beinum, Haitink tornou-se o primeiro maestro, em Setembro de 1959. De 1961 até 1963, Haitink e Eugen Jochum compartilharam o posto de maestro chefe da orquestra[3]. Haitink tornou-se o único maestro chefe em 1963 e serviu nesse posto até 1988. No período de Haitink, o sistema da orquestra tornou-se mais simplificado, tendo apenas um maestro e seu assistente. Maestros que serviram nesse cargo incluem Edo de Waart e Hans Vonk. Haitink ameaçou renunciar em protesto, e por causa da situação financeira, ele acabou saindo da orquestra[4]. Em 1999, Haitink foi nomeado Maestro Laureado.

Desde 1985[editar | editar código-fonte]

Riccardo Chailly fez sua estreia com a orquestra em 1985 e foi eleito como sucessor de Haitink[5]. Foi o primeiro não-holandês a ocupar esse posto, servindo de 1988 a 2004. Suas gravações com a orquestra incluem o ciclo sinfônico completo de Gustav Mahler e Johannes Brahms, e algumas sinfonias de Anton Bruckner. Gravou também obras de Dmitri Shostakovich, Paul Hindemith, Igor Stravinsky, Olivier Messiaen e Edgard Varèse. Após sua retirada da orquestra, foi nomeado Maestro Emerito.

O maestro lituano Mariss Jansons fez sua estreia com a orquestra em 1988 e foi eleito maestro chefe dia 22 de Outubro de 2002[6]. Seu trabalho começou oficialmente dia 1 de Setembro de 2004, com um contrato inicial de três anos.

Caráter[editar | editar código-fonte]

A orquestra sempre teve uma relação com Gustav Mahler e apresentou suas sinfonias. Outros maestros notáveis que trabalharam junto da orquestra foram George Szell e Kiril Kondrashin, que foi o maestro convidado permanente de 1978 até 1981. Mais recentemente, Nikolaus Harnoncourt foi nomeado o Maestro Convidado Honorário, em 2000.

Outro fato marcante, é que a orquestra teve apenas seis maestros principais, diferente de outras orquestras de mesmo calibre. A orquestra está chegando as mil gravações, o que lhe dá mais crédito como a melhor orquestra do mundo, servindo também para produções da Ópera Holandesa.

Membros notáveis[editar | editar código-fonte]

Maestros[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Outros maestros que tiveram longas permanências à frente de grandes orquestras foram Evgeny Mravinsky na Orquestra Filarmônica de Leningrado, Ernest Ansermet na Orchestre de la Suisse Romande, Robert Kajanus na Orquestra Filarmônica de Helsinki, e Eugene Ormandy na Philadelphia Orchestra.
  2. Wisse, Kees, notes to Q-Disc Issue "Eduard Van Beinum: The Radio Recordings", Q-Disc (translated Lodewijk Odé, Ko Kooman and Chris Gordon).
  3. Hussey, Dyneley, "The Musician's Gramophone" (maio 1960). The Musical Times, 101 (1407): 303
  4. James R. Oestreich (10 março 2002). «An Eminently Rational Man In an Irrational Profession». New York Times. Consultado em 30 de outubro de 2007 
  5. John O'Mahony (9 março 2002). «Maestro in the fast lane». The Guardian. Consultado em 19 de agosto de 2007 
  6. Martin Cullingford (17 outubro 2002). «Jansons confirmed as Royal Concertgebouw head». Gramophone. Consultado em 19 de agosto de 2007 

Ver também[editar | editar código-fonte]